" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Breve história: Corpus Christi

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. A Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Por solicitação do Papa Urbano IV, que na época governava a igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o Papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus do Mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.
A festa de Corpus Christi foi decretada em 1269.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.
A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Neste Sacramento, no momento da Consagração, ocorre a transubstanciação, ou seja, o pão se torna carne e o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.
Corpus Christi é celebrado 60 dias após a páscoa. Podendo cair entre 21 de maio e 24 de junho


Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de Cristo) é uma festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de 'preceito', isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório participar da Missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo." É recomendado que nestas datas, a não ser por causa grave e urgente, não se ausente da diocese o Bispo (cân. 395).

terça-feira, 2 de junho de 2015

Divulgação de livro: BARBAROSSA

BARBAROSSA
A invasão da União Soviética pela Alemanha nazista em 1941    
   
Em 22 de junho de 1941, os alemães iniciaram a tão esperada invasão da União Soviética. Em código, seu nome era “Operação Barbarossa”, devido a um dos heróis de Hitler, o imperador Frederico Barba-Ruiva (Barbarossa) do Sacro Império Romano, no século XII. O ataque culminou o antigo desejo de Hitler de estender para Leste as fronteiras do Reich.

A luta que se seguiu foi um dos conflitos mais ferozes da história da guerra moderna. As forças alemãs avançaram em três formações: o Grupo de Exércitos Norte foi encarregado de capturar os estados bálticos e Leningrado; o Grupo de Exércitos Centro deveria avançar até Moscou; e o Grupo de Exércitos Sul teria de subjugar a Ucrânia. Em seis dias, a Wehrmacht capturou Riga, Minsk e Lvov, e o Grupo de Exércitos Centro avançou 300 quilômetros pelo interior soviético.

Com relatos em primeira mão de ambos os lados, fotografias vívidas, quadros detalhados e mapas exclusivos do avanço alemão e das ações defensivas soviéticas, Barbarossa é um estudo abrangente da primeira semana dos quatro anos de guerra na frente oriental.



SOBRE O AUTOR: Will Fowler é jornalista, trabalha na área editorial desde 1972 e se especializou em história militar. De 1983 a 1990, cobriu o exército britânico para a revista Defence. Escreveu mais de 15 livros, entre eles Eastern Front: The Unpublished Photographs, D-Day: The First 24
Hours e Stalingrad: The Vital 7 Days. Serviu na 7ª Brigada Blindada britânica na Primeira
Guerra do Golfo (1990-1991). Hoje, mora em Hampshire, na Inglaterra.

Saiba mais em http://www.mbooks.com.br/

domingo, 31 de maio de 2015

Instrumentos uados para a medição do tempo.

O tempo é uma convenção humana, pelo  menos a forma de contá-lo com certeza foi inventada pelo homem. Durante a História o homem criou variados instrumentos e formas de medir o tempo, utilizando-se desde a sombra que a posição da luz solar emitia em algum objeto na superfície terrestre para se localizar em qual fase do dia ele estava, até o relógio atômico que mede as trocas de energias no interior do átomo, sendo o mais precisa forma de  medir o tempo já criada pela mente humana. Veja alguns instrumentos usados pelo homem através dos tempos para medir o próprio tempo.

O relógio de sol é o mais antigo instrumento de medição do tempo, foi inventado há pelo menos 3.500 anos. Nele, as horas são indicadas pela sombra que o gnômon ( objeto que, pela direção ou comprimento de sua sombra, indica a hora do dia numa superfície horizontal.) faz na superfície do relógio. Essa sombra se move conforme a Terra gira em torno do Sol, mostrando a passagem do tempo.

Ampulheta
O relógio de areia, também conhecido como ampulheta, é um instrumento constituído de dois recipientes em forma de cone que estão interligados por uma pequena passagem. O relógio de areia marca o tempo pela passagem da areia do recipiente de cima para baixo.

Clepsidra
O relógio de água, também é conhecido como clepsidra, é formado por dois recipientes, colocados em níveis diferentes, sendo uma na parte superior, contendo a água, e o outro na parte inferior, com a marcação das horas na parte interna. Por meio de uma abertura no recipiente de cima, o líquido escorre, gradualmente, para o de baixo, ou seja, utilizando-se da força da gravidade. Elas eram utilizadas principalmente durante a noite, quando não era possível se basear no horário pelo sol. A clepsidra mais antiga foi encontrada no Egito. 

