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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Nas entranhas da terra

Durante a Revolução Industrial, a necessidade de combustível para movimentar as máquinas fez com que um grande número de pessoas fosse trabalhar nas minas de carvão da Europa. Era um trabalho estafante, insalubre e que provocou a morte de milhares de pessoas. Essa dura realidade foi retratada pelo escritor francês Émile Zola (1840-1902) no romance Germinal (1885), um painel das condições de vida e de trabalho dos mineradores do carvão na França do século XIX. A passagem a seguir mostra o personagem Etienne no interior de uma dessas minas.
Trabalho infantil nas minas de carvão

[...] à medida que avançavam, a galeria ficava mais baixa, com o teto cheio de saliências. Forçando as espinhas dorsais a dobrarem-se constantemente. Etienne bateu violentamente com a cabeça. Se não fosse o chapéu de couro, teria quebrado a cabeça. [...] 
O rapaz tinha ainda problemas com o solo escorregadio. Cada vez mais alagado. Em certos trechos atravessava verdadeiros charcos que só o chapinhar lamacento dos pés revelava. Mas o maior motivo de espanto eram, sobretudo, as bruscas mudanças de temperatura. No fundo do poço estava muito fresco e na galeria de tração, por onde passava todo o ar da mina, soprava um vento gelado, cuja violência parecia de tempestade, entre os muros apertados. A seguir, à medida que se penetrava nas outras galerias, que recebiam somente seu quinhão muito racionado de ventilação, o vento diminuía e era substituído por um calor sufocante, pesado como chumbo. [...] 
Etienne estertorava, como se o peso das rochas lhe tivesse triturado os membros, mãos dilaceradas, pernas arranhadas, principalmente com falta de ar, a ponto de sentir que o sangue ia jorrar pela pele [...]. Ainda lhe faltava galgar a altura de suas zonas de corte! O suor o cegava, lutava desesperadamente para alcançar os outros [...].
Pouco a pouco, os veios enchiam-se de gente, o corte começava em todos os andares, no extremo de cada caverna. O poço devorador tinha engolido sua ração diária de homens, cerca de setecentos operários que trabalhavam nesse horário no formigueiro gigante, furando a terra em todos os sentidos, esburacando-a como uma madeira velha atingida pelo caruncho.
Extraído de: ZOLA, Émile. Germinal. São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 43-45.

sábado, 9 de junho de 2018

Como eram as minas de carvão na Revolução Industrial?

As jornadas de trabalho chegavam a 14 horas e crianças de até 5 anos eram usadas para abrir túneis profundos


Eram galerias subterrâneas exploradas nos séculos XVIII e XIX para abastecer a indústria inglesa que estava nascendo. Extraindo cerca de 100 milhões de toneladas de carvão por ano, a Inglaterra trocou o esforço humano por locomotivas, teares e máquinas de fiação, impulsionando a Revolução Industrial. As minas de carvão não são apenas consequência da Era das Máquinas mas também uma causa. Nas primeiras jazidas, usavam-se bombas de água para retirar a água que se acumulava. “Essa tecnologia rudimentar foi adaptada pelo escocês James Watt para os teares, criando seu motor a vapor, que desencadeou a revolução”, diz José Jobson de Andrade Arruda, especialista em história econômica, da Unicamp.


1) Força animal
Apesar de abastecer as máquinas da Revolução Industrial, as minas contavam com pouca tecnologia. Pôneis e mulas, animais baixos e resistentes, puxavam pequenos vagões cheios de carvão e moviam elevadores. Uma mina de tamanho médio tinha cerca de 50 animais trabalhando

2) Carga explosiva
Para abrir túneis e extrair o carvão da terra, os mineiros usavam dinamite – criada graças à invenção chinesa da pólvora, que chegou à Europa no século 16. Vigas de madeira sustentavam galerias com pouco mais de 1 m de altura. A profundidade total de uma mina chegava a 400 m

3) Enterrados vivos
Umidade, calor e gases gerados pela queima de lampiões deixavam o ambiente insuportável, colocando a vida dos mineiros em risco. Além disso, erros na dosagem da dinamite ou problemas na estrutura que sustentava as paredes transformavam a mina, com frequência, em sepultura

4) O buraco é mais embaixo
O fosso pelo qual passavam o elevador e a mangueira da bomba que retirava o excesso de água servia como referência espacial. Para ele, convergiam as principais galerias, equipadas com trilhos para o transporte do carvão mineral extraído

5) Despertar violento
Assim como na maioria das fábricas do século 18, os castigos corporais eram frequentes. A função da chibata não era punir, mas manter o trabalhador acordado durante o extenso expediente, que chegava a 14 horas diárias

6) Sobrevivendo no inferno
Quanto mais os mineiros se aprofundavam na terra, mais o termômetro subia. A partir dos 300 m de profundidade, a temperatura subia 1o oC a cada 33 m. O ar intoxicado das galerias provocava uma inflamação nos pulmões que ficou conhecida como “doença negra”

7) Trabalho infantil
Túneis profundos eram mais difíceis de abrir. Nesse caso, fazia-se um pequeno buraco e colocava-se uma criança, de 5 a 7 anos, para escavá-lo. Para recolher o carvão extraído, o pequeno funcionário levava um carrinho amarrado ao pé.

