" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cofre de universidade em Pernambuco guarda relíquias da época da colonização


A documentação é resultado de dez anos de pesquisas feitas para resgatar em Portugal os documentos relativos às 14 capitanias do Brasil. Mais de 400 mil cópias já estão no país e foram distribuídos aos estados de origem.


Um cofre do departamento de história da Universidade Federal de Pernambuco guarda em condições ideais de temperatura e umidade uma relíquia do tempo das capitanias. São mais de 33 mil documentos de 1590 a 1825 - todos microfilmados e gravados em CD. Os originais estão no arquivo ultramarino, em Lisboa, Portugal.
"O acervo tem muita importância para a memória da capitania, para história não só da capitania de Pernambuco, mas para a história do Brasil”, destaca a coordenadora do Projeto Resgate Maria do Socorro Ferraz.
A documentação é resultado de dez anos de pesquisas feitas para resgatar em Portugal os documentos relativos às 14 capitanias do Brasil. Mais de 400 mil cópias já estão no país e foram distribuídos aos estados de origem.
O único documento original da época das capitanias é uma carta de 30 de janeiro de 1654 - quatro dias depois da rendição dos holandeses. Foi enviada ao rei de Portugal por João Fernandes Vieira - um mestre de campo - uma espécie de comandante-geral das tropas brasileiras e portuguesas que pedia recompensa pelo feito.
A especialista em transcrição de documentos antigos Vera Lúcia Costa Acioli mostra em que termos o militar de dirigia ao monarca. Ele não conseguiu a recompensa como pretendia. Seu maior interesse era conquistar o governo da capitania e isto não lhe foi cedido.
O acervo conta ainda com dezenas de cópias de mapas, desenhos dos figurinos militares - que eram diferentes para brancos e negros. Toda a documentação que revela parte do passado de Pernambuco e do Brasil já está à disposição dos pesquisadores. Um tesouro que ficará para o futuro.
Fonte: www.globo.com/bomdiabrasil

Obra sobre História da África é traduzida para uso em licenciaturas

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) concluiu a tradução e atualização ortográfica dos oito volumes da coleção História Geral da África. De acordo com Valter Silvério, coordenador do núcleo, a coleção é reconhecida como a principal obra de referência internacional sobre o continente africano.
As obras serão usadas nos cursos de formação de professores em História da África e relações etnicorraciais e em cursos de graduação, especialmente nas licenciaturas e pedagogia. Foram publicadas pela primeira vez no final da década de 1980, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Agora, explica Silvério, a coleção será publicada pelo MEC e distribuída para os centros de formação de professores da educação básica das universidades e para pesquisa em bibliotecas. A expectativa de Silvério é que o MEC publique a coleção em novembro deste ano.
Durante dois anos, a pedido do Ministério da Educação, a UFSCar coordenou a atualização ortográfica dos volumes da coleção já traduzidos pela Unesco: Metodologia e Pré-História, Antiga Civilização, África dos Séculos XII a XVI e A Dominação Colonial de 1880 a 1935.
No mesmo período, contratou tradutores da língua francesa para o português, que trabalharam nos outros quatro livros: África do século VII ao XI, África dos séculos XVI ao XVIII, África dos séculos XIX a 1880, e África de 1935 em diante, que é o oitavo volume.
Na avaliação do professor Valter Silvério, a coleção vai ajudar a suprir uma lacuna em nossa formação sobre o legado africano. A dimensão dos conteúdos, diz, vai além da história europeia. “Abrange a história mundial dos povos originários”. Atende, ainda, a questão política atual de aproximação e aprofundamento do diálogo Sul-Sul, do estreitamento das relações do Brasil com o continente africano, além de ser útil para os países da África portuguesa.
 A Universidade Federal de São Carlos também desenvolve outro projeto encomendado pelo MEC. Brasil-África – histórias cruzadas é um material para uso pedagógico de estudantes da educação básica pública, para professores e alunos das licenciaturas. Valter Silvério explica que os materiais abordam a cultura brasileira e a cultura africana com conteúdos e ilustrações apropriados para cada etapa da educação básica.
*Com informações do Ministério da Educação
Fonte: UOL 

domingo, 1 de agosto de 2010

Sociedades secretas: Rosacruz: Guardiães do saber oculto


A irmandade mística que pode ter suas raízes no Egito antigo e se espalhou pelo mundo pregando a busca do conhecimento, a tolerância religiosa e a harmonia entre os homens de bem.

