terça-feira, 21 de abril de 2015
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Aprenda brincando....
1500: O caminho para o "descobrimento" do Brasil
Entenda neste especial desenvolvido pela historiadora Mary del Priori a história por trás do ''descobrimento'' do Brasil
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Um jogo sobre a Capoeira, com produção totalmente nacional.
Capoeira Legends é um universo de jogos sobre capoeira criado e produzido pela Donsoft Entertainment do Brasil, com a consultoria da Escola de Capoeira Água de Beber e Mestre Vuê, um dos maiores nomes da arte marcial genuinamente brasileira.
A primeira obra, Capoeira Legends: Path To Freedom, é um jogo de ação e luta dividido em três capítulos. O Capítulo 1, lançado em português e inglês para computadores da linha PC, foi o grande vencedor de quatro prêmios Nave Oi Futuro de 2009, incluindo o de Melhor Jogo Nacional. Os Capítulos 2 e 3 encontram-se em desenvolvimento, considerando as críticas construtivas recebidas e adequando-se tecnologicamente para os novos paradigmas de interação da atualidade.
Temos muito a mostrar sobre nossa alma, cultura e história brasileiras! Junte-se a Gunga Za e Mestre Vuê nessa aventura no Brasil Imperial!
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segunda-feira, 23 de março de 2015
Quem "descobriu" a América? (2)
Cristóvão Colombo descobriu a América. FALSO !
Ele foi o primeiro europeu a chegar ao Novo Mundo e revelou aos homens de seu tempo a existência de um continente até então desconhecido. Certo? Errado!
Antoine Roullet
Oficialmente, o título de “descobridor da América” pertence ao navegante genovês Cristóvão Colombo, mas ele não foi o primeiro estrangeiro a chegar ao chamado Novo Mundo. Além disso, o próprio Colombo nunca se deu conta de que a terra que encontrou era um continente até então desconhecido.
A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo continente por volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu na região da Islândia, chegou às margens do atual estado de Maine, no norte dos Estados Unidos, no ano 1003. Em 1010 foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn Karlsefni, aportar nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além disso, alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado Zeng He teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que hoje é a costa leste dos Estados Unidos.
Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que havia descoberto um novo continente. A leitura de suas anotações de bordo ou de suas cartas deixa claro que ele acreditou até a morte que tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja, às “Índias”. É o que o navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de 1493.
Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”, Colombo se refere aos arredores de um continente que o célebre Marco Polo – do qual foi leitor assíduo – já havia descrito. Em outubro de 1492, depois de seu primeiro encontro com nativos americanos, o explorador fez a seguinte anotação em seu diário de bordo: “Resolvi descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa que Marco Polo visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão. Os nativos tinham apontado, na verdade, para Cuba.
A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo continente por volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu na região da Islândia, chegou às margens do atual estado de Maine, no norte dos Estados Unidos, no ano 1003. Em 1010 foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn Karlsefni, aportar nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além disso, alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado Zeng He teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que hoje é a costa leste dos Estados Unidos.
Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que havia descoberto um novo continente. A leitura de suas anotações de bordo ou de suas cartas deixa claro que ele acreditou até a morte que tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja, às “Índias”. É o que o navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de 1493.
Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”, Colombo se refere aos arredores de um continente que o célebre Marco Polo – do qual foi leitor assíduo – já havia descrito. Em outubro de 1492, depois de seu primeiro encontro com nativos americanos, o explorador fez a seguinte anotação em seu diário de bordo: “Resolvi descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa que Marco Polo visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão. Os nativos tinham apontado, na verdade, para Cuba.
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| Embora tenha aberto caminho para a conquista do continente, Colombo não foi o primeiro estrangeiro a aportar na América |
Suas certezas foram parcialmente abaladas nas viagens seguintes, mas o navegador nunca chegou a pensar que aportara em um novo continente. Sua quarta viagem o teria levado, segundo escreveu, à província de “Mago”, “fronteiriça à de Catayo”, ambas na China.
Apesar disso, Colombo revestiu seus relatos com um tom profético. “Estou convencido de que se trata do paraíso terrestre”, disse a respeito da foz do rio Orinoco, no território das atuais Colômbia e Venezuela. Quando voltou à Europa, ele chegou a redigir um “livro de profecias”, no qual juntou citações bíblicas a textos de cosmografia e de profetas medievais numa tentativa de, aparentemente, relacionar o Novo Mundo aos reinos míticos de Társis e Ofir, citados no Antigo Testamento. A obra não chegou a ser terminada.
Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a possibilidade de ter descoberto terras realmente virgens. Mas foi necessário certo tempo para que a existência de um novo continente começasse a ser aceita pelos europeus. Américo Vespúcio foi um dos primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais tarde, em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador italiano. Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem entender bem o que havia encontrado.
Apesar disso, Colombo revestiu seus relatos com um tom profético. “Estou convencido de que se trata do paraíso terrestre”, disse a respeito da foz do rio Orinoco, no território das atuais Colômbia e Venezuela. Quando voltou à Europa, ele chegou a redigir um “livro de profecias”, no qual juntou citações bíblicas a textos de cosmografia e de profetas medievais numa tentativa de, aparentemente, relacionar o Novo Mundo aos reinos míticos de Társis e Ofir, citados no Antigo Testamento. A obra não chegou a ser terminada.
Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a possibilidade de ter descoberto terras realmente virgens. Mas foi necessário certo tempo para que a existência de um novo continente começasse a ser aceita pelos europeus. Américo Vespúcio foi um dos primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais tarde, em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador italiano. Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem entender bem o que havia encontrado.
sábado, 21 de março de 2015
Vídeo: Coronelismo
Seria Antônio Carlos Magalhães (ACM) o último Coronel?
