" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 24 de março de 2011

A contribuição do Vasco para a integração racial e social no futebol

[...] Se o Vasco não foi o primeiro clube brasileiro a contar com jogadores negros em seu elenco – alguns pesquisadores defendem que a primazia foi do Bangu; outros que a Ponte Preta foi a pioneira -, não há dúvida que o Clube de Regatas Vasco da Gama adotou uma inovadora política clara de inclusão de atletas negros, mulatos e/ou que não pertenciam à elite. E que lutou para que eles não fossem excluídos do esporte. Contribuindo decisivamente para que o futebol deixasse um esporte exclusivo de descendentes de ingleses e jovens da aristocracia. Brancos.

- O mulato e o preto eram, assim, aos olhos dos clubes finos, uma espécie de arma proibida – escreveu Mário Filho em seu livro “O negro no futebol brasileiro”. Escrito em 1947, a obra é uma referência sobre o assunto.
Coube ao Vasco, vindo da segunda divisão, desafiar o sistema vigente. O clube, fundado por portugueses, se distinguia de outros criados pela colônia lusitana por abrir suas portas também para brasileiros. De qualquer origem. O critério para ser convidado a defender o clube da Cruz de Malta não era a cor da pele ou a situação social. Era saber tratar bem a bola.
E o time passou a adotar um regime desconhecido dos demais. Os jogadores, na prática, viviam para o futebol. Acordavam em uma espécie de ‘concentração’ e treinavam. Exercícios físicos e com a bola. De manhã até de noite. Treinador pelo uruguaio Ramon Platero, e com o apoio de comerciantes portugueses, tinham boa alimentação e recebiam ‘bichos’ para dedicarem ao futebol. Um princípio de profissionalismo em uma época em que os comandantes do futebol orgulhavam-se de dizer que o esporte era amador.
Com atletas habilidosos e bem preparados, o time do Vasco geralmente dominava os adversários no segundo tempo dos jogos, quando os rivais não conseguiam mais acompanhar quem havia treinado forte durante toda a semana. E o clube vindo da segunda divisão foi campeão carioca em 1923, logo no ano de estreia na elite do futebol do Rio (na foto acima, o time campeão).
A reação dos clubes tradicionais não demorou. No ano seguinte, o grupo formado por América, Botafogo, Flamengo e Fluminense decidiu deixar a Liga Metropoliana de Desportos Terrestres (LMDT) e fundar a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos). Pelas regras da nova entidade, os jogadores precisariam provar que estudavam ou trabalhavam. Não em um trabalho qualquer. “Um emprego decente (…). Empregados subalternos eram riscados”, segundo Mário Filho. E precisavam saber ler e escrever corretamente. Além disso, todos os clubes deveriam ter campos e sedes próprios. O Bangu, com um time formado em boa parte por operários da fábrica de tecidos instalada no bairro da Zona Oeste, foi convidado pelo quarteto a ingressar na entidade. Os cinco fundadores tinham peso maior nas votações, garantindo que as suas propostas fossem vitoriosas.

Ao Vasco, foi exigido que 12 jogadores fossem afastados, por não atenderam aos requisitos impostos pela AMEA. Diante do ultimato, o presidente do clube, José Augusto Prestes, assinou um ofício em 7 de abril, que ficou famoso na história do futebol carioca. E brasileiro.

 Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924

Ofício no. 261

Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens quase todos brasileiros no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.

Dr. José Augusto Prestes
Presidente

O Vasco permaneceu na LMDT, ao lado de clubes que não aceitaram as condições ou que não conseguiram cumpriram as exigências da AMEA (casos do Bonsucesso, Andarahy, Villa Isabel, Mackenzie). E foi campeão da Liga Metropolitana em 1924.
No ano seguinte, houve acordo entre o clube e a AMEA, costurado em boa parte por Carlito Rocha, futuro presidente do Botafogo. O Cruzmaltino manteve seus atletas. E o clube, com seus jogadores negros, mulatos e pobres, entrou para a história esportiva do país ao contribuir decisivamente para tornar o futebol um esporte realmente de todos os brasileiros.

[ Fonte: Memória E. C. ]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Decisão do STF sobre piso de professor deve sair até semana que vem


Uma imagem que acredito representar a indignação dos Professores

A presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá votar até a quinta-feira da próxima semana (31) o mérito da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) que questiona a lei que estabelece o piso salarial dos professores (Lei 11.738/08). O valor atual, estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC), é de R$ 1.187 para os docentes da educação básica que cumprem jornada de, no máximo, 40 horas semanais.
A previsão de data para o julgamento foi confirmada, segundo Bezerra, pelo presidente do Supremo, Cezar Peluso, em reunião nesta tarde, da qual participaram outros 20 deputados que compõem a Frente Parlamentar em Defesa do Piso do Magistério. “Saímos de lá esperançosos de que os ministros serão sensíveis à questão e que deverão decidir em favor dos professores”, avaliou a deputada.
ADI
Em outubro de 2008, governadores de cinco estados (Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Ceará) impetraram no STF a ADI 4167, que questiona alguns aspectos da Lei 11.738/08. Na ação, os governadores alegam que a lei do piso do magistério viola o princípio da autonomia das unidades da Federação, além de normas constitucionais que regulam a política orçamentária.

