Esta é uma versão bem-humorada do livro "A Origem das Espécies", de Charles Darwin (1809-1882), criador da teoria da seleção natural, elaborada pelo cartunista brasileiro Fernando Gonsales. Nos quadrinhos, alguns animais conversam com o cientista, questionando as suas ideias.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Livro " A Origem das espécies" de Charles Darwin na visão do cartunista Fernando Gonsales.
Marcadores:
Charles Darwin,
Ciência,
Evolução,
Humor,
Livro
terça-feira, 18 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Encontro Nacional de Pesquisadores do Ensino de História
O Encontro Nacional de Pesquisadores do Ensino de História – ENPEH configura-se como uma reunião científica que objetiva tanto estabelecer e solidificar a pesquisa em Ensino da História nas pós-graduações em Educação e em História no Brasil, como fortalecer e ampliar nacional e internacionalmente o espaço de interlocução entre os pesquisadores dessa área.
O X ENPEH elegeu como temática do evento o âmbito de “Políticas e Práticas do Ensino de História”. O objetivo principal desta edição é manter e fomentar a pesquisa na articulação com as políticas e práticas do Ensino de História no Brasil. Destina-se a pesquisadores, professores, alunos de pós-graduação e estudantes que possuem o tema como seu objeto de pesquisa.
Local: Universidade Federal de Sergipe - são Cristovão/SE
Acesse: http://www.xenpeh.com.br/
sábado, 25 de maio de 2013
Entrevista com o escritor carangolense Paulo Mercadante (1923-2013)
PAULO MERCADANTE
1. Nascido em Carangola, Minas Gerais, em 23-06-1923, filho de Xenofonte Mercadante e de Adélia de Freitas Mercadante, nascida Garcia de Freitas. De família de humanistas e músicos da Itália meridional, (da qual fez parte o compositor Savério Mercadante), o primeiro, nascido em Campos, RJ, era advogado, tendo integrado em 1946, a bancada do Partido Social Democrático na Constituinte mineira; a segunda, natural de Leopoldina, MG, era filha de imigrante português.
2. Cursou Paulo Mercadante humanidades na cidade natal, fundando, em 1937, com colegas do Ginásio, um jornal semanal - O Ariel. Também foi membro do grupo engajado à esquerda, então na ilegalidade em razão do movimento insurrecional de 1935. Após o serviço militar, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, feitos os preparatórios, prestou exame vestibular à Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Foi, de 1945 a 1946, Presidente do Centro Acadêmico Luís Carpenter, delegado junto ao Congresso da UNE, participando ativamente dos movimentos universitários pela anistia, convocação de Constituinte e pela abertura democrática.
3. Admitido no Ministério da Aeronáutica, por concurso, como tradutor de inglês e alemão, foi incorporado, após convocação do Exército, aos serviços de guerra, permanecendo na base aérea do Galeão, como intérprete e tradutor, onde também desempenhou na Fábrica de Aviões atividades técnicas ligadas à conversão de tecnologia de aviação alemã à norte-americana. Seria mais tarde condecorado pelo Ministério da Aeronáutica por destacados serviços prestados ao País.
4. Licenciado, dedicou-se após o final do conflito, ao magistério, lecionando até 1951, várias disciplinas, inclusivamente Filosofia. Dois anos mais tarde casou-se com Ana Elisa Viana Mercadante, nascida Lichtenfels Viana, médica psicanalista, vindo a ter o casal dois filhos e uma filha.
5. Entregou-se no Rio de Janeiro à atividade profissional de advogado nos ramos civil e comercial. Retomou as pesquisas, iniciadas em sua puberdade, sobre a Mata Mineira, a comunidade natal e a região fluminense, percorrendo-as todas. Os resultados traduziram-se em dois livros e um ensaio, este último servindo de Introdução às Fazendas Fluminenses de Café, editada pela Nova Fronteira.
6. Nos anos sessenta tomou parte em diversos grupos de estudos, visando ao aperfeiçoamento de sua base científica, publicando, ainda, em colaboração com Antônio Paim, em edição oficial do Ministério da Educação e do Instituto Nacional do Livro, os Estudos de Filosofia, de Tobias Barreto. Em 1990 viam ambos realizados os seus objetivos, graças à colaboração de Luiz Antônio Barreto, com a publicação em dez volumes, em edição do Ministério da Cultura e do Governo de Sergipe, das obras completas do pensador Tobias Barreto. Ingressando no Instituto Brasileiro de Filosofia, dá início a sua colaboração na Revista Brasileira de Filosofia. Também publica em 1965 o seu livro mais conhecido - A Consciência Conservadora no Brasil - sobre a formação histórica nacional.
Marcadores:
Carangola,
Entrevista,
Minas Gerais,
Pensadores,
Vídeo
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Infográficos animados - Segunda Guerra Mundial.
sábado, 18 de maio de 2013
Um pouco de reflexão histórica...
“A destruição do passado, ou melhor, dos mecanismos que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas, é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso, os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio.”HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991)
Marcadores:
Frases,
Historiador,
Pensadores
terça-feira, 7 de maio de 2013
Lançamento do livro "Zona da Mata Mineira: Escravos, Família e Liberdade"
No dia 14 de Maio de 2013 (terça-feira), será lançado em Carangola o livro: "Zona da Mata Mineira: Escravos, Família e Liberdade" dos professores organizadores Dr. Jorge Prata e Dr. Rômulo Andrade.
Na oportunidade, estarão presentes o organizador Prof. Dr. Jorge Prata (Doutor pela USP) e um dos colaboradores da edição e o Prof. Dr. Jonis Freire (Doutor pela Unicamp).
Além do lançamento, os professores farão uma palestra sobre importância da pesquisa histórica em nossa região.
