quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Escombros de fazenda no interior de SP revelam passado de admiração ao nazismo

Os tijolos que hoje se desprendem de uma velha capelinha da fazenda
Cruzeiro do Sul, em Buri (SP), servem como pistas para rastrear como um
integrante de um abastado clã do Rio de Janeiro transformou sua
propriedade num testemunho de admiração ao nazismo nos anos 1930.
Nessa fazenda, os blocos de barro eram feitos com uma suástica estampada.
Fazenda Nazista

José
Ricardo Rosa, 55, conhecido como "Tatão" segurando um tijolo com a
suástica nazista; após herdar a fazenda Cruzeiro do Sul na cidade de
Campina do Monte Alegre ele encontrou por acaso tijolos com o sinal
nazista usados na construção
Alguns desses tijolos viraram material para pesquisadores, assim como
fotografias de bois marcados a ferro quente com o símbolo nazista,
bandeiras e uma série de outros documentos encontrados na propriedade em
Buri.
Sérgio Rocha Miranda cuidava da fazenda Cruzeiro do Sul. A propriedade
vizinha, a Santa Albertina, ficava sob os cuidados de seu irmão, Oswaldo
Rocha Miranda.
Nela, funcionava uma espécie de fazenda-orfanato para 50 meninos mantidos em um regime quase escravo.
Com idades entre 9 e 12 anos, esses garotos (somente dois deles brancos)
foram entregues a Oswaldo em 1933 e 1934, após decisão judicial.

Todos haviam sido abandonados no orfanato católico Educandário Romão de
Mattos Duarte, no Rio, e foram retirados de lá por Oswaldo com a
promessa de terem uma vida melhor, segundo Aloysio Silva, 89, o "menino
número 23" da lista de 50.
"Era uma vida diferente da prometida. Era castigo por tudo, trabalhava
muito, até de fazer a mão sangrar", conta Aloysio, o número 23.
Os irmãos Maurício e Ângela Miranda, herdeiros da Santa Albertina,
contestam a versão de que seus dois tios-avôs fossem nazistas que
escravizaram os meninos.
As fazendas, que se espalhavam por área que hoje alcança três
municípios, chegaram à família via Luis Rocha Miranda, simpatizante do
movimento fascista Ação Integralista Brasileira.
Pai de Sérgio e Oswaldo, Luis comprou as propriedades do brigadeiro
Rafael Tobias de Aguiar (1794-1857), fundador da PM de São Paulo.
As primeiras marcas da simpatia de Sérgio pelo nazismo foram descobertas
em 1997 pelo tropeiro José Ricardo Rosa Maciel, 55, o Tatão. Dono de
espessa barba branca, ele narra a descoberta.


"Teve uma briga da porcada, que derrubou a parede do chiqueiro. Quando
vi o estrago, achei os tijolos com a marca nazista. Passaram anos me
chamando de louco, mas agora tá tudo comprovado pelos estudos do doutor
Sidney."
Tatão se refere ao historiador Sidney Aguilar Filho, 45. Em 1998, ele
dava aula para a enteada de Tatão quando ela revelou que, na fazenda
onde vivia, havia tijolos com aquele "símbolo alemão" das aulas de
história.
Sidney investigou por mais de uma década e, em 2011, apresentou sua tese
de doutorado na Unicamp sobre a exploração do trabalho e a violência à
infância no país no período de 1930 a 1945.
"Por muitos anos, aqueles meninos foram submetidos a um regime de
trabalho como se fossem adultos, sem remuneração, sem liberdade de ir e
vir e estudando pouco. Mas aquilo era aceito pela sociedade", diz ele.
ANDRÉ CARAMANTE
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE SP
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE SP
[Fonte: Folha de São Paulo]
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Veja como era o cotidiano do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial
No caminho para a Europa, havia Natal. Nunca antes a cidade tinha recebido tantos turistas. Rapazes brancos que em poucos dias ficavam cor de laranja sob o sol, o que não espantava as moças da cidade. Elas cercavam os GIs para conhecer as novidades, inéditas na história do país. Whisky, Coca-Cola, Lucky Strike, foxtrot e bombardeiros de 16 toneladas.

Ilustração: Felipe Massafera
Cotovelo geográfico
Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.
Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.
Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.
Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.
A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.
-O que é isso, senhora Miranda?
-Um reco-reco.
-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.
-Sim. E isto é um pandeiro.
-Pandeiro?
-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?
-Nada. É que às vezes fico meio confuso.
Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.
Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.
O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.
A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).
Cotovelo geográfico
Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.
Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.
Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.
Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.
A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.
-O que é isso, senhora Miranda?
-Um reco-reco.
-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.
-Sim. E isto é um pandeiro.
-Pandeiro?
-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?
-Nada. É que às vezes fico meio confuso.
Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.
Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.
O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.
A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Ex-policial torturador deu aulas por 24 anos com identidade falsa
Por 24 anos, Cleber de Souza Rocha deu aulas de geografia em escolas
públicas da zona norte na capital paulista. Apesar das faltas e de
relatos de alunos de que costumava ir às aulas embriagado, conseguiu
chegar ao posto de diretor de escola municipal.