Assista também: https://www.youtube.com/watch?v=dGtUIoF3sCw
Assista também: https://www.youtube.com/watch?v=dGtUIoF3sCw
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Quem descobriu a América?
A história tem algumas certezas que se enraizam tão profundamente no conhecimento coletivo que parecem até fazer parte de uma verdade absoluta do mundo. Entre essas informações consideradas incontestáveis, está o fato de o italiano Cristóvão Colombo ser o descobridor e conquistador do continente americano. Toda uma mitologia acompanha essa certeza, que poderia ser lançada ao mar com a pesquisa do historiador norte-americano Gary Knight. Em seu livro “Forgotten Brothers” (Irmãos Esquecidos), ele propõe substituir o protagonismo do descobrimento da América aos irmãos Pinzón, que comandaram as embarcações La Pinta e La Niña em uma longa viagem ao novo mundo.
Segundo o autor, Colombo teria roubado a glória da conquista, e, com o decorrer dos séculos, esse engano acabou sendo firmado. “Deveríamos trocar o Día de la Raza (Dia da Raça, como é chamado o Dia de Colombo na maioria dos países latino-americanos) por Dia do Charlatão”, escreve Knight, decididamente tomando partido por seus conquistadores. Em seguida, ele descreve Colombo como um brilhante político e navegador, mas deixa claro que ele não era capitão de caravelas e que nunca esteve no comando de um navio, por isso a primeira viagem à América não teria sido possível sem a ajuda dos Pinzón, com quem Colombo se reuniu, no final de tudo, para queimar os navios no porto de Palos. A eles, exímios marinheiros, o autor atribui um papel decisivo: o de persuadir o resto da tripulação a participar de uma viagem tão ousada. Após perder uma das caravelas e boa parte da tripulação perto do litoral do atual Haiti, Colombo teria sido levado de volta à Europa e se trancado em sua cabine por vontade própria.
Por que então a história coloca Colombo como o grande descobridor e os irmãos Pinzón em papéis secundários? Para Knight, isso acontece por uma simples razão: Colombo escrevia um diário, e os fatos foram reconstruídos com base nele. Portanto, como é possível observarmos, a história nem sempre é escrita pelos que ganham, mas pelos que a escrevem.
[Fonte: Seu history]
quarta-feira, 4 de março de 2015
Câmara aprova projeto que regulamenta profissão de historiador
Proposta determina quem pode exercer e quais as atividades próprias da profissão. Texto seguirá para o Senado.

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira proposta que regulamenta a profissão de historiador e estabelece os requisitos para seu exercício. Foi aprovado um substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para o Projeto de Lei 4699/12, do Senado. Devido às mudanças, a matéria retorna para análise dos senadores.
Segundo o substitutivo, do ex-deputado Policarpo, poderão exercer a atividade de historiador:
- os portadores de diploma de curso superior em História, nacional ou estrangeiro com revalidação;
- os portadores de diploma de mestrado ou doutorado em História;
- os portadores de diploma de mestrado ou doutorado obtido em programa de pós-graduação reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com linha de pesquisa dedicada à História;
- os profissionais diplomados em outras áreas que tenham exercido, comprovadamente, há mais de cinco anos, a profissão de historiador, a contar da data da promulgação da futura lei.
A Capes é uma fundação do Ministério da Educação (MEC) que atua na avaliação da pós-graduação stricto sensu e também em seu fomento por meio de bolsas.
Atribuições
Entre as atribuições dos historiadores, o substitutivo prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.
Entre as atribuições dos historiadores, o substitutivo prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.
O profissional poderá ainda planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; e elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Registro
O texto exige, para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, a comprovação obrigatória de registro profissional junto à autoridade trabalhista competente.
O texto exige, para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, a comprovação obrigatória de registro profissional junto à autoridade trabalhista competente.
Já as entidades que prestam serviços em História deverão manter historiadores legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços.
Qualificação
Durante a votação da proposta, o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a aprovação do texto vai melhorar as condições profissionais. "O historiador tem compromisso com a verdade na sua diversidade. A aprovação deste projeto ajuda o desenvolvimento da sociedade brasileira", afirmou.
Durante a votação da proposta, o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a aprovação do texto vai melhorar as condições profissionais. "O historiador tem compromisso com a verdade na sua diversidade. A aprovação deste projeto ajuda o desenvolvimento da sociedade brasileira", afirmou.
Já a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) explicou que o crescimento do número de cursos e profissionais na área obrigou a regulamentação, que vem para melhorar a qualidade dos profissionais. "A proposta acaba qualificando o ensino, ao criar critérios", disse.
O deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), no entanto, aproveitou para criticar as políticas públicas de educação. "Temos visto agora o contingenciamento de recursos para educação, estudantes querendo acesso a financiamento estudantil tendo este acesso negado", criticou.
