sábado, 16 de março de 2013
História do Brasil nos cinemas
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domingo, 3 de março de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Cientistas reconstituem face de rei francês 400 anos depois
Henrique IV ficou conhecido na história por ter promulgado o Edito de Nantes, que permitia liberdade de culto aos protestantes
por
Redação Galileu
Philippe
Foesch, especialista em crânios da Universidade de Barcelona,
reconstruiu a face do rei com auxílio de um gerador 3D a partir de 700
fotos em preto e branco do crânio / Créditos: AFP
A imagem acima, gerada por computador pela Visual Forensic,
revela a reconstituição da cabeça do rei da França Henrique IV. O
soberano morreu aproximadamente aos 57 anos, quando foi assassinado por
um católico fundamentalista, em 14 de maio de 1610.
Há
três anos, alguns elementos-chave deram indícios de que um crânio
desenterrado pudesesse pertencer ao soberano francês, como a orelha
furada e um corte próximo à região do nariz. Assim, foram feitos testes
genéticos entre essa cabeça mumificada e o sangue seco de Luís XVI,
descendente de Henrique IV, para verificar a compatibilidade. Com isso,
criou-se um painel em que cientistas forenses, liderados por Philippe
Charlier, identificaram um perfil genético semelhante e assim,
determinaram que o crânio pertencia ao rei.
Recentemente,
foi processada uma imagem que mostra o aspecto do rosto de Henrique IV
com mais detalhes. Embora com quase 57 anos, a imagem do rei traz um
aspecto bastante envelhecido, devido às condições de higiene bastante
precárias da época. Philippe Foesch, especialista em crânios da Universidade de Barcelona, reconstruiu a face do rei com auxílio de um gerador 3D a partir de 700 fotos em preto e branco do crânio. O tamanho do nariz, segundo o especialista, foi calculado utilizando-se as mesmas técnicas da unidade de combate ao terrorismo do FBI.
Henrique IV ficou conhecido na história por ter promulgado o Edito de Nantes, que permitia liberdade de culto aos protestantes. Ao morrer, foi sepultado como outros reis na Basílica de Saint Denis. Em 1973, alguns revolucionários da França desenterraram seu corpo e um deles acabou fugindo com sua cabeça.

Há
três anos, alguns elementos-chave deram indícios de que um crânio
desenterrado pudesesse pertencer ao soberano francês, como a orelha
furada e um corte próximo à região do nariz / Créditos: AFP
Fonte: Revista Galileu
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Arqueologia,
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Religião
Entenda o que significa a exumação do corpo de Dom Pedro I e suas mulheres
A
História do Brasil está sendo exumada. O corpo de Dom Pedro I e das
duas mulheres que ele teve durante a vida foram retirados da cripta em
que estavam para serem submetidos à uma análise tão meticulosa quanto à
tecnologia atual permite. Esse é um daqueles raros momentos que obrigam
os próximos livros de História a serem revistos e reeditados.
Mas o que foi descoberto de tão novo? Bastante coisa. O que mais
chamou atenção dos pesquisadores foi o fato de haver uma múmia entre os
cadáveres. Dona Amélia, segunda mulher de Dom Pedro, foi mumificada
antes de ser enterrada – fato que não consta em nenhum registro
histórico até então. Unhas, globos oculares, cabelos, cílios… tudo está
ali, tudo tão bem conservado que ela já é apontada como uma das múmias
bem preservadas do Brasil. Até o seu útero resistiu ao tempo. Os
historiadores creditam a excelente preservação a um pequeno corte na
jugular da imperatriz: foi através dele que aromáticos como cânfora e
mirra foram despejados, retardando a decomposição. A urna em que ela foi
sepultada foi lacrada de maneira tão hermética que os microrganismos
simplesmente não foram capazes de deteriorar sua carne.
O trabalho, sem precedentes no Brasil, é fruto da obstinação de uma
mulher: Valdirene do Carmo Ambiel convenceu os descendentes do imperador
a liberarem a exumação em 2010 e desde então vem estudando os corpos no
local onde eles estavam enterrados, uma cripta no Parque da
Independência, na zona sul de São Paulo. Na apresentação da sua
dissertação de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da
Universidade de São Paulo, Valdirene mostrou ao mundo o resultado da
pesquisa.
Outro fato curioso é que nosso primeiro imperador não levou para a
posteridade nenhum adereço que remetesse no país. Para todos os fins,
ele foi enterrado como um militar português: todos os adereços
encontrados em seu caixão faziam referência exclusivamente à Portugal. O
cadáver de Dom Pedro I também deflagra uma obsessão por velocidade,
cavalos e acidentes. Ele apresenta fraturas em quatro costelas,
decorrentes de imprevistos com carruagens nas ladeiras do Rio de
Janeiro. Dona Amélia passou os últimos 137 anos segurando uma cruz de
metal entre os dedos. E Dona Leopoldina, a primeira esposa do monarca,
com quem teve sete filhos, não era gordinha como os quadros históricos e
o imaginário nacional acreditavam, sua ossatura indica uma pessoa
esguia, que ganhou a fama devido às nove gestações seguidas (dois filhos
do casal tiveram que ser abortados).