Por Maria Carolina Maia

domingo, 24 de março de 2013

História cantada por uma banda de Rock



A Banda Pré-Histórica de Blumenau-SC foi formada com a intenção de ensinar História de um maneira diferente, pois sabemos que hoje em dia é muito difícil ter boas aulas e professores dispostos a criar algo novo.

A principal ideia da banda é utilizar as músicas em sala de aula, para os professores e estudantes do ensino regular, ou para quem está prestando vestibular.

Desde 2010, a banda tem mantido o estilo rock pedagógico com composições e arranjos próprios trazendo em seu repertório letras inspiradas em temas históricos muito cobrados nos vestibulares e no Enem.

O som é uma mescla de rock and roll clássico com blues e heavy metal, em uma interessante mistura.

Atualmente é formada pelo professor Christian Machado (no vocal e guitarra), Gabriel Day (baixo e vocais) e Kevin Furtado (guitarra solo e vocais).

Informações do site: http://www.bandaprehistorica.com

sábado, 3 de julho de 2010

Revolução Industrial

A economia mundial sofreu modificações profundas a partir da segunda metade do século XVIII, quando se iniciou, na Grã-Bretanha, a revolução industrial. Estreitamente relacionada ao desenvolvimento do sistema capitalista, a industrialização se estendeu por todo o mundo e determinou o surgimento de novas formas de sociedade, de estado e de pensamento.
Em sentido restrito, a expressão "revolução industrial" aplica-se às transformações econômicas e técnicas ocorridas na Grã-Bretanha, entre o século XVIII e o XIX, com o surgimento da grande indústria moderna. Em sentido amplo, refere-se à fase do desenvolvimento industrial que corresponde à passagem da oficina artesanal ou da manufatura para a fábrica. No plano econômico geral, esse processo se fez acompanhar da transformação do capitalismo comercial, que se iniciara no Renascimento, no capitalismo industrial. A revolução industrial inglesa estendeu-se depois ao centro-oeste da Europa e aos Estados Unidos e conferiu a essas regiões grande supremacia sobre as nações européias e não-européias que ficaram à margem dessa revolução, em virtude do mecanismo de acumulação de capital inerente ao capitalismo moderno. Criou-se assim um descompasso crescente entre países industrializados, economicamente desenvolvidos, e países não industrializados, ou subdesenvolvidos, de economia dependente.
A expressão revolução industrial não é aceita pacificamente. Alguns economistas argumentam que a palavra "revolução" pressupõe mudanças súbitas e bruscas, que não ocorrem na economia. Os próprios contemporâneos do fenômeno, no entanto, viram-no com esse caráter revolucionário. Arthur Young, economista inglês do final do século XVIII, referiu-se a ela como "uma revolução que está sendo feita". Reconhecida pelos socialistas, a expressão foi difundida pelo economista Arnold Toynbee, tio do historiador homônimo, em The Industrial Revolution (1884; A revolução industrial).