Por volta de 1504, Peter Henlein, na cidade de Nuremberga, fabricou o primeiro relógio de bolso, denominado pela forma, tamanho e procedência, de Ovo de Nuremberga.
Relógio de bolso
Era todo de ferro, com corda para quanta horas e precursor da "Mola Espiral", utilizando-se do pêlo de porco; constituía-se de um indicador e de um complexo mecanismo para badalar.
Foi sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa, desenvolvendo-se de maneira vertiginosa à indústria relojeira.


Relógio de pêndulo
O relógio de Pêndulo foi criado no ano de 1656. Utiliza pesos para fornecer a energia necessária para mover os ponteiros. A partir e do século XX, este instrumento foi superado em precisão pelo relógio de quartzo e depois pelo relógio atômico, mas continua a ter certo emprego pelo seu valor estético e artístico. A regularidade no movimento de um pêndulo foi estudada por Galileu Galilei no século XVI, mas a invenção do relógio de pêndulo é atribuída ao holandês Christiaan Huygens.


relógio de pulso foi inventado pela empresa Patek Philippe no fim do século XIX, embora costume-se atribuir, erroneamente, a Santos Dumont os louros da invenção desta modalidade de relógio.
Relógio de pulso
De facto, a Princesa Isabel, então exilada na França, deu-lhe uma medalha de São João Batista. Preocupado que o uso da medalha no pescoço pudesse machucá-lo, Santos Dumont colocou-a no pulso. Então teve a ideia de amarrar um relógio no pulso para controlar melhor os seus tempos de voo  Não se sabe ao certo, mas outro motivo seria que durante os voos, ele teria dificuldade de tirar o relógio do bolso. Santos Dumont encomendou então a seu amigo joalheiro, Louis Cartier, um relógio que ficasse preso ao pulso, para que ele pudesse cronometrar melhor as suas experiências aéreas.
Em março de 1904 Cartier apresentou o que é considerado erroneamente o primeiro relógio de pulso do mundo, batizado de Santos, com pulseira de couro. No entanto, os relógios de pulso já eram conhecidos e usados anteriormente. O que acontecia é que eram adereços essencialmente femininos e eram geralmente feitos sob encomenda. Na verdade, a Santos Dumont coube a popularização do relógio de pulso entre os homens. A Primeira Guerra Mundial foi o marco definitivo no uso do relógio de pulso, já que os soldados precisavam de uma forma prática de saber as horas.
Relógio digital

O relógio digital foi criado mais recentemente, na década de 1970. Para funcionar, o relógio digital utiliza a energia elétrica, geralmente de uma bateria. O relógio digital é pequeno, preciso e relativamente barato, por isso tornou-se popular. Hoje está integrado a outros equipamentos eletrônicos, como aparelho de som, forno de microondas, telefone celular, etc.


Relógio atômico
O Relógio Atômico foi criado em 1955. Seu funcionamento depende das propriedades do átomo. Desde 1967, a definição internacional do tempo baseia-se num relógio atômico, assim como os relógios, satélites e aparelhos de última geração. o Relógio Atômico é o mais preciso de todos que existem atualmente. Ele mede as diminutas trocas de energia do interior dos átomos do metal Césio. Por serem muito regulares, as trocas criam um padrão preciso para medir o tempo. O Relógio Atômico mede as vibrações naturais dos átomos de Césio. Eles vibram mais de 9 bilhões de vezes por segundo, com isso, o Relógio Atômico atrasará poucos segundos a cada 100.000 anos.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Desigualdade social em quadrinhos

O ilustrador australiano Toby Morris criou uma história em quadrinhos levantando uma polêmica muito em voga nos últimos tempos no Brasil, especialmente nas redes sociais, privilégios e igualde social ganharam discussões acaloradas, especialmente ligadas as questões de cotas e distribuição de renda. 
A história consiste em demonstrar de forma clara e didática como uma estrutura familiar e cultural interfere na formação educacional e oportunidades, especialmente em uma sociedade cada vez mais competitiva, e que, aqueles que defendem a tal 'meritocracia'  acabam na verdade reforçando o status quo da desigualdade e exclusão social. Como George Orwell escreveu em sua obra Revolução dos Bichos: "Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros."
Título original: “On a Plate“ (“De bandeja”, em tradução livre),i traduzido pelo site  catavento*.
Publicação original de The Wireless. Tradução por catavento*.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Divulgação: A História da Filosofia

A História da FilosofiaDa Grécia Antiga aos Tempos Modernos    
  
A História da Filosofia traça o pensamento filosófico ocidental desde seus primórdios até tempos atuais, com uma linguagem simples e acessível, para que o leitor possa aprender e desfrutar de novos conhecimentos.