Em decisão liminar, o STF suspendeu dois dispositivos da lei. O primeiro determinava que o professor teria pelo menos 1/3 da carga horária para atividades extraclasse. O segundo previa que o piso corresponderia ao vencimento básico do professor, sem contar vantagens ou gratificações.
Segundo Fátima Bezerra, alguns estados e municípios têm usado essa suspensão como justificativa para descumprir o piso do magistério. “O julgamento definitivo é muito importante porque deve pôr fim a uma instabilidade jurídica que está se refletindo na não aplicação da lei em todo o País”, disse.
Falta de recursos
Além dos governadores que impetraram a ação, alguns prefeitos também questionam o piso do magistério e alegam dificuldade orçamentária para cumprir a lei. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) já divulgou nota em que afirma esperar que o Supremo mantenha a posição adotada nas liminares.

Mas, para Fátima Bezerra, a falta de recursos não justifica o descumprimento do piso. A deputada lembra que a Lei 11.738/08 prevê a possibilidade de complementação dos valores pela União nos casos em que os entes não contem com recursos orçamentários suficientes. “Existe essa alternativa e, portanto, não há motivo para o descumprimento da lei. A lei do piso foi aprovada por unanimidade na Câmara após um amplo debate entre todos os segmentos envolvidos. Devemos agora aplicá-la integralmente”, afirmou. (Agência Câmara)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Personalidades históricas: Oswaldo Cruz

"O senhor fez o mesmo que Hércules. Matou a hidra. É um benfeitor da humanidade." Com essas palavras o escritor francês Anatole France, durante visita ao Rio de Janeiro em 1906, saudou Osvaldo Cruz, aludindo ao fato de ter o sanitarista brasileiro conseguido erradicar as febres amarela e bubônica e a varíola na então capital federal.
Fundador da medicina experimental no Brasil, Osvaldo Gonçalves Cruz nasceu em São Luís do Paraitinga SP em 5 de agosto de 1872. Com apenas 14 anos de idade ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde doutorou-se em 1892, defendendo a tese Da veiculação microbiana pelas águas. Clinicou no Rio de Janeiro até os primeiros meses de 1896, quando viajou para a França, a fim de aperfeiçoar seus conhecimentos, sobretudo de bacteriologia. Em Paris, trabalhou no Serviço de Vias Urinárias do professor Félix Guyon, no Laboratório de Toxicologia e no Instituto Pasteur, dirigido por Émile Roux.
Depois de um estágio na Alemanha, regressou ao Brasil em 1899. Em outubro do mesmo ano esteve em Santos SP, para estudar a epidemia de peste bubônica que surgiu naquela cidade e sobre a qual escreveu um relatório detalhado. Em 1900 foi um dos criadores do Instituto Soroterápico de Manguinhos, destinado sobretudo à pesquisa e desenvolvimento de vacinas e cuja direção assumiu em 1902. A instituição firmou-se como centro técnico e experimental de grande renome -- seu diretor conseguiu reunir em torno de si uma excelente equipe de jovens pesquisadores -- e em 1908 passou a se chamar Instituto Osvaldo Cruz, nome que conserva até hoje.
Em 1903 Osvaldo Cruz assumiu o cargo de diretor-geral de Saúde Pública, com a difícil tarefa de erradicar a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, que irrompera no ano anterior. Iniciou rigoroso programa de combate à moléstia, com o isolamento dos doentes, vacinação obrigatória e campanhas para eliminar os focos de mosquito. A campanha sofreu cerrada oposição de parte dos positivistas, de políticos e de vários jornais cariocas, Correio da Manhã à frente. Todos os dias os jornais publicavam editoriais que atacavam Osvaldo Cruz e ridicularizavam em caricaturas a figura do sanitarista com sua brigada de "mata-mosquitos".
Em 14 de novembro de 1904, finalmente eclodiu uma rebelião da Escola Militar com repercussão popular. O movimento, denominado "quebra-lampião", quase depôs o governo de Rodrigues Alves. A revolta foi subjugada pelo comandante da guarnição federal, general Hermes da Fonseca, futuro presidente da república. Osvaldo Cruz não cedeu em nenhum momento e, graças às medidas que tomou, registraram-se apenas 39 casos de febre amarela no Rio de Janeiro em 1906; quatro casos em 1907; e nenhum caso em 1908. As medidas profiláticas acabaram também com as epidemias de peste bubônica e varíola.
Osvaldo Cruz procedeu ainda a uma profunda reforma no código sanitário e ao mesmo tempo remodelou todos os órgãos de saúde, com grandes benefícios para a higiene e a economia do país: na época das epidemias os navios evitavam aportar no Rio de Janeiro. Em 1907, no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, realizado em Berlim, expôs vasto material mostrando as atividades do Instituto de Manguinhos e da Saúde Pública, tendo o júri da exposição conferido a medalha de ouro ao Brasil, entre 123 expositores.
Em 19 de agosto de 1909, Osvaldo Cruz deixou a direção da Saúde Pública, por motivo de doença: já se manifestavam os sintomas de hiperazotemia (excesso de uréia no sangue), enfermidade que o mataria menos de dez anos depois. Mas não se resignou ao ócio: no ano seguinte aceitou convite da empresa que construía a estrada de ferro Madeira-Mamoré na região amazônica e fez um estudo do saneamento da região, onde passou um mês. Graças à adoção de seu esquema, a construção da ferrovia pôde prosseguir até a inauguração, em 1o de agosto de 1912. O resultado dessa viagem está contido no trabalho Madeira-Mamoré Railway Company: considerações gerais sobre as condições sanitárias do rio Madeira.
Mais tarde elaborou um plano de saneamento do vale do Amazonas, dando execução a um compromisso que assumira com o Ministério da Agricultura. Saneou a cidade de Belém, de acordo com contrato firmado com o governo do Pará. Posteriormente representou o Brasil em congressos sanitários realizados em Dresden, Alemanha, na Cidade do México e em Montevidéu.
A eleição de Osvaldo Cruz para a Academia Brasileira de Letras, em 1912, enfrentando a candidatura do poeta Emílio de Meneses, provocou grande polêmica naquela casa. Alguns achavam que, devido a sua denominação, a academia somente devia abrigar literatos. Venceu a tese de que vultos consagrados, de qualquer arte ou ciência, podiam ter um lugar na instituição. Em 1913 Osvaldo Cruz passou a ocupar a cadeira deixada vaga pelo poeta Raimundo Correia. De sua bibliografia constam cerca de cinqüenta títulos, entre memórias, teses, pesquisas médicas e relatórios científicos, além do discurso de posse na academia, em que fez o elogio de Raimundo Correia. Seus trabalhos são escritos em estilo simples, límpido e direto, a que não falta um certo encanto artístico.
Em 1916, já muito doente, Osvaldo Cruz foi nomeado prefeito de Petrópolis RJ. Assumiu o cargo em 18 de agosto, mas renunciou em janeiro do ano seguinte e morreu naquela cidade em 11 de fevereiro de 1917.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Reconhecimento da profissão