A análise dos corpos no Hospital das Clínicas, em São Paulo, teve
ares cinematográficos. O transporte foi feito durante três madrugadas e,
chegando ao hospital, os três eram submetidos a sessões de tomografia e
ressonância magnética –os médicos até tiveram que preencher uma ficha
cadastral pra cada um. Com a repercussão positiva da exumação, o plano é
ousar. Os cientistas envolvidos cogitam a possibilidade de analisar o
DNA do trio – um instituto americano já foi contactado e o processo deve
custar cerca de 40 mil dólares e demorar até 6 meses para ser
finalizado. O futuro também guarda a parte mais surreal do projeto:
reconstruir os seios da face, a laringe, a faringe, a amplitude do
pulmão e a caixa torácica de Dom Pedro I para reconstituir o timbre
exato de sua voz.
Fonte: Revista Galileu
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Escolas empobrecidas: sem História nem Geografia
A escola vive uma profunda crise de legitimidade*. O mundo mudou,
ficou complexo, novas demandas surgiram. Os estudantes na escola também
são outros, diversos na origem e nos interesses. Os professores carecem
de condições para um trabalho digno. A sociedade alterou suas
expectativas referentes à escola e, assim, criou-se um complicado jogo
de múltiplas contradições e, para essa complexidade, não cabem respostas
e políticas simplistas.
Afinal, para que a escola existe? Para formar adequadamente as gerações futuras ou para preparar os estudantes para avaliações externas como Enem, Saresp, Prova Brasil, Pisa etc.?
A que se destinariam os conhecimentos? Deveriam eles compor um mosaico para criar curiosidades, desejos e perguntas nos estudantes ou só serviriam para produzir informações para uso em testes de avaliação?
Nós, pesquisadoras de educação, ficamos mais uma vez perplexas ao nos depararmos com a nova proposta curricular do ensino público do Estado de São Paulo. Para bem aprender o Português e a Matemática, sugere-se excluir os conhecimentos de História, Geografia e Ciências do 1º ao 3º ano e manter 10% dessas disciplinas no 4º e 5º anos do currículo básico. Por essa nova proposta, ficou assim decretado: doravante, por meio desse novo currículo básico, as crianças de escolas públicas estaduais só receberão, até o 3º ano, aulas de Português e Matemática! Partindo do pressuposto evidentemente errôneo de que um conhecimento atrapalha o outro, as aulas de História, Geografia e Ciências serão eliminadas do currículo desses estudantes.
Como consequência dessa política, nas escolas de tempo integral, o aluno terá aulas em um período e, no outro, oficinas temáticas das diferentes áreas do conhecimento, algumas obrigatórias e outras eletivas escolhidas de acordo com o projeto pedagógico da escola.
À primeira vista, esse currículo está “rico” e diversificado; no entanto, pelo olhar sério e comprometido, ele estará fatalmente fragmentado. Primeiramente porque verificamos que as oficinas obrigatórias também não objetivam, do mesmo modo, um trabalho com História, Ciências e Geografia; pelo contrário, voltam-se novamente para a Matemática e para o Português.
Além disso, como trabalhar a oficina optativa, por exemplo, de Saúde e Qualidade de Vida sem os fundamentos das ciências? Intriga a essa altura saber: por que oficinas e não estudo contínuo? O que se ganha com isso? Vários equívocos nos saltam aos olhos! O primeiro deles é considerar que o conhecimento de algumas áreas é acessório, ocupa espaço e ainda impede o bom aprendizado do Português e da Matemática!
As concepções de escrita e leitura, por exemplo, acabariam por ser responsabilidade exclusiva de uma única disciplina do currículo. Não seria essa uma visão muito simplista de aprendizagem, pois parece supor que o estudante não desenvolve processos de escrita e leitura também em outras disciplinas?
Outro equívoco é a suposição de que para estudantes de escola pública o mínimo basta! Para que sofisticar com lições da história, da natureza e do lugar do nosso povo? Conhecimento científico seria enfim útil para quê?
A aprendizagem não ocorre por partes. O aprendizado é todo ele integrado e sistêmico. Um bom ensino de História expande o pensamento e as referências e o estudante, assim, tem condições para perceber relações de fatos, tempo e espaço, tão necessárias à aprendizagem matemática.
A Geografia leva nossos pensamentos para viajar em outros espaços; possibilita compreender a diversidade das sociedades, conhecer e apreciar a natureza, aprender a observar e a estabelecer conexões entre lugares e culturas. Mergulhados, assim, nesses novos referenciais, os estudantes podem compreender melhor a própria realidade e encarar suas circunstâncias com pleno envolvimento. Isso certamente repercutirá na sua vida e no seu aprendizado, com consequência, por exemplo, em estudos simbólicos e gráficos.
Como deixar de aproveitar a natural curiosidade das crianças, seu espírito exploratório, suas perguntas intrigantes acerca dos fenômenos da natureza e, dessa forma, tecer as bases de um fundamental espírito científico, que por certo ajudará a compreender a Matemática e a recriar o Português?
