" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

sexta-feira, 10 de março de 2017

Revoltas e movimentos sociais na República Velha




A República Velha (1889-1930) foi um período de grande instabilidade política. A difícil situação econômica dos pobres e a insatisfação com o domínio das oligarquias geraram vários movimentos populares.
Ocorreram inúmeras manifestações de rebeldia social e política dos brasileiros durante a República Velha. Camponeses, marinheiros, operários, jovens oficiais do Exército, cada grupo social tinha seus próprios motivos para se rebelar.
Entre os vários movimentos sociais e políticos do Brasil das oligarquias, podemos destacar as guerras das comunidades camponesas do Contestado (SC) e Canudos (BA), os cangaceiros e a atuação do padre Cícero (CE), as revoltas da Vacina e da Chibata e também os jovens oficiais do Exército que nos nos anos 20, lideraram revoltas em quartéis contra o domínio das oligarquias. Foi o chamado movimento tenentista, que gerou a célebre Coluna Prestes.

Guerra de Canudos:

A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos, também conhecida como Guerra dos Canudos em certas regiões do sertão baiano, foi o confronto entre o Exército Brasileiro e integrantes de um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.
O episódio foi fruto de uma série de fatores como a grave crise econômica e social pela qual passava a região à época, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social.
Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano, reinstalando a Monarquia. Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas, inclusive uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, conhecido como "corta-cabeças" por ter mandado executar mais de cem pessoas a sangue frio na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial, dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as 5.200 casas do arraial.

Dica de links:

Guerra do Contestado:
A Guerra do Contestado foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina.
Originada nos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras, e da insatisfação da população hipossuficiente, numa região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa.
A região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultores contestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company. Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como Contestado, justamente por ser uma região de disputas limítrofes entre os dois estados brasileiros.

Dica de links:

Revolta da Vacina

No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro era a capital do Brasil. Estava crescendo desordenadamente. Sem planejamento, as favelas e cortiços predominavam na paisagem. A rede de esgoto e coleta de lixo era muito precária, as vezes inexistente. Em decorrência disto, dezenas de doenças se proliferavam na população, como Tifo, Febre Amarela, Peste Bubônica, Varíola, entre outras enfermidades.

Oswaldo Cruz
Vendo a situação piorar cada dia mais, o então presidente Rodrigues Alves decide fazer uma reforma no centro do Rio, implementando projetos de saneamento básico e urbanização. Ele designa Oswaldo Cruz, biólogo e sanitarista, para ser chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, que juntamente com o prefeito Pereira Passos, começam a reforma.
A reforma incluía a demolição das favelas e cortiços, expulsando seus moradores para as periferias, a criação das Brigadas Mata-Mosquitos, que eram grupos de funcionários do serviço sanitário e policiais que invadiam as casas, matando os insetos encontratos, etc. Essas medidas tomadas causaram revolta na população, e com a aprovação da Campanha da Vacinação Obrigatória, que obrigava as pessoas a serem vacinadas (os funcionários responsáveis pelo serviço tinham que vacinar as pessoas mesmo que elas não quisessem), a situação piorou. A população começou a fazer ataques à cidade, destruir bondes, prédios, trens, lojas, bases policiais, etc. Esse episódio da história brasileira ficou conhecido então como Revolta da Vacina.
Mais tarde, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se voltaram contra a lei da vacina. A revolta popular fez com que o governo suspendesse a lei, não sendo mais obrigatória. Para finalizar a rebelião, Alves coloca nas ruas o exército, polícia e marinha.
Ao final da revolta, o governo recomeça a vacinação da população, tendo como resultado a erradicação da varíola na cidade

Dica de Links:

Revolta da Chibata:

A Revolta da Chibata foi um movimento de militares da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se desenrolou de 22 a 27 de novembro de 1910 na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, à época a capital do país, sob a liderança do marinheiro João Cândido Felisberto.
Na ocasião, mais de dois mil marinheiros rebelaram-se contra a aplicação de castigos físicos a eles impostos como punição, ameaçando bombardear a cidade. Durante os seis dias do motim seis oficiais foram mortos, entre eles o comandante do Encouraçado Minas Gerais, João Batista das Neves.

Dica de Links:

Cangaço:

O Cangaço foi uma onda de banditismo, crime e violência que se alastrou por quase todo o sertão do Nordeste brasileiro entre o século 18 e meados do século 20. Para alguns especialistas, o cangaço teria nascido como uma forma de defesa dos sertanejos diante da ineficiência do governo em manter a ordem e aplicar a lei. Mas o fato é que os bandos de cangaceiros logo se transformaram em quadrilhas que aterrorizaram o sertão, pilhando, assassinando e estuprando. Para combatê-los, o governo reagia com as "volantes", grupos de policiais disfarçados de cangaceiros, que muitas vezes eram mais brutais que os próprios cangaceiros. O maior de todos os cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, começou a atuar em 1920. Estima-se que sua gangue chegou a matar mais de mil pessoas. As primeiras mulheres juntaram-se ao cangaço a partir de 1930 - a pioneira foi Maria Bonita, companheira de Lampião. O sucesso de seus ataques contra fazendas e vilarejos fez a polícia intensificar os esforços para enfrentá-los, usando armamentos que os cangaceiros jamais conseguiram comprar, como submetralhadoras. Em 1938, Lampião e Maria Bonita foram mortos por uma volante. Um dos sobreviventes, Corisco, tentou assumir o lugar