Em entrevista, o senador Paulo Paim diz que a regulamentação da profissão de historiador pode sair ainda neste semestre. Petista é o autor do projeto de lei
Alice Melo
A aprovação do projeto que regulamenta a profissão de historiador pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) representou um grande passo na caminhada para a sanção desta lei.

Em entrevista à "Revista de História da Biblioteca Nacional", o senador Paulo Paim (PT-RS), autor da proposta, mostrou-se otimista com o avanço do projeto no Senado e afirmou que, se tudo correr dentro do esperado, a profissão de historiador pode ser regulamentada ainda neste semestre.

“Não tem por que não andar depressa agora”, falou o senador. “A parte legal já foi aprovada. Se continuar assim, não haverá nenhuma dificuldade para passar nas outras comissões”, completa.

Segundo Paim, o envolvimento dos historiadores no processo de regulamentação é tão importante quanto sua ação junto aos senadores antes das votações. “É importante falar com o relator, falar com os presidentes das comissões. Se houver mobilização da classe, ainda nesse semestre o projeto pode entrar em vigor.”

Para que isso aconteça, é necessária a aprovação do projeto nas Comissões de Educação (CE) e Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Logo depois, a Câmara dos Deputados recebe a proposta e encaminha possivelmente para as comissões de Educação e Trabalho. Se aprovada nestas instâncias fica a cargo da Presidente da República sancionar a lei.

“A regulamentação é um dever da sociedade com o historiador. Ela precisa ser aprovada pelo que representa principalmente para a educação do país”, diz Paim.

[ Fonte: Revista História Viva

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um site para os amantes da História do Egito Antigo,


No site Arqueologia Egipcia você encontrará um bom acervo a respeito da História do Egito Antigo, especialmente ficará por dentro das mais recentes descobertas arqueológicas egípcias, além de textos, imagens, vídeos, dicas de sites, artigos, teses, documentários e muito mais, acesse: www.arqueologiaegipcia.com.br/ 

domingo, 6 de março de 2011

Novela do Sbt retrata o período da Ditadura Militar no Brasil.



Segundo algumas informações que já foram divulgadas sobre a novela, toda a historia da mesma passara entre os anos 60 e 70 com a presença de fatos reais históricos que acabaram marcando a ditadura e com um elenco que vai misturar o romance e a aventura tudo para deixar a historia mais bonita.
Alguns fatos como amor, traição, aventura e também ódio devem marcar presença nesta nova produção onde a emissora diz que esta não será apenas uma novela de época mais sim um relato verdadeiro dos anos compreendidos entre 1964 e 1972 com cenas muito emocionantes nas quais deixarão o publico ainda mais vidrado na novela.

