" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Uma educação para ajustar parafusos e porcas





























O livro "Distopia Fahrenheit 451" de Ray Bradbury parece ter previsto o projeto criado pelo atual governo brasileiro para os #estudantes do Ensino Médio.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Rebeliões do Período Regencial.


Toda a agitação política do governo de Dom Pedro I culminou em sua rápida saída do governo durante os primeiros meses de 1831. Surpreendidos com a vacância deixada no poder, os deputados da Assembléia resolveram instituir um governo provisório até que Dom Pedro II, herdeiro legítimo do trono, completasse a sua maioridade. É nesse contexto de transição política que observamos a presença do Período Regencial.


Estendendo-se de 1831 a 1840, o governo regencial abriu espaço para diferentes correntes políticas. Os liberais, subdivididos entre moderados e exaltados, tinham posições políticas diversas que iam desde a manutenção das estruturas monárquicas até a formulação de um novo governo republicano. De outro lado, os restauradores –funcionários públicos, militares conservadores e comerciantes portugueses – acreditavam que a estabilidade deveria ser reavida com o retorno de Dom Pedro I. 


Em meio a tantas posições políticas, a falta de unidade entre os integrantes da política nacional em nada melhorou o quadro político brasileiro. As mesmas divergências sobre a delegação de poderes políticos continuaram a fazer da política nacional um sinônimo de disputas e instabilidade. Mesmo a ação reformadora do Ato Adicional, de 1834, não foi capaz de resolver os dilemas do período. 
Umas das mais claras conseqüências desses desacordos foram a série de revoltas deflagradas durante a regência. A Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão e a Revolução Farroupilha na região Sul foram todas manifestações criadas em conseqüência da desordem que marcou todo o período regencial.


Cabanagem (1835-1840) 


Foi grande a revolta popular ocorrida no Pará. Participaram deste movimento pessoas humildes.
Chamados de cabanos, eram constituídos por negros, índios, mestiços, pessoas exploradas pelas autoridades do Governo. Viviam miseravelmente. Diante das injustiças sociais, estes queriam tomar o poder da província. Seus principal líder foi o padre Batista Campos. Em 1835 conseguem ocupar a capital da Província. O que se observa a seguir é a incapacidade dos "cabanos" em estabelecer um governo eficaz.
Para combater os rebeldes, o Governo Central enviou tropas que combateram duramente a rebelião.
"É ela um dos mais, senão o mais notável movimento popular do Brasil. É o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação, apesar da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder."
(Caio Prado JÚnior., Evolução Política do Brasil, Brasiliense, 1979. Ap. 69) 


Links:
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/cabanagem-1835-1840-rebeliao-tem-fim-sangrento-no-periodo-regencial.htm
http://www.escolakids.com/cabanagem.htm
http://www.historiadigital.org/infograficos/infografico-para-na-epoca-da-cabanagem/
http://www.historiadigital.org/curiosidades/10-curiosidades-sobre-a-cabanagem/
http://parahistorico.blogspot.com/2009/02/cabanagem-no-para-1835-1840.html
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/cabanagem.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabanagem
http://www.historiabrasileira.com/brasil-imperio/cabanagem/
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u20.jhtm
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cabanagem/cabanagem-1.php
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=1020:cabanagem&catid=38:letra-c&Itemid=1


Revolução Farroupilha (1835 - 1845)

Apresentou um caráter federalista, tentando desarticular a área sulina do país. Teve grande duração; seus principais líderes foram: Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto, entre outros. Esse Movimento significou uma reaçãoébntra os governos impostos pela Regência. Em 1836,proclamaram..a República Rio Grandense ou Piratini, estendendoio movimento até Santa Catariria, quando em 1839 foi proclamada a República Juliana federada à de Piratini.
Em 1845 foi pacificado movimento pelo Duque de Caxias.