Durante o período, ninguém havia suspeitado de que aquele professor,
motivo de piada entre alunos, era, na verdade, um ex-investigador de
polícia condenado por homicídio e tortura.
Julgado em 1982 por um crime cometido três anos antes, Cleber decidiu
fugir. E adotou o nome, documentos e o diploma do irmão mais novo, sem o
conhecimento dele.
Foi aprovado em concursos para lecionar geografia nas escolas da
prefeitura e do Estado. Na rede municipal, passou no concurso para
diretor.
Tirou ainda carteira de motorista e contraiu empréstimos como se fosse o irmão, com quem brigou ainda jovem.
A farsa durou de 1984 a 2009, ano que ele morreu. Apenas meses antes a
prefeitura e o Estado descobriram que haviam sido enganados.
E só no final do mês passado o Conselho Estadual de Educação concluiu o
caso --os alunos de Cleber não precisarão refazer as aulas.
O irmão caçula ainda tenta se livrar na Justiça de empréstimos bancários que estão em seu nome, mas que foram feitos pelo irmão.
Cleber deu início à farsa em 1979, quando era investigador de polícia na região de Perus (zona norte). Um motorista foi detido sob a suspeita de integrar uma quadrilha que atuava na região. Não havia provas claras de que ele de fato era um criminoso.
Após seis dias, o suspeito foi achado morto na delegacia. Segundo o processo, foi torturado por várias vezes e de diversas formas.
Cleber foi apontado como um dos principais autores das torturas. Eles utilizaram, entre outros instrumentos, um pau-de-arara.
Na época, o ex-policial negou o crime. Afirmou que nem teve contato com o preso.
Mas, em 1982, a Justiça concordou com os argumentos do então promotor Luiz Antonio Fleury Filho --eleito governador de São Paulo oito anos depois: Cleber foi condenado a cinco anos e oito meses de prisão e ainda perdeu o cargo.
Com a prisão decretada, Cleber não se entregou. Dois anos depois, ingressou na rede municipal como professor.
O advogado do irmão caçula, Francisco Deus, diz não saber onde Cleber conseguiu os papéis, que também foram usados para a entrada na rede estadual, um ano depois. O irmão pede para que seu nome não seja divulgado.
A falsificação não causou suspeitas, segundo a Secretaria Estadual de Educação, porque Cleber havia se formado em geografia e em pedagogia.
DAVA NOTAS BOAS
O falso professor lecionou em ao menos seis escolas públicas, todas na zona norte.
Entre 2004 e 2008, sofreu quatro suspensões ou repreensões, por não cumprir ordens superiores ou por excesso de faltas ao trabalho.
Ex-alunos da escola estadual Joaquim Luis de Brito, em Itaberaba (zona norte da capital), relatam em redes sociais na internet que Cleber constantemente chegava alcoolizado e dispensava os estudantes sem motivos.
"Ele nunca passava nada [de matéria] e sempre dava notas boas", brinca uma ex-aluna. Muitos disseram que, algumas vezes, era bruto.
Foi justamente a truculência que fez a fraude ser descoberta. Em 2008, ele discutiu com um vizinho. Na delegacia, se identificou ora com o nome verdadeiro, ora com o do irmão.
Desconfiado, o delegado resolveu analisar as digitais. Era o fim da farsa.
Chamada à delegacia, a diretora da escola Joaquim Brito afirmou que nunca havia suspeitado de nada.
Antes do fim dos processos nas redes estadual e municipal, Cleber morreu aos 54 anos, em decorrência de insuficiência respiratória, hepática e renal aguda.
Pouco antes, o advogado do irmão encontrou Cleber. "Ele disse: 'O que vocês queriam? Que eu roubasse?' Isso chamou a atenção. Ele fez toda a confusão para ser professor. Poderia ter virado traficante. A situação fez o irmão ficar um pouco menos chateado."
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Fonte: Folha de São Paulo [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1226592-ex-policial-torturador-deu-aulas-por-24-anos-com-identidade-falsa.shtml ]
Mary Leakey, arqueóloga, é homenageada no 100º aniversário em doodle do Google
Pesquisadora descobriu fóssil de primata extinto que poderia ser ancestral dos humanos
Mary Leakey, arqueóloga britânica,
é homenageada no seu 100º aniversário pelo doodle (logo) do Google
nesta quarta-feira. Foi ela quem descobriu o primeiro fóssil de um
primata extindo que é tido como ancestral dos humanos. A descoberta do proconsul africanus foi feita em 1948.
Leakey nasceu em 6 de fevereiro de 1913, em Londres, e
morreu em 9 de dezembro de 1996 no Quênia. As primeiras pesquisas e
descobertas da arqueóloga foram publicadas pelo seu marido, Luis S. B.
Leakey.
Segundo a Enciclopédia Britânica, a experiência de
Leakey com a arqueologia começou quando ela ainda era criança. Ela
ajudou nas escavações de um sítio arqueológico quando menina e começou a
ganhar habilidade como desenhista dos achados encontrados pela equipe.
