" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

sábado, 9 de julho de 2016

Documentário - Menino 23


SÃO PAULO (Reuters) - Apoiado numa pesquisa de doutorado do historiador Sidney Aguilar Filho, o documentário de Belisário Franca, “Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil”, denuncia uma clandestina experiência de virtual escravização de um grupo de 50 garotos negros e órfãos, retirados em meados dos anos 1930 de um orfanato carioca (Romão de Mattos Duarte), para uma fazenda no interior paulista, em Campina do Monte Alegre.
O criminoso experimento de limpeza étnico-social estava enraizado numa política eugenista, que acontecia no Brasil no contexto internacional de crescimento do nazismo e do fascismo, que no país se expressava também pela vertente integralista.
Tijolos com a suástica, aliás, ainda hoje podem ser encontrados nas imediações da fazenda, então de propriedade da família Rocha Miranda – cujos integrantes foram procurados mas não quiseram manifestar-se no filme. De todo modo, as provas mais evidentes são mesmo os documentos do orfanato, que contêm os nomes dos garotos – todos entregues aos cuidados de um único tutor, da família Rocha Miranda – e mais ainda os relatos em primeira pessoa de dois sobreviventes, Aloísio Silva e Argemiro Santos, ambos nonagenários, e da família de um terceiro, José Alves de Almeida, que era chamado de “Dois”.
Ser chamado por um número – como acontecia aos prisioneiros de campos de concentração -, aliás, era a regra. O próprio sr. Aloísio era o “23” que dá título ao documentário. É dele o depoimento mais doloroso sobre os tempos passados na fazenda, em que os garotos eram submetidos a uma estafante rotina diária, que incluía trabalho na roça e com animais, sem recebimento de qualquer remuneração, banhos frios, castigos físicos e nenhum contato externo. Qualquer semelhança com uma prisão, portanto, não era mera coincidência. Era uma experiência de aguda desumanização, cujos efeitos se fazem sentir até hoje nestes sobreviventes e mesmo em seus familiares.
A primeira pista da história surgiu, justamente, quando uma das alunas de Sidney Aguilar lhe trouxe um dos tijolos com a suástica – um símbolo que aparecia também no gado da fazenda, marcado com ele, como se descobriu em imagens da época. O contato com o cineasta Belisário Franca deu-se bem depois, quando o historiador pesquisava para o seu doutorado e já havia descoberto o sr. Aloísio, na época com 89 anos, o que deu a medida da urgência de filmá-lo.
No decorrer da produção do filme, que durou mais de quatro anos, a primeira providência foi foi filmar esses sobreviventes – o sr. Argemiro, localizado depois, também contava 89 anos. Depois disso é que foram realizadas outras pesquisas que permitiram, como o diretor pretendia, dar mais consistência e contexto à espantosa história.

A contextualização é bem realizada no documentário, que recorre a imagens da época, bem como a pesquisas dando conta de que a Constituição de 1934 continha até mesmo um artigo eugenista (o de número 138).
O planejado encontro entre os sobreviventes Aloísio (que morreu depois do filme) e Argemiro acabou não acontecendo devido a dificuldades extremas de locomoção de Argemiro, um ex-marinheiro residente em Foz do Iguaçu.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

Fonte: Reuters

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Vestuário e higiene no Brasil colônia.

  Da imposição de vestuário europeu a populações habituadas à pura nudez ou a cobrirem-se apenas o bastante para lhes decorar o corpo ou protegê-lo do sol, do frio ou dos insetos conhecem-se hoje os imediatos e profundos efeitos disgênicos. Atribui-se ao seu uso forçado influência não pequena no desenvolvimento das doenças da pele e dos pulmões que tanto concorrem para dizimar populações selvagens logo depois de submetidas ao domínio dos "civilizados"; doenças que no Brasil dos séculos XVI e XVII foram terríveis.
    O vestuário imposto aos indígenas pelos missionários europeus vem afetar neles noções tradicionais de moral e higiene, difíceis de se  substituírem por novas. É assim que se observa a tendência, em muitos dos indivíduos de tribos acostumados à nudez, para só se desfazerem da roupa européia quando esta só falta largar de podre ou de suja. Entretanto são povos de um asseio corporal e até de uma moral sexual às vezes superior à daqueles que o pudor cristão faz cobrirem-se de pesadas vestes.
     