O evento acontecerá no salão Jayro Mota Hosken, do Museu Municipal de Carangola, na terça-feira, dia 14/05, às 19 horas com entrada gratuita.
A coordenação do lançamento do livro ficará a cargo do professor Randolpho Radsack.
Contamos com a presença de todos.
Fonte: É o combatente.com
Marcadores:
Brasil Império,
Carangola,
Escravidão,
Livro,
Museu
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Um drinque histórico.
Imagine um bar onde você possa tomar uma bebida acompanhado de personagens históricos como Napoleão Bonaparte, Jesus Cristo, Ghandi, Confúcio, Freud, Nero, Darwin e outros mais que podem proporcionar algumas discussões calorosas regadas a um drinque e apimentada com humor, o canal The History Channel também imaginou e nos proporcionou estes encontros.
Clique aqui e veja: http://seuhistory.com/history-drink.html
Marcadores:
História e Internet,
Humor,
Link,
Personalidades
quinta-feira, 2 de maio de 2013
História e Cinema: Primeira Guerra Mundial
Uma pequena relação de filmes (nunca definitiva) sobre a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
A Batalha de Passchendaele (2008) - Ambientado no ápice da Primeira Guerra Mundial, Passchendaele conta a história do Sargento Michael Dunne (Paul Gross), um soldado brutalmente ferido na França, que retorna para Calgary emocionalmente e fisicamente traumatizado. No hospital militar em Calgary, ele conhece Sarah (Caroline Dhavernas), uma misteriosa e atraente enfermeira pela qual se apaixona. Quando David (Joe Dinicol), o irmão mais novo e asmático de Sarah, se alista para lutar na Europa, Michael sente-se obrigado a voltar para lá e protegê-lo. Michael e David, como milhares de canadenses, são enviados para a terceira batalha de Ypres, uma batalha contra obstáculos impossíveis, comumente conhecidas por "Passchendaele". Esta é uma história de paixão, coragem e dedicação, mostrando o heroísmo daqueles que lutaram na guerra e de todos os que os amaram.
O Barão Vermelho (2008) - Primeira Guerra Mundial. O jovem aristocrata Barão Manfred von Richthofen (Matthias Schweighöfer) é convocado pela força aérea alemã. Seus combates, seu avião vermelho e suas inúmeras conquistas ao lado do esquadrão 'Circo Voador' o tornaram um herói da nação. Manipulado pelo alto comando e distraído pela fama, ele não enxergava a verdadeira face da guerra. Quando Manfred é ferido e presencia os horrores das batalhas em um hospital, ele passa a perceber o efeito devastador de uma guerra. Apesar da desilusão, Manfred sabe que ele não pode parar de voar e, mesmo para o mais destemido dos homens, cada nova missão pode ser a última. Um filme com incríveis cenas de combate, que conta a história do maior piloto de todos os tempos.
Flyboys (2006) - 1916, dois anos após o início da 1ª Guerra Mundial. Milhões de pessoas já morreram e as forças aliadas, compostas por França e Inglaterra, seguem em uma luta inativa nas trincheiras contra as tropas alemãs. Os Estados Unidos seguem sua posição de neutralidade, o que não impede que alguns americanos partam para a Europa para ajudar como motoristas voluntários de ambulância ou integrantes da Legião Estrangeira da França. Um deles é Blaine Rawlings (James Franco), um texano que foi expulso do rancho de sua família e que idealiza uma vida de herói pilotando aviões. Ele logo se une a Higgins (Christien Anholt), um recruta da Legião Estrangeira que é transferido; William Jensen (Philip Winchester), que se alistou para seguir a tradição da família; Briggs Lowry (Tyler Labine), que se alistou devido à pressão do pai; Eddie Beagle (David Ellison), que deseja fugir de seu passado; Eugene Skinner (Abdul Salis), que deseja defender a França devido ao país ter sido tolerante ao permitir que se tornasse campeão de boxe; e Reed Cassidy (Martin Henderson), um piloto de guerra veterano. Sob o comando do capitão Georges Thenault (Jean Reno), os pilotos franceses realizam um rigoroso treinamento com os americanos, de forma que eles possam integrar a Esquadrilha Lafayette, o 1º esquadrão de pilotos americanos a lutar na 1ª Guerra Mundial.
Cavalo de Guerra (2012) - Ted Narracot (Peter Mullan) é um camponês destemido e ex-herói de guerra. Com problemas de saúde e bebedeiras, batalha junto com a esposa Rose (Emily Watson) e o filho Albert (Jeremy Irvine) para sobreviver numa fazenda alugada, propriedade de um milionário sem escrúpulos (David Tewlis). Cansado da arrogância do senhorio, decide enfrentá-lo em um leilão e acaba comprando um cavalo inadequado para os serviços de aragem nas suas terras. O que ele não sabia era que seu filho estabeleceria com o animal um conexão jamais imaginada. Batizado de Joey pelo jovem, os dois começam seus treinamentos e desenvolvem aptidões, mas a 1ª Guerra Mundial chegou e a cavalaria britânica o leva embora, sem que Albert possa se alistar por não ter idade suficiente. Já nos campos de batalha e durante anos, Joey mostra toda a sua força e determinação, passando por diversas situações de perigo e donos diferentes, mas o destino reservava para ele um final surpreendente.
Glória feita de sangue (1957) - Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar. Depois concorda que sejam cem soldados e finalmente é decido que três soldados serão escolhidos para servirem de exemplo, mas o coronel Dax (Kirk Douglas) não concorda e decide interceder de todas as formas para tentar suspender esta insana decisão.