Mary Leakey publicou pelo menos quatro livros, entre 1950 e 1983, revelando suas descobertas.
Os doodles do Google
O Google costuma comemorar datas importantes para a humanidade, como aniversários de invenções e personalidades ligadas à cultura e à política, por exemplo, com customizações do logo na página inicial do site de buscas. O primeiro doodle surgiu em 1998, quando os fundadores do Google criaram um logotipo especial para informar aos usuários do site que eles estavam participando do Burning Man, um festival de contracultura realizado anualmente nos Estados Unidos. O sucesso foi tão grande que hoje a companhia tem uma equipe de designers voltada especialmente para a criação dos logotipos especiais. Já foram criados mais de 300 doodles nos Estados Unidos e mais de 700 para o resto do mundo.
O Google costuma comemorar datas importantes para a humanidade, como aniversários de invenções e personalidades ligadas à cultura e à política, por exemplo, com customizações do logo na página inicial do site de buscas. O primeiro doodle surgiu em 1998, quando os fundadores do Google criaram um logotipo especial para informar aos usuários do site que eles estavam participando do Burning Man, um festival de contracultura realizado anualmente nos Estados Unidos. O sucesso foi tão grande que hoje a companhia tem uma equipe de designers voltada especialmente para a criação dos logotipos especiais. Já foram criados mais de 300 doodles nos Estados Unidos e mais de 700 para o resto do mundo.
domingo, 20 de janeiro de 2013
História, todo mundo gosta, todo mundo faz, todo mundo é ...
Imagine a
situação – Tem início o ano letivo, o professor todo animado e entusiasmado
apresenta-se para a turma, fala de sua metodologia, faz um ligeiro comentário
sobre o que estudarão naquele ano, tenta ser o mais agradável possível, afinal
é o primeiro contato com os alunos, e, depois de alguma conversa, ele faz a
pergunta – Vocês gostam de história? – Então impera o silêncio ou ouve-se um
murmurinho – História para quê? Estudar coisas que já se passaram? Saber da
vida de pessoas que já se foram? Eu odeio história! – Então o professor se
depara com uma desagradável situação, ensinar para aqueles que nutrem uma certa
antipatia contra a sua disciplina, ou seja, acreditam não gostar de história,
mas estão enganados, na verdade gostam, sim! Todo mundo gosta de história,
mesmo inconscientemente.
"História inclui todo o traço e vestígio de tudo o que o homem fez
ou pensou desde seu primeiro aparecimento sobre a Terra."¹ Partindo deste princípio, pode-se
entender que tudo o que o homem fez, vira história, pode-se também afirmar,
através de estudos e vivências, que o homem sempre gostou de registrar a sua
presença na Terra, suas ações e pensamentos. Desde os primórdios, os homens
marcam sua presença no planeta através das pinturas rupestres e variados
objetos deixados por eles, nos tempos atuais os registros ocorrem através de múltiplos
instrumentos, como fotografias, diários pessoais, músicas, pinturas, livros e
outras diversas formas de arquivar o que acredita ser importante para ser
visto, contemplado ou estudado pelo próprio autor ou por gerações
futuras.
Mesmo que ocorra em um âmbito familiar,
isso tudo na verdade é uma forma de perpetuar sua história, a vontade
íntima de ser lembrado por alguém. Muitas pessoas têm certa aversão ao estudo
de história pela ideia da mesma ser uma disciplina que implica muita leitura
(uma afirmativa verdadeira, mas não conclusiva), acreditam que é necessário
DECORAR informações tediosas como nomes de todos os faraós do Antigo
Egito ou de imperadores romanos, biografas de presidentes ou datas que a
princípio não dizem nada, na verdade essas pessoas não gostam da história
formal, acadêmica e tecnicista, mas gostam de exercitá-la e aprendê-la de
inúmeras maneiras, por exemplo, o gosto pela conversa com pessoas
mais velhas, mais experientes, para saber um pouco mais sobre tudo o que foi
mudado pela ação do tempo, de como eram as coisas antes, e, quase sempre
ouvindo a clássica frase “no meu tempo era melhor”. Todo mundo gosta de olhar
uma fotografia, muitas vezes, contemplando-a detidamente, e mesmo sem saber
estão fazendo um estudo de uma fonte histórica, afinal, ninguém consegue tirar
uma foto do futuro; todos ficam satisfeitos em entender uma curiosidade ligada
ao passado; de saber se o que viram em um determinado filme ou novela realmente
aconteceu daquele jeito; muitos ficam curiosos em saber como uma obra de
edificação foi construída em períodos de menos recursos técnicos, mesmo assim
destacam-se por sua beleza e durabilidade; gostam de explicitar que o seu time
no passado era bem melhor do que hoje. É indiscutível, todo mundo gosta do
saber histórico, pode não ser o saber acadêmico, teórico e especializado, mas
de um saber que lhe traga prazer.
