" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 5 de maio de 2011

9º Semana Nacional de Museus em Carangola


A Equipe do Museu Municipal e Arquivo Histórico de Carangola, através do novo diretor, o Professor Randolpho Radsack, anuncia uma série de reformas no espaço físico do museu no que se refere à conservação do Prédio da firma Barbosa & Marques e diversas inaugurações com relação às exposições permanentes e itinerantes.
Segundo o Prof. Randolpho a reinauguração do Arquivo Histórico é a grande novidade de sua gestão. A organização do espaço físico, dos documentos históricos, a catalogação e a informatização foram realizadas de acordo com as normas do Arquivo Nacional. Com base nesta reestruturação, o Arquivo Histórico estabeleceu um convênio com escolas da cidade para que alunos do Ensino Médio recebam um curso de Técnicas e Organização de Acervo Documental Histórico, podendo os mesmos contribuir na reorganização do Arquivo.
Um dos primeiros eventos sob a sua administração será a 9ª Semana Nacional de Museus, com o tema ‘‘Museu e Memória’’, que contará com a participação de todos os seguimentos da cidade.
A equipe do Museu informa que o telefone para contato e agendamento de visitas guiadas é 32-3741-7884 e email museucarangola@ymail.com
Segue abaixo a programação da 9ª Semana Nacional de Museus:

Programação da 9ª Semana Nacional de Museus
16/05/2011 – Segunda-Feira – 19h30min às 21hs.
* · Inauguração da Tecnologia de Ponta que o Museu Municipal de Carangola – MG adquiriu através do Projeto FEC (Fundo Estadual de Cultura),
* · Inauguração da sala de Acervo Médico e Hospitalar,
Mini-Palestra realizada pelo Dr. Fernando Quintão Hosken Filho, caracterizando o acervo deixado pelo seu pai e demais médicos.
* · Inauguração do quarto da saudosa pianista Corália D’Ávila Hosken, com uma pequena fala de seu filho Francisco Samuel Hosken.
* · Reinauguração do Arquivo Histórico Municipal – CDH – Centro de Documentação Histórica, com uma singela homenagem ao Professor Rogério Carelli (um dos grandes incentivadores da manutenção do acervo documental),
Apresentação do projeto em andamento ‘‘Reorganização do Arquivo Histórico Municipal’’,
* · Inauguração do Salão Nobre do Museu, Nome escolhido: Jayro Motta Hosken,
Singela homenagem póstuma – Convidado: Professor Renato Nacaratti,
* · Comunicação sobre a incrementação do Setor de Biodiversidade pela Bióloga Fabyolla Belan – Coordenadora do Setor.
Local: Museu Municipal
17/05/2011 – Terça-feira – 20h30 às 21h30min
* · Apresentação dos Patrimônios Imateriais Banda Lyra 21 de Abril, Caxambú e Boi Pintadinho.
* · Mini-Palestra proferida pelo Historiador Randolpho Radsack – Diretor de Museu e Arquivo Histórico Municipal de Carangola – MG. Membro do Conselho do Patrimônio Histórico do município.
Local: Pátio Externo do Museu Municipal.
18/05/2011- Quarta-feira- 19h30min às 20h30min
* · Palestra: “Preservação e Importância dos Sítios Arqueológicos para nossa História”, com o Palestrante Leandro Mageste integrante da Equipe do MAEA.
Local: Salão Nobre do Museu Municipal
19/05/2011 – Quinta-feira – 19h30min às 20h30min
* · Apresentação de Poemas sobre a Preservação os Patrimônios Históricos Materiais e Imateriais – Autor: Carlos Henrique Rangel, Amaro Vaz e outros.
Poesias Declamadas por alunos das Escolas de Carangola – MG
Local: Salão Nobre do Museu Municipal
20/05/2011 – Sexta-feira – 19h30min às 20h
* · Palestra: ‘‘A importância da Biodiversidade no Museu’’ proferida pela Professora Vanilsa Bevilaqua.
Local: Salão Nobre do Museu Municipal
21/05/2011 – Sábado – 21h às 22h30min
Noite Cultural:
* · Apresentação dos Alunos da Escola de Música – LC Music.
* · Apresentação de Tango e Bolero pela Escola ‘‘Arte da Dança’’.
* · Apresentação de Samba de Gafieira pela Escola de Dança ‘‘Passo a Passo’’.
Local: Salão Nobre do Museu Municipal
22/05/2011 – Domingo – 8h às 17h
* · Filme apresentando Carangola e seus bens Patrimoniais.
* · Apresentação dos Trabalhos realizados durante as oficinas de Educação Patrimonial.
* · Encerrando com a apresentação da Escola de Dança Meia Ponta – Márcia Valladão
Local: Salão Nobre do Museu Municipal
Obs: Informamos que do dia 18 ao dia 20, a partir das 13hs haverá no Museu oficinas de Educação Patrimonial com o seguinte tema: Conscientização dos Patrimônios Históricos Materiais e Imateriais que possuem Carangola e região.
Atenção: É de suma importância que para melhor atendimento, as visitas guiadas sejam marcadas antecipadamente.

domingo, 1 de maio de 2011

Independência das Treze Colônias da América

Parte da grande revolução que mudou os destinos da civilização ocidental no final do século XVIII, a guerra da independência dos Estados Unidos (revolução americana) abriu uma nova era na história da humanidade. E o país surgido desse movimento libertário tornou-se modelo e inspiração para as colônias ibero-americanas em seu desejo de emancipação das potências colonizadoras.
Origens. Dá-se o nome de revolução americana à luta das colônias estabelecidas na América do Norte, para se tornar independentes da Grã-Bretanha. Vitoriosas, as colônias passaram a constituir uma república independente, estabelecida com base em princípios democráticos que, pela primeira vez, ganhavam forma estatal.
Iniciada em 1607, a emigração inglesa para a América do Norte deu origem à formação de colônias, que em 1732 já eram 13. Entre as causas que concorreram para a guerra de independência (de 1775 a 1781) figura o abandono em que estas se encontravam. Os colonos tinham, por isso, que resolver sozinhos seus problemas, o que lhes dava uma posição de autonomia em relação ao governo metropolitano. Além disso, os ingleses não estavam bem a par das condições das colônias e, preocupados com os próprios problemas, não lhes dedicavam muita atenção.