Nada de novo no front (1930) - Sete estudantes patriotas alemães apresentam-se como voluntários para o serviço militar em plena Primeira Guerra Mundial. Baseado no conto homônimo de Erich Maria Remarque, "Sem Novidade No Front" é um grande filme pacifista, que mostra a loucura e futilidade da guerra. As cenas de guerra nas trincheiras são retratadas de forma brilhante e dolorosa. Mesmo muitos anos após o seu lançamento, continua sendo um tema atual e dominante nos países que sofreram e sofrem com a guerra. Vencedor dos Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor. Considerado o maior filme anti-guerra de todos os tempos.
Em 1916, em plena I Guerra Mundial, o jovem tenente do exército britânico estacionado no Cairo pede transferência para a península arábica, onde vem a ser oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exercito britânico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Império Otomano a península arábica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida beduíno, oferece-se para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos.
O filme mostra quatro episódios principais da vida de Lawrence durante a sua estada na Arábia: a conquista de Aqaba; o seu rapto e tortura pelos turcos em Deraa; o massacre de Tafas; e o fim do sonho árabe de Damasco.
Gallipoli (1981) - Archie Hamilton é uma das maiores promessas das pistas de corrida da Austrália. Durante uma competição ele faz amizade com Frank Dunne. Unidos pelo idealismo, os dois se alistam no exército, em 1915, sem ter a mínima noção do horror que enfrentariam na luta contra os turcos, na trágica e lendária batalha de Gallipoli, durante a Primeira Guerra Mundial.Terreno proibido (2013) - Terreno Proibido é a incrível história de um trio de soldados na Primeira Guerra Mundial, surpreendidos em uma explosão, que ficam encurralados entre duas trincheiras. Desesperados para chegar à segurança das trincheiras inglesas, os homens precisam atravessar um lamaçal e enfrentar um bombardeio de granadas, gás, rajada de metralhadoras e artilharia pesada, à medida que os alemães rapidamente se aproximam de sua localização. Com autenticidade e impressionantes efeitos, este filme mostra a guerra como jamais vista.
Feliz Natal (2006) - Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano.
Johnny vai à guerra (1971) - Joe, um jovem soldado americano, é atingido por um morteiro no último dia da Primeira Guerra Mundial. Ele repousa em uma cama de hospital em uma situação pior que a morte - ele teve seus braços e pernas amputados, ficou cego, não tem mais boca nem nariz. Apesar de tudo, ele continua consciente, mas não consegue parar de sonhar e rever suas memórias, sem conseguir identificar se está dormindo ou está acordado. Frustrado com sua situação, ele tenta exaustivamente se comunicar com a equipe do hospital.
Crepúsculo das Águias (1966) - Jovem plebeu ao entra na força aérea alemã durante a Primeira Guerra Mundial, luta para se torna um grande ás e recebe a tão desejada condecoração: "A Pour Le Meritè", e conseguindo a admiração de seus superiores e a inveja de seu pelotão, se torna um herói nacional, mas quando se envolve com a mulher de seu general, sua fama poderá trazer a sua ruína. Com grande cenas de Ação esse é sem duvida uma das maiores produções sobre a Grande Guerra. 
O último Batalhão (2001) - É uma história verídica do feito de uma companhia de guerra norte-americana, na sua maioria composta de imigrantes irlandeses, italianos, poloneses, todos de Nova York, liderados pelo Major Charles Whittlesey, um civil convocado para a guerra.Cercados pelas tropas inimigas, ao batalhão foram dadas 2 opções pelo exército alemão: Rendição ou Morte. O batalhão escolheu uma terceira inimaginável!
domingo, 14 de abril de 2013
A Alegoria da Caverna
O mito da caverna, também conhecido como alegoria da caverna, prisioneiros da caverna ou parábola da caverna, foi escrito pelo filósofo grego Platão e encontra-se na obra intitulada no Livro VII de A República. Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade, onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.
Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.
Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.
Platão não buscava as verdadeiras essências na simplesmente Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível. E o personagem da caverna, que acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.
Fonte: wikipedia
A "alegoria da caverna" na visão de Maurício de Souza
quarta-feira, 10 de abril de 2013
sábado, 30 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
O Julgamento de Jesus
* Texto antigo mas com uma discussão sempre atual, vale a pena conferir.
Fonte: Revista Aventuras na História
As 12 horas que separam a prisão da morte de Jesus guardam uma série de mistérios. Por que ele foi detido? Do que foi acusado? Como o condenaram? Quem o matou?
Carla Aranha | 01/04/2004 00h00
O prisioneiro caminha lentamente para a execução. Seu sangue escorre pelas feridas em carne viva. O fim está próximo. Em poucas horas o homem que irá mudar a história da humanidade morrerá pendurado em uma cruz. Está para começar uma das maiores polêmicas de todos os tempos. Quase 2 mil anos após a morte de Jesus de Nazaré, os detalhes sobre o julgamento que o levou à crucificação ainda são capazes de provocar debates explosivos.
Primeiro, porque os únicos relatos daqueles momentos são os textos religiosos contidos na Bíblia. “Não bastasse isso, os quatro evangelhos (os livros que contam a vida de Jesus atribuídos a Mateus, Marcos, Lucas e João) divergem entre si em diversos pontos da narrativa. Não se conhece a seqüência dos fatos e de como ocorreram, o que contribui para que sejam suscitadas tantas polêmicas”, diz o historiador André Chevitarese, professor de história antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo, porque os evangelhos impingem grande parte da responsabilidade pela prisão e condenação de Jesus aos sacerdotes judeus que o julgaram em primeira instância, livrando o romano Pôncio Pilatos, a autoridade máxima na Palestina na época, de qualquer vestígio de culpa. O cristianismo moderno rebate essa versão e nega que os judeus da época de Jesus tenham sido os únicos culpados. Já os historiadores discutem se os fatos narrados na Bíblia têm base nas leis judaicas e romanas antigas, à procura de esclarecer a verdade. “Mas os cristãos fundamentalistas ainda interpretam os evangelhos de forma anti-semita”, diz o padre e teólogo Antônio Manzatto, da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. “É o que faz Mel Gibson em seu filme A Paixão de Cristo.”