A Historia da Filosofia traça o pensamento na Filosofia Ocidental desde os gregos das Antiguidades aos tempos de hoje. Um relato acessível, fascinante e lindamente ilustrado das primeiras preocupações dos maiores pensadores do mundo, que explora os cinco principais ramos da Filosofia: Metafísica, Epistemologia, Lógica, Ética e Estética.

Como objetivo de encontrar “a verdade que vale pra mim”, ajudou os homens a decidir como viver, como pensar sobre o mundo a sua volta, como relacionar com os outros.

Na Filosofia, fazer perguntas é essencial. Quanto mais indecifráveis, mais atraentes elas são. Assim, A História da Filosofia apresenta com concisas explicações e um grande número de exemplos, as principais questões e tentativas de respostas colocadas pelos filósofos nos últimos 2500 anos.



SOBRE A AUTORA :

Anne Rooney
 é uma autora em tempo integral que vive em Cambridge,Inglaterra. Ela é associada do Royal Literature Fund e membro da Royal Literature Society, Society of Authors,Scattered Authors Society e National Union of Jornalists. Concluiu o mestrado e depois o doutorado em Literatura Medieval na Trinity College, em Cambridge. Depois de lecionar inglês medieval por um tempo e literatura francesa nas Universidades de Cambridge e York, ela saiu para seguir carreira como escritora. Escreveu muitos livros sobre Ciências, Artes e Tecnologia. 

Mais informações acesse: www.mbooks.com.br

sábado, 25 de abril de 2015

Historiadores traduzem única autobiografia escrita por ex-escravo que viveu no Brasil


Mahommah Gardo Baquaqua, nascido no Norte da África no início do século XIX, trabalhou no país antes de fugir em Nova York

POR 
“Que aqueles ‘indivíduos humanitários’ que são a favor da escravidão se coloquem no lugar do escravo no porão barulhento de um navio negreiro, apenas por uma viagem da África à América, sem sequer experimentar mais que isso dos horrores da escravidão: se não saírem abolicionistas convictos, então não tenho mais nada a dizer a favor da abolição.”
As palavras são de Mahommah Gardo Baquaqua, ex-escravo nascido no Norte da África no início do século XIX e que trabalhou no Brasil antes de fugir das amarras da servidão em Nova York, em 1847. O trecho consta do livro “An interesting narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua” (“Uma interessante narrativa: biografia de Mahommah G.
Baquaqua”, em tradução livre), lançado assim mesmo, em inglês, pelo próprio ex-escravo, em Detroit, no ano de 1854, em plena campanha abolicionista nos EUA. A obra jamais foi traduzida para o português, permanecendo desconhecida do público brasileiro.
No entanto, com apoio do Ministério da Cultura e do Consulado do Canadá, o professor pernambucano Bruno Véras, de 26 anos, resolveu se debruçar sobre o documento, ajudado por outros dois pesquisadores. Ele viajou ao Canadá, onde buscou vestígios de Baquaqua e consultou os originais do livro, cuja primeira edição em português deve ser lançada no Brasil até o fim do ano que vem.
- Baquaqua sempre foi um personagem que me intrigou. Ele escreveu a única autobiografia de um africano escravizado em terras brasileiras. Nos EUA e na Inglaterra existem vários desses relatos, que tinham uma função abolicionista. No Brasil, só um. E, apesar disso, Baquaqua não é conhecido em nossa História nem em nossos livros didáticos - conta Véras.
Os historiadores Paul Lovejoy e Robin Law, por exemplo, republicaram o livro nos anos 2000, ainda no idioma de Shakespeare. Segundo consta dos registros da edição original, parte da obra foi ditada para o escritor Samuel Moore, responsável também por editar a história do escravo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/historiadores-traduzem-unica-autobiografia-escrita-por-ex-escravo-que-viveu-no-brasil-14671795#ixzz3YMLHbZvY 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Aprenda brincando....

1500: O caminho para o "descobrimento" do Brasil

Entenda neste especial desenvolvido pela historiadora Mary del Priori a história por trás do ''descobrimento'' do Brasil

 1500: o caminho para o descobrimento do Brasil

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um jogo sobre a Capoeira, com produção totalmente nacional.

