" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Os efeitos da Grande Guerra sobre a população civil

A antiga conexão entre alimentos e sucesso militar foi expressa pelo dito de Napoleão [Bonaparte]: “Um exército marcha com seu estômago”. A Primeira Guerra Mundial, no entanto, encontrou uma situação nova, em que as populações civis, longe de qualquer campo de combate, tornaram-se vulneráveis à fome e à doença induzidas pela guerra.
A comida foi uma questão de vida e morte durante a guerra nas cidades do norte da Rússia, onde, em 1917, havia filas intermináveis para receber suprimentos mínimos e não regulados de provisões mais básicas. As filas para pão em Petrogrado, onde as pessoas permaneciam durante horas todos os dias e, às vezes, todas as noites, funcionavam como centros de informação não oficiais e tornaram-se incubadoras da Revolução Russa, iniciada em 1917. As filas também eram parte da vida no tempo de guerra na França, onde o racionamento de carvão, óleo e alguns alimentos pelo governo começou em 1918.
Na Grã-Bretanha, a guerra representou mais privação do que fome. No final de 1916, os controles do governo só permitiam que as lojas de alimentos tivessem metade de seu estoque. No início de 1918, quando a intensificação da guerra com submarinos estava afetando seriamente a importação de alimentos, foi introduzido o racionamento por pessoa, principalmente de açúcar, chá, margarina, bacon, queijo, manteiga e, a partir de abril [de 1918], carne.No início da guerra, os civis alemães confiaram na promessa do governo de uma guerra curta. Eles não estavam preparados para os efeitos do bloqueio Aliado, que começaram a surgir em poucos meses, particularmente em Hamburgo e Berlim. Em 1915, os berlinenses foram os primeiros alemães a receber cartões de racionamento de pão. Não demorou para que carne, laticínios, batata, açúcar, cereais e sabão também só fossem obtidos por meio dos cartões. Quando a carne se tornou escassa, as pessoas recorreram a iguarias duvidosas, como morsa em conserva e corvo cozido. O mercado negro cresceu e havia filas por toda parte. O inverno de 1916-1917 ficou conhecido como “inverno dos nabos”, porque, depois de uma colheita desastrosa de batatas, nabos e beterrabas tornaram-se alimentos básicos.
A guerra foi também um estímulo para a abertura de novas oportunidades de emprego. As mulheres foram trazidas para as fábricas francesas. Em 1918, mais de um milhão de mulheres na França estavam trabalhando em defesa nacional, armamento e aeronáutica. No Império Austro-Húngaro, em 1916, 42,5% dos trabalhadores na indústria pesada eram mulheres – a título de comparação, eram 17,5% em 1913. O mesmo aconteceu na Alemanha, onde, em 1918, as mulheres compunham 35% da
força de trabalho industrial. 
Maria Bochkareva
As mulheres passaram ainda a exercer atividades antes restritas aos homens, como dirigir ônibus e ambulâncias e também foram para as frentes de batalha. O Batalhão da Morte, do exército russo, todo composto de mulheres, foi organizado por Maria Bochkareva, que havia trabalhado como capataz de fábrica antes da guerra. Depois de fazer uma solicitação diretamente ao czar, ela conseguiu permissão para se tornar soldado e passou dois anos na trincheira.
Em 1917, quando havia alcançado o posto de sargento, Maria Bochkareva formou seu Batalhão da Morte feminino na esperança de levantar o estado de espírito de seus colegas soldados (muitos dos quais estavam desertando) e incitá-los a uma investida vitoriosa contra o inimigo. As mulheres de Bochkareva rasparam a cabeça e vestiram uniformes comuns do exército e antes de partir para a frente, reuniram-se em Moscou para receber a bênção da igreja russa.
Batalhão da morte de Maria Bochkareva. 


Adaptado de: WILLMOTT, H. P. Primeira Guerra Mundial.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. p. 124-130.