Banhos públicos romanos. Pompeianas no Frigidarium,
 pintado por Pedro Weingartner 1897.
 
Quanto ao asseio do corpo, os indígenas do Brasil eram decerto superiores aos cristãos europeus aqui chegamos em 1500. Não nos esqueçamos de que entre estes exaltam-se por essa época santos como Santo Antão, o fundador do monaquismo, por nem os pés dar-se à vaidade de lavar; ou como São Simeão,  o Estilita, de quem se sentia a inhaca do sujo. E não seriam os portugueses os menos limpos ente os europeus do século XVI, como a malícia antilusitana talvez esteja a imaginar; mas, ao contrário, dos mais asseados, devido à influência dos mouros. 
(...)
     Pela Europa os banhos à romana, ou de rio, às vezes promíscuos, contra os quais por muito tempo a voz da Igreja clamara em vão, haviam cessado quase de todo, depois das Cruzadas e dos contatos comerciais mais íntimos com o Oriente. O europeu se contagiara de sífilis e de outras doenças, transmissíveis e repugnantes. Daí resultara o medo ao banho e o horror à nudez. 
      Em contraste com tudo isso é que surpreendeu aos primeiros portugueses e franceses chegados nesta parte da América um povo ao que parece sem mancha de sífilis na pele; e cuja maior delícia era o banho de rio. Que se lavava constantemente da cabeça aos pés; que se conservava em asseada nudez; que fazia uso de folhas de árvores, como os europeus ainda mais limpos de toalhas de enxugar as mãos e de panos de limpar menino novo; que ia lavar no rio a sua roupa suja, isto é, as redes de algodão - trabalho esse, a cargo dos homens. 
                 Adaptado de: FREYRE, Gilberto, Casa-grande e senzala, São Paulo, Circulo do Livro, p. 143-7. 1. ed., 1933.



Leia também: http://www.fatoscuriososdahistoria.com/2016/06/habitos-higiene-brasileiros.html

sábado, 4 de junho de 2016

HISTORY estreia a superprodução "Gigantes do Brasil"



Primeira produção original brasileira do History Channel, a minissérie Gigantes do Brasil estreia neste sábado, às 21h45, para contar a trajetória de quatro empreendedores que trabalharam para mudar o país: Francesco Matarazzo, Percival Farquhar, Giuseppe Martinelli e Guilherme Guinle. Cada episódio concentra-se na história de cada um.

Desenvolvida pela Boutique Filmes, a trama se passa no fim do século 19 e metade do século 20. Com quatro capítulos, retoma a transformação de um Brasil rural em uma nação industrializada. Na série, o agricultor italiano Matarazzo desembarca no país, quando conhece Percival, Martinelli e Guinle. Uma das histórias narradas não consta em biografias, como a briga entre Martinelli e o filho de Matarazzo.


A equipe da produção se concentrou em uma pesquisa histórica para a elaboração do roteiro, com acervo de jornais italianos e livros, e composição do cenário e caracterização dos personagens. Também houve entrevistas com familiares dos homens de negócios. Gigantes do Brasil relembra o surgimento das primeiras indústrias e as estradas de ferro, a navegação e a urbanização das cidades e a exploração do petróleo.


O formato mistura linguagem narrativa biográfica com depoimentos de historiadores e empresários da indústria nacional, a exemplo de Luiza Trajano (Magazine Luiza). Apesar de curta, o History não economizou no investimento da série: foram 228 horas de gravação, em mais de 50 locações, com 99 atores e 422 figurantes. No elenco, Tadeu Di Pietro (Matarazzo), Renan Paini (Matarazzo jovem), Alexandre Barros (Farquhar), Fernando Nitsch (Martinelli) e Ricardo Monastero (Guinle).




quarta-feira, 11 de maio de 2016

O funcionamento de uma Câmara de gás da Segunda Guerra Mundial.