Entrementes, aumentava a importância econômica das colônias, sobretudo depois que a Grã-Bretanha, vitoriosa na guerra contra a França (Guerra dos Sete anos), acrescentou às suas possessões americanas todo o Canadá e as terras situadas entre os montes Apalaches e o rio Mississippi. Após o conflito, encontrando-se em difícil situação econômico-financeira, a Grã-Bretanha decidiu exigir das colônias a observância da Lei de Navegação (Navigation Act), que limitava grande parte do intercâmbio comercial destas exclusivamente à metrópole. Reprimia-se também o contrabando. Além disso, a Lei do Açúcar (Sugar Act), de 1764, que regulamentava o comércio do açúcar, aumentava o descontentamento dos colonos. E os que especulavam com a terra foram atingidos em seus interesses pelo decreto que proibia a colonização de áreas situadas além dos montes Apalaches.
Diante da necessidade de manter dez mil soldados ingleses para a defesa das colônias, o Parlamento aprovou em 1765 a Lei do Selo (Stamp Act), que estabelecia várias taxas a serem pagas por documentos legais e oficiais, através dos quais os colonos iriam cobrir as despesas de manutenção das tropas britânicas. A reação foi tamanha que o Parlamento teve de tornar sem efeito o decreto no ano seguinte. Mas aprovou, em seguida, o Declaratory Act, em que afirmava ter "pleno poder e autoridade" para legislar sobre as colônias.
Massacre de Boston. Em 1767, um novo decreto, o Townshend Act, tornou ainda mais tensas as relações entre a metrópole e as colônias. Esse decreto estabelecia impostos sobre o chá, o chumbo, o papel e o vidro, importados pelas possessões americanas. O dinheiro assim obtido destinar-se-ia a pagar os funcionários britânicos das colônias. Estes eram muito mal vistos, pela maneira como agiam: apreendiam mercadorias de comerciantes honestos e, muitas vezes, praticavam contrabando. A reação dos colonos recrudesceu. Os comerciantes negaram-se a importar mercadorias britânicas, e o líder revolucionário Samuel Adams levantou a população de Massachusetts.
Em 5 de março de 1770 ocorreu o chamado massacre de Boston. Dois regimentos britânicos que tinham sido enviados para conter os radicais daquela cidade entraram em choque com uma multidão, matando várias pessoas. As notícias espalharam-se por todas as demais colônias, e novamente o Parlamento britânico foi obrigado a recuar e anulou, meses mais tarde, o Townshend Act.
A Festa do chá de Boston
Crise do chá. Após três anos de relativa paz, em 1773 foi aprovada a Lei do Chá (Tea Act), com o objetivo de ajudar a Companhia das Índias Orientais a vender seus excedentes de chá nas colônias. Além do elevado preço do produto, os compradores ainda teriam de pagar impostos, e o lucro de sua comercialização reverteria, em grande parte, em favor dos agentes da companhia. Em represália, os navios que transportavam chá para as colônias deixaram de ser descarregados, e tiveram de regressar à metrópole. Foi novamente em Boston que os acontecimentos assumiram caráter mais grave. No dia 16 de dezembro de 1773, vários colonos disfarçados de índios atacaram três navios no porto e jogaram ao mar toda sua carga de chá. Esse incidente, conhecido como Boston Tea Party, foi o estopim da revolução.
A Grã-Bretanha viu-se então diante de duas alternativas: ceder mais uma vez ou adotar severas medidas de repressão. Decidindo por estas últimas, votou o que os colonos denominaram Leis Intoleráveis (Intolerable Acts), a mais enérgica das quais determinava o fechamento do porto de Boston até que os proprietários do chá fossem indenizados.
Os colonos uniram-se para enfrentar a metrópole e, em 1774, realizou-se em Filadélfia o I Congresso Continental, com a presença de delegados de todas as colônias, à exceção da Geórgia. Foi aprovada, então, a Declaração de Direitos e Agravos (Declaration of Rights and Grievances), que exigia a revogação das Intolerable Acts. O congresso tentou entrar em acordo com o governo inglês, mas fracassou. Com o assentimento do rei Jorge III, o governo decidiu reforçar as tropas britânicas nas colônias, a fim de garantir o cumprimento das decisões parlamentares.
Luta armada. Em abril de 1775, o general Thomas Gage, comandante das tropas britânicas em Boston, decidiu prender dois dos principais líderes americanos, Samuel Adams e John Hancock, e apoderar-se do material bélico reunido pelos colonos em Concord. Em Lexington, as forças de Gage entraram em choque com grupos armados e, depois de uma troca de tiros, os britânicos seguiram para Concord, onde destruíram a munição ali existente. De volta a Boston, enfrentaram novamente os colonos e foram por eles dispersados. Era o início da revolução americana.
O II Congresso Continental, reunido em Filadélfia, designou George Washington para comandar as forças dos colonos. Ainda havia esperanças de que a coroa fizesse concessões para evitar a separação. Mas por toda parte a autoridade real entrava em colapso: vários governadores refugiaram-se a bordo de navios ingleses e voltaram para Londres; outros foram aprisionados. A situação tornava-se de fato inconciliável: a saída era a submissão total ou a independência. A pregação libertadora encontrou um vigoroso apóstolo em Thomas Paine, cujo panfleto Common Sense (1776; O bom senso) atacava o princípio mesmo da monarquia hereditária, afirmando que um só homem honesto vale mais para a sociedade "do que todos os bandidos coroados que já existiram".