Capoeira Legends é um universo de jogos sobre capoeira criado e produzido pela Donsoft Entertainment do Brasil, com a consultoria da Escola de Capoeira Água de Beber e Mestre Vuê, um dos maiores nomes da arte marcial genuinamente brasileira.

A primeira obra, Capoeira Legends: Path To Freedom, é um jogo de ação e luta dividido em três capítulos. O Capítulo 1, lançado em português e inglês para computadores da linha PC, foi o grande vencedor de quatro prêmios Nave Oi Futuro de 2009, incluindo o de Melhor Jogo Nacional. Os Capítulos 2 e 3 encontram-se em desenvolvimento, considerando as críticas construtivas recebidas e adequando-se tecnologicamente para os novos paradigmas de interação da atualidade.

Temos muito a mostrar sobre nossa alma, cultura e história brasileiras! Junte-se a Gunga Za e Mestre Vuê nessa aventura no Brasil Imperial!



segunda-feira, 23 de março de 2015

Quem "descobriu" a América? (2)

Cristóvão Colombo descobriu a América. FALSO !

Ele foi o primeiro europeu a chegar ao Novo Mundo e revelou aos homens de seu tempo a existência de um continente até então desconhecido. Certo? Errado!

Antoine Roullet
Oficialmente, o título de “descobridor da América” pertence ao navegante genovês Cristóvão Colombo, mas ele não foi o primeiro estrangeiro a chegar ao chamado Novo Mundo. Além disso, o próprio Colombo nunca se deu conta de que a terra que encontrou era um continente até então desconhecido.

A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo continente por volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu na região da Islândia, chegou às margens do atual estado de Maine, no norte dos Estados Unidos, no ano 1003. Em 1010 foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn Karlsefni, aportar nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além disso, alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado Zeng He teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que hoje é a costa leste dos Estados Unidos.

Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que havia descoberto um novo continente. A leitura de suas anotações de bordo ou de suas cartas deixa claro que ele acreditou até a morte que tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja, às “Índias”. É o que o navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de 1493.

Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”, Colombo se refere aos arredores de um continente que o célebre Marco Polo – do qual foi leitor assíduo – já havia descrito. Em outubro de 1492, depois de seu primeiro encontro com nativos americanos, o explorador fez a seguinte anotação em seu diário de bordo: “Resolvi descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa que Marco Polo visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão. Os nativos tinham apontado, na verdade, para Cuba.
Embora tenha aberto caminho para a conquista do continente,
Colombo não foi o primeiro estrangeiro a aportar na América
Suas certezas foram parcialmente abaladas nas viagens seguintes, mas o navegador nunca chegou a pensar que aportara em um novo continente. Sua quarta viagem o teria levado, segundo escreveu, à província de “Mago”, “fronteiriça à de Catayo”, ambas na China.
Apesar disso, Colombo revestiu seus relatos com um tom profético. “Estou convencido de que se trata do paraíso terrestre”, disse a respeito da foz do rio Orinoco, no território das atuais Colômbia e Venezuela. Quando voltou à Europa, ele chegou a redigir um “livro de profecias”, no qual juntou citações bíblicas a textos de cosmografia e de profetas medievais numa tentativa de, aparentemente, relacionar o Novo Mundo aos reinos míticos de Társis e Ofir, citados no Antigo Testamento. A obra não chegou a ser terminada.
Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a possibilidade de ter descoberto terras realmente virgens. Mas foi necessário certo tempo para que a existência de um novo continente começasse a ser aceita pelos europeus. Américo Vespúcio foi um dos primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais tarde, em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador italiano. Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem entender bem o que havia encontrado.

sábado, 21 de março de 2015

Vídeo: Coronelismo

Seria Antônio Carlos Magalhães (ACM) o último Coronel?



Assista também: https://www.youtube.com/watch?v=dGtUIoF3sCw

Quem descobriu a América?

Não foi Colombo quem descobriu a América? Conheça a nova teoria sobre a chegada dos europeus ao continente

A história tem algumas certezas que se enraizam tão profundamente no conhecimento coletivo que parecem até fazer parte de uma verdade absoluta do mundo. Entre essas informações consideradas incontestáveis, está o fato de o italiano Cristóvão Colombo ser o descobridor e conquistador do continente americano. Toda uma mitologia acompanha essa certeza, que poderia ser lançada ao mar com a pesquisa do historiador norte-americano Gary Knight. Em seu livro “Forgotten Brothers” (Irmãos Esquecidos), ele propõe substituir o protagonismo do descobrimento da América aos irmãos Pinzón, que comandaram as embarcações La Pinta e La Niña em uma longa viagem ao novo mundo.