Nos campos de concentração nazistas, oficiais alemães trancavam prisioneiros em salas que eram infestadas de pesticida. As câmaras não foram o primeiro método de extermínio em massa usado pela Alemanha. Até 1941, oficiais da SS (a polícia militar de Hitler) eliminavam pequenos grupos de prisioneiros em caminhões de transporte, trancando-os em caçambas seladas que recebiam monóxido de carbono do escapamento. A técnica foi adaptada a salas trancadas e logo a fumaça de caminhão foi trocada por pesticida, mais barato e eficiente. A primeira aplicação em humanos rolou em agosto de 1941. As vítimas foram um grupo de prisioneiros russos. Para não serem acusados de crime de guerra, os alemães deixaram de enterrar os corpos em valas comuns e passaram a queimá-los.
por Danilo Cezar Cabral
INDÚSTRIA DA MORTE
O extermínio nas câmaras de gás era rápido, eficiente e não deixava vestígios.
Último banho
Idosos, crianças, pessoas doentes ou com limitações físicas não serviam para o trabalho nos campos de concentração e eram encaminhados para execução. A fim de evitar o pânico, soldados e médicos diziam aos prisioneiros que eles passariam por um banho e receberiam roupas limpas para se juntar a amigos e familiars
Terrível contra os humanos
O Zyklon B era usado principalmente para eliminar piolhos e insetos dos presos. Em Auschwitz, o maior campo de concentração nazista, apenas 5% da remessa do produto era usada nas câmaras de gás. Para não desesperar as vítimas, o veneno foi manipulado quimicamente para não emitir odor Dando um gás Equipamentos para ativação e exaustão do gás eram instalados em salas ao lado das câmaras. O Zyklon era colocado em um compartimento de metal para ser aquecido e gerar vapor. Após 30 minutos de queima, com todos nas câmaras já mortos, os exaustores sugavam o gás, permitindo a retirada dos corpos
Agonia coletiva
As câmaras de Auschwitz comportavam 800 pessoas – se houvesse lotação, quem sobrava era executado a tiros na hora. Quando o veneno começava a fazer efeito, as pessoas se distanciavam das saídas de gás e se amontoavam nas portas. Crianças e idosos eram esmagados por causa do pânico geral
Nuvem letal
O gás venenoso, baseado em cianeto de hidrogênio, interferia na respiração celular, tornando as vítimas carentes de oxigênio. O resultado era morte por sufocamento após crises convulsivas, sangramento e perda das funções fisiológicas. A morte era lenta e dolorida. Em média, da inalação ao óbito, o processo durava 20 minutos
De volta ao pó
Os sonderkommando limpavam as câmaras. Eles verificavam a arcada dentária, em busca de dentes de ouro e objetos de valor, como joias escondidas na boca das vítimas. Depois, queimavam os corpos em fornos gigantes para eliminar qualquer vestígio do processo de extermínio
A arquitetura da destruição
As câmaras, geralmente construídas no subsolo, eram interligadas para facilitar o fluxo e a retirada dos corpos. Os sonderkommando, prisioneiros encarregados de auxiliar no processo de extermínio, ficavam alojados no mesmo piso das câmaras e isolados dos demais trabalhadores
Fontes:
Livros
Five Chimneys: The Story of Auschwitz, de Olga Lengyel; Eyewitness Auschwitz: Three years in the Gas Chambers, de Flip Müller; e Inside de GasChambers: Eight Months in the Sonderkommando of Auschwitz, de Shlomo Venezia.
Site: holocaustresearchproject.org

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Filmes de fundo histórico ideais para dar uma boa risada.

Conheça uma pequena lista de filmes (nunca definitiva) baseados em fatos, períodos ou personagens históricos, mas que na verdade só servem para darmos uma boa risada, pois o expectador não precisa esperar algum sentido histórico, nexo ou compromisso com a realidade. 



Ele está de volta - Baseado no livro de mesmo título, Adolf Hitler acorda em um terreno baldio em Berlin, no ano de 2011, sem memória alguma do que aconteceu depois de 1945. Perdido, ele se vê em uma sociedade completamente diferente, onde não há partido nazista, a guerra e o país é governado por uma mulher. Ele é reconhecido pelas pessoas que acreditam que seja apenas um artista que não consegue sair do seu personagem. Mas, um discurso de Hitler é viralizado na internet, e a partir daí todos querem ouvi-lo, saber sobre ele, até que ganha um programa de televisão onde propaga suas ideias ao mesmo tempo em que tenta convencer a todos que ele é quem realmente diz ser.