por Texto Eduardo Szklarz

Poucas sociedades precisaram tanto do segredo para sobreviver como aRosacruz. Na Idade Média, enquanto a Inquisição jogava na fogueira quem ousasse questionar os dogmas católicos, os integrantes da confraria se reuniam a fim de penetrar nos mistérios religiosos mais profundos. Para isso, recorriam a fontes diversas: gnosticismo (que buscava o conhecimento à margem do que dizia a Igreja), cabala (misticismo judaico), esoterismo islâmico, filosofia, mitologia egípcia, astrologia e alquimia.
Era com esse repertório tão vasto que os rosacrucianos acreditavam ser possível sair das trevas da ignorância e caminhar rumo à sabedoria. Diziam que o autoconhecimento era a chave para a “paz do indivíduo” e, a partir dela, o bem-estar da humanidade. Até hoje, os grupos que se dizem herdeiros daRosacruz pregam a tolerância religiosa, a harmonia e a paz. O que ninguém sabe direito é como essa sociedade surgiu.
Não faltam teorias para a origem da ordem. Uns dizem que ela foi criada em Alexandria, no Egito, no ano 46, quando o sábio gnóstico Ormus e seus seguidores foram convertidos ao cristianismo. Outros afirmam que a Rosacruzsurgiu no século 17, no vácuo da Reforma Protestante. De acordo com a lenda mais popular, no entanto, seu criador foi o monge Christian Rosenkreuz (ou Frater C.R.C.), nascido na Alemanha em 1378. Aos 16 anos, Rosenkreuz viajou ao Oriente Médio e estudou artes ocultas com mestres muçulmanos. Ao voltar para a Alemanha, construiu a Spiritus Sanctum (“Casa do Espírito Santo”), para celebrar seus rituais secretos.
Rosenkreuz teria morrido em 1484, aos 106 anos, mas sua tumba só foi encontrada 120 anos depois – o que motivou a retomada das atividades daRosacruz, agora sob a liderança do pastor luterano Johann Andrae. Foi ele quem publicou 3 manifestos que mencionaram a ordem pela primeira vez: Fama Fraternitatis Rosae Crucis (1614), Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Químicas de Christian Rosenkreuz (1616). Os textos tiveram enorme impacto entre os europeus e não demorou para que os rosacrucianos se espalhassem pelo Velho Mundo.
Para as fraternidades modernas que se dizem herdeiras da Rosacruz, não importa se Rosenkreuz realmente existiu. O importante é o valor simbólico dessa história. Suas andanças pelo mundo, incorporando elementos de várias tradições, aludem à chamada Religião Universal da Sabedoria. Ser cristão, por exemplo, iria além de seguir a figura bíblica de Jesus: faria parte da busca do conhecimento oculto e esotérico.
Dê uma boa olhada na ilustração das páginas 12 e 13. Você verá que o grau 18 da maçonaria é o Cavaleiro Rosacruz. Não se trata de mera coincidência: nos séculos 17 e 18, maçons e rosacrucianos trocaram muitas figurinhas. Eles buscavam uma sociedade tolerante, livre de dogmas e que pudesse se aperfeiçoar à medida que os homens ficassem mais sábios. A estrutura das duas fraternidades também era similar. Mas havia diferenças importantes: a Ordem Rosacruz enveredava pelo cristianismo e por caminhos místicos, enquanto a maçonaria se guiava pelo pensamento racional.
“No século 18, a Rosacruz fazia rituais de admissão usando diversos símbolos. Um deles era um globo de vidro num pedestal que tinha 7 degraus e era dividido em duas partes, representando a luz e a escuridão”, diz Sylvia Browne, autora do livro Sociedades Secretas. “E também usavam 9 copos, simbolizando qualidades masculinas e femininas.”
Segundo a pesquisadora, a Rosacruz contava com o Colégio dos Invisíveis, espécie de fonte de informação por trás do movimento. Seus integrantes acreditavam que o significado do Universo estava explicado no símbolo da ordem. “Como a flor que brota no meio da cruz, os seres humanos deveriam desenvolver a capacidade de amar de forma irrestrita, compreender as leis que regem o mundo e agir por meio da intuição e da inteligência amorosa do coração.”
HERDEIROS
Hoje, diversas sociedades se declaram descendentes da confraria inicial. Entre elas, a Fraternidade Rosacruz de Max Heindel, a Fraternitas Rosacruciana Antiqua e a Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz (Amorc). A julgar pelo que cada uma diz em seu site na internet, todas procuram despertar o potencial interior do ser humano pela busca da verdade.
A Amorc do Brasil, localizada em Curitiba, garante que seu método de orientação para o autoconhecimento “está à disposição de toda pessoa sincera e de mente aberta”. Já a Fraternitas Rosacruciana, com sede no Rio, afirma que sua finalidade é “buscar a felicidade sem distinção de castas, cor, sexo, nacionalidade ou condição social”.