As polêmicas provocadas pelo filme, que está batendo recordes de bilheteria nos Estados Unidos e estreou no Brasil sob ameaças de proibição, têm o mérito de levar ao público questões normalmente restritas aos meios acadêmicos. Afinal, quem matou Jesus? Como se deu o processo que levou à sua condenação? Qual foi a responsabilidade do povo judeu, das pessoas comuns? Para responder a essas perguntas, primeiro é preciso entender o contexto histórico em que esses fatos extraordinários teriam ocorrido.
O réu: Jesus de Nazaré
Atualmente, estuda-se cada vez mais sobre Jesus. Contudo o que a história sabe sobre ele não avançou muito nos últimos 2 mil anos. Além da Bíblia, são raríssimas as referências a Jesus. Há os chamados Evangelhos de Nag Hammadi, encontrados no Egito em 1945. São mais de 60 textos escritos em copta (idioma falado no Egito bizantino) e que faziam parte de uma coleção de textos cristãos do século 4. Esses livros revelam um Jesus místico, milagreiro, mas muito pouco somaram ao personagem histórico.
Já os chamados Manuscritos do Mar Morto, escritos em aramaico (a língua falada na Palestina na época de Jesus), entre 152 a.C. e 68, pelos essênios (uma seita judaica contemporânea de Jesus), tinham um ótimo potencial para renovar o conhecimento histórico sobre Jesus. Encontrados em 1947, em Qumram, Israel, só foram completamente decifrados em 2002 e não citam Jesus nenhuma vez.
A historiografia grega e judaica tão pródiga em personagens da Antiguidade também ignora Jesus. Restam-nos os textos romanos, escritos todos depois da morte de Jesus. Entre eles, os de Flávio Josefo, autor de Antiguidades Judaicas. Porém uma dúvida paira sobre o trecho em que cita Jesus. Josefo afirma que Jesus “fazia milagres e que “apareceu três dias depois da sua morte, de novo vivo”. Para Angelo Chaniotis, do Centro de Estudos de Documentos Antigos da Universidade de Oxford, é discutível que esse trecho seja realmente de Josefo. “Um judeu que se tornou cidadão romano não acreditaria que Jesus era o Messias.” Para ele, o trecho deve ter sido adicionado pelos monges cristãos que tiveram acesso ao texto a fim de copiá-lo, entre os séculos 6 e 11.
Se são raras as vozes da história sobre a vida de Jesus, o silêncio é ainda maior quando se procuram vestígios arqueológicos. Em 2002, anunciou-se o que seria a redenção dos que acreditam nos evangelhos: uma urna funerária com o nome de Jesus escrito. Meses depois provou-se que era uma falsificação. Até hoje não se descobriu nenhum traço arqueológico diretamente associado a Jesus.
No entanto, a arqueologia tem tido sucesso em fornecer subsídios para reconstruirmos o momento histórico no qual teria vivido Jesus. Um exemplo é o trabalho nas imediações de Nazaré. Escavações encontraram grande número de construções romanas do século 1. O fato jogou nova luz sobre a profissão Jesus. A palavra usada na Bíblia para designar o que Jesus fazia é tekton, que tanto pode significar carpinteiro como biscateiro. “As novas descobertas mostram que a Galiléia, e em particular a região de Nazaré, era um verdadeiro canteiro de obras na época de Jesus. Praticamente todos os homens adultos estavam envolvidos com alguma atividade ligada à construção civil”, diz Gabriele Cornelli, professor de teologia e filosofia da Universidade Metodista de São Paulo. Mas como esse camponês que ajudava a erguer paredes para os romanos acabou condenado e morto alguns anos depois?
A Acusação: Blasfêmia
A Galiléia da época de Jesus vivia um período de extrema pobreza. “A região, ao norte da Judéia, sempre havia sido pobre. Mas não miserável, como durante a dominação romana”, escreveu John Dominic Crossan, professor da DePaul University, de Chicago, Estados Unidos e autor de O Jesus Histórico, a Vida de um Camponês no Mediterrâneo. Segundo ele, os camponeses tinham de pagar impostos ao Império Romano, que havia tomado Jerusalém em 63 a.C., aos sacerdotes do Templo em Jerusalém, e ao rei Herodes Antipas. Isso deveria consumir pelo menos dois terços de toda a produção, segundo os cálculos de Crossan. Como resultado de tripla tributação, a população empobrecia e perdia a esperança em tempos melhores.
Também havia uma crescente desconfiança em relação aos sacerdotes do templo. “Em várias passagens dos evangelhos, Jesus critica duramente os sacerdotes por desprezarem os pobres e darem importância excessiva ao ouro”, diz o teólogo Fernando Altemeyer, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Esse descontentamento geral explodiria na guerra dos judeus contra Roma, que durou do ano 66 ao 70. Uma das primeiras ações dos rebeldes foi invadir o templo e rasgar todas as listas de devedores, os maus pagadores de impostos, que ficavam guardadas no local. Roma acabaria vencendo, e o templo foi destruído. “Mas o fato mostra que a revolta contra a cobrança de impostos e a política da elite sacerdotal era imensa”, diz André Chevitarese.
Era o cenário propício para que líderes como Jesus fossem ouvidos. A visão mais aceita hoje em dia é que Jesus, que vinha da parte mais afastada do Império Romano, era mais um entre tantos pregadores. Essa interpretação é sustentada por estudiosos como o padre católico John P. Meier, autor de Um Judeu Marginal, Repensando o Jesus Histórico, e professor da Universidade Católica da América, em Washington, Estados Unidos. “É um fato que na época de Jesus devia haver pelo menos outras cinco ou seis pessoas que se diziam o Messias”, afirma Antônio Manzatto.