Links:
http://www.sohistoria.com.br/ef2/revolucaofarroupilha/
http://www.todamateria.com.br/guerra-dos-farrapos/
http://www.escolakids.com/revolta-farroupilha-1835-1845.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos
http://www.pampasonline.com.br/tradicao/tradicao_revolucaofarroupilha.htm
http://www.riogrande.com.br/causas-b601_0-en.html
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u22.jhtm
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/guerra-dos-farrapos.htm
http://www.guerras.brasilescola.com/seculo-xvi-xix/guerra-dos-farrapos.htm
https://www.youtube.com/watch?v=M00UNW2Lka0
http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/foi-revolucao-farroupilha-nao-deu-certo-499563.shtml


Balaiada (1838 - 1841)

Também de caráter popular, foi um movimento composto por uma população pobre, vaqueiros, sertanejos e escravos. 
"Cansada de tantos sofrimentos, essa multidão queria lutar contra as injustiças, a miséria, a fome, a escravidão e os  maus tratos. Além disso, a insatisfação política reinava entre a classe média maranhense da cidade. Essa classe média era formada pelo grupo dos bem-te-vis, que iniciaram a revolta contra os grandes fazendeiros conservadores do Maranhão, contando com a participação explosiva dos sertanejos." (COTRIN, Gilberto. História e Consciência do Brasil. p. 190)

Essa insurreição perdeu força à medida que os bandos armados se dividiram sob várias lideranças. Merece destaque líderes como Manuel dos Anjos (o "Balaio') e o vaqueiro "Cara Preta".
Em 1840 Duque de Caxias também foi responsável pela pacificação da região. Foi também nomeado como presidente da província.
Segundo Caio Prado Júnior,"na origem deste levante" encontram-se as mesmas causas dos demais movimentos da época: "a luta das classes médias, especialmente urbana, contra a política aristocrática e oligárquica das classes abastadas, grandes proprietários rurais, serihores de engenho e fazendeiros, que se implantaram no país".


Links:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31424
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=206
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/balaiada-1838-1841-revolta-popular-no-maranhao.htm
http://www.escolakids.com/revolta-da-balaiada-no-maranhao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada
http://www.passeiweb.com/saiba_mais/fatos_historicos/brasil_america/balaiada
http://www.klepsidra.net/klepsidra5/balaiada.html
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u21.jhtm
http://www.brasilescola.com/historiab/balaiada.htm
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/balaiada.htm
http://www.mundovestibular.com.br/articles/2911/1/BALAIADA/Paacutegina1.html
http://www.geledes.org.br/a-balaiada/a-guerra-da-balaiada.html 
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/a-balaiada

Sabinada - (1837-1838)

As origens desse movimento se encontram no lusofobismo e no antiabsolutismo dos baianos.Demonstra também uma insatisfação em relação ao centro.
 Embora tenham proclamado a República  Baiense, movimento não conseguiu expandir-se para o interior e outras províncias, ficando restrito à capital. Curioso é que os sabinos pretendiam  reincorporar a Bahia ao Império logo que D. Pedro fosse declarado maior.
Em 1838 forças comandadas pelo General Crisóstomo Calado e contando com o apoio da aristocracia rural baiana, esmagaram violentamente a insurreição. Violências, torturas, execuções, foram implementadas pelas tropas do governo. O movimento, no entanto, não possuiu o mesmo significado e importância da Balaiada, Cabanagem e Farroupilha. 


Revolta dos Malês - 1835

A chamada Revolta dos Malês (também conhecida como revolta dos escravos de Alá) registrou-se de 25 a 27 de Janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil.
Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano.
Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.


Links:

* Apoio didático para a apresentação de seminários das turmas de 2º ano da E. E. Altivo Leopoldino de Souza.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Navio Nazista encontrado nas águas da Islândia

A briga agora é para saber quem é o dono do tesouro – se é que existe algum!