Fonte: Azevedo, Gislane Campos
História em movimento / Gislane Campos Azevedo,
Reinaldo Seriacopi. – 2. ed. – São Paulo: Ática, 2013.

sábado, 15 de julho de 2017

A Rota do Escravo - A Alma da Resistência





No filme "A Rota do Escravo - A Alma da Resistência", a história do comércio de seres humanos é contada através das vozes de escravos, mas também dos mestres e comerciantes de escravos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Dia do Trabalho


Em julho de 1889 a Segunda Internacional instituiu o Dia do Trabalhador, que deveria ser celebrado anualmente no dia 1º de maio. A data escolhida pretendia comemorar os fatos ocorridos três anos antes em Chicago, quando uma bomba causou a morte de vários policiais em uma manifestação operária. Os autores deste atentado nunca foram encontrados, mas quatro líderes anarquistas foram julgados como responsáveis pelo atentado e executados em 11 de novembro de 1887. Um desses líderes, Albert Spies, deixou escrito: "Se pensam que enforcando-nos poderão acabar com o movimento dos trabalhadores... o movimento, do qual os milhões de oprimidos, milhões que trabalham na miséria e na necessidade, aguardam a sua salvação; se essa é a sua opinião, então enforquem-nos! Porque aqui, apenas estará pisando numa fagulha, mas ali e acolá, por detrás de você, na sua frente, e por toda a parte, as chamas surgirão. É um fogo subterrâneo. Jamais poderão apagá-lo!".
"Operários" de Tarsila do Amaral
"Operários" de Tarsila do Amaral


O trabalho humano, em todas as suas formas, possui uma dignidade inalienável, por ser atividade de criaturas racionais livres, seu valor não se medindo apenas pela categoria a que pertence cada um, mas principalmente pela perfeição com que é realizado. O termo "trabalho" tem sua raiz no latim "trans, trabis" - trave ou carga que se impunha aos escravos para obrigá-los ao serviço.
Os  povos dominados pelos romanos conservaram a raiz latina associada à ideia do trabalho escravo: "travail", "trabalho". Os povos imperiais, italianos ou não dominados, conservaram a raiz latina associada às atividades nobres: "larbor" em latim, que deu "lavoro" em italiano, "labour", em inglês e que, em português, aparece na forma de labor, laborioso.
em quase todos os países do mundo comemora-se nesta data - 1º de maio - o Dia do Trabalho, as comemorações sendo feitas em certos países com pequenas variantes quanto à data.
Nos Estados Unidos, o governo transferiu a comemoração para a primeira segunda-feira de setembro; na Inglaterra, é o primeiro domingo depois do dia 1º de maio; no Japão, 23 de novembro; na Espanha, 18 de julho; na Nova Zelândia, 18 de outubro. 
No Brasil, a primeira tentativa de celebrar o 1º de maio, data de 1893. encontrou violenta repressão do governo, mas já a partir de 1895, a data passou a ser celebrada sem maiores alterações.
o trabalho é um dever, mas também um direito, reconhecido aliás, solenemente, na Declaração universal dos Direitos Humanos. Todo homem tem direito inalienável de procurar, pelo trabalho, os meios de se realizar como homem e de prover a sua subsistência e a daqueles por quem é responsável.

Fonte: Livro Escola Viva

sexta-feira, 28 de abril de 2017

REVISTA ESCRITA DA HISTÓRIA: DOSSIÊ "REVOLUÇÕES E MOVIMENTO OPERÁRIO NO SÉCULO XX"

Há aproximadamente 100 anos explodiam movimentos sociais de massa, com especial destaque para aqueles ocorridos na Europa e na América Latina. A partir do Velho Continente, a Revolução Russa apavorou capitalistas e impulsionou muitos trabalhadores a fundarem partidos comunistas por todo o planeta. No antigo Novo Mundo, destaca-se a Revolução Mexicana, que colocou na ordem do dia o debate sobre a necessidade da Reforma Agrária, em simultâneo ao movimento bolchevique; e ainda a chamada Greve Geral de 1917, no Brasil, de forte tendência anarquista, que levou algumas de suas principais lideranças, poucos anos depois, a reconheceram nos métodos sovietes o caminho revolucionário para o país. Assim, com a pretensão de contribuir com o árduo debate a propósito desses temas e/ou de seus impactos no desenrolar de outros acontecimentos e processos, a Revista Escrita da História – REH lança a chamada de sua edição de número 8. Esta privilegiará estudos de movimentos sociais e/ou de governos que tinham (ou tem) em pauta o socialismo e a luta dos trabalhadores como horizonte de seus embates, bem como suas ramificações na esfera política, social, econômica, cultural etc., compreendendo seus aspectos históricos, historiográficos e teóricos para compor o Dossiê Revoluções e Movimento Operário no Século XX.
 