Fonte: Câmara dos Deputados
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Questão de tempo
Todos sabem que na vida tudo passa: amanhã, o dia de hoje será um tempo passado. Mas, para a ciência, passado, presente e futuro são um grande mistério
por Paul Davies
Toda a nossa experiência de vida
baseia-se na suposição elementar de que o tempo pode ser dividido em
passado, presente e futuro. E que o ritmo incessante do tempo empurra
para a frente o momento atual, aquilo que chamamos "agora". O tempo
passa sem parar e converte o futuro em passado. O momento presente,
situado no meio de ambos, é apenas um instante infinitamente curto. Nos
anos 50, porém, Albert Einstein afirmou: "Para nós, físicos presunçosos
passado, presente e futuro são apenas ilusões". Que será que Einstein
queria dizer com isso? A resposta pode ser buscada na Física, na
Filosofia e na Psicologia. No nível psicológico, nossa experiência
consciente do tempo parece estar claramente delimitada. Considera-mos
que os acontecimentos do mundo estão "ocorrendo" e não apenas que
"existem". Além disso, eles ocorrem de forma ordenada. Um momento se
segue sistematicamente a outro. É inconcebível a ideia de adormecer na
terça e acordar na segunda. Ao meditarmos sobre o tempo temos três zonas
nas claramente diferenciadas: passado presente e futuro. Segundo a
crença geral o passado é composto de eventos que já aconteceram -
portanto, já não existem. O que resta deles são as imagens que guardamos
em nossa memória. Nada pode modificar o passado.Da mesma forma que o passado, o futuro consta de acontecimentos que não existem - e ninguém tem condi-ções de saber nada sobre eles. A fronteira entre, o passado e o futuro é presente. E uma fronteira móvel. A medida que o tempo vai avançando, o futuro se converte em presente e, em seguida, quase imediatamente, em passado. Os acontecimentos atuais se distinguem dos futuros em um ponto: eles são reais. A realidade do mundo exterior é a realidade do momento atual. Quando falamos do passado ou do futuro, sabemos que não está ao nosso alcance interferir nessas regiões. Por outro lado, o presente é o momento no qual podemos ter uma troca recíproca com o mundo. Essa interação momentânea se dá em duas direções: 1) do mundo exterior nos chegam impressões captadas pelos sentidos; 2) em face do mundo exterior podemos agir, de acordo com decisões conscientes. Tais ações parecem ocorrer agora, ou seja, no presente.
Tudo isso é tão simples, quase banal. E, no entanto, chega a causar confusão em determinadas ocasiões. Por exemplo: o que queremos dizer quando afirmamos que estamos vivendo conscientemente o presente? Com freqüência não vivemos o presente, porque estamos ocupados com outra coisa. A forma como percebemos o tempo depende decisivamente do que passa por nossa cabeça a cada momento. Se estamos envolvidos com algo muito interessante, o tempo passa voando: muitos momentos do presente nem sequer são percebidos. Por outro lado, quem espera por algo e está plenamente concentrado nessa espera sentirá os segundos passarem com extrema lentidão. Não há a menor dúvida de que uma hora na sala de espera do dentista passa muito mais devagar do que uma hora no cmema.
Mas quanto dura o presente? Ele não marca de modo algum uma linha divisória rígida entre o passado e o futuro. Essa linha é mais tênue e o que a move é nossa consciência, que reage lentamente. Muitos eventos acontecem tão depressa que nos parecem repentinos. Por exemplo, um filme de cinema composto de uma seqüência de imagens imóveis. Só porque projetadas sucessivamente com grande rapidez nos dão a impressão de movimento contínuo. Já os processos que ocorrem no mundo da Física subatômica estão totalmente fora da nossa capacidade de percepção, de velozes que são.
Quem quiser separar o tempo em passado, presente e futuro encontrará outras dificuldades no plano da Física moderna, em que nada se parece com o conceito de agora. Isaac Newton, no século XVII, escreveu sobre o tempo "absoluto verdadeiro e matemático que transcorre uniformemente." Ele tentou descartar o fator subjetivo, introduzindo a idéia de medição matemática precisa do tempo, com relógios. Nas fórmulas de movimento de Newton, o tempo certamente existe, embora apareça como uma magnitude, não como uma quantidade variável. Não há nada que caracterize um presente que se encontra em movimento. Das fórmulas de Newton se deduz uma conseqüência lógica. Se supusermos a existência de um sistema físico fechado - isto é, ilhado -, e contemplarmos seu estado em um momento qualquer, também ficará fixada para sempre a totalidade dos estados futuros.
Em outras palavras: o estado de um sistema em um momento qualquer determina, de uma vez por todas, toda a sua história. A imagem newtoniana do mundo reduz o tempo a uma questão contábil. O tempo está aí, para pôr etiquetas nos acontecimentos. No universo newtoniano não pode ocorrer nada verdadeiramente novo, pois as informações necessárias para construir o futuro já existem no presente. O livro cósmico está totalmente escrito desde há muito e aquilo que denominamos tempo nada mais é que um meio de numerar suas páginas.
Naturalmente, a Física não parou em Newton. Com a Teoria Especial da Relatividade, de Albert Einstein, publicada em 1905, o conhecimento dos físicos sobre o tempo deu um salto gigantesco. Einstein relacionou o tempo muito estreitamente ao espaço e converteu ambos em fenõmenos físicos. Em conseqüência, muitas opiniões intuitivas sobre o tempo foram abandonadas.
Antes de Einstein, qualquer um poderia afirmar que dois acontecimentos haviam ocorrido em lugares diferentes. Isto é o que precia se deduzir do conceito de presente. Se alguém dissesse "eu gostaria de saber o que está ocorrendo agora em Marte", ninguém diria que isso não tinha sentido. Agora era um conceito vigente em toda parte. Parecia que todo o Universo tinha o mesmo presente.
A Teoria da Relatividade destruiu a base dessas convicções. Einstein ensinou que dois acontecimentos podem ocorrer simultaneamente para um observador, enquanto outro observador que se mova em relação ao primeiro perceberá os dois acontecimentos um depois do outro. Um terceiro observador poderá até ver os dois acontecimentos numa ordem sucessiva e inversa à do segundo observador. Naturalmente que na vida diária não existe nada parecido – porque neste âmbito as distâncias e as velocidades são demasiado pequenas para que se possa notar a relatividade. Mas ela existe e suas conseqüências são de grande alcance.