Vídeo relacionado: 

O SS Minden deixou a costa brasileira em 1939, dias depois da eclosão da Segunda Guerra Mundial, levando nada menos que quatro toneladas de ouro dos bancos sul-americanos para a Alemanha. 



Mas a encomenda nunca foi entregue. Ao perceber que navios da frota britânica se aproximavam do SS Minden, o capitão, seguindo as ordens dadas pelo próprio Hitler, afundou a embarcação. A ideia era que o oponentes jamais pudessem pôr a mão numa carga tão valiosa. 



O valor da carga seria equivalente hoje a mais ou menos R$ 500 milhões. 



Agora, com a descoberta, a guerra é para saber a quem pertence o tesouro: se ao Reino Unido, que fez o achado, ou à Islândia, que detém domínio do território onde estão os restos do navio. Exploradores britânicos continuam atrás da permissão do governo islandês para fazer a operação de resgate, mas até agora nada feito. 



O argumento dos britânicos é que “achado não é roubado”. 



A expectativa é que nas próximas semanas os islandeses definam a quem pertence o ouro – se é que existe algum. Alguns pesquisadores acreditam que o metal foi retirado há tempos. 



Fonte: Independent 
Imagem: Wikipedia Commons

Referência: https://seuhistory.com/noticias/restos-de-navio-nazista-carregado-de-ouro-brasileiro-sao-encontrados-na-costa-da-islandia

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Os efeitos da Grande Guerra sobre a população civil

A antiga conexão entre alimentos e sucesso militar foi expressa pelo dito de Napoleão [Bonaparte]: “Um exército marcha com seu estômago”. A Primeira Guerra Mundial, no entanto, encontrou uma situação nova, em que as populações civis, longe de qualquer campo de combate, tornaram-se vulneráveis à fome e à doença induzidas pela guerra.
A comida foi uma questão de vida e morte durante a guerra nas cidades do norte da Rússia, onde, em 1917, havia filas intermináveis para receber suprimentos mínimos e não regulados de provisões mais básicas. As filas para pão em Petrogrado, onde as pessoas permaneciam durante horas todos os dias e, às vezes, todas as noites, funcionavam como centros de informação não oficiais e tornaram-se incubadoras da Revolução Russa, iniciada em 1917. As filas também eram parte da vida no tempo de guerra na França, onde o racionamento de carvão, óleo e alguns alimentos pelo governo começou em 1918.
Na Grã-Bretanha, a guerra representou mais privação do que fome. No final de 1916, os controles do governo só permitiam que as lojas de alimentos tivessem metade de seu estoque. No início de 1918, quando a intensificação da guerra com submarinos estava afetando seriamente a importação de alimentos, foi introduzido o racionamento por pessoa, principalmente de açúcar, chá, margarina, bacon, queijo, manteiga e, a partir de abril [de 1918], carne.No início da guerra, os civis alemães confiaram na promessa do governo de uma guerra curta. Eles não estavam preparados para os efeitos do bloqueio Aliado, que começaram a surgir em poucos meses, particularmente em Hamburgo e Berlim. Em 1915, os berlinenses foram os primeiros alemães a receber cartões de racionamento de pão. Não demorou para que carne, laticínios, batata, açúcar, cereais e sabão também só fossem obtidos por meio dos cartões. Quando a carne se tornou escassa, as pessoas recorreram a iguarias duvidosas, como morsa em conserva e corvo cozido. O mercado negro cresceu e havia filas por toda parte. O inverno de 1916-1917 ficou conhecido como “inverno dos nabos”, porque, depois de uma colheita desastrosa de batatas, nabos e beterrabas tornaram-se alimentos básicos.
A guerra foi também um estímulo para a abertura de novas oportunidades de emprego. As mulheres foram trazidas para as fábricas francesas. Em 1918, mais de um milhão de mulheres na França estavam trabalhando em defesa nacional, armamento e aeronáutica. No Império Austro-Húngaro, em 1916, 42,5% dos trabalhadores na indústria pesada eram mulheres – a título de comparação, eram 17,5% em 1913. O mesmo aconteceu na Alemanha, onde, em 1918, as mulheres compunham 35% da
força de trabalho industrial. 
Maria Bochkareva
As mulheres passaram ainda a exercer atividades antes restritas aos homens, como dirigir ônibus e ambulâncias e também foram para as frentes de batalha. O Batalhão da Morte, do exército russo, todo composto de mulheres, foi organizado por Maria Bochkareva, que havia trabalhado como capataz de fábrica antes da guerra. Depois de fazer uma solicitação diretamente ao czar, ela conseguiu permissão para se tornar soldado e passou dois anos na trincheira.
Em 1917, quando havia alcançado o posto de sargento, Maria Bochkareva formou seu Batalhão da Morte feminino na esperança de levantar o estado de espírito de seus colegas soldados (muitos dos quais estavam desertando) e incitá-los a uma investida vitoriosa contra o inimigo. As mulheres de Bochkareva rasparam a cabeça e vestiram uniformes comuns do exército e antes de partir para a frente, reuniram-se em Moscou para receber a bênção da igreja russa.
Batalhão da morte de Maria Bochkareva. 