Depoimentos

Para encerrar todos os capítulos de Amor e Revolução, serão usados depoimentos de pessoas que sofreram com a ditadura militar entre1964 a 1985, seu tempo de duração. É semelhante aos depoimentos que iam ao final de cada capítulo das novelas Páginas da Vida e Viver a Vida ambas de Manoel Carlos, transmitidas pela Rede Globo em 2006 e 2009, retradando as dificuldades verídicas do dia a dia da população.
José Dirceu foi o primeiro a gravar o depoimento, que durou cerca de 70 minutos. O material captado foi elogiado pelo diretor da trama Reynaldo Boury: "Foi maravilhoso, tranquilo". Dirceu foi um líder estudantil na época, preso no final da década de 60 e liberdado após o sequêstro de um embaixador americano arquitetado por guerrilheiros, se exilou na Cuba e após o fim da ditadura virou um político importante.
A produção da telenovela aguarda o sinal verde da assessoria da Presidente da República Dilma Roussef, a qual também tem forte identificação com o período político.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Pesquisadores encontram ruínas históricas durante escavação no RJ


Durante as obras de revitalização foram encontradas camadas de pedras que podem ter sido um cais - onde atracavam navios com escravos da África. Também foram encontrados objetos que pertenceram aos escravos.


 A Baía de Guanabara já teve mais espaço, na época do Brasil-Império. Mas, no século XX, o Rio de Janeiro cresceu sobre as águas, sobre aterros.
Agora, as obras de revitalização da zona portuária, para as Olimpíadas de 2016, revelaram uma cidade em camadas.
Todo o trabalho vem sendo acompanhado por arqueólogos e historiadores. Cada pá de terra que sai, desvenda mais um degrau da nossa história.
Um cais foi construído em 1843 para a chegada da imperatriz Tereza Cristina, que veio para o Brasil se casar com Dom Pedro II.
O cais da imperatriz já estava nos mapas. Os arqueólogos sabiam o que iriam encontrar no local. Mas eles queriam ir além, voltar alguns anos na história. Trazer de volta a memória que andava esquecida.
Os pesquisadores acreditam que o piso de pedras irregulares e coberto por outras camadas de calçamento seja o cais do Valongo. Em um determinado ponto, os navios negreiros chegavam com escravos da África.

No meio das ruínas, foram encontrados vários objetos. A cultura negra está exposta na religiosidade dos búzios e nas contas que as mulheres usavam em colares. Segundo os arqueólogos, um cachimbo de argila é da primeira metade do século XIX, feito à mão pelos escravos.
As peças mostram um pouco do cotidiano do Rio quase dois séculos atrás. Louças inglesas, instrumentos de navegação, artigos de costura. Época em que brinquedo de criança era um mini-canhão.
“Juntar peças de um quebra-cabeça e compor uma história maior. É uma história, em migalhas, que a gente procura juntar e fazer disso uma coisa maior. A cidade vive o seu presente, tem que olhar para seu futuro, mas não pode esquecer o seu passado”, explica a professora de Antropologia do Museu Nacional, Tânia Andrade de Lima.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Valorização do professor ??????

Piso do magistério será reajustado em 15,85% e subirá para R$ 1.187

Quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 - 17:53
O piso salarial do magistério deve ser reajustado em 15,85%. A correção reflete a variação ocorrida no valor mínimo nacional por aluno no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) de 2010, em relação ao valor de 2009. E eleva a remuneração mínima do professor de nível médio e jornada de 40 horas semanais para R$ 1.187,00.

De acordo com o MEC, a nova remuneração está assegurada pela Constituição Federal e deve ser acatada em todo o território nacional pelas redes educacionais públicas, municipais, estaduais e particulares.

Com relação à reivindicação da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), de aplicação do reajuste em abril, o MEC observa que o aumento é determinado de acordo com a definição do custo por aluno estabelecido pela Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007 [Lei do Fundeb], no início de cada ano.

O MEC aprova resolução da Comissão Intergovernamental para Financiamento da Educação de Qualidade, que atenua os critérios para permitir a prefeituras e a governos estaduais complementar o orçamento com verbas federais e cumprir a determinação do piso da magistratura. A comissão é integrada também pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Critérios — Os novos critérios exigidos de estados e municípios para pedido de recursos federais destinados ao cumprimento do piso salarial do magistério abrangem:

  • Aplicar 25% das receitas na manutenção e no desenvolvimento do ensino
  • Preencher o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope)
  • Cumprir o regime de gestão plena dos recursos vinculados para manutenção e desenvolvimento do ensino
  • Dispor de plano de carreira para o magistério, com lei específica
  • Demonstrar cabalmente o impacto da lei do piso nos recursos do estado ou município

Com base nessas comprovações, o MEC, que reserva aproximadamente R$ 1 bilhão do orçamento para apoiar governos e prefeituras, avaliará o esforço dessas administrações na tentativa de pagar o piso salarial dos professores.

Assessoria de Comunicação Social


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Exposição traz fotos inéditas da intimidade da antiga família real


O acervo tem 150 fotografias originais e negativos em vidro de fotógrafos brasileiros e europeus escolhidos pelo imperador.