Somos todos sujeitos históricos, todo mundo é protagonista de suas ações
no tempo e espaço, ações essas que serão revisadas, servirão de base para
elucidação de dúvidas ou problemas contemporâneos, mesmo que apenas
mentalmente, nossas lembranças virão à tona. Como diz o historiador Erick Hobsbawn
“A única generalização cem por cento segura sobre história é aquela que diz que
enquanto houver raça humana haverá história”, ou seja, enquanto existir
seres humanos sobre a Terra estaremos fadados a fazer História, querendo ou
não, gostando ou não.
¹ ROBISON, James Harvey, citado em BURK, Peter. A escrita da história: novas
perspectivas. São Paulo. Unesp,
1992.
Professor Pedro Paulo Dias
Graduado em História e criador do blog História Pensante
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Juramento dos formando em História.
Este juramento foi proferido em minha colação de grau, a qual já se passaram dez anos, não conheço a autoria, me lembro que foram feitos alguns arranjos e adaptações, que ao meu ver o deixaram verdadeiro, lindo e inspirador. Muitas saudades da Turma 2002 - FAFILE/UEMG. Acredito ser uma ótima postagem para começarmos o ano.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Feliz Ano Novo!
domingo, 30 de dezembro de 2012
HOMEM JÁ PRODUZIA QUEIJO HÁ 7.500 ANOS, DIZEM ARQUEÓLOGOS
O homem já teria aprendido a produzir o queijo a partir do leite, na Europa, há pelo menos 7.500 anos, de acordo com um estudo conduzido por arqueólogos ingleses da Universidade de Bristol. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão após uma análise química em peneiras de cerâmica pré-históricas encontradas em um sítio arqueológico na Polônia.
Uma grande quantidade de gordura de leite foi identificada, o que indica que as peneiras eram usadas com o objetivo de separação do soro e do coalho. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico científico Nature.
Anteriormente, os pesquisadores acreditavam que o queijo já era produzido há dois mil anos na Turquia, porém não havia ainda evidências claras disso.
A descoberta aponta que os povos do Neolítico tinham a capacidade de transformar leite perecível em um alimento que durasse mais tempo e que fornecesse calorias, proteínas e minerais. Os pesquisadores acreditam que o queijo deveria ser consumido após sua produção, ou guardado em potes na terra por meses, para o inverno. Até então pensava-se que a dieta no período Neolítico era um tanto “monótona”, baseada no consumo de mingau de cereais.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Carangola antigamente
Um grupo de nostálgicos carangolenses criou uma comunidade no Facebook batizada como "Carangola antigamente", a qual tem como objetivo a publicação de fotos antigas de Carangola, a comunidade é um verdadeiro arquivo histórico da evolução da cidade que já foi conhecida como a "princesinha da Zona da Mata". Como diz o Historiador Rogério Carelli em seu livro Efemérides Carangolenses (1827-1959), "Se o interesse pela memória histórica é algo neglicenciado neste país e o brasileiro é classificado como um povo sem memória, nós carangolenses nos incluímos numa honrosa exceção."
Link para comunidade:http://www.facebook.com/groups/141147166024130/
Link para comunidade:http://www.facebook.com/groups/141147166024130/
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
A origem do Natal
Natal ou Dia de Natal é um feriado e festival religioso cristão comemorado anualmente em 25 de Dezembro (nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), e adaptado pela Igreja Católica no terceiro século d.C., para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano, passando a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré. O Natal é o centro dos feriados de fim de ano e da temporada de férias, sendo, no cristianismo, o marco inicial do Ciclo do Natal que dura doze dias.
Embora tradicionalmente seja um dia santificado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs ou seculares. Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai Noel (conhecido como Pai Natal em Portugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças.
Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai Noel (conhecido como Pai Natal em Portugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças.
Como a troca de presentes e muitos outros aspectos da festa de Natal envolvem um aumento da atividade econômica entre cristãos e não cristãos, a festa tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas para os varejistas e para as empresas. O impacto econômico do Natal é um fator que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo.
[Fonte: Wikipédia]
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
A vaca da Revolução
Estou muito contente, a Revista de História da Biblioteca Nacional deste mês (Nº 87 - Dezembro 2012) publicou uma matéria sugerida por mim, a qual ressalta um episódio ocorrido em Carangola durante o período da 'Revolução de 1930". Essa e outras histórias sobre Carangola podem ser encontradas no livro do historiador Rogério Carelli - "Efemérides Carangolenses (1827-1959).
Clique no link e conheça a história completa:http://www.historiapensante.blogspot.com.br/2010/10/o-tiroteio-os-bois-e-o-leao.html
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domingo, 25 de novembro de 2012
A História e o Progresso ao Sabor do Vento
"Na sua maior parte a história faz-se sem autores. Não acontece a partir de um centro, mas da periferia. De pequenas causas. Talvez não seja tão difícil como se pensa fazer do homem gótico ou do grego antigo o homem da civilização moderna. Porque a natureza humana é tão capaz do canibalismo como da crítica da razão pura; é capaz de realizar as duas coisa
s com as mesmas convicções e as mesmas qualidades, se as circunstâncias forem propícias, e nesses processos a grandes diferenças externas correspondem diferenças internas mínimas.