O poder local, formado por uma aliança entre a elite judaica e os romanos, via esse movimento de líderes messiânicos com desconfiança. “O discurso era revolucionário, o que poderia abalar as estruturas do poder”, diz André. O de Jesus era seguramente bombástico. Ele pregava a igualdade, o respeito aos pobres, o amor.
Mas se Jesus era apenas um dentre tantos pregadores messiânicos, tudo mudou quando ele chegou a Jerusalém, pouco antes da Páscoa judaica, por volta do ano 30. Naquela época, Jerusalém triplicava de tamanho. Apesar de não ser a capital romana do território ocupado (os romanos preferiam governar de Haifa, de frente para o mar Mediterrãneo), lá ficava o Sinédrio, instituição judaica que funcionava como tribunal e poder legislativo, além do palácio de Pôncio Pilatos, a casa de Herodes Antipas, o rei e, é claro, o Templo Sagrado.
Segundo os evangelhos, Jesus já era conhecido na Galiléia por suas pregações, seus milagres e pela cura de enfermos quando chegou a Jerusalém. De acordo com as leis e tradições judaicas, isso bastava para ser considerado um blasfemo. A cura, na época, era um monopólio divino. No entanto, sua chegada a Jerusalém foi ainda mais recheada de provocações à ordem. Ao entrar na cidade a uma semana da Páscoa, sentado em um jumento, ele comparou-se ao Messias, invocando deliberadamente a profecia do livro de Zacarias sobre a sua chegada (“Aí vem o teu rei, justo e salvador, montado num burrinho”). A ofensa final, no entanto, foi invadir o templo e expulsar fariseus e saduceus. Se isso tiver ocorrido como dizem os evangelhos, ele acabava de comprar uma briga e tanto.
Os juízes: Judeus ou Romanos?
Segundo a Bíblia, Jesus estava reunido com seus seguidores no Monte das Oliveiras, em Jerusalém, quando foi preso, à noite, depois de ser traído por Judas. Jesus teria sido detido pelos guardas do templo, por ordem do Sinédrio – o conselho formado pela elite judaica que controlava o santuário. Mas há controvérsias. Segundo o próprio evangelho de Mateus, a população da cidade estranhou uma patrulha àquela hora na rua. De fato, isso seria pouco comum. “Para operar além das paredes do templo, os guardas devem ter contado com o apoio de soldados romanos”, diz a historiadora Norma Musgo Mendes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os evangelistas discordam quando relatam os fatos após a prisão de Jesus. Em comum, eles trazem a versão de que os sacerdotes do templo decidem não condená-lo à pena capital. Se fosse sentenciado à morte pelo Sinédrio, provavelmente seria apedrejado. O prisioneiro é então enviado para a autoridade suprema local, o procurador romano na Palestina, Pôncio Pilatos, a quem cabia julgar questões de interesse do Império.
Aqui, começa outra grande polêmica sobre a narração bíblica. Não haveria nenhuma razão para Jesus não ser condenado sumariamente por Pilatos, mas os evangelhos, única fonte escrita do processo, contam que o governador teria hesitado em sentenciar Jesus e tentado libertá-lo pelo menos duas vezes. Numa, após interrogar Jesus e, tendo-o considerado inocente, resolveu soltá-lo, mas voltou atrás quando foi vaiado pelo povo que acompanhava o julgamento. Em outra, teria pedido que o povo escolhesse entre Jesus e Barrabás, um criminoso conhecido, para que ele soltasse um deles, em um perdão especial devido à Páscoa. O povo teria escolhido Barrabás para ser salvo. No fim, Pilatos teria lavado as mãos, para simbolizar sua inocência em relação ao veredicto. Segundo um dos evangelhos, o de Lucas, o governador ainda teria mandado Jesus para o rei Herodes, mas esse não aceitou julgá-lo e o enviou de volta.
Para alguns historiadores, todo o julgamento é inverossímil, distante das práticas das autoridades romanas na Palestina. “Jesus não era uma pessoa importante na época, era mais um pregador que vinha da distante Galiléia. O mais provável é que ele nem sequer tenha sido julgado, mas, em vez disso, condenado sumariamente à morte”, afirma Gabriele Cornelli. Segundo ele, a passagem do julgamento no Novo Testamento foi escrita com o propósito de orientar os primeiros cristãos a como se portar diante dos sacerdotes e dos romanos.
André Chevitarese concorda. “Os evangelhos devem ser lidos não como uma reportagem, mas como um programa teológico com fundo histórico”, diz. Ele defende que os autores dos evangelhos, que foram escritos entre 40 e 80 anos após a morte de Jesus (e, portanto, depois que os romanos destruíram Jerusalém), utilizaram a narração do julgamento de Jesus para reforçar a cisão entre cristãos e judeus. “Isso era fundamental para afirmar os preceitos da nova religião, e, ao mesmo tempo, não cutucar o Império Romano, com o qual o cristianismo teria de conviver”, afirma André.
Essa análise dos relatos explicaria porque Pilatos é retratado de modo tão brando nos quatro evangelhos. “Até a mulher dele, Cláudia, tenta influenciar o julgamento, a favor de Jesus. Tudo para construir a imagem de um Pilatos bonzinho e não o típico governante romano que estava lá para fazer valer a lei e a ordem”, diz André. No entanto, Filão, o Judeu, historiador que viveu entre 20 a.C e o ano 50 menciona a crueldade de Pilatos e seu autoritarismo em centenas de casos de julgamentos de rebeldes e escravos (aliás, Filão também não se refere a Jesus).