De tudo isso pode se tirar uma única conclusão: não existe nenhum momento atual que seja válido universalmente. Não existe nenhum agora que seja igual de um extremo do Universo a outro. O conceito de presente é uma questão puramente pessoal e só tem significado como ponto de referencia para o observador, dependendo de seu estado de movimento. Acontecimentos em lugares muito distantes entre si podem estar no futuro para determinado observador e no passado para outro. Se assim é, torna-se insensato dividir ordenadamente o tempo em passado, presente e futuro. A Teoria da Relatividade parece nos levar a uma imagem do Universo na qual o tempo, da mesma forma que o espaço, se encontra diante de nós em toda a sua dimensão.
Nessa imagem, passado, presente e futuro são apenas etiquetas psicológicas sem significado algum do ângulo das ciências naturais. Os acontecimentos simplesmente estão aí. Se o tempo é deslocado do espaço desse modo, perde naturalmente qualquer propriedade de fluência. E mais: em lugar da experiência psicológica de um mundo dinâmico, que continua se desenvolvendo constantemente, tem-se uma imagem de quietude na qual "o mundo não transcorre, mas simplesmente existe", como disse o matemático Hermann Weyl. O movimento do presente em direção ao futuro não aparece em nenhuma das fórmulas da Física. Assim, Einstein pôde insistir que passado, presente e futuro são apenas ilusões.
Apesar disso tudo, não há como duvidar de que os acontecimentos se posicionam numa ordem sucessiva e que essa ordem tem uma direção. Do contrário não poderia existir a causalidade, que é a determinação de um acontecimento por outro. A causalidade só é possível se existir uma relação antes/depois.
Um exemplo simples: quando se dispara um tiro contra um vaso de cerâmica e este se rompe em mil pedaços, não pode haver dúvida: o vaso ficou em pedaços depois de ter sido atingido pelo disparo. Visto a partir da causa, o efeito se encontra no futuro. Isso se comprova imediatamente ao projetar-se de trás para a frente um filme que se tivesse feito esse epsódio: teríamos a impressão de que o vaso voltou à sua forma original. Ora, isso nada tem a ver com a realidade.
O tempo, portanto, tem uma direção e esse fato impregna todo o Universo. Há mais de um século os cientistas discutem de forma acaladora a que isto se deve. Os físicos descrevem freqüentemente a direção do tempo com a figura de uma seta que aponta para o futuro a partir do passado. Infelizmente, essa comparação produziu muita confusão. É legítimo falar de uma orientação do Universo no tempo, que assinala desde o passado até o futuro. O difícil é denominar com ela a direção do fluxo do tempo. Essa diferença fica clara ao se pensar na agulha de uma bússola. Ela assinala o norte apenas porque os homens assim o convencionaram. Seu significado é o de que o campo magnético da Terra está orientado, que existe uma assimetria, que a direção sul-norte não é o mesmo que norte-sul.
Quando dizemos que uma seta de tempo mostra a direção do passado até o futuro, só estamos querendo indicar que no Universo existe uma assimetria ou direcionalidade e que a direção rumo ao passado é distinta da direção rumo ao futuro. Essa assimetria não pressupõe que o tempo efetivamente voe como uma seta ou flua em direção ao futuro. Mas será que o presente existe de verdade como algo realmente objetivo, ou é apenas uma invenção psicológica? Há muito tempo os filósofos brigam por causa dessa questão.
De um lado, estão os que defendem um presente real; são os chamados teóricos A, cujo expoente foi o alemão Hans Reichenbach (1891-1953). Seus oponentes são os teóricos B, entre os quais se destacam Afred Ayer e Adolf Grünbaum. O grupo A utiliza os conceitos de passado, presente e futuro e a rica variedade de tempos das línguas modernas - como o pretérito imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito.
O segundo modo de tratar a sucessão do tempo defendida pelo grupo B, baseia-se em um sistema de datas. Os acontecimentos são marcados segundo a data em que ocorreram. Desse modo se consegue ordená-Ios de forma clara. Ou seja, dado que o momento atual esta sempre avançando no tempo, os acontecimentos do futuro chegam ao presente e passam deste até o passado. Um único acontecimento, contudo, não pode estar simultaneamente no passado, no presente e no futuro.
Diante de toda essa argumentação, alguém poderá alegar: digam o que disserem os físicos, hoje minha xícara de café quebrou em mil pedaços ao cair da mesa; isso ocorreu às 4 da tarde e representa uma mudança para pior em relação à situação anterior a essa hora. Ora, dirá o teórico do grupo B, a mudança é apenas uma ilusão. Tudo o que você disse é que a xícara estava inteira antes das 4 da tarde, que depois das 4 estava quebrada e que às 4 houve um momento de transição. Essa forma neutra de descrição contém exatamente a mesma informação, porém não afirma que o tempo tenha passado. E absolutamente desnecessário dizer que o estado da xícara variou desde inteiro até quebrado. Tudo o que há são dados sobre o tempo e o estado da xícara, simplesmente.
Que diz disso o teórico A? Ele afirma, por exemplo, que só se pode compreender o movimento dos ponteiros do relógio se existir algo como o tempo, a não ser que o movimento dos ponteiros esteja relacionado com outra coisa, como o movimento da Terra. Daí, então, teremos de perguntar: o que ocorre com a rotação da Terra? Com o que se relaciona? E assim por diante, numa série de perguntas aparentemente sem fim. Mas o que haveria no final dessa cadeia?