(...) O caminho da história não é o de uma bola de bilhar que, uma vez jogada, percorre uma determinada trajetória; assemelha-se antes ao caminho das nuvens, ou ao de um vagabundo a deambular pelas vielas, que se distrai a observar, aqui uma sombra, ali um magote de gente, mais adiante o recorte curioso das fachadas, até que por fim chega a um ponto que não conhece e por onde nem tencionava passar. Há no decurso da história universal um certo erro de percurso. O presente é sempre como a última casa de uma cidade, que de certo modo já não faz bem parte do casario dessa cidade. Cada geração pergunta, com espanto: Quem sou eu, e quem foram os meus antepassados? Devia antes perguntar: Onde estou? e partir do princípio de que os seus antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Se assim fosse, já teríamos feito alguns progressos. "
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades' - Escritor austríaco.
(...) O caminho da história não é o de uma bola de bilhar que, uma vez jogada, percorre uma determinada trajetória; assemelha-se antes ao caminho das nuvens, ou ao de um vagabundo a deambular pelas vielas, que se distrai a observar, aqui uma sombra, ali um magote de gente, mais adiante o recorte curioso das fachadas, até que por fim chega a um ponto que não conhece e por onde nem tencionava passar. Há no decurso da história universal um certo erro de percurso. O presente é sempre como a última casa de uma cidade, que de certo modo já não faz bem parte do casario dessa cidade. Cada geração pergunta, com espanto: Quem sou eu, e quem foram os meus antepassados? Devia antes perguntar: Onde estou? e partir do princípio de que os seus antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Se assim fosse, já teríamos feito alguns progressos. "
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades' - Escritor austríaco.
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012
A Revolta da Chibata
No início do século XX, poucos eram os jovens
interessados em ingressar na Marinha. Muitas vezes, os marinheiros eram pessoas
alistadas à força nas ruas ou nas prisões, ou menores pobres e órfãos enviados
à Armada por juízes ou tutores.
As razões desse desinteresse variavam: baixos
soldos, intensa carga de trabalho, alimentação de péssima qualidade e o longo
tempo de serviço – entre nove e quinze anos. Havia ainda relatos de violência
sexual contra os marujos e de castigos físicos que a corporação costumava
aplicar aos marinheiros acusados de desobedecer às normas internas da
corporação.
Entre esses castigos estava a palmatória, a prisão
a ferros, a solitária e o mais temido de todos, a chibata, algo que não era
exclusivo da Marinha brasileira. Outros países já haviam feito uso da chibata
como “sistema disciplinar”, porém, durante o século XIV tal prática foi pouco a
pouco abandonada: a Espanha a aboliu em 1823; a França, em 1860; os Estados
Unidos, em 1862; a Grã Bretanha, em 1881.
No Brasil, entretanto, a chibata persistia. Em protesto
contra essa prática, desde 1890 irromperam rebeliões de marinheiros em diversos
estados brasileiros, como em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. A mais
significativa delas, ocorrida em 1910 no Rio de Janeiro, contou com a
participação de 2300 marujos, que assumiram o controle de vários navios de
guerra e chegaram a matar cinco oficiais.
O estopim para a Revolta da Chibata – como ficou
conhecida a rebelião – foi a pena de 250 chibatadas imposta ao marujo Marcelino
Rodrigues Menezes, acusado de introduzir no encouraçado Minas Gerais, ancorado
na Bahia da Guanabara, no Rio de Janeiro, duas garrafas de pinga. Indignados, os marinheiros do navio se
rebelaram no dia 22 de novembro de 1910, sob a liderança de João Cândido. Como um
rastilho de pólvora, a revolta se estendeu imediatamente para outras
embarcações de guerra. Senhores dos navios, os amotinados apontaram seus
canhões para o palácio do Catete, sede do governo, exigindo o fim dos castigos
físicos e a melhoria da alimentação e das condições de trabalho na Marinha.
O governo se comprometeu a atender as reivindicações
e a conceder anistia aos revoltosos. No entanto, após deporem as armas, João
Cândido e outros líderes da revolta foram presos e julgados. Muitos deles
acabaram enviados para o Acre, obrigados a trabalhar na construção da estrada
de ferro Madeira-Mamoré. João Cândido ficou detido na ilha das Cobras, no Rio
de Janeiro, e chegou a ser enviado a um hospício, sob a acusação de sofrer de
alucinações. Foi posto em liberdade em 1912 com a ajuda da irmandade da Igreja
Nossa Senhora do Rosário, associação que lutou pelo fim da escravidão no Brasil
e que custeou as despesas dos advogados de defesa do marinheiro. Como resultado
da rebelião, o uso da chibata na Marinha foi extinto.
Fonte: GRANATO, Fernando. O negro da chibata. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.