O teólogo Paul Winter, autor de Sobre o Processo de Jesus, aponta outras passagens conflitantes. Para ele, a cena em que o povo escolhe Jesus para morrer no lugar de Barrabás não faz sentido do ponto de vista histórico. Primeiro, havia quatro prisioneiros para serem julgados, incluindo os dois ladrões que morreram na cruz ao lado de Jesus. Nesse caso, de acordo com Winter, não faria sentido o povo escolher um entre dois prisioneiros, e não entre quatro. Em segundo lugar, o hábito de se libertar um preso na Páscoa era raro, e não um fato comum como fazem crer os textos bíblicos.
O veredicto: Cupaldo de Sedição
Outro dedo a apontar para Pilatos e os romanos, quando se procura um culpado pela morte de Jesus, é o debate sobre por qual crime, afinal, ele foi condenado. Vimos que, segundo os evangelhos, os judeus do templo de Jerusalém o acusaram de blasfêmia, mas o historiador Geza Vermes, da Universidade de Oxford, Inglaterra, duvida disso. “Casos de pessoas que se autoproclamavam messias eram comuns naquela época e não espantavam mais ninguém”, afirma. “Jesus foi levado à morte por crime de sedição, de rebeldia política contra os interesses romanos. Só isso justificaria o fato de ter sido julgado por Pilatos e condenado à crucificação.”
Para a historiadora Norma Mendes, é possível que tenha havido uma aliança entre os sacerdotes judeus e os romanos para que Jesus fosse condenado à morte. Aí faria sentido que o Sinédrio o acusasse de blasfêmia e o apresentasse a Pilatos como agitador político, para que fosse morto sem a participação direta da elite judaica.
A pena: Crucificação
“Uma vez que Jesus foi condenado por Pilatos, como aparece na Bíblia, a pena podia ser uma só: crucificação, precedida de açoitamento”, diz o historiador e arqueólogo Pedro Paulo Funari, da Universidade Estadual de Campinas, no interior de São Paulo. Essa era uma pena bastante comum nos territórios ocupados pelos romanos. No ano que Jesus nasceu, por exemplo, mais de 2 mil condenados foram mortos dessa forma. A crucificação era considerada a mais degradante e brutal pena capital. Primeiro, o condenado era violentamente espancado, chicoteado e flagelado. Depois disso, uma pesada tora de madeira era colocada sobre suas costas e seus braços presos às extremidades. Assim ele carregava sua cruz até o local onde seria erguida. O condenado podia ter o calcanhar preso com pregos à madeira, ou as mãos, se não fossem amarradas com cordas.
O teólogo Antônio Manzatto acredita que o sofrimento de Jesus descrito na Bíblia seja fiel ao que realmente ocorria em casos de crucificação. Para ele, não haveria interesse dos evengelistas de exagerar na narrativa dos sofrimentos de Jesus. “O mais importante naquele momento era ressaltar a mensagem do fundador da nova religião. Jesus deve ter sofrido como todos que eram crucificados. Nem mais, nem menos”, afirma.
Segundo Pedro Paulo Funari, a morte na cruz advinha da sede e da asfixia causada pela posição em que o corpo ficava pendurado. O suplício poderia levar dias. No caso de Jesus que, segundo os evangelhos, morreu em poucas horas, isso poderia ser explicado pela perda excessiva de sangue, já que ele teve as mãos pregadas à cruz. Guardas romanos tomavam conta o tempo todo do lugar, não permitindo que dessem água ao condenado ou o tirassem da cruz. A agonia era assistida por familiares e a população em geral.
A falta de sepulturas para os milhares de crucificados daquela época levou os historiadores e arqueólogos a uma conclusão surpreendente: os corpos crucificados não eram retirados da cruz, mas deixados expostos aos elementos até serem devorados pelos abutres e cães. “É a única explicação plausível. O que teria sido feito dos restos mortais dos condenados crucificados que jamais foram encontrados?”, diz o historiador Gabriele Cornelli. Segundo ele, fazia parte da pena a humilhação pública, mesmo depois da morte.
No caso dos familiares de Jesus, é possível que tenham obtido autorização para levar seu corpo. “Os romanos concediam essas autorizações às vezes”, afirma Norma Mendes. Três dias depois que Maria recolheu os restos mortais de seu filho, tem início o maior relato de fé até então conhecido, a ressureição. Está para nascer não só o Cristo (o ungido, em grego), mas uma religião que abraçaria todo o mundo ocidental a ponto de hoje, dois milênios após os fatos analisados nesta reportagem, o cristianismo ser o credo de mais de 2 bilhões de pessoas e influenciar o modo de pensar e agir de grande parte da humanidade. “Direitos humanos, amor ao próximo, perdão, são todos preceitos morais que regem a vida da maioria das pessoas, sejam elas cristãs ou não”, diz o teólogo Antônio Manzatto. “Faz todo o sentido que sua vida seja objeto de tantos estudos e polêmicas.”