O último relógio seria o próprio Universo. Ao dilatar-se cada vez mais no espaço, o Universo fixa um tempo cósmico. Há alguns anos, os físicos começaram a estudar o movimento do Universo com a ajuda da Mecânica Quântica - chegaram a uma descoberta interessante: o tempo cósmico está totalmente fora das fórmulas. Resultado: qualquer variação só pode ser medida por meio de correlações (relações de mudança). No final desse raciocínio vamos relacionar tudo com a magnitude do Universo. Assím, desaparece qualquer idéia de um presente em movimen-to. E o que sempre afirmaram teóricos B.
De toda forma, continua existindo o fato de que sentimos que o tempo passa. Einstein, como vimos, denominou esse sentimento de ilusão. Há exemplos claros de ilusões do movimento. Quando giramos depressa ao redor de nós mesmos e paramos de repente, temos a impres-são de que tudo à nossa volta continua girando. Na realidade tudo estáparado. Será que a sensação de que o tempo passa é uma ilusão semelhante a essa? De seu lado, os físicos mais destacados da atualidade procuram esclarecer se é falsa a proposição de Newton segundo a qual o futuro está contido no presente. O motivo estaria relacionado com o descobrimento do caos determinista.
Com esta expressão os cientistas se referem aos sistemas físicos dinâmicos, cuja evolução pão se pode visualizar antecipadamente. A Meteorologia, por exemplo, tem muito a ver com esses sistemas - o que talvez seja uma boa explicação para o grande número de equívocos nessa área. Um segundo campo de investigação é a própria Teória Quântica e o papel nela desempenhado pelo observador. Segundo ela, a natureza, ao nível atômico, é necessariamente indeterminada. Não é possível predizer qualquer fato partindo de fatores conhecidos. Se um observador dos átomos efetuar neles uma medição, com esse próprio ato modificará o que desejava medir. Na Física Quântica, o possível se converte em real por meio da mera observação. Isso pode ter algo a ver com o cha-mado fluxo do tempo. Aqui, é claro, se está em pleno território das especulações. Ainda não sabemos se algum dia poderemos demonstrar que elas são verdadeiras. A resposta, por ora, só pode ser esta: o tempo dirá.
[ Fonte: Revista Super Interessante ]
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
Neonazismo: os fantasmas de Hitler
Neonazismo: os fantasmas de Hitler - Guia do Estudante
Como a ideologia que prega o ódio renasceu na Europa, o mesmo
cenário dos crimes contra a humanidade cometidos na Segunda Guerra e
como ela se espalha até mesmo no Brasil
TEXTO Eduardo Szklarz | 17/10/2014 14h30
O ruído era ensurdecedor. Jovens de camisas negras se aglomeravam na praça fazendo a saudação Heil Hitler!
e entoando a Canção de Horst Wessel, o hino nazista. Num bar perto
dali, intelectuais vociferavam contra gays, culpavam os estrangeiros
pelo desemprego e advertiam sobre a “conspiração judaica” que levou o
país à ruína.
A cena bem poderia ter ocorrido na Berlim dos anos
30. Mas aconteceu em 4 de junho passado em Atenas, berço da democracia,
durante um ato do partido neonazista grego Aurora Dourada. Em toda a
Europa, mas também em outros países, a chaga do nazismo renasceu e vem
crescendo. Tal como ocorreu com Hitler e seus asseclas, usam-se as armas
da democracia para atacá-la e destruí-la.

Nas
eleições de maio para o Parlamento Europeu (PE), o Aurora Dourada
elegeu três deputados. “Somos a terceira força política do país”, disse o
porta-voz Ilias Kasidiaris, que tem uma suástica tatuada no braço.
Grupos de extrema direita festejaram a presença recorde em um parlamento
que a maioria delas rejeita. Na Alemanha, o neonazista Partido Nacional
Democrático (NPD) conseguiu pela primeira vez um assento no PE. Na
Hungria, o fascista Jobbik é a segunda maior legenda. A Frente Nacional,
cujo patriarca, Jean-Marie Le Pen, sugeriu o vírus ebola para
solucionar o problema da imigração, teve 25% de apoio dos franceses.
O
que explica esse fenômeno? Qual foi o momento em que ser
nazista/fascista deixou de ser vergonhoso para se tornar aceitável? É o
que veremos nesta reportagem.
A fagulha nacionalista
A
extrema direita não é um bloco monolítico. Alguns partidos são
racistas, xenófobos, outros são contra muçulmanos ou gays. Muitos são
tudo isso. Mas há um elemento comum a todos: o nacionalismo. “Nem todo
nacionalismo é de direita e muito menos fascista, mas todo movimento
nazifascista é nacionalista”, afirma o historiador Carlos Gustavo
Nóbrega de Jesus, superintendente da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba,
em São Paulo.
Nacionalismos florescem em tempos de crise. Tem
sido assim desde o final do século 19, quando russos massacraram
milhares de judeus acusando-os pela morte do czar Alexandre II
(1818-1881). A onda de perseguições se alastrou pelo Leste Europeu, onde
judeus e outras minorias foram culpados pelas mazelas de cada país.
Isso porque o nacionalismo não é um mero amor à pátria: é uma defesa
ferina da identidade nacional que pressupõe a glorificação de “Nós” e a
exclusão dos “Outros”. Por isso desemboca em violência.
Em
28 de junho de 1914, por exemplo, o nacionalista sérvio Gavrilo Princip
disparou contra o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro da coroa
austro-húngara. E deflagrou a Primeira Guerra. Durante o conflito, o
nacionalismo serviu de base para a principal – e mais aterradora –
invenção política do século 20: o fascismo. Era um movimento de massas
autoritário e populista baseado no anticomunismo, na expansão
imperialista e em um Estado policial que controlava a vida pública e
privada das pessoas.