Uma coleção de fotos da família real no Brasil está permitindo aos brasileiros conhecer a rotina e a intimidade dos integrantes da Corte. As imagens expostas no Rio estavam guardadas há mais de 100 anos.
Dom Pedro II parecia sisudo, mas não era. Aberto a novidades e apaixonado por fotografia, fez um álbum de família junto com a princesa Isabel e seus descendentes.
A pintura a óleo ainda era a principal referencia da Corte, mas Dom Pedro já queria ser fotografado enquanto posava para um pintor em 1865.
Uma exposição apresenta pela primeira vez 150 fotografias originais e negativos em vidro de fotógrafos brasileiros e europeus escolhidos pelo imperador.
O acervo pertence a Dom João de Orleans e Bragança, tetraneto de Pedro II, fotógrafo e também curador da exposição.
“A fotografia na época era parte de um século, o século XIX, de mudanças no mundo. Era você fotografar, você gravar a realidade. Não uma pintura, que pintava de acordo com o olho do pintor e do pintado. E Dom Pedro II quis que o Brasil não perdesse esse trem”, conta o herdeiro.
A imperatriz Teresa Cristina aparece de costas, era uma foto ousada para a realeza naquela época. E era também um registro da disposição dessa família em mostrar o que havia por trás das aparências.
O que se vê são vários momentos da vida privada dessa família, como a princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, trocando afeto com os filhos e o marido. As crianças brincam como em qualquer família. Fotos bem comportadas, mas incomuns para outras Cortes do século XIX.
“Eu acho que aqui há um traço brasileiro, um traço tropical. Você tem uma família imperial que tem um grande despojamento. Transparece em muitos momentos, primeiro a família e, secundariamente, a sua condição de família imperial”, explica o coordenador do Instituto Moreira Salles, Sérgio Burgi.

Quem quer ser professor?

Fonte: www.revistamad.com.br 


Há algumas décadas os professores eram profissionais com grande valorização na sociedade. Os anos passaram e o prestígio caiu.
 
Dados publicados em uma das edições do mês de setembro da revista Época, dão conta de que, no Brasil, apenas 3% dos melhores alunos querem ser professores e que entre os 20% com as piores notas, 16% (cinco vezes mais) ambicionam dar aula.
 
A educadora infantil Mônica Rodrigues Mello, 25 anos, andou contra as estatísticas. Aluna com médias altas e dedicada, aos 16 anos, quando terminou o ensino médio, decidiu seguir o magistério.
 
“Escolhi a profissão pelo prazer de estar com crianças e de poder ensinar e transmitir conhecimento para eles. Foi por gosto mesmo, não pelo salário”, afirma.
 
Hoje o papel do professor é mais complexo do que há algumas décadas e educar é um dos maiores desafios deste profissional, uma vez que exerce funções que vão além da mediação do conhecimento, o que dificulta e lhe traz uma responsabilidade maior e diferente.
 
“Somos um pouquinho de tudo aqui na escola. Mãe, amiga, psicóloga e, por fim, mestre. O papel do professor, especialmente nesta fase em que as crianças estão formando o seu caráter, personalidade e começando a aprender novas coisas, é muito importante. Precisamos oferecer uma base boa aqui, transmitir para eles qualidades e atitudes”, diz.
 
Professor de história há 12 anos, Érico Paes de Campos, 40 anos, seguiu o caminho inverso. Aluno introspectivo e com dificuldades de relacionamentos, estudou Turismo e Hotelaria e atuou por anos na carreira antes de se dedicar à sala de aula. “Foi nesta profissão que aprendi a ter jogo de cintura e perdi a timidez”, conta.
 
Em 1999, quando perdeu o emprego em um hotel de Lages, Érico foi convidado para ser monitor do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), foi quando conheceu a área de atuação dos professores e se apaixonou pela profissão.
 
“Nesta época me encantei em descobrir que as coisas que eu falava eram ouvidas pelas crianças e podiam fazer a diferença em suas escolhas. Hoje, para mim, ser professor é um presente de Deus”, declara o professor.
 
Érico se apaixonou tanto pela profissão, que hoje, além de se dedicar à sala de aula, ministra palestras em escolas públicas e privadas sobre o bullying, problema antigo mas com nome novo e que merece atenção especial dos professores.
 
“A diferença para qualquer situação, é a informação. Devemos informar os alunos, esperando posterior conscientização. Os trabalhos sobre o bullying têm sido muito importantes para mudarmos as atitudes dos alunos”, explica.
 
Tanto para Érico como para Mônica, o papel do professor dentro da sociedade é cada vez mais complexo e a falta de reconhecimento profissional ainda é um desafio a ser enfrentado.
 
“Mesmo com todas as dificuldades, o que me faz acordar todas as manhãs, o que motiva minha vida, é ser professor. Os melhores alunos não se dedicarem à sala de aula como profissionais, isso se deve ao fato de que eles buscam respaldo financeiro e não a realização profissional”, completa.
 