Será que a estratégia de oficinas, ao invés do estudo contínuo, dará conta de captar tal complexidade e também de tornar possível um processo de ensino-aprendizagem que seja capaz de construir os conhecimentos de Geografia, História e Ciências que ficaram tão diminuídos no currículo básico?
De nosso ponto de vista entendemos que a questão não é separar para empobrecer. O que vale é democratizar as possibilidades de ser e de estar melhor no mundo. E para que isso aconteça precisamos da integração total de saberes e práticas.
As crianças de classe social mais favorecida possuem, antes já de chegar à escola, uma gama infindável de vivências. As crianças de classe popular, em sua maioria, chegam já à escola destituídas desse capital cultural. Possuem outras ricas e profícuas experiências que, nem sempre, são valorizadas e transformadas na escola. No entanto, o importante é trabalhar pedagogicamente com essas experiências de modo a transformá-las em vivências socialmente válidas. Pensamos que o fundamental é ampliar as oportunidades ao invés de restringi-las; para tanto, a experiência com as diferentes áreas do conhecimento é essencial.
Preocupa-nos o risco de a função da escola, para as crianças dos anos iniciais, limitar-se, a partir da reforma proposta, ao ensino das habilidades mínimas de leitura e escrita e de cálculo, retirando-se as cores e os sabores das descobertas que se fazem no contínuo do seu desenvolvimento. Preocupa-nos que esse projeto ganhe força e se concretize em outros níveis de ensino e em outros Estados. Preocupa-nos que as oficinas contribuam mais para o esvaziamento dos conteúdos do que para a construção de conhecimentos. O que será da nossa escola pública, então? Um reducionismo dos conhecimentos, um estreitamento das concepções de ensino-aprendizagem? O objetivo final será a quantificação em detrimento da qualidade? E, se atingir índices é o foco dos processos de ensino-aprendizagem, o que isso realmente significa? Qual é a verdadeira motivação da política educacional implícita nesse movimento?
As autoras Maria Amélia Santoro Franco (Unisantos), Valéria Belletati (Instituto Federal de São Paulo), Cristina Pedroso (USP/FFCLRP) são doutoras em Educação e Ligia Paula Couto (Universidade Estadual de Ponta Grossa) é doutoranda em Educação. Todas são pesquisadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação do Educador (GEPEFE) – FEUSP.
Afinal, para que a escola existe? Para formar adequadamente as gerações futuras ou para preparar os estudantes para avaliações externas como Enem, Saresp, Prova Brasil, Pisa etc.?
A que se destinariam os conhecimentos? Deveriam eles compor um mosaico para criar curiosidades, desejos e perguntas nos estudantes ou só serviriam para produzir informações para uso em testes de avaliação?
Nós, pesquisadoras de educação, ficamos mais uma vez perplexas ao nos depararmos com a nova proposta curricular do ensino público do Estado de São Paulo. Para bem aprender o Português e a Matemática, sugere-se excluir os conhecimentos de História, Geografia e Ciências do 1º ao 3º ano e manter 10% dessas disciplinas no 4º e 5º anos do currículo básico. Por essa nova proposta, ficou assim decretado: doravante, por meio desse novo currículo básico, as crianças de escolas públicas estaduais só receberão, até o 3º ano, aulas de Português e Matemática! Partindo do pressuposto evidentemente errôneo de que um conhecimento atrapalha o outro, as aulas de História, Geografia e Ciências serão eliminadas do currículo desses estudantes.
Como consequência dessa política, nas escolas de tempo integral, o aluno terá aulas em um período e, no outro, oficinas temáticas das diferentes áreas do conhecimento, algumas obrigatórias e outras eletivas escolhidas de acordo com o projeto pedagógico da escola.
À primeira vista, esse currículo está “rico” e diversificado; no entanto, pelo olhar sério e comprometido, ele estará fatalmente fragmentado. Primeiramente porque verificamos que as oficinas obrigatórias também não objetivam, do mesmo modo, um trabalho com História, Ciências e Geografia; pelo contrário, voltam-se novamente para a Matemática e para o Português.
Além disso, como trabalhar a oficina optativa, por exemplo, de Saúde e Qualidade de Vida sem os fundamentos das ciências? Intriga a essa altura saber: por que oficinas e não estudo contínuo? O que se ganha com isso? Vários equívocos nos saltam aos olhos! O primeiro deles é considerar que o conhecimento de algumas áreas é acessório, ocupa espaço e ainda impede o bom aprendizado do Português e da Matemática!
As concepções de escrita e leitura, por exemplo, acabariam por ser responsabilidade exclusiva de uma única disciplina do currículo. Não seria essa uma visão muito simplista de aprendizagem, pois parece supor que o estudante não desenvolve processos de escrita e leitura também em outras disciplinas?
Outro equívoco é a suposição de que para estudantes de escola pública o mínimo basta! Para que sofisticar com lições da história, da natureza e do lugar do nosso povo? Conhecimento científico seria enfim útil para quê?