O fascista (e socialista na juventude) Benito
Mussolini assumiu o poder na Itália em 1922 para logo implantar uma
ditadura. “O fascismo reconfigurou as relações entre o indivíduo e o
coletivo, de modo que o indivíduo não tinha direito algum fora do
interesse da comunidade”, diz o historiador americano Robert Paxton no
livro The Anatomy of the Fascism (“A Anatomia do Fascismo”).
Em
1933, o nazismo triunfou na Alemanha agregando um novo ingrediente ao
pacote fascista: a raça. Hitler quis purificar a comunidade alemã dos
seres considerados “inferiores”, entre eles judeus, homossexuais,
eslavos, deficientes físicos e mentais. Segundo o führer, era preciso
eliminar esses “bacilos” do corpo da sociedade para assegurar a
supremacia ariana. Após a Segunda Guerra, contudo, o nacionalismo deu
lugar ao mundo bipolar: EUA x URSS. As superpotências fatiaram o planeta
em áreas de influência do capitalismo e do comunismo. Na lógica da
Guerra Fria, ser extremista era vergonhoso. Mas não por muito tempo.
Cara nova
“O
neonazismo surgiu na Europa entre as correntes de direita mais
radicais. De certa forma, foi constituído pelos velhos nazistas que
sobreviveram aos expurgos do pós-guerra, principalmente na Alemanha
Ocidental”, diz Luiz Dario Ribeiro, professor de História Contemporânea
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De fato,
muitos nazistas convictos ingressaram no serviço público alemão após a
guerra e aproveitaram os novos cargos para manter vivas as suas ideias.
Foi o caso de Hans Globke, um dos autores das discriminatórias Leis de
Nuremberg (1935) e colaborador de Adolf Eichmann, o arquiteto da
“Solução Final”. Globke virou assessor do chanceler alemão Konrad
Adenauer nos anos 50. Assim, o anticomunismo da Guerra Fria criou
condições para que o caráter nazista desses agentes fosse esquecido.
O
próximo passo deles foi criar organizações de fachada para incorporar
novos membros. O alemão Partido Nacional Democrático (NPD) e o Movimento
Social Italiano (MSI), por exemplo, eram agrupamentos nazifascistas que
se escondiam atrás de nomes simpáticos. “Os novos membros eram jovens
convencidos de que deveria haver uma luta de vida e morte contra os
comunistas”, diz Ribeiro.
Nos anos 60, o neonazismo ganhou adeptos
com a crise do colonialismo europeu. Grupos como o Occident e o
Exército Secreto Francês (OAS) atraíram nacionalistas frustrados pela
derrota da França nas guerras de independência da Indochina (1946-54) e
da Argélia (1954-62). O OAS perpetrou atentados contra argelinos e
tentou até mesmo assassinar o presidente francês Charles de Gaulle por
permitir a descolonização.
Pierre
Sidos, fundador do Occident, era filho de um membro da Milice – a
brigada paramilitar francesa que caçou judeus e membros da Resistência
durante a ocupação nazista. Sidos prosseguiu com as ideias do pai,
recrutando universitários para combater os manifestantes que pediam
reformas no Maio de 68. De Gaulle proibiu o Occident, mas vários de seus
membros integraram a Frente Nacional, fundada por Le Pen em 1972.
Os
neonazistas também buscaram reabilitar a ideologia de Hitler. E para
isso recorreram a uma teoria pseudocientífica, o revisionismo, que
acusava os vencedores da guerra de contar a História à sua maneira. O
pai do revisionismo foi o historiador francês Paul Rassinier. Ele havia
sido prisioneiro político dos nazistas mas começou a defender o Tercero
Reich depois da guerra. Ele negava o Holocausto. “Eu estive lá e não
havia câmaras de gás”, dizia. De fato. Rassinier esteve em Buchenwald,
um campo de concentração situado na Alemanha que realmente não tinha
câmaras de gás. Os campos de extermínio ficavam na Polônia ocupada, como
em Auschwitz e Treblinka, dotados de câmaras de gás e crematórios. Mas
os livros delirantes de Rassinier conquistaram leitores na Europa e
foram traduzidos nos EUA pelo historiador Harry Elmer Barnes – outro
adepto de teorias da conspiração.
Barnes dizia que os julgamentos de nazistas como Eichmann eram uma tramoia sionista e descrevia os Einsatzgruppen
(esquadrões da morte da SS) como “guerrilhas”. Outro revisionista
norte-americano, Francis Parker Yockey, tinha ideias ainda mais
estranhas. Ele defendia uma união totalitária entre a extrema direita, a
URSS e governos árabes para derrotar o “poder judaicoamericano”. Yockey
foi preso pelo FBI por fraude, com três passaportes falsos, e se matou
na prisão em 1960. Mas seu livro Imperium se tornou objeto de culto dos neonazistas.
Gangues se aliam aos partidos
O
nacionalismo sofreu uma metamorfose com a crise do petróleo de 1973. Em
meio à recessão europeia, os extremistas adotaram um novo inimigo: o
imigrante, sobretudo aquele oriundo das ex-colônias árabes. “A xenofobia
atraiu jovens desempregados e sem perspectivas para a extrema direita”,
diz Ribeiro.
Foi o caso dos skinheads, uma tribo formada nos anos
60 na Inglaterra por jovens de classe baixa que curtiam ritmos como ska
e reggae. Os skinheads originais não eram racistas (muitos eram negros
jamaicanos), mas alguns deles atacavam gays e asiáticos. E, na recessão
dos anos 70, uma ala do movimento se vinculou ao partido neonazista
inglês National Front (NF), que promovia a “superioridade branca”.