 Segundo o autor, Colombo teria roubado a glória da conquista, e, com o decorrer dos séculos, esse engano acabou sendo firmado. “Deveríamos trocar o Día de la Raza (Dia da Raça, como é chamado o Dia de Colombo na maioria dos países latino-americanos) por Dia do Charlatão”, escreve Knight, decididamente tomando partido por seus conquistadores. Em seguida, ele descreve Colombo como um brilhante político e navegador, mas deixa claro que ele não era capitão de caravelas e que nunca esteve no comando de um navio, por isso a primeira viagem à América não teria sido possível sem a ajuda dos Pinzón, com quem Colombo se reuniu, no final de tudo, para queimar os navios no porto de Palos. A eles, exímios marinheiros, o autor atribui um papel decisivo: o de persuadir o resto da tripulação a participar de uma viagem tão ousada. Após perder uma das caravelas e boa parte da tripulação perto do litoral do atual Haiti, Colombo teria sido levado de volta à Europa e se trancado em sua cabine por vontade própria.

Por que então a história coloca Colombo como o grande descobridor e os irmãos Pinzón em papéis secundários? Para Knight, isso acontece por uma simples razão: Colombo escrevia um diário, e os fatos foram reconstruídos com base nele. Portanto, como é possível observarmos, a história nem sempre é escrita pelos que ganham, mas pelos que a escrevem.

[Fonte: Seu history]

quarta-feira, 4 de março de 2015

Câmara aprova projeto que regulamenta profissão de historiador

Proposta determina quem pode exercer e quais as atividades próprias da profissão. Texto seguirá para o Senado.

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira proposta que regulamenta a profissão de historiador e estabelece os requisitos para seu exercício. Foi aprovado um substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para o Projeto de Lei 4699/12, do Senado. Devido às mudanças, a matéria retorna para análise dos senadores.
Segundo o substitutivo, do ex-deputado Policarpo, poderão exercer a atividade de historiador:
  • os portadores de diploma de curso superior em História, nacional ou estrangeiro com revalidação;
  • os portadores de diploma de mestrado ou doutorado em História;
  • os portadores de diploma de mestrado ou doutorado obtido em programa de pós-graduação reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com linha de pesquisa dedicada à História;
  • os profissionais diplomados em outras áreas que tenham exercido, comprovadamente, há mais de cinco anos, a profissão de historiador, a contar da data da promulgação da futura lei.
A Capes é uma fundação do Ministério da Educação (MEC) que atua na avaliação da pós-graduação stricto sensu e também em seu fomento por meio de bolsas.
Atribuições
Entre as atribuições dos historiadores, o substitutivo prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.
O profissional poderá ainda planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; e elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Registro
O texto exige, para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, a comprovação obrigatória de registro profissional junto à autoridade trabalhista competente.
Já as entidades que prestam serviços em História deverão manter historiadores legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços.
Qualificação
Durante a votação da proposta, o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a aprovação do texto vai melhorar as condições profissionais. "O historiador tem compromisso com a verdade na sua diversidade. A aprovação deste projeto ajuda o desenvolvimento da sociedade brasileira", afirmou.
Já a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) explicou que o crescimento do número de cursos e profissionais na área obrigou a regulamentação, que vem para melhorar a qualidade dos profissionais. "A proposta acaba qualificando o ensino, ao criar critérios", disse.
O deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), no entanto, aproveitou para criticar as políticas públicas de educação. "Temos visto agora o contingenciamento de recursos para educação, estudantes querendo acesso a financiamento estudantil tendo este acesso negado", criticou.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Questão de tempo

Todos sabem que na vida tudo passa: amanhã, o dia de hoje será um tempo passado. Mas, para a ciência, passado, presente e futuro são um grande mistério