Nova na carreira, Mônica se sente realizada e também admite gostar muito do que faz. “Sempre comento com minhas colegas que se tivesse que trabalhar sábado e domingo, eu viria, porque adoro ficar com ass. A cada dia ensino e aprendo coisas novas com eles, que são muito carinhosos. Isso tudo é muito importante para a minha realização pessoal e profissional”, destaca. criança

Fonte: http://www.clmais.com.br/informacao/9240


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A dura vida dos marinheiros das Grandes Navegações.

Apertados, com mantimentos escassos e mal conservados, os marinheiros enfrentam viagens longas e difíceis
Monstros povoavam as mentes dos marinheiros
das Grandes Navegações.
A vida nos navios que partem para alto-mar é muito dura. Oficiais e marinheiros espremem-se em espaços exíguos, enfrentam os perigos dos mares desconhecidos e padecem de doenças terríveis. A principal causa de mortalidade, além dos naufrágios, é o mal das gengivas, um flagelo das tripulações. Depois de algumas semanas no mar, as gengivas incham e começam a apodrecer, exalando um odor insuportável. Às vezes, é preciso cortar a carne apodrecida antes que o inchaço cubra os dentes e leve o doente à morte – sem conseguir mastigar, os infelizes definham de fome. A tripulação se ressente da falta de alimentos frescos. Os oficiais têm permissão para embarcar animais vivos, como galinhas, cabritos e porcos, mas essa carga geralmente é consumida nos primeiros dias de viagem. A partir daí, a principal comida a bordo são os biscoitos da regra, feitos de farinha de trigo e centeio. Cada tripulante tem direito geralmente a 400 gramas diários de biscoito, a ração básica de sobrevivência no mar.
A má conservação dos alimentos é um problema grave. Armazenada em paióis pouco arejados, quentes e úmidos, a comida apodrece rapidamente. Os navios vivem infestados de ratos, baratas e carunchos. Insetos e vermes disputam com os homens o alimento escasso e comprometem as já precárias condições de higiene. Os temperos fortes são usados para disfarçar o gosto dos alimentos deteriorados. Peixes frescos são uma raridade – além de difíceis de pescar em alto-mar, a tripulação prefere não gastar o pouco alimento disponível como isca de resultados incertos. As refeições são preparadas num fogão a lenha existente no convés e cuidadosamente vigiado para evitar incêndios. À noite e durante as borrascas, os fogões ficam apagados. A água, transportada em grandes tonéis, também apodrece pelo acúmulo de algas e parasitas. Quando ela escasseia, nas longas viagens, o racionamento aumenta e cozinha-se com água do mar. Talvez venham daí as febres e diarréias que atormentam a todos. Essas doenças não só minam o corpo como entorpecem a mente. Suspeita-se que uma diarréia intermitente tenha contribuído para os delírios do grande almirante Cristóvão Colombo, que ultimamente deu até para duvidar que o mundo é redondo, atribuindo-lhe, ao contrário, o formato de uma "teta de mulher", conforme escreveu em arrebatada carta enviada à piedosíssima rainha Isabel de Castela.

Os navios funcionam como organizações militares, com hierarquia e tarefas bem definidas, o que não tem impedido motins e rebeliões. Não é só a marujada ignara que se subleva nos momentos de desespero. Na viagem de volta das Índias, a tripulação da frota de Vasco da Gama estava tão devastada pelas doenças e pela exaustão que até os mestres e pilotos pediram ao almirante que retornasse à terra (numa reação típica de seu temperamento irascível, Gama prendeu os pilotos e assumiu ele mesmo o comando da navegação). A elite da tripulação é composta de representantes da nobreza e profissionais altamente especializados na arte de navegar. O posto mais alto é o do capitão-mor. Depois vêm o mestre e o contramestre, responsáveis pela contratação dos marujos e pela rotina de bordo. O piloto é o comandante das operações náuticas. Deve conhecer a posição do navio o tempo todo, definir seu curso, saber ir e retornar em segurança. O escrivão, representante direto da coroa, encarrega-se de fazer os relatos da viagem e os registros no livro de contabilidade. Agora, com a expansão da empresa das navegações, já começam a ser sistematicamente embarcados os representantes da Igreja. Eles prestam assistência espiritual à tripulação e viajam imbuídos da missão de propagar os ensinamentos cristãos entre os bárbaros e infiéis das novas terras, tarefa na qual até agora têm obtido pouco sucesso.
O restante da tripulação é dividido em três categorias. Os marinheiros são profissionais do mar com experiência em viagens anteriores. Nesse grupo estão os carpinteiros, calafates, tanoeiros, meirinhos, despenseiros, cozinheiros e bombardeiros. Os grumetes são aprendizes de marinheiros, novatos de primeira viagem. Aprendem a içar e recolher as velas, operar as bombas para drenar o navio e outras rotinas náuticas. Os que mostram aptidão são promovidos a marinheiros. Por fim, há os pajens, menores embarcados que servem os oficiais de bordo. Limpam as cabines, arrumam a mesa, servem as refeições e cantam hinos religiosos. Também cabe aos pajens virar a cada meia hora a ampulheta, o relógio de areia que marca as jornadas de trabalho a bordo e o progresso do navio durante a viagem. Os navios levam ainda a gente de guerra, os soldados equipados com os canhões que tanto efeito causam no além-mar.
Só os oficiais têm aposentos próprios. A maioria da tripulação vive esparramada pelo convés e dorme em lugares improvisados. Expostos ao sol, ao frio e à chuva, muitos marinheiros morrem de doenças pulmonares. Não há banheiros. As necessidades são feitas diretamente no mar, com a ajuda de pequenos assentos pendurados sobre a amurada. O uso de urinóis à noite e durante as tempestades aumenta a pestilência a bordo. O responsável pelos raros cuidados com a higiene da tripulação é o barbeiro. Seu estojo é composto de seis navalhas, duas pedras de limar, duas tesouras, dois espelhos, dois pentes, uma bacia de barbear e outra para se lavar. Também inclui apetrechos parar curar feridas e uma farmácia de bordo com ungüentos, óleos aromáticos, purgantes, água destilada e ervas medicinais. A função do barbeiro é tão importante que ele é dos poucos tripulantes com o privilégio de dividir a mesa de jantar com o capitão e o piloto.
 Na longa solidão dos mares, as viagens são intermináveis e tediosas. O jogo de cartas constitui uma das poucas atividades de lazer a bordo, mas é malvisto pelos padres. Embora seja muito pequeno o número dos tripulantes instruídos nas letras, os padres também se opõem à leitura de livros profanos. Em seu lugar, distribuem obras que contam histórias de santos. A atividade religiosa a bordo é intensa. Os padres promovem rezas, ladainhas e representações teatrais de episódios religiosos, como o Mistério da Paixão. A adesão da tripulação é entusiasmada. Desde tempos imemoriais, os marinheiros demonstram grande fervor religioso, quando não superstição pura e simples. Sua profissão de alto risco explica esse apego