Saiba mais
Livros
Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus, 2002, Reúne os quatro evangelhos que relatam a Paixão de Cristo
O Jesus Histórico, a Vida de um Camponês no Mediterrâneo, John Dominic Crossan, Imago, 1994, Um dos maiores estudiosos do tema, Crossan elabora um retrato de Jesus por meio de análises históricas, antropológicas e literárias
Um Judeu Marginal, Repensando o Jesus Histórico, John P. Meier, Imago, 1992, Outra grande obra de referência, que analisa Jesus no contexto de seu tempo
Sobre o Processo de Jesus, Paul Winter, Imago, 1998, O autor discute o passo-a-passo do julgamento de Jesus à luz da história
O delator: Judas
O traidor era chamadode amigo por Jesus
Chamado de traidor pelos evangelhos, Judas Iscariotes foi o companheiro mais maldito e polêmico de Jesus. Apesar disso, pouco se sabe sobre a vida do apóstolo que cuidava do dinheiro do grupo e que teria entregue Jesus aos sacerdotes. “Para ser escolhido tesoureiro, supõe-se que Judas era confiável e que lidava com dinheiro antes de ser um dos discípulos. Ele devia freqüentar o templo em Jerusalém, uma espécie de Banco Central, e devia conhecer os sacerdotes”, diz William Klassen, especialista no Novo Testamento e autor de Judas: Betrayer or Friend of Jesus? (“Judas: Traidor ou Amigo de Jesus?”, inédito no Brasil). A polêmica sobre Judas começa em sua origem. Seu nome Iscariotes deve ser uma referência ao lugar onde nasceu, a cidade de Cariot, na Judéia. Segundo John P. Meier, autor de Um Judeu Marginal – Repensando o Jesus Histórico, isso faria de Judas um estranho entre os apóstolos, já que os outros 11 eram galileus, como Jesus. Mas o maior mistério sobre Judas é por que ele teria vendido a informação sobre onde estava Jesus? Os evangelhos têm várias explicações para essa atitude. “Segundo Mateus, foi pelo dinheiro. Em Lucas, Judas foi movido pelo Diabo. João concorda com Lucas e ainda acusa o traidor de ser ladrão e avarento”, diz André Chevitarese. Mas o mito de Judas como o traidor que levou Jesus à morte pode estar errado. Para Klassen, Judas entregou Jesus para fazer a vontade de Deus. “Na Bíblia original, escrita em grego, a palavra traição só aparece relacionada a Judas uma vez. Mas Jesus chama Judas de amigo várias vezes. Ele é o único apóstolo a ser tratado assim.” Klassen diz que a visão de Judas como traidor deve-se ao texto de João. “João não gostava de Judas. Só João diz que ele roubava dinheiro do grupo.” A Bíblia traz duas versões para a morte de Judas. Em Mateus, está a versão mais conhecida, em que Judas, arrependido, se enforca, após devolver o dinheiro aos sacerdotes. Já em Atos dos Apóstolos, ele compra um terreno com o dinheiro que ganhou, mas cai, se arrebenta e suas entranhas se derramam.
Marcadores:
Curiosidade,
História antiga,
Jesus,
Religião,
Sociedade
domingo, 24 de março de 2013
História cantada por uma banda de Rock
A Banda Pré-Histórica de Blumenau-SC foi formada com a intenção de ensinar História de um maneira diferente, pois sabemos que hoje em dia é muito difícil ter boas aulas e professores dispostos a criar algo novo.
A principal ideia da banda é utilizar as músicas em sala de aula, para os professores e estudantes do ensino regular, ou para quem está prestando vestibular.
Desde 2010, a banda tem mantido o estilo rock pedagógico com composições e arranjos próprios trazendo em seu repertório letras inspiradas em temas históricos muito cobrados nos vestibulares e no Enem.
O som é uma mescla de rock and roll clássico com blues e heavy metal, em uma interessante mistura.
Atualmente é formada pelo professor Christian Machado (no vocal e guitarra), Gabriel Day (baixo e vocais) e Kevin Furtado (guitarra solo e vocais).
Informações do site: http://www.bandaprehistorica.com
Marcadores:
Curiosidade,
Educação,
Música,
Revolução Industrial,
Rock,
Vídeo
sábado, 23 de março de 2013
5ª Olimpíada Nacional em História do Brasil.
"Esse ano a Olimpíada Nacional em História do Brasil vem com muitas novidades. Sediada agora junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, com o objetivo de estreitar, cada vez mais, o contato entre participantes e historiadores, a Olimpíada proporcionará a realização de um curso online de formação continuada para os professores orientadores das equipes e que deverá abranger participantes em todos os estados brasileiros. O curso ocorrerá simultaneamente à realização das fases online da Prova e estará disponível a todos os professores interessados. "
Memória e História.
“Somos o que lembramos”. Essa afirmação do historiador Jacques Le Goff demonstra o peso da lembrança e, igualmente, do esquecimento para as nossas vidas. Tanto a nossa existência pessoal quanto coletiva é construída tendo por base não só o que lembramos, mas também o que esquecemos e o que lembram sobre nós.
A imensa rede de esquecimentos e lembranças sustenta a nossa vida em sociedade e o nosso lugar no mundo. As identidades, pessoais e coletivas, passam a fazer sentido quando o passado é percebido como herança de toda uma comunidade. A memória social é mais que um conteúdo específico: é também uma abordagem que privilegia o entendimento do passado e do presente como continuidade e rupturas. Trata-se, sim, de um sistema que diz respeito a todo um grupo, e não apenas o lembrar e o esquecer como um processo biológico que faz parte da vida cotidiana individual. Nas aulas de História, a memória social é recuperada por meio das lembranças da comunidade local, do patrimônio material e imaterial das cidades e das tradições coletivas. As festas, os modos de vida, as manifestações populares, os objetos e vestuários, as construções e monumentos são importantes expressões dessa memória coletiva, que permite lançar um entendimento maior sobre o passado e o presente de uma comunidade. Existe uma memória das cidades, dos caminhos e dos espaços que são socialmente construídos. Nela, a população reconhece o seu passado e constrói o seu presente. A memória afetiva das pessoas e dos grupos sociais é compartilhada coletivamente, e cabe à Escola transformar essa memória em oportunidade de aprendizado.
Fonte: Revista de história da Biblioteca Nacional.
Marcadores:
Frases,
História,
Historiador,
Jacques Le Goff,
Memória,
Pensadores
sábado, 16 de março de 2013
História do Brasil nos cinemas
Marcadores:
Cinema,
História e Cinema
domingo, 3 de março de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Cientistas reconstituem face de rei francês 400 anos depois
Henrique IV ficou conhecido na história por ter promulgado o Edito de Nantes, que permitia liberdade de culto aos protestantes
por
Redação Galileu
Philippe
Foesch, especialista em crânios da Universidade de Barcelona,
reconstruiu a face do rei com auxílio de um gerador 3D a partir de 700
fotos em preto e branco do crânio / Créditos: AFP
A imagem acima, gerada por computador pela Visual Forensic,
revela a reconstituição da cabeça do rei da França Henrique IV. O
soberano morreu aproximadamente aos 57 anos, quando foi assassinado por
um católico fundamentalista, em 14 de maio de 1610.
