" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

domingo, 27 de março de 2011

Religiões: Rastafari

O rastafarianismo, também conhecido como movimento rastafári ou Rastafar-I (rastafarai) é um movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). Este termo advém de uma forma contraída de Jeová encontrada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James, e faz parte da trindade sagrada o messias prometido. O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação.
Haile Selassie,
em foto da década de 1930
O movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 20, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope.
Alguns historiadores, afirmam que o movimento surgiu, e teve posteriormente adesão, por conta da exploração que sofria o povo jamaicano, o que favorece o surgimento de idéias religiosas e líderes messiânicos.
Outros fatores inerentes ao seu crescimento incluem o uso sacramentado da maconha ou "erva", aspirações políticas e afrocentristas, incluindo ensinamentos do publicista e organizador jamaicano Marcus Garvey (também freqüentemente considerado um profeta), o qual ajudou a inspirar a imagem de um novo mundo com sua visão política e cultural.
O movimento é algumas vezes chamado rastafarianismo, porém alguns rastas consideram este termo impróprio e ofensivo, já que "ismo" é uma classificação dada pelo sistema babilônico, o qual é combatido pelos rastas.
O movimento rastafári se espalhou muito pelo mundo, principalmente por causa da imigração e do interesse gerado pelo ritmo do reggae; mais notavelmente pelo cantor e compositor de reggae jamaicano Bob Marley. No ano 2.000 havia aproximadamente um milhão de seguidores do rastafarianismo pelo mundo, algo difícil de ser comprovado devido à sua escolha de viver longe da civilização. Por volta de 10% dos jamaicanos se identificam com os rastafáris. Muitos rastafáris são vegetarianos, ou comem apenas alguns tipos de carne, vivendo pelas leis alimentares do Levítico e do Deuteronômio no Velho Testamento.
Marcus Garvey 
O encorajamento de Marcus Garvey aos negros terem orgulho de si mesmos e de sua herança africana inspiraram Rastas a abraçar todas as coisas africanas. Eles eram ensinados que haviam sofrido lavagem cerebral para negar todas as coisas negras e da África, um exemplo é o porque que não te ensinam sobre a antiga nação etíope, que derrotou os italianos duas vezes e foi a única nação livre na África desde sempre. Eles mudaram sua própria imagem que era a que os brancos faziam deles, como primitivos e saídos das selvas para um desafiador movimento pela cultura africana que agora é considerada como roubada deles, quando foram retirados da África por navios negreiros. Estar próximo a natureza e da savana africana e seus leões, em espírito se não fisicamente, é primordial pelo conceito que eles tem da cultura africana. Viver próximo e fazer parte da natureza é visto como africano. Esta aproximação africana com a natureza é vista nos dreadlocks, ganja, e comida fresca, e em todos os aspectos da vida rasta. Eles desdenham a aproximação da sociedade moderna com o estilo de vida artificial e excessivamente objetivo, renegando a subjetividade a um papel sem qualquer importância.
Os rastas dizem que os cientistas tentam descobrir como o mundo é por uma visão de fora, enquanto eles olham a vida de dentro, olhando para fora; e todo rasta tem de encontrar sua própria verdade.
Outro importante identificador do seu afrocentrismo é a identificação com as cores verde, dourado, e vermelho, representantativas da bandeira da Etiópia. Elas são o símbolo do movimento rastafári, e da lealdade dos rastas a Hailê Selassiê, à Etiópia e a África acima de qualquer outra nação moderna onde eles possivelmente vivem. Estas cores são freqüentemente vistas em roupas e decorações; o vermelho representaria o sangue dos mártires, o verde representaria a vegetação da África enquanto o dourado representaria a riqueza e a prosperidade do continente africano.
Muitos rastafáris aprendem a língua amárica, que eles consideram ser sua língua original, uma vez que esta é a língua de Hailê Selassiê, e para identificá-los como etíopes; porém na prática eles continuam a falar sua língua nativa, geralmente a versão do inglês conhecida como patois jamaicano. Há músicas de reggae escritas em amárico