Passado nebuloso

A história da Rosacruz segundo a lenda mais popular
1394
Rosenkreuz vai ao Oriente Médio para estudar artes ocultas com mestres muçulmanos.
1484
O fundador da Rosacruz morre na Alemanha (segundo a lenda, aos 106 anos de idade).
1604
A tumba de Rosenkreuz é encontrada, levando ao ressurgimento da ordem.
1614-1616
Johann Andrae publica manifestos rosacrucianos, os primeiros documentos a citar a ordem.
Séc. 18
Maçons e rosacrucianos se aproximam enquanto a ordem se espalha por toda a Europa.
Séc. 20
Grupos como a Amorc declaram-se herdeiros dos segredos acumulados pela Rosacruz original.

Para saber mais

• Sociedades Secretas
Sylvia Browne, Prumo, 2008

Termos históricos: Política

O choque de interesses entre indivíduos e grupos na sociedade provoca a luta pelo poder e seu exercício em diferentes configurações institucionais. Ao longo de séculos, grandes pensadores tentaram estabelecer os elementos universais de uma ordem justa nos negócios humanos, o que deu origem a teorias políticas numerosas e, freqüentemente, contraditórias.
Fidel Castro discursa em Havana, Cuba.
Política, em sentido estrito, é a arte de governar a polis, ou cidade-estado, e deriva do adjetivo politikós, que significa tudo o que se relaciona à cidade, isto é, tudo o que é urbano, público, civil e social. Em acepção ampla, política é o estudo do fenômeno do poder, entendido como a capacidade que um indivíduo ou grupo organizado tem de exercer controle imperativo sobre a população de um território, mesmo quando é necessário o uso da força.
O conceito de política é estreitamente vinculado ao de poder em três esferas básicas: (1) a luta pelo poder; (2) o conjunto de instituições por meio das quais esse poder se exerce; (3) e a reflexão teórica sobre a origem, estrutura e razão de ser do poder. O poder político se caracteriza pela exclusividade do direito do uso da força em relação ao conjunto da sociedade, que lhe confere a legitimidade desse uso. O exercício do poder se justifica como a solução para regular e equilibrar a ordem e a justiça na sociedade; e o uso da força, inerente a todo poder político, indica a presença de interesses antagônicos e conflitos no corpo social que devem ser controlados para preservar a ordem social ou buscar o bem comum.

Ciência política. Disciplina recente, a ciência política surgiu da necessidade de formar gestores públicos e oferecer uma estrutura de reflexão sobre as questões públicas. Seu objetivo é estudar o poder político, suas formas concretas de manifestação e tendências evolutivas. Cabe assim à ciência política explicar os motivos das relações que existem entre os poderes políticos e a sociedade, as diversas formas de organização do estado e sua dominação por classes ou grupos, a formação da vontade política do povo e as diferentes teorias relativas à prática política.
A ciência política utiliza métodos de ciências empíricas, como a física e a biologia, e metodologias e especificidades de outros ramos do conhecimento, como filosofia, história, direito, sociologia e economia, e sua finalidade é descrever aquilo que é e não o que deveria ser. Nesse sentido, distingue-se da filosofia política, área normativa voltada para conceitos como direito e justiça; da antropologia política, que estuda o fenômeno político como uma constante em todas as sociedades humanas ao longo de sua história; e da sociologia política, que estuda os fenômenos sociais a partir de uma visão política.