Fatores determinantes.
A fase aguda da revolução industrial inglesa, entre 1760 e 1830, foi a continuação natural de um longo processo, que se iniciou em data muito anterior e desdobrou-se ao longo de muitos anos. Justamente na Inglaterra, onde o fenômeno pareceu mais repentino e diferente aos contemporâneos, o processo foi o mais demorado. Pode-se falar não em uma, mas em várias revoluções industriais sucessivas: uma no século XIII, quando da introdução das primeiras máquinas hidráulicas na indústria têxtil; outra, entre 1540 e 1640, estimulada pela alta dos preços e pela Reforma protestante. Essas primeiras "revoluções" consistiram  na exploração industrial do carvão mineral e do minério de ferro, no fabrico do aço, sabão, açúcar, cerveja, pólvora, objetos de cobre, estanho, latão, papel. Ocorreu a introdução de novas indústrias e a aplicação de novos métodos a velhas indústrias, além da descoberta e aplicação de novas técnicas.
Surgiu então a revolução industrial propriamente dita, a dos séculos XVIII-XIX. Caracterizou-se por algumas novidades na produção industrial, como a  metalurgia do coque, a utilização da máquina a vapor na mineração e na laminação, a invenção de máquinas nos setores de fiação e tecelagem, algumas já a vapor, o emprego de novos métodos e materiais na cerâmica, na engenharia civil e nos transportes, sobretudo canais e ferrovias. E na segunda metade do século XIX e primeira do século XX, após a primeira guerra mundial, surgiu um novo período denominado "nova revolução industrial" ou "segunda revolução industrial".
Tornando como princípio básico da revolução industrial a fabricação de mercadorias por máquinas movidas a energia de fontes naturais, verifica-se que a revolução industrial inglesa do século XVIII continuou muito além de 1830 e prosseguiu durante todo o século XX. Ela resultou das seguintes premissas: revolução agrícola, que proporcionou mão-de-obra abundante e barata; expansão do comércio marítimo internacional e seu virtual domínio pela Inglaterra; abundância de capitais e baixa taxa de juros devido à acumulação propiciada pelo comércio e pela agricultura; mobilização desses capitais em função do desenvolvimento do mercado financeiro de Londres e dos bancos provinciais; aperfeiçoamentos técnicos em máquinas já existentes, invenção de novos equipamentos e melhoria da mão-de-obra especializada; e utilização de uma nova forma de energia (vapor).
Assim, essas transformações econômicas, sociais e tecnológicas, que isoladamente seriam apenas acontecimentos, ao ocorrerem concomitantemente e se inter-relacionarem, ganharam aspecto revolucionário. Devem-se acrescentar a tais aperfeiçoamentos e invenções outros fatores, como a transformação geral do setor dos transportes, com a abertura de vários canais, a construção de ferrovias e de rodovias macadamizadas, graças ao processo de John Loudon MacAdam, e a dinamização da navegação a vapor; a substituição do mercantilismo pelo liberalismo econômico, como prática econômica; a reflexão ensejada pela obra de Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill e outros; o afluxo à Europa do ouro do Brasil e das colônias hispânicas, assim como das riquezas da Índia, exploradas pela Companhia Inglesa das Índias Orientais; e a dinamização do processo de crescimento econômico, pelo investimento de boa parte dos lucros do comércio e da indústria em bens de produção e pelo reinvestimento dos lucros obtidos com tais bens na produção de novos bens de capital.
Os ingleses foram nessa fase responsáveis pela maior parte dos novos inventos, mas também utilizaram as contribuições de outros povos: fabricação de papel com os holandeses, franceses e italianos; tecelagem da seda com os italianos; obtenção da folha-de-flandres com laminadores suíços etc.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Termos históricos: Imperialismo ou Neocolonialismo

Fenômeno típico do século XIX, o Imperialismo ou Neocolonialismo demarcou o processo de expansão do capitalismo industrial pela Europa. Nesse período, as nações europeias precisavam de um volume cada vez maior de matéria-prima e buscavam a conquista de novos mercados consumidores que pudessem reverter a produção industrial destes países em lucro. Com isso, regiões dos continentes africano e asiático começaram a ser o principal alvo dessa demanda das nações industrializadas.




Diferente da colonização desenvolvida na Idade Moderna, os neocolonialistas não tinham a obtenção de gêneros tropicais e metais preciosos entre seus maiores interesses. Os neocolonialistas pretendiam transformar a população local em um mercado consumidor regular de seus produtos e fornecedor de matérias-primas que estivessem ligadas à expansão dos maiores setores industriais e o desenvolvimento de novas tecnologias que reduzissem os custos de produção.




Outra diferença que pode ser destacada na era neocolonial gira em torno do papel assumido pelos Estados Nacionais imperialistas. No período moderno, os Estados Nacionais agiam nos espaços coloniais com o objetivo claro de expandir as suas riquezas. Já na fase imperialista, estes Estados promoviam o controle político das regiões colonizadas para que as grandes empresas da nação pudessem conduzir e lucrar com a exploração econômica das riquezas disponíveis. Para que esse projeto fosse viável, devemos levar em conta que o crescimento da população europeia teve um importante papel. O crescimento demográfico estimulava os europeus a se mudarem para estas regiões afro-asiáticas em busca de oportunidades econômicas. O excedente das grandes metrópoles do Velho Mundo acabava arcando com os impostos e a manutenção de contingentes militares que garantiam a dominação dos locais colonizados.

Mesmo tendo várias justificativas de cunho econômico, a ação imperialista também obteve suporte na obra de intelectuais que defendiam a presença europeia nessas localidades. Os ideólogos do neocolonialismo diziam que os europeus deveriam ocupar a Ásia e a África para que levassem consigo os hábitos, aparelhos e instituições que “melhorassem” a condição de vida daqueles povos muitas vezes taxados como “primitivos”, “selvagens” ou “atrasados”.




Apesar da presença desse discurso altruísta, a ação imperialista também veio acompanhada por violentos conflitos entre os nativos e os povos dominadores. No contexto europeu, também devemos destacar que a disputa por essas áreas produziram conflitos políticos e uma opulenta corrida armamentista entre as grandes potências. Por fim, o interesse desenfreado pelas regiões neocoloniais acabou motivando as duas terríveis grandes guerras mundiais que marcam o século XX.


Lenin delineou cinco características fundamentais do Imperialismo:
  • a concentração da produção e do capital foi levada a um grau tão grande de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham papel decisivo na vida econômica;
  • fusão do capital monopolista industrial com o capital bancário e o aparecimento do capital financeiro e da oligarquia financeira;
  • a exportação de capitais, ao contrário da exportação de mercadorias, adquire importância particularmente grande;
  • formação das associações monopolistas internacionais que partilham economicamente o mundo entre si (Trustes, Cárteis e Holdings);
  • a partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes. 

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