Quando Pedro Álvares Cabral e seus homens chegaram à costa da atual Bahia, em 1500, não havia, claro nem Brasil nem brasileiros. Pode ser, como querem muitos historiadores, que outros tenham andado por ali antes, mas disso não ficou nenhum registro consistente. entre 1351 e 1500, os mapas europeus mostram o nome Brasil e variantes dele - Bracir, Bracil, Brazille, Bersil, Braxili, Bresilge - designando, em lugares diferentes, uma ilha ou até três, expressando um horizonte geográfico ainda mítico, como das ilhas afortunadas e tantas outras miragens que a prática navegadora e a experiência acabariam por dissipar. Assim, primeiro houve o nome, depois o lugar. Por curto tempo, ocorreu uma denominação que não vingou: Vera Cruz. Quando D. Manuel enviou os sogros, os reis católicos, uma carta narrando o achamento, em 1501, foi o nome Santa Cruz. Por fim, em 1512, começou a surgir o nome Brasil para designar em âmbito oficial a América portuguesa, tornando-se cada vez mais frequente daí em diante e consagrando-se oficialmente entre 1516 e 1530.
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No entanto, nas últimas décadas, vários historiadores mostram-se críticos ao uso do termo Brasil para referir-se a um período anterior ao século XIX. Argumento que seu uso remete à idéia de existência de uma unidade territorial e uma centralização política, ou seja, pressupõe a existência de um Estado propriamente dito, algo que até então não existia, em seu lugar, recomendam o uso da expressão América portuguesa.
[Fonte: Laura de Mello e Souza. "O nome do Brasil", In.: Revista Nossa História. Ano 1, nº 6,2004]
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