Apesar de seu feito heroico, morreu anônimo e pobre, como carregador de peixes no Rio, em 1969. A conhecida música “O Mestre-sala dos mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, foi composta em homenagem a João Cândido.
O Mestre-sala dos mares (João Bosco e Aldir Blanc)
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então
Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias
Glória à farofa
à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
O Elogio da História.
"Nenhuma realidade é mais essencial para a nossa autocertificação do que a história. Mostra-nos o mais largo horizonte da humanidade, oferece-nos os conteúdos tradicionais que fundamentam a nossa vida, indica-nos os cr
itérios para avaliação do presente, liberta-nos da inconsciente ligação à nossa época e ensina-nos a ver o homem nas suas mais elevadas possibilidades e nas suas realizações imperceptíveis.
Não podemos melhor aproveitar os nossos ócios do que familiarizando-nos com as magnificências do passado, conservando viva essa recordação e, ao mesmo tempo, contemplando as calamidades em que tudo se subverteu. A experiência do presente compreende-se melhor refletida no espelho da história. O que a história nos transmite vivifica-se à luz da nossa época. A nossa vida processa-se no esclarecimento recíproco do passado e do presente.
Só de perto, na intuição concreta e sensível, e prestando atenção aos pormenores, a história realmente interessa. Filosofando procedemos a considerações que se mantêm abstratas. "
Karl Jaspers, in 'Iniciação Filosófica' - Filósofo e psiquiatra alemão
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
As pirâmides da Bósnia.
Um estudo conduzido por um grupo de arqueólogos da Itália coloca em
dúvida grande parte das certezas dos historiadores sobre o início das
civilizações humanas. O motivo é uma investigação de carbono para datar a
idade de uma pirâmide encontrada há sete anos na Bósnia.
Surpreendentemente, a análise da matéria orgânica encontrada na Pirâmide
da Bósnia do Sol indica que ela teria 25 mil anos, ou seja, seria 20
mil anos anterior aos babilônios e sumérios, civilizações que,
supostamente, marcam o começo da história das civilizações humanas.
Até 2005, antes de ser descoberta, a pirâmide até então era conhecida
como a Colina de Visoko, já que se pensava que ela era apenas um morro,
por conta do seu tamanho (700 metros) e pela cobertura vegetal.
Contudo, de acordo com as investigações após a prova de carbono, esta
pirâmide pertenceu a uma avançada civilização pré-histórica da qual não
se tem nenhum conhecimento.
Enquanto isso, os pesquisadores
estão fadados a tentar desvendar uma rede subterrânea localizada sob a
pirâmide, em busca de mais informações sobre este achado. Já a
comunidade científica, em um geral, terá que se empenhar em fazer um
novo mapa da história das civilizações, caso seja confirmada a
necessidade de se reescrever o que sabemos sobre isso.
Sob o sítio arqueológico de Visoko, na Bósnia, estão localizadas algumas pirâmides que são as maiores do mundo, maiores até que as do Egito. São conhecidas três pirâmides: do Sol (220 m), da Lua (190m) e do Dragão (90m), que formam um triângulo equilátero perfeito. Sob as pirâmides, existem túneis e passagens entre as obras, além de rampas de pedra.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
15 enigmas arqueológicos que podem mudar os rumos da história da humanidade
Ruínas encontradas nos últimos anos podem mudar muito do que sabemos sobre a saga da humanidade. E lugares conhecidos, como Stonehenge, na Inglaterra, ainda têm o que revelar. Conheça os 15 maiores desafios apresentados hoje pelo nosso passado mais remoto
Tiago Cordeiro | 01/08/2012 18h27
Submersa na costa do Japão, uma pirâmide de 25 m de altura cercada por templos pode fazer parte da mais antiga cidade já encontrada. Até onde se sabe, a primeira surgiu na Mesopotâmia, meio mundo longe dali, por volta de 4200 a.C. Pois as ruínas na ilha Yonaguni seriam quase quatro milênios mais velhas. E esse é só um exemplo dos novos enigmas que podem virar de ponta-cabeça versões estabelecidas sobre a trajetória da humanidade.
(imagem: Corbis)
Falta ainda uma Pedra de Roseta para decifrar o grande mistério remanescente da Antiguidade: os hieróglifos indianos. Só com algo como o monolito que deu a chave para entender o Egito antigo, conseguiríamos traduzir essa escrita criada pelos harappianos, população que surgiu há 5 mil anos e desapareceu sem razão clara, assim como os rapanuis da ilha de Páscoa. O que levou à extinção desses povos? A resposta ajudará a evitar que situações parecidas se repitam? É possível. "A arqueologia é a ciência do futuro", diz Julian Thomas, diretor do Stonehenge Riverside Project. Esse, aliás, é um dos mais famosos sítios arqueológicos do mundo e está longe de ser explicado. Pode parecer contraditório, mas esse é um campo recente do conhecimento. A arqueologia surgiu no século 15 e só se organizou 400 anos depois. É pouco tempo para sistematizar teorias sobre a saga de 200 mil anos da nossa espécie. "O mais difícil é entender o período anterior à escrita", afirma a arqueóloga Kathryn Hirst, da Universidade de Iowa. Por isso mesmo, as marcas do passado são tão importantes. Conheça as 15 descobertas (estudadas enquanto você lê esta reportagem) que hoje mais intrigam os pesquisadores.