Enquanto isso, a luta prosseguia. Ethan Allen, de Vermont, e Benedict Arnold, de Connecticut, expulsaram os britânicos do forte Ticonderoga, às margens do lago Champlain, onde dois dias depois Crown Point foi tomada. Essas vitórias deram aos colonos uma passagem de comunicação com o Canadá.
Designado comandante das tropas britânicas, em substituição a Gage, o general William Howe decidiu tomar os montes Bunker e Breed, próximos a Boston, para fortalecer sua posição. A batalha de Bunker Hill (monte Bunker) foi travada em junho de 1775, e custou tantas perdas aos britânicos que os colonos, embora derrotados, consideraram-na uma vitória.
George Washington assumiu o comando das tropas que cercavam Boston, e treinou-as com rigor durante 1775. Nesse mesmo ano, no Canadá, o general Richard Montgomery, comandando as tropas americanas, ocupou Montreal e seguiu para Quebec. O ataque a esta última cidade fracassou, e Montgomery foi morto. A retirada dos americanos foi desastrosa, e os britânicos passaram então à ofensiva. No ano seguinte (1776), Washington cercou Dorchester Heights, acima de Boston, o que levou o inimigo a abandonar a cidade sem luta, deixando armas e munições. As tropas desalojadas seguiram para Halifax, e Washington concentrou suas forças em Nova York, à espera da ofensiva britânica.
Declaração de Independência. Depois de um ano de debates, em 4 de julho de 1776 o Congresso aprovou finalmente a Declaração de Independência, redigida por Thomas Jefferson, John Adams e Benjamin Franklin. Esse documento de importância histórica universal inspirou-se nas idéias avançadas de pensadores franceses e ingleses. Diz a declaração em seu preâmbulo:
"Consideramos evidentes por si mesmas as seguintes verdades: todos os homens foram criados iguais e dotados por seu criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade; para assegurar esses direitos, constituem-se entre os homens governos cujos poderes decorrem do consentimento dos governados; sempre que uma forma de governo se torna destrutiva desse fim, o povo tem o direito de aboli-la e de estabelecer um novo governo..."
Mais concretamente, a declaração estipulava o direito das colônias a se tornarem "estados livres e independentes", desligados de qualquer compromisso de obediência à coroa da Grã-Bretanha, com a qual ficava rompida toda união política.
Em agosto do mesmo ano, Howe atacou Nova York, onde se travaram violentas batalhas. As tropas de Washington tiveram, no entanto, de bater em retirada, atravessando Nova Jersey, até Delaware. No ano seguinte, os britânicos ameaçaram Filadélfia. Washington tentou defender a cidade mas foi batido, e novamente derrotado em Germantown, Pensilvânia. Paralelamente, o general britânico John Burgoyne invadiu as colônias do Canadá. Retomou Ticonderoga e Crown Point, mas perdeu a batalha de Saratoga. Decisiva para os americanos, essa vitória ajudou Benjamin Franklin a conseguir o auxílio da França. Logo depois, a Espanha entrou na guerra contra a Grã-Bretanha. Na guerra naval destacou-se John Paul Jones. No comando do Bon Homme Richard, bateu-se contra o navio britânico Serapis, episódio que constituiu a maior batalha naval da guerra.
Capitulação dos britânicos. Em 1778, a luta estendeu-se para o sul. Henry Clinton, o novo comandante das tropas britânicas, tomou a Geórgia e dois anos depois apoderou-se de Charleston, Carolina do Sul, aprisionando o exército de cinco mil homens do general Benjamin Lincoln. Os ingleses controlavam quase todo o sul, mas tinham de enfrentar freqüentes ataques de guerrilheiros americanos. As forças da metrópole tentaram uma ofensiva contra a Carolina do Norte, mas foram derrotadas em King's Mountain.
Daniel Morgan venceu tropas britânicas em Cowpens, (1781), mas o marquês de Cornwallis derrotou o general Nathanael Greene, comandante das tropas americanas no sul, em Guilford Court House. Cornwallis seguiu para a Virgínia em perseguição de uma tropa de colonos sob o comando do marquês de Lafayette e tomou Yorktown, concentrando aí seus contingentes militares. George Washington, à frente de um exército de 16 mil homens, atacou o inimigo por terra, enquanto o almirante francês François de Grasse lhe dava cobertura naval. Ao final de várias semanas de lutas, Cornwallis rendeu-se com todos os seus efetivos. A guerra estava praticamente terminada.
Em março de 1782, o chefe do governo inglês Lord North, renunciou. A paz de Versalhes foi ratificada formalmente em 3 de setembro de 1783, com o reconhecimento da independência dos Estados Unidos da América. Nesse mesmo ano, a Grã-Bretanha cedeu a península da Flórida à coroa espanhola, sem, no entanto, delimitar as fronteiras, fato que motivaria intensas disputas territoriais no sul dos Estados Unidos durante muitos anos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Professores de história buscam ambiente pedagógico favorável à criatividade