A aprendizagem não ocorre por partes. O aprendizado é todo ele integrado e sistêmico. Um bom ensino de História expande o pensamento e as referências e o estudante, assim, tem condições para perceber relações de fatos, tempo e espaço, tão necessárias à aprendizagem matemática.
A Geografia leva nossos pensamentos para viajar em outros espaços; possibilita compreender a diversidade das sociedades, conhecer e apreciar a natureza, aprender a observar e a estabelecer conexões entre lugares e culturas. Mergulhados, assim, nesses novos referenciais, os estudantes podem compreender melhor a própria realidade e encarar suas circunstâncias com pleno envolvimento. Isso certamente repercutirá na sua vida e no seu aprendizado, com consequência, por exemplo, em estudos simbólicos e gráficos.
Como deixar de aproveitar a natural curiosidade das crianças, seu espírito exploratório, suas perguntas intrigantes acerca dos fenômenos da natureza e, dessa forma, tecer as bases de um fundamental espírito científico, que por certo ajudará a compreender a Matemática e a recriar o Português?
Será que a estratégia de oficinas, ao invés do estudo contínuo, dará conta de captar tal complexidade e também de tornar possível um processo de ensino-aprendizagem que seja capaz de construir os conhecimentos de Geografia, História e Ciências que ficaram tão diminuídos no currículo básico?
De nosso ponto de vista entendemos que a questão não é separar para empobrecer. O que vale é democratizar as possibilidades de ser e de estar melhor no mundo. E para que isso aconteça precisamos da integração total de saberes e práticas.
As crianças de classe social mais favorecida possuem, antes já de chegar à escola, uma gama infindável de vivências. As crianças de classe popular, em sua maioria, chegam já à escola destituídas desse capital cultural. Possuem outras ricas e profícuas experiências que, nem sempre, são valorizadas e transformadas na escola. No entanto, o importante é trabalhar pedagogicamente com essas experiências de modo a transformá-las em vivências socialmente válidas. Pensamos que o fundamental é ampliar as oportunidades ao invés de restringi-las; para tanto, a experiência com as diferentes áreas do conhecimento é essencial.
Preocupa-nos o risco de a função da escola, para as crianças dos anos iniciais, limitar-se, a partir da reforma proposta, ao ensino das habilidades mínimas de leitura e escrita e de cálculo, retirando-se as cores e os sabores das descobertas que se fazem no contínuo do seu desenvolvimento. Preocupa-nos que esse projeto ganhe força e se concretize em outros níveis de ensino e em outros Estados. Preocupa-nos que as oficinas contribuam mais para o esvaziamento dos conteúdos do que para a construção de conhecimentos. O que será da nossa escola pública, então? Um reducionismo dos conhecimentos, um estreitamento das concepções de ensino-aprendizagem? O objetivo final será a quantificação em detrimento da qualidade? E, se atingir índices é o foco dos processos de ensino-aprendizagem, o que isso realmente significa? Qual é a verdadeira motivação da política educacional implícita nesse movimento?
As autoras Maria Amélia Santoro Franco (Unisantos), Valéria Belletati (Instituto Federal de São Paulo), Cristina Pedroso (USP/FFCLRP) são doutoras em Educação e Ligia Paula Couto (Universidade Estadual de Ponta Grossa) é doutoranda em Educação. Todas são pesquisadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Formação do Educador (GEPEFE) – FEUSP.
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
Escombros de fazenda no interior de SP revelam passado de admiração ao nazismo

Os tijolos que hoje se desprendem de uma velha capelinha da fazenda
Cruzeiro do Sul, em Buri (SP), servem como pistas para rastrear como um
integrante de um abastado clã do Rio de Janeiro transformou sua
propriedade num testemunho de admiração ao nazismo nos anos 1930.
Nessa fazenda, os blocos de barro eram feitos com uma suástica estampada.
Fazenda Nazista

José
Ricardo Rosa, 55, conhecido como "Tatão" segurando um tijolo com a
suástica nazista; após herdar a fazenda Cruzeiro do Sul na cidade de
Campina do Monte Alegre ele encontrou por acaso tijolos com o sinal
nazista usados na construção
Alguns desses tijolos viraram material para pesquisadores, assim como
fotografias de bois marcados a ferro quente com o símbolo nazista,
bandeiras e uma série de outros documentos encontrados na propriedade em
Buri.
Sérgio Rocha Miranda cuidava da fazenda Cruzeiro do Sul. A propriedade
vizinha, a Santa Albertina, ficava sob os cuidados de seu irmão, Oswaldo
Rocha Miranda.
Nela, funcionava uma espécie de fazenda-orfanato para 50 meninos mantidos em um regime quase escravo.
Com idades entre 9 e 12 anos, esses garotos (somente dois deles brancos)
foram entregues a Oswaldo em 1933 e 1934, após decisão judicial.

Todos haviam sido abandonados no orfanato católico Educandário Romão de
Mattos Duarte, no Rio, e foram retirados de lá por Oswaldo com a
promessa de terem uma vida melhor, segundo Aloysio Silva, 89, o "menino
número 23" da lista de 50.