Luta pelo poder. A história humana é basicamente uma história da política, isto é, das lutas travadas por indivíduos, grupos ou nações para conquistar, manter ou ampliar o poder político. Essas lutas podem ser violentas, na forma de assassínio de dirigentes, guerras, revoluções e golpes de estado, ou pacíficas, por meio de eleições e plebiscitos.
A luta violenta é uma das formas mais primitivas de conquista e manutenção do poder, embora ainda seja adotada em algumas nações modernas. São numerosos os exemplos, ao longo da história das nações, de assassínios de dirigentes por uma pessoa ou um grupo de pessoas para a tomada do poder; e de insurreições e revoluções populares, uma forma de luta política violenta que visa não só conquistar o poder mas transformar de modo radical as condições sociais ou a organização do estado. Nesses casos, a violência se manifesta também na defesa daqueles que detêm o poder e querem manter a situação social tradicional. As revoluções francesa e russa mudaram a história do mundo moderno.
A mudança de um regime político pode se dar ainda pelo golpe de estado, forma de ação política violenta comum na história das nações da América Latina. As guerras são o modo mais extremo e violento da luta política, já que o objetivo é destruir o adversário, e podem ser externas, entre duas ou mais nações, ou internas ou civis, entre facções de uma nação.
Os meios pacíficos de luta pelo poder indicam estado avançado de civilização e a racionalidade das concepções políticas. As formas básicas de luta pacífica, própria dos sistemas democráticos, são as eleições e plebiscitos. Nas democracias, reconhece-se que a soberania popular é o princípio de legitimação do poder e portanto a direção do estado cabe à facção ou partido que obtiver a maioria dos votos livremente expressos pelo povo. Trata-se de um procedimento racional, que pressupõe a igualdade dos cidadãos perante a lei e que tende a harmonizar os conflitos de interesse, embora eles continuem a existir e muitas vezes se manifestem de forma violenta.

Instituições políticas. Órgãos permanentes por meio dos quais se exerce o poder político, as instituições políticas evoluíram de acordo com o grau de racionalidade alcançado pelos homens. Nas antigas civilizações orientais, em Roma e na Europa medieval, os sistemas políticos tinham como característica comum a personalização do poder, justificada por instâncias mágicas, religiosas ou carismáticas. Faraó egípcio, imperador romano ou rei cristão, o detentor do poder se confundia com o próprio poder. Sua justificativa era a força, traduzida pelo poder militar, poder de curar ou poder sobre as forças da natureza. Constantemente desafiado por aqueles que se julgavam possuidores das mesmas credenciais, o poder personalizado gerou a instabilidade política e o uso da violência como forma de solução de conflitos.
No final da Idade Média, mudanças políticas, econômicas e sociais determinaram o surgimento de novas concepções sobre o estado. O progresso da burguesia e da economia favoreceu a centralização do poder nas monarquias absolutas. O estado tornou-se racional e suas estruturas se institucionalizaram, de acordo com as novas necessidades sociais. A vitória da burguesia sobre a sociedade feudal, na revolução francesa, desmistificou o poder por direito divino e consagrou o princípio da soberania popular. O povo, única fonte de poder, podia transferir seu exercício a representantes por ele eleitos.
Os sistemas liberais, cuja representatividade era inicialmente restrita, aperfeiçoaram os mecanismos democráticos e, ao incorporarem o sufrágio universal, reconheceram de forma plena a igualdade de todos os  cidadãos perante a lei. A institucionalização do poder exigiu a adoção de constituições que, como expressão da vontade popular, devem reger a ação do estado. Nos sistemas democráticos, a legitimidade do poder deriva de sua origem na vontade popular e de seu exercício de acordo com a lei.
A doutrina da clássica divisão do poder político, elaborada por Montesquieu, é comum a quase todos os sistemas políticos dos estados modernos. O poder legislativo, formado por parlamentares eleitos pelo povo, elabora as leis e controla os atos do poder executivo; o executivo, também eleito pelo povo, executa a lei e administra o estado; o judiciário interpreta e aplica as leis e atua como juiz nos conflitos entre os outros poderes. A divisão de poderes ajuda a evitar o abuso de poder por meio do controle recíproco dos vários órgãos do estado.
Nas modernas sociedades democráticas, além dos poderes institucionalizados existem organizações que participam do poder ou nele influem: partidos políticos, sindicatos de classe, grupos de interesse, associações profissionais, imprensa, freqüentemente chamada de quarto poder, e outras. Nos regimes totalitários, a existência de um partido único no poder diminui as chances de participação da sociedade nos assuntos políticos nacionais.