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tratado de Tordesilhas

Representação da linha de demarcação do
Tratado de Tordesilhas de 1494.

A ambição expansionista de Portugal e Espanha no século XV trouxe a ameaça de uma guerra, que foi evitada pela assinatura do Tratado de Tordesilhas, primeiro acordo internacional definido por vias diplomáticas. Endossado pela Igreja Católica, o tratado foi rejeitado por outros países.
O Tratado de Tordesilhas estabeleceu que seriam de propriedade de Portugal as terras descobertas e a descobrir situadas a leste de um meridiano, traçado de pólo a pólo, a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, enquanto as terras situadas a oeste desse meridiano pertenceriam à Espanha. O mesmo se aplicava às terras conquistadas a povos não cristãos e àquelas ainda por conquistar. O acordo foi assinado em 7 de junho de 1494 na cidade espanhola de Arévalo, província de Tordesilhas, entre o rei de Portugal, D. João II, e os Reis Católicos, Isabel e Fernando de Castela e Aragão. Representou o fim oficial de uma longa série de disputas, negociações e bulas papais a respeito da posse das novas terras. O meridiano de Tordesilhas, no entanto, nunca foi de fato demarcado e motivou várias disputas de fronteira.
Antecedentes. Durante o século XV, impulsionados pela crescente necessidade de expansão comercial e pelo desenvolvimento tecnológico, navegadores portugueses e espanhóis lançaram-se à aventura de descobrir novas terras e caminhos marítimos.
Portugal recebeu de Roma várias concessões importantes relativas aos descobrimentos. Assim, em 1454, o papa Nicolau V, a instâncias da coroa portuguesa, concedeu ao rei e a seus sucessores a posse do litoral africano e ilhas dos mares adjacentes. O Tratado de Toledo, assinado em 1480 pelos reis de Castela e por Afonso V, rei de Portugal, e seu filho, D. João, determinava que pertenciam a Castela as ilhas Canárias e, a Portugal, a Guiné e as ilhas achadas ou por achar ao sul das Canárias. Baseado nesse acordo e nas bulas papais, D. João II reivindicou a posse das terras descobertas por Cristóvão Colombo em 1492.
Representação da linha de demarcação proposta
pela Bula Inter Coetera do Papa Alexandre VI.
Os Reis Católicos, inconformados com os privilégios de Portugal, recorreram ao papa para assegurar seus direitos sobre as terras recém-descobertas por navios espanhóis. Pela bula de 4 de maio de 1493, um mês após a chegada de Colombo a Barcelona, o papa Alexandre VI -- espanhol de Valência e inclinado a favorecer os soberanos de Castela -- outorgou à Espanha a posse das novas terras. A bula determinava que seriam de Castela as ilhas descobertas e a descobrir situadas a oeste de um meridiano "situado a cem léguas das ilhas de Açores e de Cabo Verde". Dessa forma, anulavam-se as concessões anteriores a Portugal.
Perdido o monopólio marítimo, D. João II tentou assegurar uma repartição territorial mais conveniente a seus interesses. Para estabelecer negociações diretas, enviou embaixadores aos reis de Castela. Iniciados na cidade de Tordesilhas, os entendimentos foram conduzidos pelo espanhol Ferrer de Blanes e pelo português Duarte Pacheco Pereira. Finalmente foi firmado o acordo, pelo qual os Reis Católicos renunciavam ao disposto pela bula de Alexandre VI e aceitavam uma nova proposta: o deslocamento para oeste da linha meridiana, que passaria a "370 léguas de Cabo Verde, entre os 48o e 49o a oeste de Greenwich". Ratificado em 1506 pelo papa Júlio II, por petição do rei de Portugal D. Manuel I, o Tratado de Tordesilhas vigorou até 1750, quando foi revogado pelo Tratado de Madri.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Museu Nacional de Belas Artes reabre após três anos


Após restaurações, galeria conta com 230 obras, cem a mais do que antes do fechamento.