Data limite para envio de artigos: 15 de agosto de 2017


ISSN: 2359-0238

Fonte: http://site.anpuh.org/index.php/mais/publicacoes/chamada-de-artigos-sp/item/4063-revista-escrita-da-historia-dossie-revolucoes-e-movimento-operario-no-seculo-xx

sábado, 22 de abril de 2017

Museu virtual Memorial da Democracia



Durante o III Encontro Educadores (as) pela Liberdade (20/04), realizado na cidade histórica de Ouro Preto, a historiadora Heloisa Starling, coordenadora do Projeto República núcleo de pesquisa documentação e memória da UFMG, promoveu a apresentação do Projeto Memorial da Democracia, um portal multimídia interativo do Instituo Lula, um museu virtual dedicado à história das lutas democráticas do povo brasileiro, Concebido por uma equipe de jornalistas, historiadores, artistas e pesquisadores, o Memorial é uma obra em construção. Ao todo serão 11 módulos a respeito da trajetória do povo brasileiro na pela justiça e liberdade. Dois módulos já estão no ar, períodos de 1964-1985 e 1985-2002, durante o Encontro a professora Heloisa Sarling noticiou que em breve novos módulos também estarão disponíveis no site, os quais congregarão os períodos de 1930-1945 e 1945-1964. O portal pode ser acesso pelo endereço www.memorialdademocracia.com.brA navegação está estruturada em dois grandes eixos interativos. Nas linhas do tempo estão ordem cronológica os episódios que marcaram a história. Grandes eventos aparecem sempre marcados em amarelo e ao lado de todos os textos fotos, charges, cartazes, documentos, jornais, músicas, discursos e trechos de filmes e vídeos.
A linha do tempo é complementada pelos Extras, capítulos especiais que levam a um mergulho mais profundo em temas com uma linguagem mais leve e lúdica . É possível encontrar exposições virtuais, listas musicais, navegar entre personagens e conquistas históricas inclusive jogos interativos e divertidos.



terça-feira, 18 de abril de 2017

Divulgação: "Filhos da senzala"




Filhos da senzala é um romance histórico da autora Silvânia Dias que retrata a história de amor desmedido entre um homem livre e uma escrava. Para poder viver esse amor, ele vende doze anos de sua existência ao árduo trabalhado na fazenda Cantareira. O que ninguém imagina, é que o preço da liberdade pode ser alto demais.



Silvânia Dias retrata a sociedade mineira do século XIX em "Filhos da Senzala"
O amor e a diferença social são temas mais do que clássicos dos livros brasileiros. Com "Filhos da Senzala", da autora mineira Silvânia Dias, não é diferente. Inspirada em um caso real, a história do homem que vende doze anos de sua liberdade por amor a uma escrava marca a estreia da historiadora no cenário da literatura nacional.
Para saber mais: www.fb.com/Silvania.DiasHist

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tiradentes: a construção do herói