"Era uma vida diferente da prometida. Era castigo por tudo, trabalhava
muito, até de fazer a mão sangrar", conta Aloysio, o número 23.
Os irmãos Maurício e Ângela Miranda, herdeiros da Santa Albertina,
contestam a versão de que seus dois tios-avôs fossem nazistas que
escravizaram os meninos.
As fazendas, que se espalhavam por área que hoje alcança três
municípios, chegaram à família via Luis Rocha Miranda, simpatizante do
movimento fascista Ação Integralista Brasileira.
Pai de Sérgio e Oswaldo, Luis comprou as propriedades do brigadeiro
Rafael Tobias de Aguiar (1794-1857), fundador da PM de São Paulo.
As primeiras marcas da simpatia de Sérgio pelo nazismo foram descobertas
em 1997 pelo tropeiro José Ricardo Rosa Maciel, 55, o Tatão. Dono de
espessa barba branca, ele narra a descoberta.


"Teve uma briga da porcada, que derrubou a parede do chiqueiro. Quando
vi o estrago, achei os tijolos com a marca nazista. Passaram anos me
chamando de louco, mas agora tá tudo comprovado pelos estudos do doutor
Sidney."
Tatão se refere ao historiador Sidney Aguilar Filho, 45. Em 1998, ele
dava aula para a enteada de Tatão quando ela revelou que, na fazenda
onde vivia, havia tijolos com aquele "símbolo alemão" das aulas de
história.
Sidney investigou por mais de uma década e, em 2011, apresentou sua tese
de doutorado na Unicamp sobre a exploração do trabalho e a violência à
infância no país no período de 1930 a 1945.
"Por muitos anos, aqueles meninos foram submetidos a um regime de
trabalho como se fossem adultos, sem remuneração, sem liberdade de ir e
vir e estudando pouco. Mas aquilo era aceito pela sociedade", diz ele.
ANDRÉ CARAMANTE
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE SP
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE SP
[Fonte: Folha de São Paulo]
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Veja como era o cotidiano do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial
No caminho para a Europa, havia Natal. Nunca antes a cidade tinha recebido tantos turistas. Rapazes brancos que em poucos dias ficavam cor de laranja sob o sol, o que não espantava as moças da cidade. Elas cercavam os GIs para conhecer as novidades, inéditas na história do país. Whisky, Coca-Cola, Lucky Strike, foxtrot e bombardeiros de 16 toneladas.

Ilustração: Felipe Massafera
Cotovelo geográfico
Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.
Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.
Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.
Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.
A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.
-O que é isso, senhora Miranda?
-Um reco-reco.
-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.
-Sim. E isto é um pandeiro.
-Pandeiro?
-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?
-Nada. É que às vezes fico meio confuso.
Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.
Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.
O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.
A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).
Cotovelo geográfico
Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.
Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.
Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.
Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.
A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.
-O que é isso, senhora Miranda?
-Um reco-reco.
-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.
-Sim. E isto é um pandeiro.
-Pandeiro?
-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?
-Nada. É que às vezes fico meio confuso.
Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.
Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.
O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.
A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Ex-policial torturador deu aulas por 24 anos com identidade falsa
Por 24 anos, Cleber de Souza Rocha deu aulas de geografia em escolas
públicas da zona norte na capital paulista. Apesar das faltas e de
relatos de alunos de que costumava ir às aulas embriagado, conseguiu
chegar ao posto de diretor de escola municipal.
Durante o período, ninguém havia suspeitado de que aquele professor,
motivo de piada entre alunos, era, na verdade, um ex-investigador de
polícia condenado por homicídio e tortura.
Julgado em 1982 por um crime cometido três anos antes, Cleber decidiu
fugir. E adotou o nome, documentos e o diploma do irmão mais novo, sem o
conhecimento dele.
Foi aprovado em concursos para lecionar geografia nas escolas da
prefeitura e do Estado. Na rede municipal, passou no concurso para
diretor.
Tirou ainda carteira de motorista e contraiu empréstimos como se fosse o irmão, com quem brigou ainda jovem.
A farsa durou de 1984 a 2009, ano que ele morreu. Apenas meses antes a
prefeitura e o Estado descobriram que haviam sido enganados.
E só no final do mês passado o Conselho Estadual de Educação concluiu o
caso --os alunos de Cleber não precisarão refazer as aulas.
O irmão caçula ainda tenta se livrar na Justiça de empréstimos bancários que estão em seu nome, mas que foram feitos pelo irmão.
Cleber deu início à farsa em 1979, quando era investigador de polícia na região de Perus (zona norte). Um motorista foi detido sob a suspeita de integrar uma quadrilha que atuava na região. Não havia provas claras de que ele de fato era um criminoso.
Após seis dias, o suspeito foi achado morto na delegacia. Segundo o processo, foi torturado por várias vezes e de diversas formas.
Cleber foi apontado como um dos principais autores das torturas. Eles utilizaram, entre outros instrumentos, um pau-de-arara.
Na época, o ex-policial negou o crime. Afirmou que nem teve contato com o preso.