Rrrrrrr! - Na Idade da Pedra  - 35.000 A.C., em plena pré-história. A tribo dos Cabelos Limpos passa os dias de forma tranquila, guardando para si a fórmula secreta do xampu, enquanto que a tribo dos Cabelos Sujos passa o dia a se coçar e queixar. Até que um dia ocorre na tribo dos Cabelos Limpos o 1º crime da história da humanidade: a morte de uma mulher. Intrigados nos motivos que fariam alguém matar uma pessoa que morreria de qualquer forma, os integrantes da tribo tentam descobrir quem foi o autor do crime.






Nazistas no centro da Terra - Um grupo de cientista de uma base na antártica saem à procura de colegas desaparecidos, encontram um túnel que os leva ao centro da Terra, onde, descobrem uma base militar e científica nazista, neste local, soldados nazistas liderados pelo Dr. Josef Mengele fazem experiências para regenerar os seus próprios corpos e se manterem vivos, e, além disso, dar a vida novamente a Adolf Hitler. 








Deu a louca nos Nazis (Iron Sky) - Iron Sky é um filme futurístico ambientado em 2018, que trata de temas como nazistas espaciais e invasão à Terra.
Quando a Segunda Guerra Mundial chega ao fim em 1945, Hans Kammler e outros cientistas alemães fazem uma revolução na investigação da antigravidade. Partindo de uma base secreta na Antártica, as espaçonaves nazistas são enviadas para a Lua (mais especificamente no lado negro da Lua) para fundar a base espacial secreta de Schwarze Sonne (em português: "Sol negro"). Desde então seu plano é construir uma poderosa frota para, no futuro, voltar a conquistar a Terra. Em 2018, 73 anos depois, os nazistas retornam a Terra.


Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros - O filme tem como foco o personagem real de Abraham Lincoln, o 16º Presidente dos Estados Unidos (1861–1865), mas no livro e no filme ele é, secretamente, um caçador de vampiros,  a mãe do presidente Abraham Lincoln foi assassinada por uma criatura sobrenatural. Incorfomado com o fato, ele declara uma guerra sem piedade contra os seres das trevas e começa a destruir todos os vampiros e os escravos que os ajudam. A caça aos vampiros leva os Estados Unidos da América á Guerra Civil.





Piratas do Caribe - Um série de filmes de fantasia e aventura. Os filmes seguem as aventuras do Capitão Jack Sparrow e muitos outros personagens que se aventuram em busca de tesouros e poder pelos mares e que constantemente lidam com seres sobrenaturais. A franquia rendeu uma legião de fãs pelo mundo inteiro, além de gigantescas bilheterias, tanto que o quinto filme da saga já está a caminho. 






Dead Snow - Um grupo de amigos vão a uma estação de esqui isolada pela neve e encontra um velho que conta uma história de horror sobre nazistas. Ao encontrar um baú cheio de ouro eles inadvertidamente erguem um exército de zumbis nazistas que haviam morrido ali.