Costumes Rastafári

A dieta rastafári
Os rastafáris adotam 9 principios e o 2º principio é: "Coma apenas I-tal", um termo Rasta que significa puro, natural ou limpo. Uma série de leis de dieta e de higiene foram formuladas para acompanhar a doutrina religiosa Rastafari. Um verdadeiro Rasta não poderia ingerir álcool, tabaco, mas usa a Cannabis (maconha ou ganja) de forma ritual.
São basicamente vegetarianos, dando uso escasso a alguns alimentos de origem animal, ainda assim proibindo o uso de carnes suínas de qualquer forma, peixes de concha, peixes sem escamas, caracóis e outros.
A comida I-tal seria o que Jah ordenou que fosse: "tudo o que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação." "Melhor é a comida de ervas, onde há amor, do que o boi cevado, e com ele o ódio." É comida que nunca tocou em químicos e é natural e não vem em latas. Quanto menos cozinhados, melhor, sem sais, condimentos, pois assim possui maior quantidade de vitaminas, proteínas e força vital. As bebidas são, preferentemente, herbais, como os chás. A bebida alcóolica, o leite ou café são vistos como pouco saudáveis.
Bob Marley
e seus famosos dreadlocks

Dreadlocks
Outro costume comum proibido era o de cortar ou pentear os cabelos. Essa tradição religiosa Rasta também é fundamentada em diretrizes sagradas.

Maconha
Ganja e marijuana são algumas designações para a Cannabis, uma erva psicoativa milenar. Ela é usada pelos Rastas, não para diversão ou prazer, mas sim para limpeza e purificação em rituais controlados. Alguns Rastas escolhem não a usar. Muitos sustentam o seu uso através de Génesis 1:29:

“E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.”

A Medicina
A tradição Rastafari rasta não permite o uso (especifico para a cura de alguma doença)de qualquer tipo de remedio que não seja natural(ervas medicinais, por exemplo). Outro costume rasta, voltado á medicina, é a não presença de hospitais, medicos, etc... A origem desses hábitos provem de Génesis 1:29 , pois 'Jah' refere o uso de todo tipo de erva ou planta proveniente da face de toda a terra. Além disso, possuem a crença de que apenas 'Jah'(ou tudo que provém de sua grandeza, 'naturais') pode 'curar' um enfermo, e nenhum outro ser(médicos e etc) possui essa capacidade.

[ Fonte: Wikipédia ]

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Constituição da mandioca.


A Constituição da mandioca

Por que a Constituição elaborada em 1823 ganhou esse apelido? Saiba como a mandioca, alimento básico de indígenas, trabalhadores livres e africanos escravizados, serviu para medir a riqueza dos brasileiros no tempo do Império.


       Os deputados e senadores que elaboraram a primeira Constituição eram todos proprietários de terra e escravos. Para manter seus privilégios, decidiram que o voto no Brasil seria censitário, ou seja, só poderia votar quem provasse no censo que era bastante rico.

      Como a maior parte da população vivia na zona rural e não havia uma moeda que circulasse por todo o país, os deputados e senadores estabeleceram que a mandioca seria a medida da riqueza dos eleitores. Pela quantidade de farinha de mandioca produzida numa propriedade rural era possível saber quantas pessoas aí viviam sob o mando do seu dono.
     Segundo a Constituição, para votar era necessário ser cidadão ativo e possuir uma renda anual equivalente a 150 alqueires de mandioca. Isso dava direito a votar só para deputado; votar para senador exigia renda anual equivalente a 250 alqueires de mandioca. Disputar um cargo político exigia mais riqueza: uma renda anual equivalente a 500 alqueires de mandioca para candidatar-se  a deputado e nada menos que o dobro para candidatar-se a senador.
    A Constituição da mandioca não chegou a ser concluída, pois a Assembléia Constituinte foi fechada pelas tropas de Pedro I. Mas a Constituição imposta em 1824 pelo imperador manteve o voto censitário. 

quinta-feira, 24 de março de 2011

A contribuição do Vasco para a integração racial e social no futebol

[...] Se o Vasco não foi o primeiro clube brasileiro a contar com jogadores negros em seu elenco – alguns pesquisadores defendem que a primazia foi do Bangu; outros que a Ponte Preta foi a pioneira -, não há dúvida que o Clube de Regatas Vasco da Gama adotou uma inovadora política clara de inclusão de atletas negros, mulatos e/ou que não pertenciam à elite. E que lutou para que eles não fossem excluídos do esporte. Contribuindo decisivamente para que o futebol deixasse um esporte exclusivo de descendentes de ingleses e jovens da aristocracia. Brancos.