por Paul Davies

 Toda a nossa experiência de vida baseia-se na suposição elementar de que o tempo pode ser dividido em passado, presente e futuro. E que o ritmo incessante do tempo empurra para a frente o momento atual, aquilo que chamamos "agora". O tempo passa sem parar e converte o futuro em passado. O momento presente, situado no meio de ambos, é apenas um instante infinitamente curto. Nos anos 50, porém, Albert Einstein afirmou: "Para nós, físicos presunçosos passado, presente e futuro são apenas ilusões". Que será que Einstein queria dizer com isso? A resposta pode ser buscada na Física, na Filosofia e na Psicologia. No nível psicológico, nossa experiência consciente do tempo parece estar claramente delimitada. Considera-mos que os acontecimentos do mundo estão "ocorrendo" e não apenas que "existem". Além disso, eles ocorrem de forma ordenada. Um momento se segue sistematicamente a outro. É inconcebível a ideia de adormecer na terça e acordar na segunda. Ao meditarmos sobre o tempo temos três zonas nas claramente diferenciadas: passado presente e futuro. Segundo a crença geral o passado é composto de eventos que já aconteceram - portanto, já não existem. O que resta deles são as imagens que guardamos em nossa memória. Nada pode modificar o passado.
Da mesma forma que o passado, o futuro consta de acontecimentos que não existem - e ninguém tem condi-ções de saber nada sobre eles. A fronteira entre, o passado e o futuro é presente. E uma fronteira móvel. A medida que o tempo vai avançando, o futuro se converte em presente e, em seguida, quase imediatamente, em passado. Os acontecimentos atuais se distinguem dos futuros em um ponto: eles são reais. A realidade do mundo exterior é a realidade do momento atual. Quando falamos do passado ou do futuro, sabemos que não está ao nosso alcance interferir nessas regiões. Por outro lado, o presente é o momento no qual podemos ter uma troca recíproca com o mundo. Essa interação momentânea se dá em duas direções: 1) do mundo exterior nos chegam impressões captadas pelos sentidos; 2) em face do mundo exterior podemos agir, de acordo com decisões conscientes. Tais ações parecem ocorrer agora, ou seja, no presente.
Tudo isso é tão simples, quase banal. E, no entanto, chega a causar confusão em determinadas ocasiões. Por exemplo: o que queremos dizer quando afirmamos que estamos vivendo conscientemente o presente? Com freqüência não vivemos o presente, porque estamos ocupados com outra coisa. A forma como percebemos o tempo depende decisivamente do que passa por nossa cabeça a cada momento. Se estamos envolvidos com algo muito interessante, o tempo passa voando: muitos momentos do presente nem sequer são percebidos. Por outro lado, quem espera por algo e está plenamente concentrado nessa espera sentirá os segundos passarem com extrema lentidão. Não há a menor dúvida de que uma hora na sala de espera do dentista passa muito mais devagar do que uma hora no cmema.
Mas quanto dura o presente? Ele não marca de modo algum uma linha divisória rígida entre o passado e o futuro. Essa linha é mais tênue e o que a move é nossa consciência, que reage lentamente. Muitos eventos acontecem tão depressa que nos parecem repentinos. Por exemplo, um filme de cinema composto de uma seqüência de imagens imóveis. Só porque projetadas sucessivamente com grande rapidez nos dão a impressão de movimento contínuo. Já os processos que ocorrem no mundo da Física subatômica estão totalmente fora da nossa capacidade de percepção, de velozes que são.
Quem quiser separar o tempo em passado, presente e futuro encontrará outras dificuldades no plano da Física moderna, em que nada se parece com o conceito de agora. Isaac Newton, no século XVII, escreveu sobre o tempo "absoluto verdadeiro e matemático que transcorre uniformemente." Ele tentou descartar o fator subjetivo, introduzindo a idéia de medição matemática precisa do tempo, com relógios. Nas fórmulas de movimento de Newton, o tempo certamente existe, embora apareça como uma magnitude, não como uma quantidade variável. Não há nada que caracterize um presente que se encontra em movimento. Das fórmulas de Newton se deduz uma conseqüência lógica. Se supusermos a existência de um sistema físico fechado - isto é, ilhado -, e contemplarmos seu estado em um momento qualquer, também ficará fixada para sempre a totalidade dos estados futuros.
Em outras palavras: o estado de um sistema em um momento qualquer determina, de uma vez por todas, toda a sua história. A imagem newtoniana do mundo reduz o tempo a uma questão contábil. O tempo está aí, para pôr etiquetas nos acontecimentos. No universo newtoniano não pode ocorrer nada verdadeiramente novo, pois as informações necessárias para construir o futuro já existem no presente. O livro cósmico está totalmente escrito desde há muito e aquilo que denominamos tempo nada mais é que um meio de numerar suas páginas.