Obras de arte que há mais de um século ajudam a contar a história do Brasil estão expostas no Rio de Janeiro. A maioria das peças foi restaurada e algumas estão sendo vistas pela primeira vez.
Os amplos salões da galeria de arte mais antiga do país ficaram fechados nos últimos três anos. Enquanto o prédio centenário passava por reformas, a maior coleção de arte brasileira do século XIX recebeu os cuidados de uma equipe de restauradores.
Na reabertura do espaço, 230 obras, entre pinturas e esculturas, estão expostas no Museu Nacional de Belas Artes, cem a mais do que antes do fechamento, incluindo tesouros que não eram mostrados há mais de meio século, como o quadro “Remorso de Judas”, premiado em um concurso de 1880, em Paris.
O retrato do primeiro padroeiro do Brasil, São Pedro de Alcântara, é inédito. Estava preso a uma placa de madeira, cheia de cupins. Só agora, restaurado, pode ser visto. “A gente conseguiu salvar a obra e isso é muito gratificante”, conta o restaurador Eli Amaral Muniz.
Na galeria, encontram-se obras que estão nas páginas dos livros didáticos. São clássicos da arte brasileira, como “Batalha do Avaí”, de Pedro Américo, uma pintura monumental, que ocupa uma área de quase 70m².
A coleção tem várias obras que viraram símbolos de fatos históricos. De Victor Meirelles, “A Batalha de Guararapes” e “Primeira Missa”. De Debret, “Chegada de Dona Leopodina ao Brasil” e “Coroação de Dom Pedro I”.
Elas estão ao lado das senhoras e meninas do império, das paisagens perdidas nas hoje grandes cidades do país e também da índia Iracema e do último tamoio.
“Através da obras de arte, nós percebemos os fatos políticos, econômicos e históricos do nosso país. É uma grande alegria estarmos devolvendo estas obras tão bem cuidadas para as futuras gerações”, diz Mônica Xexéo, diretora do Museu Nacional de Belas Artes.
Fonte: www.globo.com/jn

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Missões artísticas e científicas no Brasil do século XIX.

Desenho de uma "Família de índios Botocudo".
Autor: príncipe Maximilian von Wied-Neuwied.
Muito do que se conhece hoje sobre o passado de nosso país deve-se ao trabalho dos artistas e cientistas que percorreram o Brasil registrando os costumes da população e desenhando animais, plantas e cenas do cotidiano nas chamadas expedições (ou missões) artísticas e científicas. 
Uma das primeiras missões foi liderada pelo príncipe alemão Maximiliano von Wied, entre 1815 e 1817. além de importante legado botânico e linguistico, essa expedição nos deixou um grande acervo etnográfico, tendo registrado diversos aspectos dos índios Puri, Botocudo e Pataxó.
Obra de Nicolas-Antoine Taunay
Já a vida dos escravos e o cotidiano foram retratados pelo artista francês Jean-Baptiste Debret, que chegou ao Rio de Janeiro em 186 integrando a Missão Artística Francesa. Juntamente com ele, vieram na Missão Francesa diversos outros artistas, como o pintor Nicolas-Antoine Taunay.
Obra de Debret
Outra missão importante foi a austríaca, que chegou em 1817, acompanhando a arquiduquesa da Áustria, Maria Leopoldina Habsburgo, casada por procuração com o príncipe dom Pedro (futuro dom Pedro I), filho de don João e dona Carlota Joaquina.
Entre os integrantes da expedição estavam o zoólogo Johann von Spix e o botânico Karl von Martius. Durante três anos eles percorreram mais de 20 mil quilômetros, registrando inúmeras informações sobre a fauna e a flora do Brasil.
A expedição de Langsdorff, por sua vez, foi organizada pelo cônsul da Rússia no Brasil, o barão Georg von Langsdorff. Ela saiu do Rio de Janeiro em 1824 com 34 pessoas e retornou três anos e meio depois. O trabalho desse grupo é considerado um dos tesouros científicos do Brasil. Entre seus artistas destacan-se Adrien Taunay (filho de Niolas-Antonie Taunay) e Hercule Florence. Também fez parte da expedição o pintor Johan Moritz Rugendas, que em 1827 publicou o livro Viagem pitoresca através do Brasil, com ilustrações que mostram a opressão sofrida pelos escravos.

Johann-Moritz Rugendas. Viagem pitoresca através do Brasil. 

Fonte: Ana Maria de Moraes Beluzzo. O Brasil dos viajantes.

Veja também:

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