15º A Alexandria perdida
Imperador pode ter fundado sua capital sobre Rhacotis, uma pequena vila
Falta ainda uma Pedra de Roseta para decifrar o grande mistério remanescente da Antiguidade: os hieróglifos indianos. Só com algo como o monolito que deu a chave para entender o Egito antigo, conseguiríamos traduzir essa escrita criada pelos harappianos, população que surgiu há 5 mil anos e desapareceu sem razão clara, assim como os rapanuis da ilha de Páscoa. O que levou à extinção desses povos? A resposta ajudará a evitar que situações parecidas se repitam? É possível. "A arqueologia é a ciência do futuro", diz Julian Thomas, diretor do Stonehenge Riverside Project. Esse, aliás, é um dos mais famosos sítios arqueológicos do mundo e está longe de ser explicado. Pode parecer contraditório, mas esse é um campo recente do conhecimento. A arqueologia surgiu no século 15 e só se organizou 400 anos depois. É pouco tempo para sistematizar teorias sobre a saga de 200 mil anos da nossa espécie. "O mais difícil é entender o período anterior à escrita", afirma a arqueóloga Kathryn Hirst, da Universidade de Iowa. Por isso mesmo, as marcas do passado são tão importantes. Conheça as 15 descobertas (estudadas enquanto você lê esta reportagem) que hoje mais intrigam os pesquisadores.
15º A Alexandria perdida
Imperador pode ter fundado sua capital sobre Rhacotis, uma pequena vila
Mistério - Ainda se buscam o túmulo de Alexandre e referências como a famosa biblioteca
Onde - Costa do Egito
Origem - 331 a.C.
Onde - Costa do Egito
Origem - 331 a.C.
A Alexandria moderna é a segunda maior cidade do Egito, com 4,1 milhões de habitantes. Abriga o principal porto do país e um grande centro industrial. Mas poucas cidades do mundo são tão procuradas por arqueólogos - de preferência os que sabem nadar. É que, diante da cidade atual, no mar Mediterrâneo, estão os restos da Alexandria fundada em 331 a.C. por Alexandre, o Grande, uma das mais influentes cidades de seu tempo. Com os recursos recentes de investigação submarina, os pesquisadores se acostumaram a encontrar maravilhas na região - o maior sítio arqueológico debaixo d’água do mundo abriga mais de 2 mil peças, principalmente estátuas e colunas. Nada disso era conhecido antes de 1991. "Os artefatos dão um quadro mais completo da vida na cidade", diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp. Algumas das descobertas trazem novas dúvidas a respeito do cotidiano de seus moradores. Até recentemente, não se imaginava que a cidade havia sido fundada por Alexandre sobre um vilarejo chamado Rhacotis, mas, a respeito disso, ainda pairam mais dúvidas do que certezas. Muitos edifícios de renome ainda não foram encontrados, como a Biblioteca de Alexandria - ingleses suspeitam de sua localização desde 2004, mas não há confirmação. Também incerto é o paradeiro do túmulo de Alexandre - há quem duvide até mesmo que seus restos estejam na cidade. Destruída por uma guerra em 115 e devastada por um tsunami 250 anos depois, a cidade foi reconstruída várias vezes nos últimos séculos. Os achados no antigo centro do helenismo podem virar o primeiro museu subaquático do mundo. O problema é que o sítio é puro caos. Há peças de várias épocas e estilos, hieróglifos de faraós desde 1880 a.C., colunas gregas e romanas e ainda esculturas de Heliópolis, cidade que ficava a 230 km de distância. Só o mapeamento da área vai levar décadas.
14º A primeira metrópole
Tell Brak inovou na forma de organização das cidades
14º A primeira metrópole
Tell Brak inovou na forma de organização das cidades
Mistério - Povo desconhecido redefine ocupação da Mesopotâmia
Onde - Síria
Origem estimada - Anterior a 3900 a.C.
Onde - Síria
Origem estimada - Anterior a 3900 a.C.
Há décadas, arqueólogos acreditam que as primeiras civilizações do Oriente Médio se desenvolveram na Mesopotâmia, na terra fértil entre os rios Tigre e Eufrates. Em 2007, Jason Ur, da Universidade de Harvard, anunciou a descoberta de uma cidade de 6 mil anos em Tell Brak. Localizada em 525 mil m2, a metrópole chegou a ter, por volta de 3900 a.C., um governo rigidamente hierarquizado. Cidades surgidas no mesmo contexto, como Ur, 300 anos antes, nasciam de um grupo de nômades, que definia um lugar adequado para se instalar. Tell Brak, porém, começou como vilarejos dispersos, que se agruparam em direção do centro, como uma região metropolitana. O que isso significa? Não se sabe ao certo, assim como são desconhecidos seus habitantes, por que viviam em um lugar tão seco e que tipo de religião seguiam. Em 2006, em Mugahara, também na Síria, surgiram evidências de ocupação da área: um mural de 11 mil a.C. e um cemitério de 3800 a.C. cujos corpos tinham os mais antigos sinais de mortes violentas de que se tem notícia.