Mas, em 1982, a Justiça concordou com os argumentos do então promotor Luiz Antonio Fleury Filho --eleito governador de São Paulo oito anos depois: Cleber foi condenado a cinco anos e oito meses de prisão e ainda perdeu o cargo.
Com a prisão decretada, Cleber não se entregou. Dois anos depois, ingressou na rede municipal como professor.
O advogado do irmão caçula, Francisco Deus, diz não saber onde Cleber conseguiu os papéis, que também foram usados para a entrada na rede estadual, um ano depois. O irmão pede para que seu nome não seja divulgado.
A falsificação não causou suspeitas, segundo a Secretaria Estadual de Educação, porque Cleber havia se formado em geografia e em pedagogia.
DAVA NOTAS BOAS
O falso professor lecionou em ao menos seis escolas públicas, todas na zona norte.
Entre 2004 e 2008, sofreu quatro suspensões ou repreensões, por não cumprir ordens superiores ou por excesso de faltas ao trabalho.
Ex-alunos da escola estadual Joaquim Luis de Brito, em Itaberaba (zona norte da capital), relatam em redes sociais na internet que Cleber constantemente chegava alcoolizado e dispensava os estudantes sem motivos.
"Ele nunca passava nada [de matéria] e sempre dava notas boas", brinca uma ex-aluna. Muitos disseram que, algumas vezes, era bruto.
Foi justamente a truculência que fez a fraude ser descoberta. Em 2008, ele discutiu com um vizinho. Na delegacia, se identificou ora com o nome verdadeiro, ora com o do irmão.
Desconfiado, o delegado resolveu analisar as digitais. Era o fim da farsa.
Chamada à delegacia, a diretora da escola Joaquim Brito afirmou que nunca havia suspeitado de nada.
Antes do fim dos processos nas redes estadual e municipal, Cleber morreu aos 54 anos, em decorrência de insuficiência respiratória, hepática e renal aguda.
Pouco antes, o advogado do irmão encontrou Cleber. "Ele disse: 'O que vocês queriam? Que eu roubasse?' Isso chamou a atenção. Ele fez toda a confusão para ser professor. Poderia ter virado traficante. A situação fez o irmão ficar um pouco menos chateado."
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
Fonte: Folha de São Paulo [http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1226592-ex-policial-torturador-deu-aulas-por-24-anos-com-identidade-falsa.shtml ]
Mary Leakey, arqueóloga, é homenageada no 100º aniversário em doodle do Google
Pesquisadora descobriu fóssil de primata extinto que poderia ser ancestral dos humanos
Mary Leakey, arqueóloga britânica,
é homenageada no seu 100º aniversário pelo doodle (logo) do Google
nesta quarta-feira. Foi ela quem descobriu o primeiro fóssil de um
primata extindo que é tido como ancestral dos humanos. A descoberta do proconsul africanus foi feita em 1948.
Leakey nasceu em 6 de fevereiro de 1913, em Londres, e
morreu em 9 de dezembro de 1996 no Quênia. As primeiras pesquisas e
descobertas da arqueóloga foram publicadas pelo seu marido, Luis S. B.
Leakey.
Segundo a Enciclopédia Britânica, a experiência de
Leakey com a arqueologia começou quando ela ainda era criança. Ela
ajudou nas escavações de um sítio arqueológico quando menina e começou a
ganhar habilidade como desenhista dos achados encontrados pela equipe.
Mary Leakey publicou pelo menos quatro livros, entre 1950 e 1983, revelando suas descobertas.
Os doodles do Google
O Google costuma comemorar datas importantes para a humanidade, como aniversários de invenções e personalidades ligadas à cultura e à política, por exemplo, com customizações do logo na página inicial do site de buscas. O primeiro doodle surgiu em 1998, quando os fundadores do Google criaram um logotipo especial para informar aos usuários do site que eles estavam participando do Burning Man, um festival de contracultura realizado anualmente nos Estados Unidos. O sucesso foi tão grande que hoje a companhia tem uma equipe de designers voltada especialmente para a criação dos logotipos especiais. Já foram criados mais de 300 doodles nos Estados Unidos e mais de 700 para o resto do mundo.
O Google costuma comemorar datas importantes para a humanidade, como aniversários de invenções e personalidades ligadas à cultura e à política, por exemplo, com customizações do logo na página inicial do site de buscas. O primeiro doodle surgiu em 1998, quando os fundadores do Google criaram um logotipo especial para informar aos usuários do site que eles estavam participando do Burning Man, um festival de contracultura realizado anualmente nos Estados Unidos. O sucesso foi tão grande que hoje a companhia tem uma equipe de designers voltada especialmente para a criação dos logotipos especiais. Já foram criados mais de 300 doodles nos Estados Unidos e mais de 700 para o resto do mundo.
domingo, 20 de janeiro de 2013
História, todo mundo gosta, todo mundo faz, todo mundo é ...