- O mulato e o preto eram, assim, aos olhos dos clubes finos, uma espécie de arma proibida – escreveu Mário Filho em seu livro “O negro no futebol brasileiro”. Escrito em 1947, a obra é uma referência sobre o assunto.
Coube ao Vasco, vindo da segunda divisão, desafiar o sistema vigente. O clube, fundado por portugueses, se distinguia de outros criados pela colônia lusitana por abrir suas portas também para brasileiros. De qualquer origem. O critério para ser convidado a defender o clube da Cruz de Malta não era a cor da pele ou a situação social. Era saber tratar bem a bola.
E o time passou a adotar um regime desconhecido dos demais. Os jogadores, na prática, viviam para o futebol. Acordavam em uma espécie de ‘concentração’ e treinavam. Exercícios físicos e com a bola. De manhã até de noite. Treinador pelo uruguaio Ramon Platero, e com o apoio de comerciantes portugueses, tinham boa alimentação e recebiam ‘bichos’ para dedicarem ao futebol. Um princípio de profissionalismo em uma época em que os comandantes do futebol orgulhavam-se de dizer que o esporte era amador.
Com atletas habilidosos e bem preparados, o time do Vasco geralmente dominava os adversários no segundo tempo dos jogos, quando os rivais não conseguiam mais acompanhar quem havia treinado forte durante toda a semana. E o clube vindo da segunda divisão foi campeão carioca em 1923, logo no ano de estreia na elite do futebol do Rio (na foto acima, o time campeão).
A reação dos clubes tradicionais não demorou. No ano seguinte, o grupo formado por América, Botafogo, Flamengo e Fluminense decidiu deixar a Liga Metropoliana de Desportos Terrestres (LMDT) e fundar a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Pelas regras da nova entidade, os jogadores precisariam provar que estudavam ou trabalhavam. Não em um trabalho qualquer. “Um emprego decente (…). Empregados subalternos eram riscados”, segundo Mário Filho. E precisavam saber ler e escrever corretamente. Além disso, todos os clubes deveriam ter campos e sedes próprios. O Bangu, com um time formado em boa parte por operários da fábrica de tecidos instalada no bairro da Zona Oeste, foi convidado pelo quarteto a ingressar na entidade. Os cinco fundadores tinham peso maior nas votações, garantindo que as suas propostas fossem vitoriosas.

Ao Vasco, foi exigido que 12 jogadores fossem afastados, por não atenderam aos requisitos impostos pela AMEA. Diante do ultimato, o presidente do clube, José Augusto Prestes, assinou um ofício em 7 de abril, que ficou famoso na história do futebol carioca. E brasileiro.

 Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924

Ofício no. 261

Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens quase todos brasileiros no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.

Dr. José Augusto Prestes
Presidente

O Vasco permaneceu na LMDT, ao lado de clubes que não aceitaram as condições ou que não conseguiram cumpriram as exigências da AMEA (casos do Bonsucesso, Andarahy, Villa Isabel, Mackenzie). E foi campeão da Liga Metropolitana em 1924.
No ano seguinte, houve acordo entre o clube e a AMEA, costurado em boa parte por Carlito Rocha, futuro presidente do Botafogo. O Cruzmaltino manteve seus atletas. E o clube, com seus jogadores negros, mulatos e pobres, entrou para a história esportiva do país ao contribuir decisivamente para tornar o futebol um esporte realmente de todos os brasileiros.

[ Fonte: Memória E. C. ]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Decisão do STF sobre piso de professor deve sair até semana que vem


Uma imagem que acredito representar a indignação dos Professores

A presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá votar até a quinta-feira da próxima semana (31) o mérito da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) que questiona a lei que estabelece o piso salarial dos professores (Lei 11.738/08). O valor atual, estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC), é de R$ 1.187 para os docentes da educação básica que cumprem jornada de, no máximo, 40 horas semanais.
A previsão de data para o julgamento foi confirmada, segundo Bezerra, pelo presidente do Supremo, Cezar Peluso, em reunião nesta tarde, da qual participaram outros 20 deputados que compõem a Frente Parlamentar em Defesa do Piso do Magistério. “Saímos de lá esperançosos de que os ministros serão sensíveis à questão e que deverão decidir em favor dos professores”, avaliou a deputada.
ADI
Em outubro de 2008, governadores de cinco estados (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará) impetraram no STF a ADI 4167, que questiona alguns aspectos da Lei 11.738/08. Na ação, os governadores alegam que a lei do piso do magistério viola o princípio da autonomia das unidades da Federação, além de normas constitucionais que regulam a política orçamentária.