Naturalmente, a Física não parou em Newton. Com a Teoria Especial da Relatividade, de Albert Einstein, publicada em 1905, o conhecimento dos físicos sobre o tempo deu um salto gigantesco. Einstein relacionou o tempo muito estreitamente ao espaço e converteu ambos em fenõmenos físicos. Em conseqüência, muitas opiniões intuitivas sobre o tempo foram abandonadas.
Antes de Einstein, qualquer um poderia afirmar que dois acontecimentos haviam ocorrido em lugares diferentes. Isto é o que precia se deduzir do conceito de presente. Se alguém dissesse "eu gostaria de saber o que está ocorrendo agora em Marte", ninguém diria que isso não tinha sentido. Agora era um conceito vigente em toda parte. Parecia que todo o Universo tinha o mesmo presente.
A Teoria da Relatividade destruiu a base dessas convicções. Einstein ensinou que dois acontecimentos podem ocorrer simultaneamente para um observador, enquanto outro observador que se mova em relação ao primeiro perceberá os dois acontecimentos um depois do outro. Um terceiro observador poderá até ver os dois acontecimentos numa ordem sucessiva e inversa à do segundo observador. Naturalmente que na vida diária não existe nada parecido – porque neste âmbito as distâncias e as velocidades são demasiado pequenas para que se possa notar a relatividade. Mas ela existe e suas conseqüências são de grande alcance.
De tudo isso pode se tirar uma única conclusão: não existe nenhum momento atual que seja válido universalmente. Não existe nenhum agora que seja igual de um extremo do Universo a outro. O conceito de presente é uma questão puramente pessoal e só tem significado como ponto de referencia para o observador, dependendo de seu estado de movimento. Acontecimentos em lugares muito distantes entre si podem estar no futuro para determinado observador e no passado para outro. Se assim é, torna-se insensato dividir ordenadamente o tempo em passado, presente e futuro. A Teoria da Relatividade parece nos levar a uma imagem do Universo na qual o tempo, da mesma forma que o espaço, se encontra diante de nós em toda a sua dimensão.
Nessa imagem, passado, presente e futuro são apenas etiquetas psicológicas sem significado algum do ângulo das ciências naturais. Os acontecimentos simplesmente estão aí. Se o tempo é deslocado do espaço desse modo, perde naturalmente qualquer propriedade de fluência. E mais: em lugar da experiência psicológica de um mundo dinâmico, que continua se desenvolvendo constantemente, tem-se uma imagem de quietude na qual "o mundo não transcorre, mas simplesmente existe", como disse o matemático Hermann Weyl. O movimento do presente em direção ao futuro não aparece em nenhuma das fórmulas da Física. Assim, Einstein pôde insistir que passado, presente e futuro são apenas ilusões.
Apesar disso tudo, não há como duvidar de que os acontecimentos se posicionam numa ordem sucessiva e que essa ordem tem uma direção. Do contrário não poderia existir a causalidade, que é a determinação de um acontecimento por outro. A causalidade só é possível se existir uma relação antes/depois.
Um exemplo simples: quando se dispara um tiro contra um vaso de cerâmica e este se rompe em mil pedaços, não pode haver dúvida: o vaso ficou em pedaços depois de ter sido atingido pelo disparo. Visto a partir da causa, o efeito se encontra no futuro. Isso se comprova imediatamente ao projetar-se de trás para a frente um filme que se tivesse feito esse epsódio: teríamos a impressão de que o vaso voltou à sua forma original. Ora, isso nada tem a ver com a realidade.
O tempo, portanto, tem uma direção e esse fato impregna todo o Universo. Há mais de um século os cientistas discutem de forma acaladora a que isto se deve. Os físicos descrevem freqüentemente a direção do tempo com a figura de uma seta que aponta para o futuro a partir do passado. Infelizmente, essa comparação produziu muita confusão. É legítimo falar de uma orientação do Universo no tempo, que assinala desde o passado até o futuro. O difícil é denominar com ela a direção do fluxo do tempo. Essa diferença fica clara ao se pensar na agulha de uma bússola. Ela assinala o norte apenas porque os homens assim o convencionaram. Seu significado é o de que o campo magnético da Terra está orientado, que existe uma assimetria, que a direção sul-norte não é o mesmo que norte-sul.