“Os
partidos de extrema direita precisavam de militância e a encontraram
nas gangues”, diz Nóbrega. Gritos de guerra xenófobos entraram para o
repertório dos hooligans – torcedores de futebol conhecidos por deixar
um rastro de vandalismo e pancadaria. O jornalista americano Bill Buford
conviveu durante quatro anos com hooligans do Manchester United, na
década de 80, e viu como eles eram facilmente recrutados pelo NF.
Mas
nem todos os brutamontes que surravam estrangeiros estavam
desempregados. Muitos aderiram à violência xenófoba por pura sede de
adrenalina. Foi o caso de Mick, o primeiro hooligan que Buford conheceu.
“Ele parecia um eletricista perfeitamente feliz, com um enorme maço de
dinheiro no bolso para comprar passagens e ver os jogos”, diz Buford no
livro Entre os Vândalos. E, enquanto cooptavam as gangues, os
partidos de extrema direita seduziam os eleitores. Em 1984, por exemplo,
a Frente Nacional obteve quase 11% dos votos dos franceses e elegeu 10
membros ao Parlamento Europeu. Um deles foi Dominique Chaboche, antigo
membro do grupo Occident.
Para recuperar terreno, partidos de
esquerda também assumiram o discurso xenófobo e racista. Entre eles o
Partido Socialista (PS) francês e o Partido Comunista Italiano (PCI),
que acusaram os imigrantes de macular a cultura nacional. O objetivo era
frear a debandada de eleitores para a direita. O resultado foi
desastroso. Judeus franceses estão arrumando malas para mudar para
Israel por medo de perseguição. De janeiro a maio, 2,5 mil franceses
emigraram, quatro vez mais que em 2013.
No fim dos anos 80, as
células extremistas já haviam erguido uma rede internacional. Ela era
articulada pelo alemão Michael Kühnen, o norueguês Erik Blücher e o
belga Léon Degrelle, um ex-general de Hitler que vivia na Espanha e
liderava o Círculo Espanhol de Amigos da Europa (Cedade). Kühnen revelou
que era gay em 1986, quando estava preso por incitar à violência. Após
sua morte em decorrência da aids, em 1991, o neonazismo na Alemanha foi
levado adiante por Christian Worch.

Nos
EUA, a rede cresceu graças a Willis Carto, fundador do Instituto para a
Revisão Histórica (IHR) e do extinto Liberty Lobby – que publicava o
jornal antissemita Spotlight. Timothy McVeigh, o terrorista que
em 1995 detonou um caminhão-bomba em frente a um edifício em Oklahoma
City, deixando 168 mortos e 700 feridos, era leitor assíduo do Spotlight. McVeigh colocou anúncios no jornal para vender munição.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
E que venha 2015!
Desejos de Ano Novo
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome
de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a
funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os
pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com
outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser
diferente.
Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais
cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem
vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente para
repassar o que realmente desejo a você. Então, desejo apenas que você
tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo à sua felicidade!”
Carlos Drummond Andrade (1902 –1987)
Poeta, contista e cronista brasileiro, licenciado em Farmácia.
Poeta, contista e cronista brasileiro, licenciado em Farmácia.
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História do Natal
As origens do #Natal em um vídeo interessante com uma narrativa simples e informativa do amigo Ricardo Oliveira.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Guerra do Paraguai - 150 anos
Feridas abertas após 150 anos
Em 2014, 150 anos após o início do conflito considerado o mais sangrento da América Latina, as lembranças continuam vivas, principalmente no Paraguai
Fonte: Revista História Viva
sábado, 13 de dezembro de 2014
A Guerra do Paraguai e suas motivações.
Após 150 anos, estopim da Guerra do Paraguai ainda gera controvérsia
Historiadores divergem sobre a verdadeira razão para o início do conflito.
Mas há consenso em dizer que ditador paraguaio errou ao declarar guerra.
Tahiane StocheroDo G1, em São Paulo
Procissão no Tagy durante a Guerra do Paraguai (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)
Já se passaram 150 anos do início da Guerra do Paraguai (1864-1870) e ainda há controvérsia entre historiadores sobre os motivos que levaram o ditador paraguaio Francisco Solano López a dar início ao maior conflito armado da América Latina. O Paraguai lutou contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e acabou derrotado. Até hoje o país não se recuperou plenamente das consequências da guerra.
Alguns especialistas entendem que o conflito era parte da política expansionista de Solano López, outros afirmam que foi uma reação "desproporcional" do ditador à invasão do Uruguai pelo Império brasileiro.
O líder paraguaio Francisco Solano López (Foto:Reprodução/Site da Vice-Presidência do Paraguai)
Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente.
Para o cientista social e doutor em história das relações internacionais Francisco Doratioto, Solano López tinha um plano: ele teria declarado a guerra em busca de novos territórios e de uma saída para o mar através do domínio do Rio Prata – libertando-se, assim, das tarifas alfandegárias cobradas pelo porto de Buenos Aires.
Autor do livro "Maldita Guerra", Doratioto afirma que, na época, havia litígio de territórios no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul. "López usou a invasão ao Uruguai como desculpa, pois já havia mobilizado forças na fronteira mesmo antes disso acontecer e sem nenhum risco de ameaça", afirma.
Estudioso autodidata do conflito, o brasileiro Júlio José Chiavenato vê em Solano López apenas uma atitude de defesa dos interesses paraguaios, após o Brasil invadir o Uruguai sob alegação de que brasileiros estavam sofrendo ataques em meio à guerra civil que acontecia no país. Para Chiavenato, López entendeu como um ato de guerra a invasão ao país com o qual tinha acordos de defesa mútua.