Em decisão liminar, o STF suspendeu dois dispositivos da lei. O primeiro determinava que o professor teria pelo menos 1/3 da carga horária para atividades extraclasse. O segundo previa que o piso corresponderia ao vencimento básico do professor, sem contar vantagens ou gratificações.
Segundo Fátima Bezerra, alguns estados e municípios têm usado essa suspensão como justificativa para descumprir o piso do magistério. “O julgamento definitivo é muito importante porque deve pôr fim a uma instabilidade jurídica que está se refletindo na não aplicação da lei em todo o País”, disse.
Falta de recursos
Além dos governadores que impetraram a ação, alguns prefeitos também questionam o piso do magistério e alegam dificuldade orçamentária para cumprir a lei. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) já divulgou nota em que afirma esperar que o Supremo mantenha a posição adotada nas liminares.

Mas, para Fátima Bezerra, a falta de recursos não justifica o descumprimento do piso. A deputada lembra que a Lei 11.738/08 prevê a possibilidade de complementação dos valores pela União nos casos em que os entes não contem com recursos orçamentários suficientes. “Existe essa alternativa e, portanto, não há motivo para o descumprimento da lei. A lei do piso foi aprovada por unanimidade na Câmara após um amplo debate entre todos os segmentos envolvidos. Devemos agora aplicá-la integralmente”, afirmou. (Agência Câmara)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Personalidades históricas: Oswaldo Cruz