Pesquisa realizada no Distrito Federal mostra o empenho dos professores de história em criar um ambiente pedagógico favorável à criatividade. Os professores ouvidos reconhecem a necessidade de criar condições para o desenvolvimento do potencial criativo do aluno e buscam alternativas didáticas inovadoras que possam tornar o ambiente pedagógico mais atraente.
As conclusões são da própria autora da pesquisa, Maria de Fátima Magalhães Mariani, que entrevistou 16 professores de história de 5ª a 8ª série (6º a 9º ano) de cinco escolas públicas e cinco particulares de Brasília, com dois anos de experiência, pelo menos. O trabalho fez parte de sua dissertação de mestrado em psicologia, intitulada Criatividade no trabalho docente segundo professores de história: limites e possibilidades, apresentada em 2001, na Universidade Católica de Brasília.
Professora de história, já aposentada, com atuação no ensino fundamental e médio da rede pública do Distrito Federal e nas áreas de alfabetização e educação de adultos, atualmente Fátima Mariani é aluna de graduação em psicologia. Na época em que fez a pesquisa, ela trabalhava como coordenadora pedagógica em uma escola pública de Brasília e observou que suas limitações no trabalho docente eram semelhantes às dos colegas. “O que mais me angustiava era não conseguir que todos os meus alunos se interessassem pelas aulas de história. Nem mesmo com os recursos audiovisuais conseguia a atenção de todos”, conta Fátima Mariani.
Segundo ela, as notas em média eram boas, mas tinha muita dificuldade em conseguir que os alunos fizessem silêncio a fim de explicar o conteúdo. “No fim do turno estava rouca, estafada e desmotivada.” Ao relacionar aspectos do trabalho pedagógico com criatividade surgiu a questão: "como tornar as minhas aulas mais atrativas para mim e para meus alunos?" Foi aí que pensou que seria interessante conhecer a percepção dos professores de história sobre criatividade, quais as barreiras e as possibilidades encontradas no trabalho docente.
Fátima Mariani diz que a pesquisa selecionou duas categorias de facilitadores e de limitações relacionadas com a organização do trabalho pedagógico e com aspectos pessoais de cada participante. Com relação à organização do trabalho pedagógico, ela salienta que o aluno foi indicado como facilitador e limitador da expressão criativa do professor. “Este dado é bastante relevante e deve ser pesquisado, trazendo de novo a questão do relacionamento professor-aluno”, destaca.
Os facilitadores mais enfatizados pelos professores foram liberdade e paixão pelo trabalho. Entre os limitadores, os mais destacados foram a falta de habilidade na relação com o aluno, o medo de desafios, falta de tempo, sobrecarga de trabalho e exigências administrativas.
“Descobri que não há muita diferença entre os docentes dos dois tipos de escola quanto aos problemas pedagógicos, diz Fátima Mariani. De maneira geral acredita, as semelhanças são relativas a problemas na relação professor-aluno e queixas dos professores com relação às instituições, tais como rigidez, estruturas fechadas à inovação e pouca abertura à participação da comunidade escolar nas decisões da escola.
(Fátima Schenini)