13º As esculturas "alienígenas" da Costa Rica
Artefatos chegam a pesar 16 toneladas
13º As esculturas "alienígenas" da Costa Rica
Artefatos chegam a pesar 16 toneladas
Mistério - Civilização desconhecida
Localização - Rio Díquis, Costa Rica
Origem estimada - Anterior ao século 15
Localização - Rio Díquis, Costa Rica
Origem estimada - Anterior ao século 15
Pedras arredondadas com perfeição ao norte da América Central trazem um desafio diferente aos pesquisadores. Elas estão na Costa Rica, foram descobertas no delta do rio Díquis na década de 1930, são cerca de 300 e variam de tamanho, de poucos centímetros a mais de 2 m de diâmetro. Algumas chegam a pesar 16 toneladas. Sabe-se que foram obra de mãos humanas. Todas têm como matéria-prima uma rocha ígnea chamada granodiorito. Mas, para os ufólogos, os artefatos são um sinal inequívoco de inteligência extraterrestre agindo na Terra - teoria apresentada em 1971 pelo suíço Erich von Däniken, autor de Eram os Deuses Astronautas?Os arqueólogos consideram que é tudo trabalho de alguma civilização antiga, já que as pedras costumam ser encontradas próximas a cerâmicas pré-colombianas. Qual civilização produziu as esculturas? Como? Ainda não há respostas.
12º Os "astecas" de Cuba...
Ruínas mostram que ilha já esteve ligada ao México
Mistério - Cidade submersa de povo incógnito
Onde - Mar do Caribe
Origem estimada - Desconhecida
Tudo começou há dez anos com um trabalho de exploração no mar do Caribe para instalar cabos de fibra ótica. Os sonares de uma empresa canadense encontraram, em área de Cuba, uma pirâmide de pedra com 67 m de altura. Pesquisas posteriores, com o uso de um minissubmarino, revela que o local, a 650 m de profundidade, abrigou uma grande cidade. "É impossível que aquelas pedras colocadas simetricamente sejam obra da natureza", diz o oceanógrafo Jean-Daniel Stanley, pesquisador do Museu Smithsonian de História Natural. O instituto é quem está explorando o local. "Não sabemos quem habitou o lugar ou quando. Mas a localização das construções sugere que Cuba já esteve ligada ao território mexicano por uma faixa de terra.
11º ...E os dos EUA
Anasazis escavaram palácios e moradias na rocha
Onde - Mar do Caribe
Origem estimada - Desconhecida
Tudo começou há dez anos com um trabalho de exploração no mar do Caribe para instalar cabos de fibra ótica. Os sonares de uma empresa canadense encontraram, em área de Cuba, uma pirâmide de pedra com 67 m de altura. Pesquisas posteriores, com o uso de um minissubmarino, revela que o local, a 650 m de profundidade, abrigou uma grande cidade. "É impossível que aquelas pedras colocadas simetricamente sejam obra da natureza", diz o oceanógrafo Jean-Daniel Stanley, pesquisador do Museu Smithsonian de História Natural. O instituto é quem está explorando o local. "Não sabemos quem habitou o lugar ou quando. Mas a localização das construções sugere que Cuba já esteve ligada ao território mexicano por uma faixa de terra.
11º ...E os dos EUA
Anasazis escavaram palácios e moradias na rocha
Mistério - De onde vieram e como desapareceram os anasazis.
Onde - Divisa dos estados de Utah, Arizona, Novo México e Colorado
Origem estimada - Século 8
Onde - Divisa dos estados de Utah, Arizona, Novo México e Colorado
Origem estimada - Século 8
No caso dos anasazis, o começo da civilização é tão misterioso quanto o seu fim. Certo mesmo é que esses indígenas, que viveram nos EUA, surgiram por volta do século 8. "Não sabemos como eles nomeavam seu próprio povo. Anasazi era o apelido pejorativo dado pelos índios navajos: ‘Inimigo antigo’", diz John Ware, diretor da Amerind Foundation. Vizinhos de outros três povos nativos menos pujantes (mogollon, hohokam e patayan), os anasazis viviam em platôs 2,6 mil metros acima do mar. Em cânions verticalizados, aproveitaram a rocha para escavar moradias. Em 1997, foram encontradas pinturas que indicam que eles já conheciam a tecnologia dos pararraios. Não se sabe exatamente como eles surgiram e por quê, por volta de século 14, começaram a migrar muito rápido, aparentemente sem rumo, até desaparecer (ou apenas se diluir entre outros povos). A culpa seria dos períodos de seca intensa. A tese é contestada, já que outras fases sem chuva não haviam abatido os nativos. Hoje, vários povos indígenas americanos se dizem descendentes dos anasazis.
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