"O senhor fez o mesmo que Hércules. Matou a hidra. É um benfeitor da humanidade." Com essas palavras o escritor francês Anatole France, durante visita ao Rio de Janeiro em 1906, saudou Osvaldo Cruz, aludindo ao fato de ter o sanitarista brasileiro conseguido erradicar as febres amarela e bubônica e a varíola na então capital federal.
Fundador da medicina experimental no Brasil, Osvaldo Gonçalves Cruz nasceu em São Luís do Paraitinga SP em 5 de agosto de 1872. Com apenas 14 anos de idade ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde doutorou-se em 1892, defendendo a tese Da veiculação microbiana pelas águas. Clinicou no Rio de Janeiro até os primeiros meses de 1896, quando viajou para a França, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos, sobretudo de bacteriologia. Em Paris, trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyon, no Laboratório de Toxicologia e no Instituto Pasteur, dirigido por Émile Roux.
Depois de um estágio na Alemanha, regressou ao Brasil em 1899. Em outubro do mesmo ano esteve em Santos SP, para estudar a epidemia de peste bubônica que surgiu naquela cidade e sobre a qual escreveu um relatório detalhado. Em 1900 foi um dos criadores do Instituto Soroterápico de Manguinhos, destinado sobretudo à pesquisa e desenvolvimento de vacinas e cuja direção assumiu em 1902. A instituição firmou-se como centro técnico e experimental de grande renome -- seu diretor conseguiu reunir em torno de si uma excelente equipe de jovens pesquisadores -- e em 1908 passou a se chamar Instituto Osvaldo Cruz, nome que conserva até hoje.
Em 1903 Osvaldo Cruz assumiu o cargo de diretor-geral de Saúde Pública, com a difícil tarefa de erradicar a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, que irrompera no ano anterior. Iniciou rigoroso programa de combate à moléstia, com o isolamento dos doentes, vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos de mosquito. A campanha sofreu cerrada oposição de parte dos positivistas, de políticos e de vários jornais cariocas, Correio da Manhã à frente. Todos os dias os jornais publicavam editoriais que atacavam Osvaldo Cruz e ridicularizavam em caricaturas a figura do sanitarista com sua brigada de "mata-mosquitos".
Em 14 de novembro de 1904, finalmente eclodiu uma rebelião da Escola Militar com repercussão popular. O movimento, denominado "quebra-lampião", quase depôs o governo de Rodrigues Alves. A revolta foi subjugada pelo comandante da guarnição federal, general Hermes da Fonseca, futuro presidente da república. Osvaldo Cruz não cedeu em nenhum momento e, graças às medidas que tomou, registraram-se apenas 39 casos de febre amarela no Rio de Janeiro em 1906; quatro casos em 1907; e nenhum caso em 1908. As medidas profiláticas acabaram também com as epidemias de peste bubônica e varíola.
Osvaldo Cruz procedeu ainda a uma profunda reforma no código sanitário e ao mesmo tempo remodelou todos os órgãos de saúde, com grandes benefícios para a higiene e a economia do país: na época das epidemias os navios evitavam aportar no Rio de Janeiro. Em 1907, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, realizado em Berlim, expôs vasto material mostrando as atividades do Instituto de Manguinhos e da Saúde Pública, tendo o júri da exposição conferido a medalha de ouro ao Brasil, entre 123 expositores.
Em 19 de agosto de 1909, Osvaldo Cruz deixou a direção da Saúde Pública, por motivo de doença: já se manifestavam os sintomas de hiperazotemia (excesso de uréia no sangue), enfermidade que o mataria menos de dez anos depois. Mas não se resignou ao ócio: no ano seguinte aceitou convite da empresa que construía a estrada de ferro Madeira-Mamoré na região amazônica e fez um estudo do saneamento da região, onde passou um mês. Graças à adoção de seu esquema, a construção da ferrovia pôde prosseguir até a inauguração, em 1o de agosto de 1912. O resultado dessa viagem está contido no trabalho Madeira-Mamoré Railway Company: considerações gerais sobre as condições sanitárias do rio Madeira.
Mais tarde elaborou um plano de saneamento do vale do Amazonas, dando execução a um compromisso que assumira com o Ministério da Agricultura. Saneou a cidade de Belém, de acordo com contrato firmado com o governo do Pará. Posteriormente representou o Brasil em congressos sanitários realizados em Dresden, Alemanha, na Cidade do México e em Montevidéu.
A eleição de Osvaldo Cruz para a Academia Brasileira de Letras, em 1912, enfrentando a candidatura do poeta Emílio de Meneses, provocou grande polêmica naquela casa. Alguns achavam que, devido a sua denominação, a academia somente devia abrigar literatos. Venceu a tese de que vultos consagrados, de qualquer arte ou ciência, podiam ter um lugar na instituição. Em 1913 Osvaldo Cruz passou a ocupar a cadeira deixada vaga pelo poeta Raimundo Correia. De sua bibliografia constam cerca de cinqüenta títulos, entre memórias, teses, pesquisas médicas e relatórios científicos, além do discurso de posse na academia, em que fez o elogio de Raimundo Correia. Seus trabalhos são escritos em estilo simples, límpido e direto, a que não falta um certo encanto artístico.
Em 1916, já muito doente, Osvaldo Cruz foi nomeado prefeito de Petrópolis RJ. Assumiu o cargo em 18 de agosto, mas renunciou em janeiro do ano seguinte e morreu naquela cidade em 11 de fevereiro de 1917.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reconhecimento da profissão

Em entrevista, o senador Paulo Paim diz que a regulamentação da profissão de historiador pode sair ainda neste semestre. Petista é o autor do projeto de lei
Alice Melo
A aprovação do projeto que regulamenta a profissão de historiador pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) representou um grande passo na caminhada para a sanção desta lei.

Em entrevista à "Revista de História da Biblioteca Nacional", o senador Paulo Paim (PT-RS), autor da proposta, mostrou-se otimista com o avanço do projeto no Senado e afirmou que, se tudo correr dentro do esperado, a profissão de historiador pode ser regulamentada ainda neste semestre.

“Não tem por que não andar depressa agora”, falou o senador. “A parte legal já foi aprovada. Se continuar assim, não haverá nenhuma dificuldade para passar nas outras comissões”, completa.

Segundo Paim, o envolvimento dos historiadores no processo de regulamentação é tão importante quanto sua ação junto aos senadores antes das votações. “É importante falar com o relator, falar com os presidentes das comissões. Se houver mobilização da classe, ainda nesse semestre o projeto pode entrar em vigor.”