Adaptado de: WILLMOTT, H. P. Primeira Guerra Mundial.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. p. 124-130.

Fonte: Azevedo, Gislane Campos
História em movimento / Gislane Campos Azevedo,
Reinaldo Seriacopi. – 2. ed. – São Paulo: Ática, 2013.

sábado, 15 de julho de 2017

A Rota do Escravo - A Alma da Resistência





No filme "A Rota do Escravo - A Alma da Resistência", a história do comércio de seres humanos é contada através das vozes de escravos, mas também dos mestres e comerciantes de escravos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Dia do Trabalho


Em julho de 1889 a Segunda Internacional instituiu o Dia do Trabalhador, que deveria ser celebrado anualmente no dia 1º de maio. A data escolhida pretendia comemorar os fatos ocorridos três anos antes em Chicago, quando uma bomba causou a morte de vários policiais em uma manifestação operária. Os autores deste atentado nunca foram encontrados, mas quatro líderes anarquistas foram julgados como responsáveis pelo atentado e executados em 11 de novembro de 1887. Um desses líderes, Albert Spies, deixou escrito: "Se pensam que enforcando-nos poderão acabar com o movimento dos trabalhadores... o movimento, do qual os milhões de oprimidos, milhões que trabalham na miséria e na necessidade, aguardam a sua salvação; se essa é a sua opinião, então enforquem-nos! Porque aqui, apenas estará pisando numa fagulha, mas ali e acolá, por detrás de você, na sua frente, e por toda a parte, as chamas surgirão. É um fogo subterrâneo. Jamais poderão apagá-lo!".
"Operários" de Tarsila do Amaral
"Operários" de Tarsila do Amaral


O trabalho humano, em todas as suas formas, possui uma dignidade inalienável, por ser atividade de criaturas racionais livres, seu valor não se medindo apenas pela categoria a que pertence cada um, mas principalmente pela perfeição com que é realizado. O termo "trabalho" tem sua raiz no latim "trans, trabis" - trave ou carga que se impunha aos escravos para obrigá-los ao serviço.
Os  povos dominados pelos romanos conservaram a raiz latina associada à ideia do trabalho escravo: "travail", "trabalho". Os povos imperiais, italianos ou não dominados, conservaram a raiz latina associada às atividades nobres: "larbor" em latim, que deu "lavoro" em italiano, "labour", em inglês e que, em português, aparece na forma de labor, laborioso.
em quase todos os países do mundo comemora-se nesta data - 1º de maio - o Dia do Trabalho, as comemorações sendo feitas em certos países com pequenas variantes quanto à data.
Nos Estados Unidos, o governo transferiu a comemoração para a primeira segunda-feira de setembro; na Inglaterra, é o primeiro domingo depois do dia 1º de maio; no Japão, 23 de novembro; na Espanha, 18 de julho; na Nova Zelândia, 18 de outubro. 
No Brasil, a primeira tentativa de celebrar o 1º de maio, data de 1893. encontrou violenta repressão do governo, mas já a partir de 1895, a data passou a ser celebrada sem maiores alterações.
o trabalho é um dever, mas também um direito, reconhecido aliás, solenemente, na Declaração universal dos Direitos Humanos. Todo homem tem direito inalienável de procurar, pelo trabalho, os meios de se realizar como homem e de prover a sua subsistência e a daqueles por quem é responsável.