        “Após a Proclamação da República, um processo de transformação de Tiradentes em herói nacional intensificou-se. O dia de seu enforcamento, 21 de abril, ocorrido em 1792, foi transformado em feriado nacional pelo regime republicano em 1890. Aos poucos as imagens de Tiradentes foram se assemelhando cada vez mais com a figura de Jesus Cristo. Até hoje, tanto políticos de direita, quanto de esquerda, reivindicam Tiradentes com herói. Como se deu a criação desse mito?
        A luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificuldade de construí um herói para o novo regime. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto a seus heróis e não possua seu panteão cívico. Em alguns, os heróis surgiram quase espontaneamente das lutas que precederam a nova ordem das coisas. Em outros, de menor profundidade popular, foi necessário maior esforço na escolha e na promoção da figura do herói. É exatamente nesses últimos casos que o herói é mais importante.
        No caso brasileiro, foi grande o esforço de transformação dos principais participantes do golpe de 15 de novembro de 1889 em heróis da República, as virtudes de cada um foram cantadas em prosa e verso, em livros e jornais, em manifestações cívicas, em monumentos, em quadros, em leis da República. Seus nomes foram dados a instituições, a ruas e praças das cidades, a navios de guerra.
        Deodoro era o candidato mais óbvio ao papel de herói republicano. Mas contra ele militavam fatores poderosos. A começar por seu incerto republicanismo, manifesto no próprio dia 15, seu jeito de general da monarquia, sua figura física, que lembrava a do outro ilustre velho, o imperador. Era ainda militar demais para que pudesse ter penetração mais ampla. Nas lutas que envolveram o início da República, uma figura tão identificada com o Exército dividia tanto quanto unia.
        Outro candidato era Benjamin Constant. Seu republicanismo era inatacável. Mas o problema com ele é que não tinha figura de herói. Não era líder militar nem líder popular. Candidato mais sério que Benjamin era Floriano Peixoto. Porém, considerado radical demais, Floriano poderia ser o herói de um ripo de república, a jacobina, mas não da República que aos poucos foi se construindo.
        A busca de um herói para a República acabou tendo êxito onde não o imaginavam muitos dos participantes da proclamação. Diante das dificuldades em promover os protagonistas do dia 15, quem as poucos se revelou capaz de atender às exigências da mitificação foi Tiradentes. Mas quais foram as razões da adoção de Tiradentes e que conteúdo teria sua figura de herói?
        Embora fosse viva na memória popular, a Inconfidência Mineira era tema delicado para a elite culta do Segundo Reinado. Afinal, o proclamador da Independência era neto de D. Maria I, contra quem se tinham rebelado os inconfidentes. O bisneto da tainha louca governava o país. O Brasil era um monarquia governada pela casa de Bragança, ao passo que os inconfidentes tinham pregado uma república americana. Não era fácil exaltar os inconfidentes, e Tiradentes em particular, sem de alguma maneira condenar seus algozes e os sistema político vigente. A luta entre a memória de D. Pedro I, promovida pelo governo, e a de Tiradentes, símbolo dos republicanos, tornou-se aos poucos emblemática da batalha entre Monarquia e a República. Havia poderosa simbologia na luta entre Pedro I e Tiradentes. Sua expressão mais forte talvez esteja em artigo do abolicionista e republicano Luís Gama, publicado no primeiro número do jornal comemorativo do 21 de abril editado pelo Clube Tiradentes (1882). O título do artigo “À forca o Cristo da multidão”. Nele, Gama faz um paralelo entre Tiradentes e Cristo. A forca é equiparada à cruz, o Rio de Janeiro a Jerusalém, o Calvário ao Rocio. Porém, não existia nenhum retrato de Tiradentes  feito por quem o tivesse conhecido pessoalmente.
        Em termos populares, Tiradentes também tinha competidores históricos ao título de herói da República, além dos rivais do dia 15 de novembro. Para mencionar os mais óbvios, havia no sul os líderes da Farroupilha, como Bento Gonçalves. No Norte, a figura respeitável de Frei Caneca. Não consta que se tenha tentado transformar Bento Gonçalves em herói republicano nacional. Afinal de contas, havia a suspeita de que a revolta farroupilha queria separar o  Rio Grande do Sul do Brasil. Faltava, portanto, aos heróis gaúchos a característica nacional, indispensável à imagem de um herói republicano. Frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador, ocorrido no Primeiro Império, era um candidato mais sério. Herói de duas revoltas, uma pela independência, a outra contra o absolutismo de D. Pedro I, morrera como mártir, fuzilado, pois nenhum carrasco se dispusera a enforca-lo.
        Um dos fatores que pode ter levado à vitória de Tiradentes é, sem dúvida, o geográfico. Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da metade do século XIX, já podia ser considerada a centro político do país – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as três capitanias que ele buscou, num primeiro momento, tornar independentes. Porém não era uma ideia separatista, mas a de um cálculo tático. Libertadas as três, as outras seguiriam com maior facilidade. Já o Nordeste de frei Caneca era uma região em decadência política e econômica. Além disso, a Confederação do Equador apresentara um caráter separatista que a maculavam como movimento nacional.
        No entanto, há ainda outro elemento importante na preferência por Tiradentes. Frei Caneca e seus companheiros tinham-se envolvido em duas lutas que realmente aconteceram, em que houvera sangue e morte. Morreu como herói desafiador, quase arrogante, num ritual seco de fuzilamento. Foi um mártir rebelde, acusador, agressivo. Não morreu como vítima, como portador das dores de um povo. Morreu como líder cívico e não como um mártir religioso, embora, ironicamente, se tratasse de um frade.
        Talvez esteja aí um dos principais segredos do êxito de Tiradentes. O fato de não ter a Inconfidência Mineira passado à ação concreta poupou-lhe ter derramado sangue, ter exercido violência contra as outras pessoas, ter criado inimigos. A violência revolucionária permaneceu potencial. Tiradentes era o mártir ideal, o condenado. A violência real pertenceu aos carrascos. Foi vítima não só do governo português, mas até mesmo de seus amigos. Vítima da traição de Joaquim Silvério, seu amigo pessoal.
        Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele a liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade ainda que tardia. “