Para que isso aconteça, é necessária a aprovação do projeto nas Comissões de Educação (CE) e Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Logo depois, a Câmara dos Deputados recebe a proposta e encaminha possivelmente para as comissões de Educação e Trabalho. Se aprovada nestas instâncias fica a cargo da Presidente da República sancionar a lei.

“A regulamentação é um dever da sociedade com o historiador. Ela precisa ser aprovada pelo que representa principalmente para a educação do país”, diz Paim.

[ Fonte: Revista História Viva

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher



Parabéns às Joanas Darc, às Anitas, às Madres Terezas, às Anastácias, às Marias Quitérias, às Chiquinas Gonzagas, às Marias Bonitas, às Olgas, às Rosas Luxembrugos, às Evitas, às Pagus, às Zuzus, às Princesas Isabel, às Indiras, às Dilmas, à Marias, às Anas, às Antônias, ou seja, um grande parabéns a todas as MULHERES desse mundo, de hoje e de sempre. 

Nos últimos anos, em quase todo o mundo, ganharam destaque as comemorações do Dia internacional da Mulher. Depois de milhares de anos em que a mulher permaneceu em posição familiar, social e profissional inferior à do homem, finalmente passaram a ser reconhecidas como iguais e parceiras do homem na direção de empresas, da família e até de países. A mulher deixou de ser valorizada apenas por suas funções de mãe, de responsável pelo lar e pela família, quanto ao conforto dentro de casa: passou a assumir postos de mando e de decisão, o que representa um grande progresso. Infelizmente, em muitos países da África e da Ásia, subsistem condições de desigualdade, e de humilhação, o mesmo acontecendo nas regiões pobres da América Latina, onde a mulher padece o peso de preconceitos, injustiças dentro de casa e das empresas, e sofre violências que começam já na infância. Essa repressão sexual e social ainda é um fato que devemos combater com vigor.  
Em Nova York, Estados Unidos, no dia 8 de março de 1857, um grupo de operárias ocupam a fábrica onde trabalham, reivindicando diminuição da jornada de trabalho que era de 14 a 16 horas, condições saudáveis de trabalho e salários menos miseráveis. Depois de serem confinadas em um lugar isolado da fábrica, todas morreram queimadas em um incêndio. Depois, na Dinamarca, em 1910, realiza-se o 1º congresso internacional de Mulheres. Em homenagem às 129 operárias mortas, passou-se a comemorar no dia 8 março, o Dia internacional da Mulher.


Outras versões:

O Dia Internacional da Mulher é uma data mundialmente conhecida e comemorada. Hoje em dia, quando chega 8 de março as mulheres ganham flores, jóias e os presentes mais variados. Acontece que o Dia Internacional da Mulher foi criado em circunstâncias bem mais trágicas, e nós não devemos nunca nos esquecer do real sentido desta data.  
           A ideia de criar um dia para as mulheres surgiu no contexto da Segunda Revolução Industrial com a incorporação da mão de obra feminina às indústrias. As péssimas condições de trabalho eram alvo de frequentes protestos, especialmente nas cidades de Nova Iorque, Berlim e Viena.    
          O Dia Internacional da Mulher foi celebrado pela primeira vez no dia 28 de fevereiro de 1909 por  iniciativa do Partido Socialista da América em memória a um protesto realizado nos Estados Unidos por melhores condições de trabalho. Um ano depois ocorreu a primeira conferência Internacional de Mulheres e em 1911 o Dia Internacional da Mulher foi celebrado na Áustria, Dinamarca, Suiça e Alemanha.  
dia internacional da mulher 8 de marco 3 8 de Março Dia Internacional da Mulher  A História e o Sentido da Data  
          Alguns dias depois, um incendio na fábrica da Triangle Shirtwaist matou mais de 146 trabalhadores, sendo a grande maioria formada por costureiras. Um dos principais fatores para o grande número de mortes foi a falta de equipamentos de segurança e as más condições do edifício.     
          O primeiro Dia Internacional da Mulher foi comemorado de fato na Rússia e serviram como estopim para a eclosão da Revolução de 1917. O motivo foi uma greve de operárias de uma indústria  téxtil que lutavam contra o czar Nicolau II, a fome e a participação da Russia na Primeira Guerra Mundial. A manifestação se realizou no dia 8 de março de 1917 e foi relatada por Leon Trotsky. Veja a seguir um trecho do relato:  
          “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução.” 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um site para os amantes da História do Egito Antigo,


No site Arqueologia Egipcia você encontrará um bom acervo a respeito da História do Egito Antigo, especialmente ficará por dentro das mais recentes descobertas arqueológicas egípcias, além de textos, imagens, vídeos, dicas de sites, artigos, teses, documentários e muito mais, acesse: www.arqueologiaegipcia.com.br/ 

domingo, 6 de março de 2011

Novela do Sbt retrata o período da Ditadura Militar no Brasil.