Fonte: Livro Escola Viva

sexta-feira, 28 de abril de 2017

REVISTA ESCRITA DA HISTÓRIA: DOSSIÊ "REVOLUÇÕES E MOVIMENTO OPERÁRIO NO SÉCULO XX"

Há aproximadamente 100 anos explodiam movimentos sociais de massa, com especial destaque para aqueles ocorridos na Europa e na América Latina. A partir do Velho Continente, a Revolução Russa apavorou capitalistas e impulsionou muitos trabalhadores a fundarem partidos comunistas por todo o planeta. No antigo Novo Mundo, destaca-se a Revolução Mexicana, que colocou na ordem do dia o debate sobre a necessidade da Reforma Agrária, em simultâneo ao movimento bolchevique; e ainda a chamada Greve Geral de 1917, no Brasil, de forte tendência anarquista, que levou algumas de suas principais lideranças, poucos anos depois, a reconheceram nos métodos sovietes o caminho revolucionário para o país. Assim, com a pretensão de contribuir com o árduo debate a propósito desses temas e/ou de seus impactos no desenrolar de outros acontecimentos e processos, a Revista Escrita da História – REH lança a chamada de sua edição de número 8. Esta privilegiará estudos de movimentos sociais e/ou de governos que tinham (ou tem) em pauta o socialismo e a luta dos trabalhadores como horizonte de seus embates, bem como suas ramificações na esfera política, social, econômica, cultural etc., compreendendo seus aspectos históricos, historiográficos e teóricos para compor o Dossiê Revoluções e Movimento Operário no Século XX.
 
Data limite para envio de artigos: 15 de agosto de 2017


ISSN: 2359-0238

Fonte: http://site.anpuh.org/index.php/mais/publicacoes/chamada-de-artigos-sp/item/4063-revista-escrita-da-historia-dossie-revolucoes-e-movimento-operario-no-seculo-xx

sábado, 22 de abril de 2017

Museu virtual Memorial da Democracia



Durante o III Encontro Educadores (as) pela Liberdade (20/04), realizado na cidade histórica de Ouro Preto, a historiadora Heloisa Starling, coordenadora do Projeto República núcleo de pesquisa documentação e memória da UFMG, promoveu a apresentação do Projeto Memorial da Democracia, um portal multimídia interativo do Instituo Lula, um museu virtual dedicado à história das lutas democráticas do povo brasileiro, Concebido por uma equipe de jornalistas, historiadores, artistas e pesquisadores, o Memorial é uma obra em construção. Ao todo serão 11 módulos a respeito da trajetória do povo brasileiro na pela justiça e liberdade. Dois módulos já estão no ar, períodos de 1964-1985 e 1985-2002, durante o Encontro a professora Heloisa Sarling noticiou que em breve novos módulos também estarão disponíveis no site, os quais congregarão os períodos de 1930-1945 e 1945-1964. O portal pode ser acesso pelo endereço www.memorialdademocracia.com.brA navegação está estruturada em dois grandes eixos interativos. Nas linhas do tempo estão ordem cronológica os episódios que marcaram a história. Grandes eventos aparecem sempre marcados em amarelo e ao lado de todos os textos fotos, charges, cartazes, documentos, jornais, músicas, discursos e trechos de filmes e vídeos.
A linha do tempo é complementada pelos Extras, capítulos especiais que levam a um mergulho mais profundo em temas com uma linguagem mais leve e lúdica . É possível encontrar exposições virtuais, listas musicais, navegar entre personagens e conquistas históricas inclusive jogos interativos e divertidos.