O cinema é uma das mais revolucionárias e enriquecedoras invenções humanas, o cinema é uma expressão artística muito importante para a sociedade, a qual pode unir conhecimento e entretenimento. Assim como a literatura, a música e as artes plásticas, o cinema, cada vez mais, vem se tornando uma fonte de conhecimento para todos os conteúdos escolares. Especialmente na disciplina de História, o cinema tem se destacado como uma ferramenta de trabalho de ampla utilização pelos professores. A utilização de filmes como estratégia de ensino-aprendizagem estimula os alunos e proporciona aulas mais interessantes e reflexivas. 
Professores, estudantes ou amantes da História tem a disposição um gigantesco número de filmes que podem servir-lhes como ferramenta para entenderem as características de uma determinada época ou do fato em destaque. 
É sempre necessário ressaltar que as obras de ficção (Novelas, Séries, Filmes, Livros, etc.), mesmo que baseadas em fatos reais ou em períodos históricos, não tem o compromisso de reproduzir a verdade histórica, ou melhor falando, os fatos como realmente ocorreram, motivada pela grande dificuldade em reproduzir diálogos que possam fazer a ligação entre os vários personagens de uma mesma história, assim, sempre são criados personagens ou versões para se elaborar um enredo  que possa criar uma história mais romantizada, para ser vendida para o grande público, que na maioria das vezes está mais interessado na trama do que no fundo histórico.
É necessário também destacar a importância dessas obras que tentam destacar fatos ou períodos históricos, pois, a disciplina de história exige que o estudante se transporte mentalmente para o tempo histórico estudado, assim é necessário recriar mentalmente a sociedade que cerca tal período, então, assim novelas, filmes, séries, etc. que reproduzem figurinos, vocabulários, costumes, objetos e outras características de época, podem servir como ótimos exemplos para que os estudantes possam ilustrar mentalmente os textos históricos lidos ou mesmo as explicações dos professores, claro sempre sendo necessários guardar os devidos cuidados contra os ufanismos, simplismos ou anacronismo.

domingo, 13 de março de 2016

DOCUMENTÁRIO - Victor Nunes Leal

Documentário em homenagem ao jurista e escritor carangolense Victor Nunes Leal, autor de "Coronelismo, enxada e voto".

sábado, 5 de março de 2016

As Dez Estratégias de Manipulação das Massas de Noam Chomsky





1. A estratégia da distracção. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, presa a temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
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2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceites. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem pede leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.
3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições sócio-económicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia do diferimento. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregue imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão de factores de sugestão, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.
6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…
7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeia entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.
9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e se culpabiliza, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de agir. E sem acção, não há revolução!
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.
VIA: Adital (com alterações)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Divulgação de livro: "Um francês no Vale do Carangola"

por: Heloísa Azevedo da Costa

Um francês no vale do Carangola faz um estudo econômico e social do Brasil dos meados do século XIX, principalmente do leste da Mata mineira e do noroeste do Rio de Janeiro, ou seja, o vale do rio Carangola, a partir das cartas do imigrante francês Alexandre Bréthel. Essas cartas são registros de fontes primárias valiosos para os estudos da História. 
Publicada originalmente em 1977, a obra chega, quase quarenta anos depois, ao público de língua portuguesa e aos aficionados pela historiografia brasileira em particular. 
Foram quase 4 anos desde meu primeiro contato com a autora. Meu empenho para o trabalho se deveu ao fascínio que senti ao conhecer o livro de Françoise Massa sobre Alexandre Bréthel.

O leitor tem em mãos um livro que seduz. Sedução pela envergadura do trabalho de Françoise Massa e por aquilo que nos revela; sobremaneira, a sensibilidade de Bréthel para se identificar com o outro em contraponto a sua solidão existencial. Trajetória deveras inusitada. Um francês no vale do Carangola chega com crivo e chancela de Oseias Ferraz da Editora Crisalida e está disponível em www.crisalida.com.br ou www.estantevirtual.com.br.
O livro é um mergulho na história de Carangola e região. Além das cartas, o livro oferece ao leitor farta documentação, fruto de pesquisas realizadas na Europa e no Brasil pela jornalista Heloísa Azevedo da Costa.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

10 dicas para ajudar seu filho a estudar História e Geografia


História e Geografia nos dão instrumentos para olhar o mundo e compreendê-lo. Veja como estimular seu filho a estudar essas disciplinas com 10 dicas práticas

Fonte: Site Educar para Crescer











terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Documentário: Rio de Memórias.