Quando dizemos que uma seta de tempo mostra a direção do passado até o futuro, só estamos querendo indicar que no Universo existe uma assimetria ou direcionalidade e que a direção rumo ao passado é distinta da direção rumo ao futuro. Essa assimetria não pressupõe que o tempo efetivamente voe como uma seta ou flua em direção ao futuro. Mas será que o presente existe de verdade como algo realmente objetivo, ou é apenas uma invenção psicológica? Há muito tempo os filósofos brigam por causa dessa questão.
De um lado, estão os que defendem um presente real; são os chamados teóricos A, cujo expoente foi o alemão Hans Reichenbach (1891-1953). Seus oponentes são os teóricos B, entre os quais se destacam Afred Ayer e Adolf Grünbaum. O grupo A utiliza os conceitos de passado, presente e futuro e a rica variedade de tempos das línguas modernas - como o pretérito imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito.
O segundo modo de tratar a sucessão do tempo defendida pelo grupo B, baseia-se em um sistema de datas. Os acontecimentos são marcados segundo a data em que ocorreram. Desse modo se consegue ordená-Ios de forma clara. Ou seja, dado que o momento atual esta sempre avançando no tempo, os acontecimentos do futuro chegam ao presente e passam deste até o passado. Um único acontecimento, contudo, não pode estar simultaneamente no passado, no presente e no futuro.
Diante de toda essa argumentação, alguém poderá alegar: digam o que disserem os físicos, hoje minha xícara de café quebrou em mil pedaços ao cair da mesa; isso ocorreu às 4 da tarde e representa uma mudança para pior em relação à situação anterior a essa hora. Ora, dirá o teórico do grupo B, a mudança é apenas uma ilusão. Tudo o que você disse é que a xícara estava inteira antes das 4 da tarde, que depois das 4 estava quebrada e que às 4 houve um momento de transição. Essa forma neutra de descrição contém exatamente a mesma informação, porém não afirma que o tempo tenha passado. E absolutamente desnecessário dizer que o estado da xícara variou desde inteiro até quebrado. Tudo o que há são dados sobre o tempo e o estado da xícara, simplesmente.
Que diz disso o teórico A? Ele afirma, por exemplo, que só se pode compreender o movimento dos ponteiros do relógio se existir algo como o tempo, a não ser que o movimento dos ponteiros esteja relacionado com outra coisa, como o movimento da Terra. Daí, então, teremos de perguntar: o que ocorre com a rotação da Terra? Com o que se relaciona? E assim por diante, numa série de perguntas aparentemente sem fim. Mas o que haveria no final dessa cadeia?
O último relógio seria o próprio Universo. Ao dilatar-se cada vez mais no espaço, o Universo fixa um tempo cósmico. Há alguns anos, os físicos começaram a estudar o movimento do Universo com a ajuda da Mecânica Quântica - chegaram a uma descoberta interessante: o tempo cósmico está totalmente fora das fórmulas. Resultado: qualquer variação só pode ser medida por meio de correlações (relações de mudança). No final desse raciocínio vamos relacionar tudo com a magnitude do Universo. Assím, desaparece qualquer idéia de um presente em movimen-to. E o que sempre afirmaram teóricos B.
De toda forma, continua existindo o fato de que sentimos que o tempo passa. Einstein, como vimos, denominou esse sentimento de ilusão. Há exemplos claros de ilusões do movimento. Quando giramos depressa ao redor de nós mesmos e paramos de repente, temos a impres-são de que tudo à nossa volta continua girando. Na realidade tudo estáparado. Será que a sensação de que o tempo passa é uma ilusão semelhante a essa? De seu lado, os físicos mais destacados da atualidade procuram esclarecer se é falsa a proposição de Newton segundo a qual o futuro está contido no presente. O motivo estaria relacionado com o descobrimento do caos determinista.
Com esta expressão os cientistas se referem aos sistemas físicos dinâmicos, cuja evolução pão se pode visualizar antecipadamente. A Meteorologia, por exemplo, tem muito a ver com esses sistemas - o que talvez seja uma boa explicação para o grande número de equívocos nessa área. Um segundo campo de investigação é a própria Teória Quântica e o papel nela desempenhado pelo observador. Segundo ela, a natureza, ao nível atômico, é necessariamente indeterminada. Não é possível predizer qualquer fato partindo de fatores conhecidos. Se um observador dos átomos efetuar neles uma medição, com esse próprio ato modificará o que desejava medir. Na Física Quântica, o possível se converte em real por meio da mera observação. Isso pode ter algo a ver com o cha-mado fluxo do tempo. Aqui, é claro, se está em pleno território das especulações. Ainda não sabemos se algum dia poderemos demonstrar que elas são verdadeiras. A resposta, por ora, só pode ser esta: o tempo dirá.

[ Fonte: Revista Super Interessante ]

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