Há
três anos, alguns elementos-chave deram indícios de que um crânio
desenterrado pudesesse pertencer ao soberano francês, como a orelha
furada e um corte próximo à região do nariz. Assim, foram feitos testes
genéticos entre essa cabeça mumificada e o sangue seco de Luís XVI,
descendente de Henrique IV, para verificar a compatibilidade. Com isso,
criou-se um painel em que cientistas forenses, liderados por Philippe
Charlier, identificaram um perfil genético semelhante e assim,
determinaram que o crânio pertencia ao rei.
Recentemente,
foi processada uma imagem que mostra o aspecto do rosto de Henrique IV
com mais detalhes. Embora com quase 57 anos, a imagem do rei traz um
aspecto bastante envelhecido, devido às condições de higiene bastante
precárias da época. Philippe Foesch, especialista em crânios da Universidade de Barcelona, reconstruiu a face do rei com auxílio de um gerador 3D a partir de 700 fotos em preto e branco do crânio. O tamanho do nariz, segundo o especialista, foi calculado utilizando-se as mesmas técnicas da unidade de combate ao terrorismo do FBI.
Henrique IV ficou conhecido na história por ter promulgado o Edito de Nantes, que permitia liberdade de culto aos protestantes. Ao morrer, foi sepultado como outros reis na Basílica de Saint Denis. Em 1973, alguns revolucionários da França desenterraram seu corpo e um deles acabou fugindo com sua cabeça.

Há
três anos, alguns elementos-chave deram indícios de que um crânio
desenterrado pudesesse pertencer ao soberano francês, como a orelha
furada e um corte próximo à região do nariz / Créditos: AFP
Fonte: Revista Galileu
Marcadores:
Arqueologia,
Curiosidade,
França,
Historiador,
Monarquia,
Religião
Entenda o que significa a exumação do corpo de Dom Pedro I e suas mulheres
A
História do Brasil está sendo exumada. O corpo de Dom Pedro I e das
duas mulheres que ele teve durante a vida foram retirados da cripta em
que estavam para serem submetidos à uma análise tão meticulosa quanto à
tecnologia atual permite. Esse é um daqueles raros momentos que obrigam
os próximos livros de História a serem revistos e reeditados.
Mas o que foi descoberto de tão novo? Bastante coisa. O que mais
chamou atenção dos pesquisadores foi o fato de haver uma múmia entre os
cadáveres. Dona Amélia, segunda mulher de Dom Pedro, foi mumificada
antes de ser enterrada – fato que não consta em nenhum registro
histórico até então. Unhas, globos oculares, cabelos, cílios… tudo está
ali, tudo tão bem conservado que ela já é apontada como uma das múmias
bem preservadas do Brasil. Até o seu útero resistiu ao tempo. Os
historiadores creditam a excelente preservação a um pequeno corte na
jugular da imperatriz: foi através dele que aromáticos como cânfora e
mirra foram despejados, retardando a decomposição. A urna em que ela foi
sepultada foi lacrada de maneira tão hermética que os microrganismos
simplesmente não foram capazes de deteriorar sua carne.
O trabalho, sem precedentes no Brasil, é fruto da obstinação de uma
mulher: Valdirene do Carmo Ambiel convenceu os descendentes do imperador
a liberarem a exumação em 2010 e desde então vem estudando os corpos no
local onde eles estavam enterrados, uma cripta no Parque da
Independência, na zona sul de São Paulo. Na apresentação da sua
dissertação de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da
Universidade de São Paulo, Valdirene mostrou ao mundo o resultado da
pesquisa.
Outro fato curioso é que nosso primeiro imperador não levou para a
posteridade nenhum adereço que remetesse no país. Para todos os fins,
ele foi enterrado como um militar português: todos os adereços
encontrados em seu caixão faziam referência exclusivamente à Portugal. O
cadáver de Dom Pedro I também deflagra uma obsessão por velocidade,
cavalos e acidentes. Ele apresenta fraturas em quatro costelas,
decorrentes de imprevistos com carruagens nas ladeiras do Rio de
Janeiro. Dona Amélia passou os últimos 137 anos segurando uma cruz de
metal entre os dedos. E Dona Leopoldina, a primeira esposa do monarca,
com quem teve sete filhos, não era gordinha como os quadros históricos e
o imaginário nacional acreditavam, sua ossatura indica uma pessoa
esguia, que ganhou a fama devido às nove gestações seguidas (dois filhos
do casal tiveram que ser abortados).

A análise dos corpos no Hospital das Clínicas, em São Paulo, teve
ares cinematográficos. O transporte foi feito durante três madrugadas e,
chegando ao hospital, os três eram submetidos a sessões de tomografia e
ressonância magnética –os médicos até tiveram que preencher uma ficha
cadastral pra cada um. Com a repercussão positiva da exumação, o plano é
ousar. Os cientistas envolvidos cogitam a possibilidade de analisar o
DNA do trio – um instituto americano já foi contactado e o processo deve
custar cerca de 40 mil dólares e demorar até 6 meses para ser
finalizado. O futuro também guarda a parte mais surreal do projeto:
reconstruir os seios da face, a laringe, a faringe, a amplitude do
pulmão e a caixa torácica de Dom Pedro I para reconstituir o timbre
exato de sua voz.
Fonte: Revista Galileu
Assinar:
Postagens (Atom)





