General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)
Autor do livro "Genocídio americano: a guerra do Paraguai", publicado em 1979, Chiavenato entende que Solano López se sentiu ameaçado por pensar que seria o próximo alvo do Império brasileiro. O ditador, porém, não acreditava que a guerra se estenderia por tanto tempo e que se trataria depois de uma atitude suicida iniciar o conflito, afirma o escritor.
"A intervenção brasileira no Uruguai era uma coisa que vinha sendo preparada há muito tempo. A reação do Paraguai foi desproporcional, pois não tinha diplomatas com traquejo para negociar a situação. López teve uma reação passional: quando se viu ameaçado, reagiu de forma patriótica”, diz Chiavenato. Apesar disso, ele acredita que o Brasil queria a guerra. "López só a antecipou."
Em um ponto, porém, há consenso entre os historiadores: Solano López errou ao iniciar uma guerra que matou boa parte da população de seu país e provocou consequências econômicas, sociais e políticas que o Paraguai não conseguiu superar até hoje.
Não há evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido pelo Brasil seria o Paraguai. Solano López apostou que enfraqueceria o Brasil e que contaria com o apoio de grupos na Argentina (...) A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada
Ricardo Henrique Salles,
historiador
historiador
'Culpa do Brasil'
O historiador Ricardo Henrique Salles, autor do livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", enxerga no Brasil a culpa pelo conflito. "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele."
O historiador Ricardo Henrique Salles, autor do livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", enxerga no Brasil a culpa pelo conflito. "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele."
Segundo Salles, a História oficial brasileira trata a invasão ao Uruguai e a Guerra do Paraguai como conflitos diferentes quando, na verdade, trata-se de um só. A invasão ao Uruguai foi um "ato agressivo" do Império brasileiro que desencadeou a guerra, afirma.
"A ação do Brasil no Uruguai foi sem provocação alguma, foi uma invasão mesmo, usando pretextos fúteis do assassinato de brasileiros no país quando, na verdade, o governo brasileiro comprou a briga de estancieiros gaúchos que tinham interesse em terras", defende.
Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Apoio na Argentina
Segundo o historiador, não havia evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido seria o Paraguai. Além disso, Solano López teria apostado que enfraqueceria o Brasil e que teria o apoio de grupos na Argentina – superestimando suas forças e subestimando as forças do Império. "A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada. Já o Brasil achou que a guerra seria um passeio e que, com o que tinha na época em efetivos militares, daria conta, o que não ocorreu", diz Salles.
Ele diz que a guerra se estendeu mais que o esperado para ambos os lados devido ao "terreno inóspito muito desfavorável e desconhecido" em que foi travada, na fronteira pantanosa, e também "à bravura do soldado paraguaio, que via a guerra como uma agressão à sua terra".
Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício"
Júlio José Chiavenato,
escritor
escritor
População paraguaia e mortes
Outro ponto controverso que envolve a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou o conflito.
Outro ponto controverso que envolve a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou o conflito.
Com base em dados demográficos, Júlio José Chiavenato diz que é possível apontar a população paraguaia em "mais ou menos 800 mil pessoas", e que "a guerra provocou uma matança absurda" deixando o Paraguai em uma situação "que até hoje não se recuperou". Segundo ele, morreu na guerra cerca de 90% da sua população masculina maior de 20 anos.
"Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício", afirma o escritor, acrescentando que o conflito produziu um trauma no continente.
Residência do Barão do Triunfo, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, é protegida por tropas (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)
"Todos estes números são polêmicos. As informações que eu tenho é que o Paraguai tinha cerca de 400 mil pessoas e que sobraram 180 mil a 200 mil no fim da guerra. Mais de dois terços da população masculina", aponta o professor Doratioto.
Já para Salles, que leciona história na UniRio, os números sobre a população paraguaia na época eram de 300 mil a 700 mil. "Ninguém consegue chegar a um número preciso". Ele discorda de Chiavenato quanto à "matança" provocada pela guerra e afirma que 80% dos mortos – cerca de 300 mil pessoas – foram vítimas de fatores indiretos, como fome e doenças.
Negros e escravos
Outra polêmica do conflito foi o fato de o Brasil ter enviado escravos como soldados. "A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender", afirma Salles.
Outra polêmica do conflito foi o fato de o Brasil ter enviado escravos como soldados. "A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender", afirma Salles.
Já para Chiavenato, que teve acesso à documentação do conflito, apesar de não haver números oficiais, a maior parte da tropa brasileira era, sim, de escravos. "Eles eram enviados para irem no lugar de brancos de classe média que eram convocados. O Brasil não tinha Exército na época, era uma Guarda Nacional, mas que só existia no papel, com cerca de 23 mil homens que não tinham nem farda”, diz. Já do lado paraguaio, Chiavenato vê o patriotismo como fator preponderante na luta: “Foi uma luta coesa, o povo entendeu que, se a guerra fosse perdida, seria o fim do Paraguai”, diz.
Salles e Doratioto também dizem acreditar nisso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou”, afirma Salles.
Salles e Doratioto também dizem acreditar nisso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou”, afirma Salles.
sábado, 15 de novembro de 2014
Aprenda Brincando... Engenho colonial
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Aprenda brincando ... Jogo da Independência do Brasil
Teste agora seus conhecimentos no jogo respondendo perguntas sobre Dom Pedro I e a Independência do Brasil e leia curiosidades sobre a História do país.
[Fonte: www.ig.com.br]
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