A transição da monarquia para a república em imagens do Rio de Janeiro

O filme Rio de Memórias, dirigido por José Inácio Parente em 1987, é um documentário com cerca de 30 minutos de duração. A produção narra, ao mesmo tempo, a história da fotografia e a história da cidade do Rio de Janeiro entre as décadas de 1840 e 1920. O documentário expõe imagens importantes da história da então capital do Brasil, do Segundo Império aos primeiros anos da República, passando pela escravidão, abolição, imigração, industrialização, reforma urbanística do Rio de Janeiro e a Belle Époque Carioca.  

domingo, 24 de janeiro de 2016

Site Escravidão, Abolição e Pós-Abolição


No site Escravidão, Abolição e Pós-Abolição (http://bit.ly/1RZ09kn), organizado pela Casa de Rui Barbosa, você terá acesso a documentos digitalizados, referências e links para sites correlatos, além de um vocabulário sobre o tema. O site também possui um espaço interativo, onde o usuário pode participar de uma série de jogos organizados a partir de cópias dos documentos. Confira!

Fonte: Ministério da Cultura

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vídeos: Conhecendo os presidentes - Canal Futura



"Pense rápido no nome de cinco presidentes brasileiros! Agora fale sobre uma medida importante tomada no governo de cada um deles. E aí, conseguiu? Foi difícil? Esse pequeno desafio serve apenas para mostrar como a história republicana do Brasil não costuma fazer parte das nossas conversas e do nosso dia a dia.

Conhecer a própria história, no entanto, é fundamental para compreender a situação atual, cobrar soluções para os problemas do presente e votar com consciência. Pensando nisso, o Futura estreia a série Conhecendo os Presidentes. São 32 episódios ao todo, que explicam através de charges os principais acontecimentos de cada mandato, desde Deodoro da Fonseca até Lula, o último presidente eleito antes do governo vigente."

Fonte: Canal futura

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A História do Absorvente


Mulheres improvisavam com panos, chumaço de lã e rolinho de grama

Dizia o comercial de TV que incomodadas ficavam as nossas avós. Ele tinha razão. Antes da invenção do absorvente descartável, a mulherada sofria. E improvisava.
De acordo com dados da instituição americana Museu da Menstruação e da Saúde Feminina, na Antiguidade, em Roma, as mulheres enfiavam pequenos chumaços de lã no interior da vagina para conter o fluxo menstrual. Em algumas tribos da África, usavam rolinhos de grama. As gregas revestiam ripas de madeira com várias camadas de retalho. Já as japonesas se viravam confeccionando canudinhos de papel. Na Indonésia, fibras vegetais eram usadas na tentativa de absorver o fluxo, ao passo que, no Egito, canutilhos de papiro faziam as vezes de absorvente higiênico. Todas essas invenções eram intravaginais – por isso, era melhor deixar um pedacinho para fora, para facilitar a retirada.
Registros arqueológicos mostram que, desde o século 15 a.C, as mulheres já pensavam em alguma espécie de proteção para aqueles dias. Mas uma das referências mais conhecidas acerca do assunto é encontrada nos escritos deixados pelo grego Hipócrates, mencionando expressamente a utilização de protetores intravaginais entre suas contemporâneas – ele viveu de 460 a 370 a.C.
Durante toda a Idade Média uma opção eram as toalhinhas higiênicas, feitas de qualquer resto de tecido – não raro, elas levavam ao surgimento de coceiras, assaduras e irritações no corpo. De todo modo, qualquer coisa devia ser melhor do que o isolamento a que as mulheres de diversas tribos indígenas eram submetidas: elas ficavam longe dos olhos dos outros, sentadas numa espécie de ninho, que absorvia o sangue.
Só no século 19 têm início pesquisas voltadas ao desenvolvimento de apetrechos mais funcionais. Em 1933 o absorvente interno foi patenteado, mas a novidade só chegou ao Brasil 40 anos depois. Por outro lado, toalhas descartáveis já ocupavam as prateleiras desde o fim da Primeira Guerra. Algumas tinham o formato de uma calcinha, ficando presas à cintura, enquanto outras eram presas com alfinetes – os absorventes com fita adesiva chegaram em 1970.
Um alívio sem precedentes, que livrou as mulheres de preocupações, como a de o que fazer para que ninguém visse o varal coalhado de retalhos suspeitos – afinal, as moças de boa família não podiam expor suas intimidades.
Fonte: Revista Aventuras na História