Segundo algumas informações que já foram divulgadas sobre a novela, toda a historia da mesma passara entre os anos 60 e 70 com a presença de fatos reais históricos que acabaram marcando a ditadura e com um elenco que vai misturar o romance e a aventura tudo para deixar a historia mais bonita.
Alguns fatos como amor, traição, aventura e também ódio devem marcar presença nesta nova produção onde a emissora diz que esta não será apenas uma novela de época mais sim um relato verdadeiro dos anos compreendidos entre 1964 e 1972 com cenas muito emocionantes nas quais deixarão o publico ainda mais vidrado na novela.

Depoimentos

Para encerrar todos os capítulos de Amor e Revolução, serão usados depoimentos de pessoas que sofreram com a ditadura militar entre1964 a 1985, seu tempo de duração. É semelhante aos depoimentos que iam ao final de cada capítulo das novelas Páginas da Vida e Viver a Vida ambas de Manoel Carlos, transmitidas pela Rede Globo em 2006 e 2009, retradando as dificuldades verídicas do dia a dia da população.
José Dirceu foi o primeiro a gravar o depoimento, que durou cerca de 70 minutos. O material captado foi elogiado pelo diretor da trama Reynaldo Boury: "Foi maravilhoso, tranquilo". Dirceu foi um líder estudantil na época, preso no final da década de 60 e liberdado após o sequêstro de um embaixador americano arquitetado por guerrilheiros, se exilou na Cuba e após o fim da ditadura virou um político importante.
A produção da telenovela aguarda o sinal verde da assessoria da Presidente da República Dilma Roussef, a qual também tem forte identificação com o período político.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pesquisadores encontram ruínas históricas durante escavação no RJ


Durante as obras de revitalização foram encontradas camadas de pedras que podem ter sido um cais - onde atracavam navios com escravos da África. Também foram encontrados objetos que pertenceram aos escravos.


 A Baía de Guanabara já teve mais espaço, na época do Brasil-Império. Mas, no século XX, o Rio de Janeiro cresceu sobre as águas, sobre aterros.
Agora, as obras de revitalização da zona portuária, para as Olimpíadas de 2016, revelaram uma cidade em camadas.
Todo o trabalho vem sendo acompanhado por arqueólogos e historiadores. Cada pá de terra que sai, desvenda mais um degrau da nossa história.
Um cais foi construído em 1843 para a chegada da imperatriz Tereza Cristina, que veio para o Brasil se casar com Dom Pedro II.
O cais da imperatriz já estava nos mapas. Os arqueólogos sabiam o que iriam encontrar no local. Mas eles queriam ir além, voltar alguns anos na história. Trazer de volta a memória que andava esquecida.
Os pesquisadores acreditam que o piso de pedras irregulares e coberto por outras camadas de calçamento seja o cais do Valongo. Em um determinado ponto, os navios negreiros chegavam com escravos da África.

No meio das ruínas, foram encontrados vários objetos. A cultura negra está exposta na religiosidade dos búzios e nas contas que as mulheres usavam em colares. Segundo os arqueólogos, um cachimbo de argila é da primeira metade do século XIX, feito à mão pelos escravos.
As peças mostram um pouco do cotidiano do Rio quase dois séculos atrás. Louças inglesas, instrumentos de navegação, artigos de costura. Época em que brinquedo de criança era um mini-canhão.
“Juntar peças de um quebra-cabeça e compor uma história maior. É uma história, em migalhas, que a gente procura juntar e fazer disso uma coisa maior. A cidade vive o seu presente, tem que olhar para seu futuro, mas não pode esquecer o seu passado”, explica a professora de Antropologia do Museu Nacional, Tânia Andrade de Lima.

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