terça-feira, 18 de abril de 2017

Divulgação: "Filhos da senzala"




Filhos da senzala é um romance histórico da autora Silvânia Dias que retrata a história de amor desmedido entre um homem livre e uma escrava. Para poder viver esse amor, ele vende doze anos de sua existência ao árduo trabalhado na fazenda Cantareira. O que ninguém imagina, é que o preço da liberdade pode ser alto demais.



Silvânia Dias retrata a sociedade mineira do século XIX em "Filhos da Senzala"
O amor e a diferença social são temas mais do que clássicos dos livros brasileiros. Com "Filhos da Senzala", da autora mineira Silvânia Dias, não é diferente. Inspirada em um caso real, a história do homem que vende doze anos de sua liberdade por amor a uma escrava marca a estreia da historiadora no cenário da literatura nacional.
Para saber mais: www.fb.com/Silvania.DiasHist

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tiradentes: a construção do herói


        “Após a Proclamação da República, um processo de transformação de Tiradentes em herói nacional intensificou-se. O dia de seu enforcamento, 21 de abril, ocorrido em 1792, foi transformado em feriado nacional pelo regime republicano em 1890. Aos poucos as imagens de Tiradentes foram se assemelhando cada vez mais com a figura de Jesus Cristo. Até hoje, tanto políticos de direita, quanto de esquerda, reivindicam Tiradentes com herói. Como se deu a criação desse mito?
        A luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificuldade de construí um herói para o novo regime. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto a seus heróis e não possua seu panteão cívico. Em alguns, os heróis surgiram quase espontaneamente das lutas que precederam a nova ordem das coisas. Em outros, de menor profundidade popular, foi necessário maior esforço na escolha e na promoção da figura do herói. É exatamente nesses últimos casos que o herói é mais importante.
        No caso brasileiro, foi grande o esforço de transformação dos principais participantes do golpe de 15 de novembro de 1889 em heróis da República, as virtudes de cada um foram cantadas em prosa e verso, em livros e jornais, em manifestações cívicas, em monumentos, em quadros, em leis da República. Seus nomes foram dados a instituições, a ruas e praças das cidades, a navios de guerra.
        Deodoro era o candidato mais óbvio ao papel de herói republicano. Mas contra ele militavam fatores poderosos. A começar por seu incerto republicanismo, manifesto no próprio dia 15, seu jeito de general da monarquia, sua figura física, que lembrava a do outro ilustre velho, o imperador. Era ainda militar demais para que pudesse ter penetração mais ampla. Nas lutas que envolveram o início da República, uma figura tão identificada com o Exército dividia tanto quanto unia.
        Outro candidato era Benjamin Constant. Seu republicanismo era inatacável. Mas o problema com ele é que não tinha figura de herói. Não era líder militar nem líder popular. Candidato mais sério que Benjamin era Floriano Peixoto. Porém, considerado radical demais, Floriano poderia ser o herói de um ripo de república, a jacobina, mas não da República que aos poucos foi se construindo.
        A busca de um herói para a República acabou tendo êxito onde não o imaginavam muitos dos participantes da proclamação. Diante das dificuldades em promover os protagonistas do dia 15, quem as poucos se revelou capaz de atender às exigências da mitificação foi Tiradentes. Mas quais foram as razões da adoção de Tiradentes e que conteúdo teria sua figura de herói?