Infográfico: Pirâmides


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

8ª ONHB

Calendário Oficial da 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (2016)
Postado por Comissão Organizadora em 19 de janeiro de 2016
Calendário oficial
Inscrições e pagamento dos boletos
As inscrições na 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil iniciam em 22/02/2016 e finalizam dia 29/04/2016 ou até que o limite de inscrições seja atingido.
Para a Olimpíada 2016, serão praticados os seguintes valores para as taxas de inscrição:
Primeiro período de Inscrição:
De 22 de fevereiro a 23 de março de 2016
Escolas públicas
R$30,00 (trinta reais) por equipe
Escolas particulares
R$60,00 (sessenta reais) por equipe
Os Boletos bancários emitidos até as 23:59hrs do dia 23/03/2016 podem ser pagos até as 22:00hrs do dia 24/03/2016.
Segundo período de inscrição:
De 24 de março a 29 de abril de 2016
Escolas públicas
R$45,00 (quarenta e cinco reais) por equipe
Escolas particulares
R$90,00 (noventa reais) por equipe
Os Boletos bancários emitidos de 23/03/2016 até as 23:59hrs do dia 29/04/2016 podem ser pagos até as 22:00 do dia 02/05/2016.
Primeira fase
A primeira fase inicia no dia 09/05/2016 e finaliza no dia 14/05/2016.
Segunda fase
A segunda fase inicia no dia 16/05/2016 e finaliza no dia 21/05/2016.
Terceira fase
A terceira fase inicia no dia 23/05/2016e finaliza no dia 28/05/2016.
Quarta fase
A quarta fase inicia no dia 30/05/2016e finaliza no dia 04/06/2016.
Quinta fase
A quinta fase inicia no dia 06/06/2016 e finaliza no dia 11/06/2016.
Divulgação do nome das equipes selecionadas para a fase final presencial pela
Comissão Organizadora: Dia 16/06/2016.
Grande Final presencial
Prova: Dia 20/08/2016
Cerimônia de Premiação: Dia 21/08/2016
A Comissão Organizadora da 8ª Olimpíada Nacional em História do Brasil reserva-se o direito de alterar as datas das provas em caso de imprevistos de força maior, que fujam da alçada de controle da ONHB.
Utilizaremos como hora-padrão o horário de Brasília.
Atenciosamente Comissão Organizadora
Fonte: www.olimpiadadehistoria.com.br

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Projeto Baquaqua

Ele nasceu livre. Mahommah Gardo Baquaqua, como muitos outros africanos escravizados nas Américas, teve uma cidade natal, uma família e em alguma parte de sua juventude sofreu com a violência da guerra. Ele foi escravizado e enviado para o Brasil em um tumbeiro (navio negreiro), chegando em Pernambuco em 1845. Esta é apenas uma parte da história de Baquaqua, que lançou sua biografia nos EUA em 1854. Agora, a população brasileira poderá ter acesso a uma versão em português do único registro em primeira pessoa, que se tem notícia, sobre a trajetória de um africano escravizado em nossas terras. http://bit.ly/2323K4z

Você também pode acessar o site educativo "Projeto Baquaqua" para mais informações: http://www.baquaqua.com.br/
Fonte: Ministério da Cultura

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016


Maldito o filho
A independência do reino de Portugal em relação à Espanha foi recebida com alegria por muitos lusitanos em 1640, quando chegou ao fim a União Ibérica. Mas, segundo a lenda, deixou uma nuvem sinistra pairando sobre a nova dinastia, a de Bragança. Conta-se que o novo rei, D. João IV, desferiu chutes em um frade franciscano que lhe havia pedido esmolas – o religioso, em resposta, lançou uma maldição: todos os primogênitos da família morreriam antes de assumir o trono. O fato é que quase todos os homens primogênitos da casa de Bragança morreram nestas circunstâncias, até o fim da monarquia no Brasil (em 1889) e em Portugal (1910). Apenas dois escaparam: D. Pedro V, que assumiu o trono português em 1853, morrendo oito anos depois e passando o trono para o irmão; e D. Carlos I, também em Portugal, que virou rei em 1889 e foi assassinado (junto com seu primogênito) em 1908. No Brasil, os primogênitos da Casa Imperial foram enterrados no convento dos franciscanos, supostamente como uma forma de aplacar a maldição.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

Veja também:

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