sábado, 31 de julho de 2010

Sociedades secretas: Maçonaria

Modelo de altar maçônico
A liberdade de pensamento e o racionalismo são princípios fundamentais da maçonaria, sociedade com adeptos em todo o mundo que em muitos países e diferentes épocas apoiaram as lutas pela independência e outros movimentos políticos progressistas, como a própria revolução francesa.
A maçonaria é uma instituição filosófica, filantrópica e evolucionista, que proclama a prevalência do espírito sobre a matéria e empenha-se no aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade. Proclama como princípios a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Reúne homens de crenças e opiniões diversas, mas não se identifica com nenhuma religião em particular. Em alguns ritos maçônicos, exige-se dos membros que professem a crença em Deus, embora algumas religiões proíbam seus fiéis de participarem da instituição.

Origem. As lojas maçônicas tiveram origem nas associações medievais dos pedreiros que construíam as catedrais. Esses pedreiros mantinham em segredo certos conhecimentos profissionais, e daí nasceu a crença nos "segredos maçônicos", que já a partir do século XVIII existiam apenas de maneira simbólica. Alguns de seus símbolos (martelo, colherão, avental etc.) ainda lembram a origem profissional da maçonaria, assim como a designação de Deus como Supremo Arquiteto do Universo. Os pedreiros medievais não se submetiam à autoridade dos bispos, e desse fato deriva a designação "pedreiros-livres" que se aplica aos membros da maçonaria.
A partir do século XVI, as associações de pedreiros-livres, na Inglaterra, passaram a admitir como membros honorários gente da nobreza, do clero anglicano, intelectuais e outros profissionais liberais, que logo chegaram a constituir a grande maioria dos membros. Em 1717 foi fundada a Grande Loja de Londres, modelo para as demais.

Ritos. A maçonaria é universal e internacional, mas as Grandes Lojas ou Orientes de cada país são independentes. Os ritos, que se formaram durante o século XVIII, também variam de um país para outro ou mesmo num mesmo país. Os membros do rito escocês, que domina as maçonarias inglesa, francesa e latino-americana, formam uma complexa sociedade com 33 graus de iniciação, que vão do aprendiz ao soberano-grande-inspetor-geral). Outros ritos são menos complicados e têm menor número de graus, como o rito de York, o rito francês, o rito prussiano etc. Toda loja tem, pelo menos, o venerável mestre, dois vigilantes, o orador, o secretário, o companheiro e o aprendiz.

Atuação política. No século XVIII, graças à ascensão da burguesia e à difusão das idéias iluministas, a maçonaria desenvolveu-se e adquiriu prestígio na Europa. Aliada aos movimentos liberais, procurou marcar sua presença efetiva nos grandes acontecimentos políticos. Na América Latina, desempenhou papel decisivo nas lutas da independência e, no século XIX, nas lutas dos liberais contra os conservadores clericais, sobretudo no México, Colômbia e Chile.
Na Itália, os maçons participaram do movimento de unificação nacional da península (Risorgimento). Na Suíça, a Grande Loja Alpina defende desde 1847 os cantões protestantes contra a oposição dos cantões católicos. Também na Bélgica e na Espanha do século XIX os maçons combateram a influência da igreja. Foi na França, porém, que a maçonaria conquistou grande força política e de lá se irradiou para os países latinos. Seu período áureo começou depois de 1870, na III República. Infiltrada em todos os partidos políticos de centro, de esquerda e até de direita, a maçonaria francesa dedicou-se a persistentes lutas contra a Igreja, com as quais conseguiu a abolição do ensino religioso nas escolas, o divórcio, a expulsão das ordens e congregações (1902) e a separação de estado e igreja (1905). Só após a primeira guerra mundial a influência da maçonaria francesa começou a declinar. Em Portugal, as lojas maçônicas difundiram o pensamento liberal, propagaram os princípios da revolução francesa e, como a maçonaria francesa, combateram as ordens religiosas e o clero.