        Embora fosse viva na memória popular, a Inconfidência Mineira era tema delicado para a elite culta do Segundo Reinado. Afinal, o proclamador da Independência era neto de D. Maria I, contra quem se tinham rebelado os inconfidentes. O bisneto da tainha louca governava o país. O Brasil era um monarquia governada pela casa de Bragança, ao passo que os inconfidentes tinham pregado uma república americana. Não era fácil exaltar os inconfidentes, e Tiradentes em particular, sem de alguma maneira condenar seus algozes e os sistema político vigente. A luta entre a memória de D. Pedro I, promovida pelo governo, e a de Tiradentes, símbolo dos republicanos, tornou-se aos poucos emblemática da batalha entre Monarquia e a República. Havia poderosa simbologia na luta entre Pedro I e Tiradentes. Sua expressão mais forte talvez esteja em artigo do abolicionista e republicano Luís Gama, publicado no primeiro número do jornal comemorativo do 21 de abril editado pelo Clube Tiradentes (1882). O título do artigo “À forca o Cristo da multidão”. Nele, Gama faz um paralelo entre Tiradentes e Cristo. A forca é equiparada à cruz, o Rio de Janeiro a Jerusalém, o Calvário ao Rocio. Porém, não existia nenhum retrato de Tiradentes  feito por quem o tivesse conhecido pessoalmente.
        Em termos populares, Tiradentes também tinha competidores históricos ao título de herói da República, além dos rivais do dia 15 de novembro. Para mencionar os mais óbvios, havia no sul os líderes da Farroupilha, como Bento Gonçalves. No Norte, a figura respeitável de Frei Caneca. Não consta que se tenha tentado transformar Bento Gonçalves em herói republicano nacional. Afinal de contas, havia a suspeita de que a revolta farroupilha queria separar o  Rio Grande do Sul do Brasil. Faltava, portanto, aos heróis gaúchos a característica nacional, indispensável à imagem de um herói republicano. Frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador, ocorrido no Primeiro Império, era um candidato mais sério. Herói de duas revoltas, uma pela independência, a outra contra o absolutismo de D. Pedro I, morrera como mártir, fuzilado, pois nenhum carrasco se dispusera a enforca-lo.
        Um dos fatores que pode ter levado à vitória de Tiradentes é, sem dúvida, o geográfico. Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da metade do século XIX, já podia ser considerada a centro político do país – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as três capitanias que ele buscou, num primeiro momento, tornar independentes. Porém não era uma ideia separatista, mas a de um cálculo tático. Libertadas as três, as outras seguiriam com maior facilidade. Já o Nordeste de frei Caneca era uma região em decadência política e econômica. Além disso, a Confederação do Equador apresentara um caráter separatista que a maculavam como movimento nacional.
        No entanto, há ainda outro elemento importante na preferência por Tiradentes. Frei Caneca e seus companheiros tinham-se envolvido em duas lutas que realmente aconteceram, em que houvera sangue e morte. Morreu como herói desafiador, quase arrogante, num ritual seco de fuzilamento. Foi um mártir rebelde, acusador, agressivo. Não morreu como vítima, como portador das dores de um povo. Morreu como líder cívico e não como um mártir religioso, embora, ironicamente, se tratasse de um frade.
        Talvez esteja aí um dos principais segredos do êxito de Tiradentes. O fato de não ter a Inconfidência Mineira passado à ação concreta poupou-lhe ter derramado sangue, ter exercido violência contra as outras pessoas, ter criado inimigos. A violência revolucionária permaneceu potencial. Tiradentes era o mártir ideal, o condenado. A violência real pertenceu aos carrascos. Foi vítima não só do governo português, mas até mesmo de seus amigos. Vítima da traição de Joaquim Silvério, seu amigo pessoal.
        Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele a liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade ainda que tardia. “


(Adaptado de Carvalho, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, pp. 55-73)


Fonte: Ferreira, João Paulo Hidalgo, Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Nova história integrada: ensino médio volume único – Campinas, SP: Companhia da Escola, 2005. 

Veja também:

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