domingo, 24 de abril de 2011

Estudar pra quê?

HOUVE UM TEMPO em que os adultos diziam às crianças que elas deviam estudar para “ser alguém na vida". Hoje, se ainda há os adultos que fazem tal coisa, fazem-no por hábito, não mais por convicção. Esse conselho era dado a qualquer criança, mesmo àquelas pertencentes às melhores famílias, que tinham boa educação de berço e bons exemplos em casa; aos alunos mais bem comportados, inteligentes e moralizados. É que “ser alguém na vida" não tinha a ver, necessariamente, com os valores intrinsecamente humanos. Era uma referência direta ao prestígio social. Nesse caso, os valores que se tinham em mente ao se falar sobre “ser alguém na vida" eram os valores financeiros. “Ser alguém na vida" era conseguir uma boa profissão. Nas relações sociais, a profissão era, e é, mais importante do que a própria pessoa. Se alguém lhe pergunta “O que você é” e você responde: “sou médico”, ou “sou carroceiro”, ou “sou deputado”, aí já vai se definido claramente se você é ou não é alguém na vida. Os valores eminentemente humanos de um indivíduo não estão, necessariamente, ligados à profissão que ele tem ou ao seu grau de escolaridade, mas, nas relações sociais, é isso que "manda". É basicamente porque a profissão tem essa responsabilidade sobre o significado existencial de um indivíduo sobre a face da terra, que os pais que amavam seus filhos lhes diziam, naquele tempo remoto: “Estuda, meu filho!”
            Assim, por força desse argumento, muitas crianças estudaram e realmente se tornaram alguém na vida. Mas isso já faz tanto tempo! A realidade, hoje, é outra. Há muita gente estudando até além da conta e, mesmo assim, continua não sendo ninguém na vida. Há uma multidão de diplomados com seus diplomas envelhecendo dentro de uma mala de papelão, sem ter o que fazer com eles. 
            Na infância, o meu pai era um menino que se destacava pela sua inteligência, pois sabia fazer conta na cabeça como ninguém conseguia. Mas ele não chegou a estudar em escola, porque isso era um luxo muito grande naquela época. Pouco depois a meninada começou a ir para a escola, e quem fazia as quatro primeiras séries do ensino primário tinha um bom título acadêmico nas mãos. Aí, veio uma época em que quem cursava o Ensino Fundamental completo era um privilegiado, e quem tirava o diploma de “segundo grau” (Ensino Médio) era doutor.
           Frequentar uma Faculdade, desde que esta foi fundada em 1088, na Itália, até há pouco tempo, na década de 1980, era apenas um sonho, e que a maioria das pessoas preferia nem sonhar para não gastar o pensamento com coisas decididamente impossíveis. Mas, no final do século XX, aconteceu uma revolucionária convergência de interesses: Todo mundo queria entrar na Faculdade, e a Faculdade queria colocar todo mundo dentro dela. É que a tendência do sistema educacional era transformar o ensino em um gigante e lucrativo mercado. Faculdades particulares começaram a ser fundadas em todos os cantos do país e, não passou muito tempo, todas elas se abarrotaram de alunos. Na condição de “produto” da grande feira pós-moderna, o ensino, que no passado era buscado com sacrifício pelos estudantes, agora busca alunos. Passaram a existir os marketeiros que “vendem” as vagas nas Faculdades. Oferecem-nas em escolas de Ensino Médio da mesma forma como se oferece qualquer outra mercadoria. Apresentam condições de pagamentos as mais variadas, os descontos, os brindes, as promoções. E assim, estando o ensino enquadrado na mesma lei de mercado que rege qualquer outro produto, o aumento da oferta lhe impôs o barateamento, massificando, desse modo, sua aquisição pelos estudantes. Já, aqui, o termo “estudantes” começa a cair em desuso. Desse momento em diante, as faculdades, bem como as escolas particulares, pelo seu modo de recrutar e tratar os alunos, os encaram, precipuamente, como “clientes”, e não propriamente como estudantes.
          No século XXI, todo mundo tem diploma. Assim como os cientistas elegeram a década de 1990 como a “década do cérebro”, os educadores poderiam, com muita razão, rotular a década de 2000 como a “década do diploma”. E nesses tempos em que as leis que regem a Educação não são apenas as de Diretrizes e Bases, mas também (e especialmente), as leis de mercado, o valor dos estudos começou a ser medido pela dinâmica comercial: Como a lei de mercado confere valor àquilo que é raro e torna desprezível aquilo que existe em grande quantidade, diploma tornou-se uma coisa que não vale quase nada, ou nada, a partir do momento em que todo mundo passou a tê-lo. 
          Exagero? Não. Os fatos atestam. Hoje em dia assistimos a certas bizarrices, como, por exemplo, o concurso público para garis, no Rio de Janeiro, em outubro de 2009, no qual, entre os candidatos que disputavam as oportunidades de se agarrarem a um cabo de vassoura, estavam inscritos 45 indivíduos com título de Doutorado, 22 com título de Mestrado e mais de mil (!) com formação em Nível Superior completo. E para deixar bem claro que não é a profissão de gari que está se elevando no statussocial, mas, sim, os títulos acadêmicos que perderam o seu valor, o jornalista da TV Bandeirantes, Boris Casoy, ao ver dois garis aparecendo numa chamada televisiva, desejando feliz Ano Novo, disse para todo o Brasil escutar: “Que merda... dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala do trabalho" (grifos nossos) (Jornal da Band, 31 de dezembro de 2009).
          Até aqui escrevi sobre o fato de o ensino ter virado uma grande feira. Mas a degeneração da Educação não para por aí. A Educação neste país pode estar inaugurando (oficialmente) uma nova fase de sua decadência: O deputado mais votado do Brasil nas eleições de 2010 foi um palhaço profissional, conhecido como Tiririca. Mal ele se apresentou à Câmara, e foi logo indicado para integrar a Comissão de Educação e Cultura. Em outras palavras, isso parece insinuar que a Educação pode estar se tornando um grande circo.
          Por tudo isso é que, no girar da história, aquele conselho tão bem intencionado de nossos pais sobre estudar para “ser alguém” na vida perdeu totalmente o seu sentido e a sua verdade. Hoje, a voz que nos aconselha o estudo sussurra frágil e desanimada, ao mesmo tempo em que ruge uma outra voz, muito mais robusta e cheia de escárnio, que pergunta: Estudar pra quê?    
    

Jose Fernandes
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Artigo de autoria do escritor José Fernandes, publicado no site www.escritorjosefernandes.com, em 23/04/2011.). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Acompanhem os textos e demais trabalhos do autor pelos seguintes links:

sábado, 23 de abril de 2011

Personalidades históricas: Victor Hugo

A riqueza imagística e formal de sua lírica fez de Victor Hugo o maior poeta romântico francês, também principal mentor do romantismo em seu país e um de seus mais importantes prosadores. Como político, evoluiu da postura conservadora e monarquista para o liberalismo reformista e os ideais revolucionários.
Victor Hugo (1802 - 1885
Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon em 26 de fevereiro de 1802. Filho do general napoleônico Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, passou na juventude temporadas na Itália e na Espanha. Estudou direito em Paris e, antes dos 18 anos, escreveu o romance Bug-Jargal, sobre uma revolta de negros em São Domingos. Fundou e dirigiu uma revista, Conservateur Littéraire (1819-1821). Estreou com Odes et poésies diverses (1822), obra que lhe valeu uma pensão de Luís XVIII. Pouco depois casou-se com Adèle Foucher.
Han d'Islande, de 1823, é tido como seu primeiro romance (já que Bug-Jargal só saiu em 1826) e a partir desse momento começou a se aproximar das idéias românticas. Cromwell (1827), sua primeira peça teatral, era longa e impossível de encenar. O prefácio da obra, contudo, projetou Hugo como líder do movimento romântico na França. Nele, opondo-se ao classicismo no teatro, o autor propunha o abandono das três unidades dramáticas e a mistura dos gêneros, com a coexistência do sublime e o grotesco. Seguiram-se as vaias ao drama Amy Robsart (1828) e o veto da censura à peça Marion Delorme (1829). Compensou tais frustrações o sucesso dos poemas de Les Orientales (1829; As orientais), do romance Le Dernier Jour d'un condamné (1829; O último dia de um condenado), apelo ao fim da pena de morte, e do drama Hernani (1830), exaltação do herói romântico, em luta contra a sociedade. Hernani suscitou pugilatos na platéia enquanto esteve em cartaz.
Victor Hugo apoiou a revolução de julho de 1830 e a ascensão da monarquia constitucional de Luís Filipe. Nesse período, muito fecundo apesar da vida conjugal infeliz, publicou Feuilles d'automne (1831; Folhas de outono), de poemas intimistas; Notre-Dame de Paris (1831; Nossa Senhora de Paris), romance medievalista centrado na tragédia do corcunda Quasímodo e da cigana Esmeralda; peças como Le Roi s'amuse (1832; O rei se diverte); as coletâneas poéticas Chants du crépuscule (1835; Cantos do crepúsculo) e Voix intérieures (1837; Vozes interiores); o drama Ruy Blas (1838) e nova coletânea de poemas, Les Rayons et les ombres (1840; Luzes e sombras). Em 1841, foi eleito para a Academia Francesa.
A esse tempo, Victor Hugo prosseguia sua ligação, iniciada em 1833, com a jovem atriz Juliette Drouet, que a ele se devotaria até morrer, dois anos antes do poeta. Em 1843 iniciou-se uma fase dolorosa na vida de Hugo: abandonou o teatro, ante o fracasso da peça Les Burgraves, e perdeu a filha mais velha, Léopoldine, afogada por acidente no Sena, junto com o marido. Após a revolução de 1848, Hugo tornou-se republicano e passou a combater Napoleão III. O golpe de 1851 levou-o ao exílio, definido por ele como "uma espécie de longa insônia" que duraria quase vinte anos, 15 dos quais na ilha inglesa de Guernsey.
Foi esse, no entanto, o período mais fértil de sua vida literária. Em poesia, destacam-se Les Châtiments (1853; Os castigos), de sarcásticos versos políticos; Les Contemplations (1856; As contemplações), com o melhor de sua lírica; a primeira série do ciclo épico La Légende des siècles (1859; A lenda dos séculos); e Chansons des rues et des bois (1865; Canções das ruas e dos bosques). Em prosa, são dessa época seus melhores romances, que constituem propostas de reforma social: Les Misérables (1862; Os miseráveis), Les Travailleurs de la mer (1866; Os trabalhadores do mar) e L'Homme qui rit (1869; O homem que ri).
Paris parou para o último adeus ao poeta e
 escritor Victor Hugo (1802-1885).
Anistiado por Napoleão III em 1859, Hugo não quis deixar Guernsey e só retornou à França em 1870. Recebido em triunfo, elegeu-se deputado, cargo ao qual renunciou depois. Não aderiu à Comuna de Paris mas, em 1876, como senador, fez vigorosa defesa da anistia aos communards. Vivia então a plenitude de sua glória nacional e internacional. Salientam-se, nessa época, os poemas de L'Année terrible (1872; O ano terrível), o romance Quatre-ving-treize (1874; Noventa e três), a segunda série de La Légende des siècles (1877-1883) e L'Art d'être grand-père (1877; A arte de ser avô).
Victor Hugo influenciou fortemente a literatura ocidental. Entre seus seguidores no Brasil, o mais célebre é Castro Alves. Morreu em Paris, em 22 de maio de 1885.

Os campos de concentração não foram criados pelo nazistas.

Os líderes do Terceiro Reich desenvolveram esse sistema de aprisionamento durante a Segunda Guerra Mundial para prender comunistas, judeus, homossexuais e ciganos, certo? Errado!
por Olivier Tosseri

É preciso distinguir os campos de extermínio, organizados pelos nazistas durante os anos finais da Segunda Guerra, dos campos de concentração. Os primeiros surgiram para viabilizar a “solução final” – o extermínio dos judeus aprisionados até então pela ditadura de Hitler. Já os segundos foram criados no final do século XIX e não são uma invenção alemã.

Os nazistas transformaram esse tipo de prisão em
 verdadeiros centros de extermínio, como Auschwitz (foto)
O surgimento do arame farpado permitiu cercar e isolar enormes porções de terra a um custo muito baixo. Essas áreas serviam inicialmente para encarcerar opositores políticos, inimigos estrangeiros, minorias étnicas ou grupos religiosos específicos. O recurso era usado geralmente em situações de guerra, e os prisioneiros eram confinados sem julgamento prévio. O sistema foi aplicado pela primeira vez pelos espanhóis durante a Guerra de Independência de Cuba (1895-1898) para impedir que grupos de civis apoiassem rebelião.

No entanto, a primeira utilização do termo “campo de concentração” é atribuída aos britânicos, que construíram mais de 100 deles durante a Guerra dos Bôeres (1899-1902). Nesses espaços de confinamento eram internadas as famílias de colonos holandeses e franceses que tiveram suas propriedades destruídas durante os combates na África do Sul. Ao todo, mais de 120 mil pessoas foram detidas, especialmente idosos, mulheres e crianças.

As condições de vida nos campos ingleses eram péssimas devido à insalubridade dos abrigos e ao constante racionamento de água e de alimentos. Doenças como a febre tifoide e a disenteria, aliadas à falta de higiene e de material médico, mataram cerca de 30 mil pessoas, mais de 70% delas crianças.


Infelizmente, essa forma de aprisionamento foi aplicada com certo sucesso ao longo de todo o século XX. Em 1904, por exemplo, os alemães invadiram a Namíbia e montaram campos de concentração para eliminar os nativos, pertencentes à etnia #herero#. Nesse período inicial, os oficiais germânicos já realizavam experiências médicas com os prisioneiros.