Maçonaria no Brasil. Há evidências da presença de maçons no Brasil desde o final do século XVIII, país em que o movimento assumiu as mesmas posições libertadoras que manifestara nas demais colônias americanas. A ideologia da inconfidência mineira coincidiu, de modo geral, com a da maçonaria da época. Quando se iniciou o ciclo das conspirações nordestinas, a rede de sociedades secretas formou a base das comunicações entre os núcleos de intelectuais influenciados pelas novas idéias européias.
Selo comemorativo aos 150 anos
de morte de José Bonifácio,
nota-se os símbolos da
Maçonaria.
Nas lutas pela independência, a maçonaria passou a ser o centro mais ativo do trabalho e propaganda emancipadora. Sua missão libertadora continuou até a república. A maçonaria brasileira foi regida por mais de vinte constituições, a última das quais aprovada em 24 de junho de 1990. A federação, denominada Grande Oriente do Brasil, permanece como autoridade suprema da maçonaria simbólica (os três primeiros graus). Os demais graus estão sujeitos aos órgãos supremos dos diversos ritos, que devem permanecer em comunhão com o Grande Oriente.
Há, contudo, uma profunda distinção entre as lojas que seguem o Rito Escocês Antigo e Aceito, que enfatiza a existência de um Ser Supremo (o Supremo Arquiteto do Universo), com o primado do espírito sobre a matéria, e o rito francês moderno, de sete graus, professadamente laico e materialista. Além desses, há no Grande Oriente do Brasil os ritos York, Schroeder, adoniramita e brasileiro. Os membros dos ritos York, Schroeder e adoniramita reúnem-se em assembléias denominadas capítulos, enquanto as reuniões do rito brasileiro classificam-se hierarquicamente em capítulos, conselhos filosóficos, altos colégios e supremo conclave.


Os graus da maçonaria
Rito Escocês   Rito de York
33º grau - Soberano grão-inspetor geralOrdem dos Cavaleiros Templários
32º grau - Sublime príncipe do real segredo
31º grau - Grãos inspetor inquisidor comendador
30º grau - Cavaleiro kadosh
29º grau - Cavaleiro de Santo AndréOrdem dos Cavaleiros de Malta
28º grau - Cavaleiro do sol
27º grau - Comendador do templo
26º grau - Príncipe da mercê
25º grau - Cavaleiro da serpente de bronze
Ordem da Cruz Vermelha:
• Mestre superexcelente
• Mestre eleito
• Mestre real
24º grau - Príncipe do tabernáculo
23º grau - Chefe do tabernáculo
22º grau - Príncipe do Líbano
21º grau - Patriarca noaquita
20º grau - Mestre ad Vitam
19º grau - Grão-pontífice
18º grau - Cavaleiro Rosacruz
17º grau - Cavaleiro do Oriente e do OcidenteMaçom do real arco
16º grau - Príncipe de Jerusalém
15º grau - Cavaleiro do Oriente
14º grau - Grão-eleito perfeito e sublime
13º grau - Mestre do 9º arcoMui excelente mestre
12º grau - Grão-mestre arquiteto
11º grau - Cavaleiro eleito dos 12
10º grau - Mestre eleito dos 15
9º grau - Mestre eleitos dos 9Past master (Virtual)
8º grau - Intendente dos edifícios
7º grau - Preboste e juiz
6º grau - Secretário íntimo
5º grau - Mestre perfeitoMestre de Marca
4º grau - Mestre secreto
3º grau - Mestre maçomMestre maçom
2º grau - Companheiro de ofícioCompanheiro de ofício
1º grau - Aprendiz iniciado

Aprendiz iniciado

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Guerras entre Estados são cada vez mais raras no mundo, diz estudo

Desde 1945, maioria dos conflitos armados ocorre dentro dos países.

Série do G1 analisa guerras e confrontos atuais.

Giovana Sanchez Do G1, em São Paulo

Em 2009, o mundo presenciou um total de 365 conflitos políticos, entre os quais sete guerras e 24 crises severas. É o que diz um estudo do Instituto Heidelberg para Pesquisas em Conflitos Internacionais (HIIK), publicado anualmente. O número não é muito diferente do ano anterior, que registrou 353 confrontos, mas o que chama a atenção numa análise mais detalhada é a mudança na natureza das guerras nas últimas décadas.