Imagine a
situação – Tem início o ano letivo, o professor todo animado e entusiasmado
apresenta-se para a turma, fala de sua metodologia, faz um ligeiro comentário
sobre o que estudarão naquele ano, tenta ser o mais agradável possível, afinal
é o primeiro contato com os alunos, e, depois de alguma conversa, ele faz a
pergunta – Vocês gostam de história? – Então impera o silêncio ou ouve-se um
murmurinho – História para quê? Estudar coisas que já se passaram? Saber da
vida de pessoas que já se foram? Eu odeio história! – Então o professor se
depara com uma desagradável situação, ensinar para aqueles que nutrem uma certa
antipatia contra a sua disciplina, ou seja, acreditam não gostar de história,
mas estão enganados, na verdade gostam, sim! Todo mundo gosta de história,
mesmo inconscientemente.
"História inclui todo o traço e vestígio de tudo o que o homem fez
ou pensou desde seu primeiro aparecimento sobre a Terra."¹ Partindo deste princípio, pode-se
entender que tudo o que o homem fez, vira história, pode-se também afirmar,
através de estudos e vivências, que o homem sempre gostou de registrar a sua
presença na Terra, suas ações e pensamentos. Desde os primórdios, os homens
marcam sua presença no planeta através das pinturas rupestres e variados
objetos deixados por eles, nos tempos atuais os registros ocorrem através de múltiplos
instrumentos, como fotografias, diários pessoais, músicas, pinturas, livros e
outras diversas formas de arquivar o que acredita ser importante para ser
visto, contemplado ou estudado pelo próprio autor ou por gerações
futuras.
Mesmo que ocorra em um âmbito familiar,
isso tudo na verdade é uma forma de perpetuar sua história, a vontade
íntima de ser lembrado por alguém. Muitas pessoas têm certa aversão ao estudo
de história pela ideia da mesma ser uma disciplina que implica muita leitura
(uma afirmativa verdadeira, mas não conclusiva), acreditam que é necessário
DECORAR informações tediosas como nomes de todos os faraós do Antigo
Egito ou de imperadores romanos, biografas de presidentes ou datas que a
princípio não dizem nada, na verdade essas pessoas não gostam da história
formal, acadêmica e tecnicista, mas gostam de exercitá-la e aprendê-la de
inúmeras maneiras, por exemplo, o gosto pela conversa com pessoas
mais velhas, mais experientes, para saber um pouco mais sobre tudo o que foi
mudado pela ação do tempo, de como eram as coisas antes, e, quase sempre
ouvindo a clássica frase “no meu tempo era melhor”. Todo mundo gosta de olhar
uma fotografia, muitas vezes, contemplando-a detidamente, e mesmo sem saber
estão fazendo um estudo de uma fonte histórica, afinal, ninguém consegue tirar
uma foto do futuro; todos ficam satisfeitos em entender uma curiosidade ligada
ao passado; de saber se o que viram em um determinado filme ou novela realmente
aconteceu daquele jeito; muitos ficam curiosos em saber como uma obra de
edificação foi construída em períodos de menos recursos técnicos, mesmo assim
destacam-se por sua beleza e durabilidade; gostam de explicitar que o seu time
no passado era bem melhor do que hoje. É indiscutível, todo mundo gosta do
saber histórico, pode não ser o saber acadêmico, teórico e especializado, mas
de um saber que lhe traga prazer.
Somos todos sujeitos históricos, todo mundo é protagonista de suas ações
no tempo e espaço, ações essas que serão revisadas, servirão de base para
elucidação de dúvidas ou problemas contemporâneos, mesmo que apenas
mentalmente, nossas lembranças virão à tona. Como diz o historiador Erick Hobsbawn
“A única generalização cem por cento segura sobre história é aquela que diz que
enquanto houver raça humana haverá história”, ou seja, enquanto existir
seres humanos sobre a Terra estaremos fadados a fazer História, querendo ou
não, gostando ou não.
¹ ROBISON, James Harvey, citado em BURK, Peter. A escrita da história: novas
perspectivas. São Paulo. Unesp,
1992.
Professor Pedro Paulo Dias
Graduado em História e criador do blog História Pensante
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Juramento dos formando em História.
Este juramento foi proferido em minha colação de grau, a qual já se passaram dez anos, não conheço a autoria, me lembro que foram feitos alguns arranjos e adaptações, que ao meu ver o deixaram verdadeiro, lindo e inspirador. Muitas saudades da Turma 2002 - FAFILE/UEMG. Acredito ser uma ótima postagem para começarmos o ano.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Feliz Ano Novo!
domingo, 30 de dezembro de 2012
HOMEM JÁ PRODUZIA QUEIJO HÁ 7.500 ANOS, DIZEM ARQUEÓLOGOS
O homem já teria aprendido a produzir o queijo a partir do leite, na Europa, há pelo menos 7.500 anos, de acordo com um estudo conduzido por arqueólogos ingleses da Universidade de Bristol. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão após uma análise química em peneiras de cerâmica pré-históricas encontradas em um sítio arqueológico na Polônia.
Uma grande quantidade de gordura de leite foi identificada, o que indica que as peneiras eram usadas com o objetivo de separação do soro e do coalho. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico científico Nature.
Anteriormente, os pesquisadores acreditavam que o queijo já era produzido há dois mil anos na Turquia, porém não havia ainda evidências claras disso.