(Adaptado de Carvalho, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, pp. 55-73)


Fonte: Ferreira, João Paulo Hidalgo, Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Nova história integrada: ensino médio volume único – Campinas, SP: Companhia da Escola, 2005. 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"Era uma vez uma História"


A emissora de TV Band anuncia para o mês de abril a exibição de um programa que promete levar os espectadores a uma viagem pelo tempo através da História do Brasil.  O programa será apresentado pelo ator/apresentador Dan Stulbach e pela historiadora Lilia SchwarczA produção pretende apresentar episódios  da História do Brasil pouco explorados pelos livros de História. Em seis capítulos, onde se mistura história e dramaturgia através da dinâmica de um documentário o público poderá conhecer fatos e personagens pitorescos de nossa história. O programa também será apresentado pelo canal de TV fechada Warner.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Revoltas e movimentos sociais na República Velha




A República Velha (1889-1930) foi um período de grande instabilidade política. A difícil situação econômica dos pobres e a insatisfação com o domínio das oligarquias geraram vários movimentos populares.
Ocorreram inúmeras manifestações de rebeldia social e política dos brasileiros durante a República Velha. Camponeses, marinheiros, operários, jovens oficiais do Exército, cada grupo social tinha seus próprios motivos para se rebelar.
Entre os vários movimentos sociais e políticos do Brasil das oligarquias, podemos destacar as guerras das comunidades camponesas do Contestado (SC) e Canudos (BA), os cangaceiros e a atuação do padre Cícero (CE), as revoltas da Vacina e da Chibata e também os jovens oficiais do Exército que nos nos anos 20, lideraram revoltas em quartéis contra o domínio das oligarquias. Foi o chamado movimento tenentista, que gerou a célebre Coluna Prestes.

Guerra de Canudos:

A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos, também conhecida como Guerra dos Canudos em certas regiões do sertão baiano, foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.
O episódio foi fruto de uma série de fatores como a grave crise econômica e social pela qual passava a região à época, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.
Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano, reinstalando a Monarquia. Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, inclusive uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, conhecido como "corta-cabeças" por ter mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.

Dica de links:

Guerra do Contestado:
A Guerra do Contestado foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina.
Originada nos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras, e da insatisfação da população hipossuficiente, numa região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa.
A região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultores contestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company. Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como Contestado, justamente por ser uma região de disputas limítrofes entre os dois estados brasileiros.

Dica de links:

Revolta da Vacina

No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro era a capital do Brasil. Estava crescendo desordenadamente. Sem planejamento, as favelas e cortiços predominavam na paisagem. A rede de esgoto e coleta de lixo era muito precária, as vezes inexistente. Em decorrência disto, dezenas de doenças se proliferavam na população, como Tifo, Febre Amarela, Peste Bubônica, Varíola, entre outras enfermidades.

