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sábado, 28 de agosto de 2010

O Encilhamento


A inflação desenfreada, o delírio da especulação, o surgimento de empresas fictícias e uma onda de falências, foram as conseqüências do encilhamento.
Especuladores correndo aos bancos
Encilhamento é o nome dado a uma crise financeira ocorrida no Rio de Janeiro entre os anos de 1890 e 1892, durante o governo provisório que se seguiu à proclamação da república. O termo encilhamento, originado do jargão turfístico, refere-se ao local, no hipódromo da cidade, onde se colocavam as cilhas e arreios nos animais, e onde também se faziam as apostas. Foi assim usado para designar a verdadeira jogatina com os títulos da bolsa de valores, em alta artificial crescente.
Depois da abolição da escravatura, em 1888, os fazendeiros não tinham dinheiro para pagar os empregados e pressionaram o governo imperial para conseguir empréstimos. Começou então a emissão de papel-moeda, repassado aos fazendeiros pelos bancos privados. Essa política, executada pelos dois últimos gabinetes do império, não foi suficiente para salvar as lavouras de café do vale do Paraíba e inaugurou o regime que levaria ao encilhamento.
No primeiro governo republicano, a pasta da Fazenda foi entregue a Rui Barbosa, opositor da política econômica do império, mas que -- certo da escassez do meio circulante -- deu continuidade à emissão de moeda e títulos. A expansão da base monetária tornou-se então um fator produtivo da economia. Na concepção de Rui, o encilhamento levaria o país ao crescimento industrial, graças ao crédito fácil, e libertaria de vez o Brasil dos vícios econômicos gerados pela escravatura.
Nos três anos que durou o encilhamento, o meio circulante aumentou de 197.156 para 513.727 contos de réis. O surto inflacionário, provocado pela emissão de moeda sem lastro, prejudicou a classe média e os assalariados e causou uma grave crise social. O crédito facilitado provocou o surgimento de grande número de empresas, que não passavam de mera especulação, organizadas por hábeis manipuladores de capital, e que faliram imediatamente. A febre industrial terminou numa onda de falências. Nos governos seguintes, de Floriano Peixoto e Campos Sales, implementou-se a política de saneamento da moeda como reação antiinflacionária.

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