Segundo a pesquisa, chamada ‘Conflitobarômetro’ [clique aqui para ler a íntegra, em inglês], hoje, é cada vez mais difícil a batalha direta entre duas nações. “Conflitos muito violentos entre Estados são extremamente raros. [...] Desde o declínio da União Soviética, seu número caiu severamente – nos últimos anos, apenas um ou até nenhum conflito entre estados é contabilizado por ano”, explicou em entrevista ao G1 uma das diretoras do Instituto, Lotta Mayers.
Baseado nesse estudo, o G1 publica a partir desta quinta-feira (29) uma série de reportagens analisando os principais conflitos armados no mundo. A primeira é sobre a guerra do Afeganistão.
Para Kristine Eck, professora da Universidade Uppsala, na Suécia, todo o período pós-Segunda Guerra foi marcado por um número maior de conflitos internos do que de guerras entre Estados. "Mas deve-se levar em conta também que, apesar de as nações estarem menos inclinadas a lutarem diretamente entre si, elas geralmente fornecem apoio a grupos rebeldes, como um tipo de 'guerra proxy' [guerra por procuração], provendo apoio com armamentos, treinamento ou ajuda financeira. Esse tipo de ajuda é recebida em 75% de todos conflitos internos."
Além disso, o modo como os confrontos terminam também tem mudado. Antes da Guerra Fria, segundo a professora Eck, a maioria das guerras terminava com uma vitória militar de lado e destruição do outro. "Hoje, essa é a maneira mais improvável de acabar um confronto. Os conflitos terminam de um jeito diferente agora: é mais provável que eles acabem com um cessar-fogo, um acordo de paz, ou outro motivo, como mudança de liderança ou de estratégia."
Outra mudança apontada por Eck é a diminuição de mortes nos conflitos atuais, tendência que pode ser vista desde 1980. Segundo ela, isso pode ser explicado pois desde o fim da Guerra Fria o apoio armamentista e financeiro vindo de países para grupos rebeldes é bem menor. "Os partidos guerreiros não têm o mesmo acesso a armas, tecnologia e dinheiro que eles tinham há 30 anos."

Fluxo contínuo
Nos anos de 1980 a 1990 houve um crescimento mais ou menos contínuo no número de conflitos violentos até que se atingiu um pico em 1992, com 52 conflitos altamente violentos. “Isso ocorreu por causa do declínio da União Soviética”, explica Lotta Mayers. "Depois disso, o número diminuiu muito até 1995, mas voltou a crescer em 2004. Os últimos cinco anos foram marcados por uma oscilação entre uma média de 30 a 40 conflitos muito violentos."
Policial da polícia de fronteira afegã mostra armamento em Kunar, dezembro de 2009

Policial da polícia de fronteira afegã mostra armamento em Kunar, dezembro de 2009 (Foto: Tauseef Mustafa/AFP)

Metodologia
O HIIK diferencia três categorias de conflitos violentos: crise, crise grave e guerra. Crises são caracterizadas por uso esporádico da violência, ao passo que crises severas e guerras seriam uma resposta organizada com uso de violência sistêmica durante um longo período de tempo, causando intensa destruição. Crises severas e guerras, na metodologia do Instituto, podem ser agrupadas na categoria ‘conflitos muito violentos’.

Fonte: www.g1.com.br

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aprenda brincando

Jogue e aprenda um pouco mais sobre as diferenças entre Reino Unido, Grã-Bretanha e Inglaterra.
Saiba também sobre a comunidade britânica.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Religiões: Espiritismo (Doutrina)