Oswaldo Cruz
Vendo a situação piorar cada dia mais, o então presidente Rodrigues Alves decide fazer uma reforma no centro do Rio, implementando projetos de saneamento básico e urbanização. Ele designa Oswaldo Cruz, biólogo e sanitarista, para ser chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, que juntamente com o prefeito Pereira Passos, começam a reforma.
A reforma incluía a demolição das favelas e cortiços, expulsando seus moradores para as periferias, a criação das Brigadas Mata-Mosquitos, que eram grupos de funcionários do serviço sanitário e policiais que invadiam as casas, matando os insetos encontratos, etc. Essas medidas tomadas causaram revolta na população, e com a aprovação da Campanha da Vacinação Obrigatória, que obrigava as pessoas a serem vacinadas (os funcionários responsáveis pelo serviço tinham que vacinar as pessoas mesmo que elas não quisessem), a situação piorou. A população começou a fazer ataques à cidade, destruir bondes, prédios, trens, lojas, bases policiais, etc. Esse episódio da história brasileira ficou conhecido então como Revolta da Vacina.
Mais tarde, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se voltaram contra a lei da vacina. A revolta popular fez com que o governo suspendesse a lei, não sendo mais obrigatória. Para finalizar a rebelião, Alves coloca nas ruas o exército, polícia e marinha.
Ao final da revolta, o governo recomeça a vacinação da população, tendo como resultado a erradicação da varíola na cidade

Dica de Links:

Revolta da Chibata:

A Revolta da Chibata foi um movimento de militares da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se desenrolou de 22 a 27 de novembro de 1910 na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, à época a capital do país, sob a liderança do marinheiro João Cândido Felisberto.
Na ocasião, mais de dois mil marinheiros rebelaram-se contra a aplicação de castigos físicos a eles impostos como punição, ameaçando bombardear a cidade. Durante os seis dias do motim seis oficiais foram mortos, entre eles o comandante do Encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves.

Dica de Links:

Cangaço:

O Cangaço foi uma onda de banditismo, crime e violência que se alastrou por quase todo o sertão do Nordeste brasileiro entre o século 18 e meados do século 20. Para alguns especialistas, o cangaço teria nascido como uma forma de defesa dos sertanejos diante da ineficiência do governo em manter a ordem e aplicar a lei. Mas o fato é que os bandos de cangaceiros logo se transformaram em quadrilhas que aterrorizaram o sertão, pilhando, assassinando e estuprando. Para combatê-los, o governo reagia com as "volantes", grupos de policiais disfarçados de cangaceiros, que muitas vezes eram mais brutais que os próprios cangaceiros. O maior de todos os cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, começou a atuar em 1920. Estima-se que sua gangue chegou a matar mais de mil pessoas. As primeiras mulheres juntaram-se ao cangaço a partir de 1930 - a pioneira foi Maria Bonita, companheira de Lampião. O sucesso de seus ataques contra fazendas e vilarejos fez a polícia intensificar os esforços para enfrentá-los, usando armamentos que os cangaceiros jamais conseguiram comprar, como submetralhadoras. Em 1938, Lampião e Maria Bonita foram mortos por uma volante. Um dos sobreviventes, Corisco, tentou assumir o lugar

Dica de Links:

Padre Cícero:
Cícero Romão Batista nasceu em 1844 na antiga Vila Real do Crato e chegou a Juazeiro em 1872, dando início ao sacerdócio junto a população pobre de sertanejos, numa cidade marcada pela violência e pela prostituição. Teve importante atuação tanto no sentido de aconselhamento espiritual como no trabalho junto às comunidades nas épocas de seca e de fome. Dessa maneira conquistou o respeito da comunidade que passou a lhe atribuir a qualidade de santo e profeta.
O messianismo passou a fazer parte de sua vida em 1891, quando a hóstia ficou vermelha na boca da beata Maria Madalena, fazendo com que o povo considerasse o fato como um milagre.
A partir de então desenvolveu-se grande campanha contra o padre movida pela Igreja católica, que proibiu-o de rezar as missas e forçou sua transferência de Juazeiro. Em 1898 foi chamado à Roma para dar explicações sobre o â??milagre" e é absolvido, retornando a Juazeiro.
Mesmo com a rejeição do milagre pelo padre, o boato se espalha e a cidade torna-se centro de romarias de camponeses que buscam a cura para seus males, ampliando a fama do "Padim Ciço".