A França, por sua vez, construiu campos de concentração durante a Primeira Guerra Mundial para reagrupar cidadãos alemães e austro-húngaros em seus territórios originais. A experiência foi reeditada em 1939, principalmente na região do Rossilhão, no sul do país, para reunir os refugiados republicanos da Guerra Civil Espanhola.

Apesar de tudo, os maus-tratos e o trabalho forçado ainda não haviam sido sistematizados. Essas práticas se tornaram comuns com o surgimento de regimes totalitários, como o soviético, que multiplicou os chamados gulags para prender opositores do governo instaurado pela Revolução Russa.

Desde então, a guerra deixou de ser a única situação que legitimava essa forma de aprisionamento. Stalin desenvolveu técnicas de confinamento do tipo em seu país ao longo da década de 1930, mesma época em que foram abertos os primeiros campos de concentração nazistas, começando por Dachau, em 1933. Hitler racionalizou esse tipo de internação e criou, finalmente, o campo de extermínio. Era inaugurada uma etapa de industrialização da morte, cujo resultado seria a “solução final”.

[ Fonte: História Viva ]

Sete maravilhas do mundo antigo: O Farol de Alexandria.


Fonte: site da Revista Aventuras na História 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Breve história do chocolate



Ele nasceu como a bebida preferida dos deuses maias. Virou moeda para os astecas e se tornou barra no século 19, na Europa. Alimentou o exército americano na Segunda Guerra e a ciência descobriu suas capacidades antidepressivas. Nos últimos 3.500 anos, o alimento feito à base de cacau já passou por quase todo tipo de forma, cor e sabor – bombom, oval, branco, amargo. É tanta polivalência que até uma versão inalável surgiu em 2009.
Entre 1.500 a.C e 200 d.C. 
Sementes de Cacau

Por meio de análises de DNA, cientistas apontam o norte da América do Sul como o berço do cacau. Viajantes das rotas comerciais carregam as sementes para a América Central. 

250-900 d.C. 
No México, os maias utilizam cacau como oferenda aos deuses. A semente começa a ser processada. Depois de fermentada, secada, tostada e moída, é obtida uma pasta, que é misturada a água, pimenta e farinha de milho. Surge a primeira forma do chocolate 

1400 
Astecas dominam a civilização maia. O cacau serve de alimento para o deus Tenochitlán. A bebida só circula entre nobres. Adoçada com mel e especiarias, ganha o nome de cacauhatl (água de cacau) ou xocoatl (água amarga) 

1513 
O cacau já funcionava como moeda entre maias e astecas e, com o domínio dos espanhois, a partir de 1502, o uso continua. O espanhol Fernando de Oviedo y Valdez comprou um escravo por cem sementes de cacau. Dez sementes pagavam uma prostituta e quatro davam direito a um coelho no jantar 

1521 
O primeiro navio espanhol carregado de sementes de cacau chega à Europa. Os espanhóis adicionam açúcar à bebida dos astecas. 

1600-1799 
O chocolate quente vira sensação na Europa. A rainha Anna, da Áustria, vira “chocólatra”. À base do trabalho braçal de escravos africanos, a Espanha e Portugal se tornam principais fornecedores 

1828 
O holandês Conrad Van Houten inventa uma máquina que extrai a manteiga do cacau. A parte restante é transformada em pó. A produção da bebida é industrializada. Surge o chocolate sólido, feito de manteiga, pó e massa de cacau 

1847 
A primeira barra comercializada em escala foi produzida pela companhia inglesa J. S. Fry & Sons, localizada em Bristol. Tinha sabor amargo e bruto. Anos depois, a empresa começa a vender a Fry’s Chocolate Cream Bar. Em 1873, inventa o ovo de Páscoa 

1891 
Surge a primeira fábrica de chocolates do Brasil, a Neugebauer, fundada por imigrantes alemães no Rio Grande do Sul 

1913 
Publicada pela Walter Baker & Company a primeira receita de “tabletes de baunilha”, um doce feito com manteiga de cacau, açúcar, leite e baunilha, depois batizada de “chocolate branco” (que de chocolate só tem o nome: a fórmula não leva cacau, apenas a gordura tirada da semente) 

1938 
Nasce o Diamante Negro. É batizado em homenagem ao artilheiro da Copa da França, o brasileiro Leônidas da Silva. Lançado o bombom Sonho de Valsa e, quatro anos depois, o Bis 

1937 
O poder energético e antidepressivo do chocolate é reconhecido pelo exército americano e começa a fazer parte da “ração D”, levada para a guerra pelos soldados 

1941 
Nos EUA, Forrest Mars lança o M&M’s, pastilhas de chocolate recobertas com uma camada de açúcar colorido. Ele tinha visto soldados espanhóis comerem algo parecido durante a Guerra Civil Espanhola. A Mars é a maior compradora de cacau do mundo 

1964 
O escritor britânico Roald Dahl cria o menino Charlie e os pequenos Oompa-Loompas com o livro A Fantástica Fábrica de Chocolate. A obra é levada às telas em 1971 por Mel Stuart, estrelada por Gene Wilder. Tim Burton apresentou a sua versão, com Johnny Depp como o doceiro Willie Wonka, em 2005 

1970 
Começa a fabricação brasileira de chocolate diet, para pessoas com diabetes. O sabor era muito ruim e só melhora a partir da década seguinte, com a combinação de novas substâncias para adoçar o cacau 

1985 
Chantal Fravre-Bismuth, toxicóloga do Hospital Fernand Vidal, em Paris, investigou as causas da chamada "chocolatemania". Ela estudou como os compostos químicos do produto que afetam o corpo humano. Segundo ela, a dopamina, a fenietilamina e 17 receptores de anfetaminas são responsáveis pelo desejo de comer chocolate

1997 
O artista brasileiro Vik Muniz, radicado em Nova York, lança quadros desenhados com chocolate derretido 

2005 
Pesquisadores da Universidade Di L' Aquila, na Itália, comprovam que o consumo de chocolate meio-amargo, com alto teor de flavonóides, tem o poder de reduzir a pressão sanguínea em pessoas com hipertensão 

2009 
Surge Le Whif, um tipo de chocolate inalável, que vem em uma embalagem parecida com uma carteira de cigarros. Vem em quatro sabores, livres de calorias


[ Fonte: Revista Galileu]

Brasil ?