A descoberta aponta que os povos do Neolítico tinham a capacidade de transformar leite perecível em um alimento que durasse mais tempo e que fornecesse calorias, proteínas e minerais. Os pesquisadores acreditam que o queijo deveria ser consumido após sua produção, ou guardado em potes na terra por meses, para o inverno. Até então pensava-se que a dieta no período Neolítico era um tanto “monótona”, baseada no consumo de mingau de cereais.
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Carangola antigamente
Um grupo de nostálgicos carangolenses criou uma comunidade no Facebook batizada como "Carangola antigamente", a qual tem como objetivo a publicação de fotos antigas de Carangola, a comunidade é um verdadeiro arquivo histórico da evolução da cidade que já foi conhecida como a "princesinha da Zona da Mata". Como diz o Historiador Rogério Carelli em seu livro Efemérides Carangolenses (1827-1959), "Se o interesse pela memória histórica é algo neglicenciado neste país e o brasileiro é classificado como um povo sem memória, nós carangolenses nos incluímos numa honrosa exceção."
Link para comunidade:http://www.facebook.com/groups/141147166024130/
Link para comunidade:http://www.facebook.com/groups/141147166024130/
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
A origem do Natal
Natal ou Dia de Natal é um feriado e festival religioso cristão comemorado anualmente em 25 de Dezembro (nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), e adaptado pela Igreja Católica no terceiro século d.C., para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano, passando a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré. O Natal é o centro dos feriados de fim de ano e da temporada de férias, sendo, no cristianismo, o marco inicial do Ciclo do Natal que dura doze dias.
Embora tradicionalmente seja um dia santificado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs ou seculares. Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai Noel (conhecido como Pai Natal em Portugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças.
Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai Noel (conhecido como Pai Natal em Portugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças.
Como a troca de presentes e muitos outros aspectos da festa de Natal envolvem um aumento da atividade econômica entre cristãos e não cristãos, a festa tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas para os varejistas e para as empresas. O impacto econômico do Natal é um fator que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo.
[Fonte: Wikipédia]
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
A vaca da Revolução
Estou muito contente, a Revista de História da Biblioteca Nacional deste mês (Nº 87 - Dezembro 2012) publicou uma matéria sugerida por mim, a qual ressalta um episódio ocorrido em Carangola durante o período da 'Revolução de 1930". Essa e outras histórias sobre Carangola podem ser encontradas no livro do historiador Rogério Carelli - "Efemérides Carangolenses (1827-1959).
Clique no link e conheça a história completa:http://www.historiapensante.blogspot.com.br/2010/10/o-tiroteio-os-bois-e-o-leao.html
Clique no link e conheça a história completa:http://www.historiapensante.blogspot.com.br/2010/10/o-tiroteio-os-bois-e-o-leao.html
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domingo, 25 de novembro de 2012
A História e o Progresso ao Sabor do Vento
"Na sua maior parte a história faz-se sem autores. Não acontece a partir de um centro, mas da periferia. De pequenas causas. Talvez não seja tão difícil como se pensa fazer do homem gótico ou do grego antigo o homem da civilização moderna. Porque a natureza humana é tão capaz do canibalismo como da crítica da razão pura; é capaz de realizar as duas coisa
s com as mesmas convicções e as mesmas qualidades, se as circunstâncias forem propícias, e nesses processos a grandes diferenças externas correspondem diferenças internas mínimas.
(...) O caminho da história não é o de uma bola de bilhar que, uma vez jogada, percorre uma determinada trajetória; assemelha-se antes ao caminho das nuvens, ou ao de um vagabundo a deambular pelas vielas, que se distrai a observar, aqui uma sombra, ali um magote de gente, mais adiante o recorte curioso das fachadas, até que por fim chega a um ponto que não conhece e por onde nem tencionava passar. Há no decurso da história universal um certo erro de percurso. O presente é sempre como a última casa de uma cidade, que de certo modo já não faz bem parte do casario dessa cidade. Cada geração pergunta, com espanto: Quem sou eu, e quem foram os meus antepassados? Devia antes perguntar: Onde estou? e partir do princípio de que os seus antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Se assim fosse, já teríamos feito alguns progressos. "
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades' - Escritor austríaco.
(...) O caminho da história não é o de uma bola de bilhar que, uma vez jogada, percorre uma determinada trajetória; assemelha-se antes ao caminho das nuvens, ou ao de um vagabundo a deambular pelas vielas, que se distrai a observar, aqui uma sombra, ali um magote de gente, mais adiante o recorte curioso das fachadas, até que por fim chega a um ponto que não conhece e por onde nem tencionava passar. Há no decurso da história universal um certo erro de percurso. O presente é sempre como a última casa de uma cidade, que de certo modo já não faz bem parte do casario dessa cidade. Cada geração pergunta, com espanto: Quem sou eu, e quem foram os meus antepassados? Devia antes perguntar: Onde estou? e partir do princípio de que os seus antepassados não eram diferentes, apenas estavam num lugar diferente. Se assim fosse, já teríamos feito alguns progressos. "
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades' - Escritor austríaco.
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