Dica de Links:

Tenentismo e Coluna Prestes:

A partir da década de 1920, um movimento de caráter político-militar começou a se organizar no interior dos exércitos do Brasil. Jovens militares que ocupavam as patentes de oficial, tenente e capitão começaram a expressar o seu descontentamento frente aos desmandos do governo das oligarquias. Representando em parte os anseios dos setores médios da população brasileira, esses militares pregavam a moralização e o fim da corrupção no âmbito das práticas políticas da nação.
Entre outros pontos, os tenentes defendiam a instauração do voto secreto e o fim da corrupção eleitoral. Em certa medida, eram defensores de um regime político calcado na ordem democrática e liberal. No entanto, parte desses oficiais do Exército também via que a situação de urgência do país buscava a constituição de um governo forte e centralizado.
Uma das primeiras revoltas organizadas por esses militares começou a se organizar no ano de 1921, realizando oposição ao processo eleitoral da época. Os oficias eram contrários à eleição de Arthur Bernardes, que viria a se tornar presidente. Visando repreender as críticas desses oficiais ao novo governo, Arthur Bernardes ordenou o fechamento do Clube Militar. Inconformados com o decreto autoritário, uma guarnição do forte de Copacabana bombardeou a cidade e exigiu a renúncia do novo presidente.
A rebelião motivou uma violenta reação do governo que acabou desarticulando a maioria de seus participantes. Apenas um pequeno grupo, noticiado pelos jornais da época como “Os Dezoito do Forte”, resistiram às forças oficiais saindo em marcha pelo litoral carioca. As tropas fiéis ao presidente saíram à procura desse grupo resistente, executando a maioria dos envolvidos. O evento acabou potencializando a ocorrência de novas rebeliões militares.
Na data de 5 de julho de 1924, um novo grupo de tenentes paulistas tomaram das armas para enfrentar o governo. Ao longo de quase um mês, o grupo comandado pelo general Isidoro Dias Lopes entrou em confronto com as tropas governamentais. Em pouco tempo, novos levantes tenentistas viriam a se espalhar por outros cantos do Brasil. Uma parte dos militares envolvidos no levante em São Paulo, se refugiaram em Foz do Iguaçu, onde se encontraram com um grupo de tentes gaúchos.
A união desses militares possibilitou a formação da chamada Coluna Prestes. Esse grupo de guerrilheiros, de origem militar e civil, era liderado por Luís Carlos Prestes pregando mudanças por todo o território brasileiro. Ao longo de três anos, os participantes da Coluna Prestes percorreram mais de 24 mil quilômetros fugindo da perseguição dos oficias legalistas e convocando outras pessoas a fazer parte do movimento.
A falta de apelo popular de seus líderes acabou enfraquecendo o movimento, que se dissipou na Bolívia, no ano de 1927. Os participantes do movimento encerraram a sua luta. Alguns dos integrantes, entre eles Luis Carlos Prestes, resolveram militar pelas vias partidárias ao se aproximar do Partido Comunista do Brasil. Mesmo não obtendo resultados concretos, o tenentismo dava sinais de desgaste sofrido pelas teias de dominação estabelecidas pelo regime das oligarquias.

Dica de Links:

Apoio didático para a apresentação dos seminários dos alunos do 9º ano da E. M. Dr. Xenofonte Mercadante.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Telefone de Hitler será leiloado nos EUA

O telefone vermelho de Adolf Hitler, que ele usava para emitir ordens e apresentado como "a arma mais destrutiva" da História, será leiloado no domingo nos Estados Unidos, anunciou a empresa que organiza a venda.
O aparelho encontrado no bunker de Hitler tem seu nome gravado, assim como uma suástica com uma águia em cima, símbolo do Terceiro Reich, e foi avaliado entre US$ 200 mil e US$ 300 mil pela casa de leilões Alexander Historical.


A venda, que será realizada em Maryland, incluirá mais de mil objetos e será aberta a compradores de todo o mundo.
Foi levado em conta a "raridade e o aspecto único" do telefone para fixar seu valor, disse à AFP o representante da casa de leilões, Andreas Kornfeld, assegurando que espera que o preço final super a cifra estimada.
Com este telefone, o líder nazista deu a maior parte de suas ordens durante os dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, indicou a Alexander Historical.
"Provavelmente" trata-se da "arma mais destrutiva de todos os tempos, que enviou milhões (de pessoas) para a morte em todo o mundo", comentou a Alexander.
"Foi o aparelho portátil da destruição de Hitler, utilizado em carros, trens e quartéis-generais", explicou a casa de leilões.
Fonte: www.noticias.uol.com.br

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