Quando Pedro Álvares Cabral e seus homens chegaram à costa da atual Bahia, em 1500, não havia, claro nem Brasil nem brasileiros. Pode ser, como querem muitos historiadores, que outros tenham andado por ali antes, mas disso não ficou nenhum registro consistente. entre 1351 e 1500, os mapas europeus mostram o nome Brasil e variantes dele - Bracir, Bracil, Brazille, Bersil, Braxili, Bresilge - designando, em lugares diferentes, uma ilha ou até três, expressando um horizonte geográfico ainda mítico, como das ilhas afortunadas e tantas outras miragens que a prática navegadora e a experiência acabariam por dissipar. Assim, primeiro houve o nome, depois o lugar. Por curto tempo, ocorreu uma denominação que não vingou: Vera Cruz. Quando D. Manuel enviou os sogros, os reis católicos, uma carta narrando o achamento, em 1501, foi o nome Santa Cruz. Por fim, em 1512, começou a surgir o nome Brasil para designar em âmbito oficial a América portuguesa, tornando-se cada vez mais frequente daí em diante e consagrando-se oficialmente entre 1516 e 1530. 

Tudo indica ter sido João de Barros o fundador de uma tradição, perpetuada depois por outros autores, onde a luta entre Deus e o Diabo aparece identificada com o surgimento da colônia luso-brasileira. Conta o humanista que "Cabral chamou-a de Santa Cruz, homenageando o Lenho Sagrado e inscrevendo o sacrifício de Cristo na gênese da terra encontrada, que ficava assim toda ela dedicada a Deus, como a expressar as grandes esperanças na conversão dos gentios. Mas o demônio logo agiu para derrubá-la, pois não queria perder o domínio sobre a nova terra e trabalhou para que dominasse o nome da madeira comercial sobre o nome da madeira da cruz de Cristo".
No entanto, nas últimas décadas, vários historiadores mostram-se críticos ao uso do termo Brasil para referir-se a um período anterior ao século XIX. Argumento que seu uso remete à idéia de existência de uma unidade territorial e uma centralização política, ou seja, pressupõe a existência de um Estado propriamente dito,  algo que até então não existia, em seu lugar, recomendam o uso da expressão América portuguesa. 

[Fonte: Laura de Mello e Souza. "O nome do Brasil", In.: Revista Nossa História. Ano 1, nº 6,2004] 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Restos mortais de três inconfidentes são sepultados no dia 21 de abril


Restos mortais de três inconfidentes que também lutaram pela Independência foram enterrados em MG, depois de um minucioso trabalho de identificação.
Ismar Madeira - Jornal hojeOuro Preto, MG
 
Uma urna com centenas de pedaços de ossos misturados estava numa igreja de Ouro Preto. Os fragmentos foram analisados por uma equipe da Unicamp. O trabalho de pesquisa e identificação levou quase 20 anos.
Muito antes essas ossadas estavam em urnas enterradas por uma comunidade indígena na Guiné Bissau. Na década de 30, elas foram trazidas da África para o Brasil. Os pesquisadores acreditam que são restos mortais de três inconfidentes: Domingos Vidal Barbosa Lage, José de Resende Costa e João Dias da Mota. Condenados pela Coroa Portuguesa, eles morreram no exílio, no fim do século 18.
“Através de todas essas informações e depois exames técnicos que nós empregamos, estudando pecinha por pecinha, depois através das densitometria óssea e aquela verificação, eu posso dizer a você que 98% a 100% são eles”, explica o professor da Unicamp, Eduardo Daruge.
A equipe da Unicamp conseguiu reconstituir o crânio do inconfidente José de Resende Costa - a primeira e única face desses inconfidentes exilados. Depois de todo esse trabalho, as ossadas foram trazidas para Ouro Preto, em um dia especial. A transferência simbólica da capital de Minas Gerais para a cidade e as comemorações do dia de Tiradentes.
Os restos mortais foram sepultados ao lado das lápides de outros 13 companheiros. A solenidade foi acompanhada pela presidente Dilma Roussef. Ela é uma das 240 pessoas homenageadas durante a cerimônia.

Auto da Devassa


"Portanto condenam ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi da tropa paga da capitania de Minas Gerais, a que com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra de morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde em lugar público será pregada em poste alto até que o tempo a consuma; e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregado em postes, pelos caminhos de Minas, no sítio da Varginha e das cebolas, onde o réu teve suas infames práticas, e os mais nos sítios de maiores povoações até que o tempo também o consuma; declaram o réu infame, e seus filhos e netos, tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique e, não sendo própria, será avaliada e paga ao seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão, pelo qual se conserve também a memória desse abominável réu."

Leitura da sentença, do pintor Eduardo de Sá.
Trecho do "Auto da Devassa" da Conuração Mineira, a condenação de Tiradentes. 

Veja também:

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