A crença na sobrevivência do espírito após a morte do corpo físico e o princípio da reencarnação são as bases da doutrina conhecida como espiritismo, movimento religioso que surgiu na França e se expandiu pelo mundo, notadamente no Brasil.
O espiritismo como doutrina surgiu a partir da publicação, na França, de Le Livre des esprits (1857; O livro dos espíritos), de Allan Kardec, pseudônimo do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail. Considerado a obra básica do espiritismo, o livro de Kardec codificava a doutrina espírita, que se resume em cinco pontos: (1) existência de Deus, como inteligência cósmica responsável pela criação e manutenção do universo; (2) existência da alma ou espírito, envolvido pelo perispírito, que conserva a memória mesmo após a morte e assegura a identidade individual de cada pessoa; (3) lei da reencarnação, pela qual todas as criaturas retornam à vida terrena e vão, sucessivamente, evoluindo no plano intelectual e moral, enquanto expiam os erros do passado; (4) lei da pluralidade dos mundos, isto é, da existência de vários planos habitados, que oferecem um âmbito universal para a evolução do espírito; (5) lei do carma ou da causalidade moral, pela qual se interligam as vidas sucessivas do espírito, dando-lhe destino condizente com os atos praticados.
A doutrina espírita não tem altares, cultos, sacerdotes ou rituais e não combate as outras religiões. Afirma que todos serão salvos, embora uns o sejam antes de outros, de acordo com a evolução do espírito nas sucessivas encarnações. Seus preceitos morais pregam o amor ao próximo e a Deus, a caridade e o progresso contínuo do espírito humano.
As manifestações extra-sensoriais ou de paranormalidade estão intimamente associadas ao espiritismo. A referência mais antiga encontra-se no Velho Testamento, com o relato da visita de Saul à pitonisa ou médium de Endor, que materializou a presença do profeta Samuel (I Sam 28:7-19).
O fenômeno que determinou o surgimento do espiritismo moderno ocorreu em 1848, na pequena cidade de Hydesville, no estado americano de Nova York. Na casa da família metodista de John D. Fox, ouviam-se com freqüência fortes pancadas nas paredes e no teto do quarto das meninas Katherine e Margaretha. A primeira, aos nove anos de idade, resolveu desafiar o invisível a reproduzir as pancadas que ela mesma daria. A prontidão das respostas - vindas do espírito de um homem que teria sido assassinado naquela casa - marcou o início da comunicação com os mortos. Foi nessa época que proliferaram, a princípio nos elegantes salões europeus, as chamadas mesas falantes ou giratórias.
Muitos cientistas pesquisaram e reconheceram a autenticidade dos fenômenos espíritas. Na Inglaterra, os mais importantes foram Frederick William Henry Myers, fundador da Sociedade para a Pesquisa Psíquica; os físicos William Crookes e Oliver Lodge e o biólogo Alfred Russell Wallace. Na França, além de Kardec, destacaram-se Camille Flammarion e o fisiólogo Charles Richet; na Itália, o criminólogo Cesare Lombroso e o astrônomo Giovanni Schiaparelli; na Alemanha, o astrofísico Karl Friedrich Zöllner e o médico Albert von Schrenck-Notzing.
A mediunidade é um fenômeno importantíssimo, dentro do espiritismo. É uma faculdade por meio da qual o médium - pessoa dotada de elevada capacidade de percepção extra-sensorial - manifesta os mais diversos dotes, como vidência, clarividência, clariaudiência, levitação, telecinesia (movimentação e/ou transporte de objetos), psicografia, emissão de ectoplasma, curas e outros.

Espiritismo no Brasil. O Brasil é considerado o maior país espírita do mundo. Denominado kardecismo em homenagem a seu codificador, o espiritismo no Brasil começou em Salvador BA em 1865. A partir de 1877, foram fundadas as primeiras comunidades espíritas, como a Congregação Anjo Ismael, o Grupo Espírita Caridade e o Grupo Espírita Fraternidade. Em 1883, surgiu O Reformador, a mais antiga publicação espírita do Brasil, e no ano seguinte Augusto Elias da Silva fundou a Federação Espírita Brasileira, que adquiriu grande projeção na gestão de Adolfo Bezerra de Meneses Cavalcante, a partir de 1895. A Livraria da Federação, criada em 1897, é responsável pela edição, distribuição e divulgação da vasta literatura espírita. Ao lado da difusão da doutrina, as organizações espíritas brasileiras realizam um amplo trabalho de assistência social e fraternidade humana, com manutenção de asilos e outras instituições.
Dentre os principais médiuns brasileiros destaca-se sobretudo a figura de Francisco Cândido Xavier, autor de centenas de obras psicografadas e realizador de um intenso trabalho espiritual. Além dele, ganhou notoriedade José Pedro de Freitas, o Zé Arigó, que efetivava curas e cirurgias pela incorporação do espírito do médico alemão conhecido como Dr. Fritz. Outro grande divulgador da doutrina é Divaldo Pereira Franco.

Veja também:

Related Posts with Thumbnails