Dica de Links:

Padre Cícero:
Cícero Romão Batista nasceu em 1844 na antiga Vila Real do Crato e chegou a Juazeiro em 1872, dando início ao sacerdócio junto a população pobre de sertanejos, numa cidade marcada pela violência e pela prostituição. Teve importante atuação tanto no sentido de aconselhamento espiritual como no trabalho junto às comunidades nas épocas de seca e de fome. Dessa maneira conquistou o respeito da comunidade que passou a lhe atribuir a qualidade de santo e profeta.
O messianismo passou a fazer parte de sua vida em 1891, quando a hóstia ficou vermelha na boca da beata Maria Madalena, fazendo com que o povo considerasse o fato como um milagre.
A partir de então desenvolveu-se grande campanha contra o padre movida pela Igreja católica, que proibiu-o de rezar as missas e forçou sua transferência de Juazeiro. Em 1898 foi chamado à Roma para dar explicações sobre o â??milagre" e é absolvido, retornando a Juazeiro.
Mesmo com a rejeição do milagre pelo padre, o boato se espalha e a cidade torna-se centro de romarias de camponeses que buscam a cura para seus males, ampliando a fama do "Padim Ciço".

Dica de Links:

Tenentismo e Coluna Prestes:

A partir da década de 1920, um movimento de caráter político-militar começou a se organizar no interior dos exércitos do Brasil. Jovens militares que ocupavam as patentes de oficial, tenente e capitão começaram a expressar o seu descontentamento frente aos desmandos do governo das oligarquias. Representando em parte os anseios dos setores médios da população brasileira, esses militares pregavam a moralização e o fim da corrupção no âmbito das práticas políticas da nação.
Entre outros pontos, os tenentes defendiam a instauração do voto secreto e o fim da corrupção eleitoral. Em certa medida, eram defensores de um regime político calcado na ordem democrática e liberal. No entanto, parte desses oficiais do Exército também via que a situação de urgência do país buscava a constituição de um governo forte e centralizado.
Uma das primeiras revoltas organizadas por esses militares começou a se organizar no ano de 1921, realizando oposição ao processo eleitoral da época. Os oficias eram contrários à eleição de Arthur Bernardes, que viria a se tornar presidente. Visando repreender as críticas desses oficiais ao novo governo, Arthur Bernardes ordenou o fechamento do Clube Militar. Inconformados com o decreto autoritário, uma guarnição do forte de Copacabana bombardeou a cidade e exigiu a renúncia do novo presidente.
A rebelião motivou uma violenta reação do governo que acabou desarticulando a maioria de seus participantes. Apenas um pequeno grupo, noticiado pelos jornais da época como “Os Dezoito do Forte”, resistiram às forças oficiais saindo em marcha pelo litoral carioca. As tropas fiéis ao presidente saíram à procura desse grupo resistente, executando a maioria dos envolvidos. O evento acabou potencializando a ocorrência de novas rebeliões militares.
Na data de 5 de julho de 1924, um novo grupo de tenentes paulistas tomaram das armas para enfrentar o governo. Ao longo de quase um mês, o grupo comandado pelo general Isidoro Dias Lopes entrou em confronto com as tropas governamentais. Em pouco tempo, novos levantes tenentistas viriam a se espalhar por outros cantos do Brasil. Uma parte dos militares envolvidos no levante em São Paulo, se refugiaram em Foz do Iguaçu, onde se encontraram com um grupo de tentes gaúchos.
A união desses militares possibilitou a formação da chamada Coluna Prestes. Esse grupo de guerrilheiros, de origem militar e civil, era liderado por Luís Carlos Prestes pregando mudanças por todo o território brasileiro. Ao longo de três anos, os participantes da Coluna Prestes percorreram mais de 24 mil quilômetros fugindo da perseguição dos oficias legalistas e convocando outras pessoas a fazer parte do movimento.
A falta de apelo popular de seus líderes acabou enfraquecendo o movimento, que se dissipou na Bolívia, no ano de 1927. Os participantes do movimento encerraram a sua luta. Alguns dos integrantes, entre eles Luis Carlos Prestes, resolveram militar pelas vias partidárias ao se aproximar do Partido Comunista do Brasil. Mesmo não obtendo resultados concretos, o tenentismo dava sinais de desgaste sofrido pelas teias de dominação estabelecidas pelo regime das oligarquias.

Dica de Links:

Apoio didático para a apresentação dos seminários dos alunos do 9º ano da E. M. Dr. Xenofonte Mercadante.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Telefone de Hitler será leiloado nos EUA

O telefone vermelho de Adolf Hitler, que ele usava para emitir ordens e apresentado como "a arma mais destrutiva" da História, será leiloado no domingo nos Estados Unidos, anunciou a empresa que organiza a venda.
O aparelho encontrado no bunker de Hitler tem seu nome gravado, assim como uma suástica com uma águia em cima, símbolo do Terceiro Reich, e foi avaliado entre US$ 200 mil e US$ 300 mil pela casa de leilões Alexander Historical.


A venda, que será realizada em Maryland, incluirá mais de mil objetos e será aberta a compradores de todo o mundo.
Foi levado em conta a "raridade e o aspecto único" do telefone para fixar seu valor, disse à AFP o representante da casa de leilões, Andreas Kornfeld, assegurando que espera que o preço final super a cifra estimada.
Com este telefone, o líder nazista deu a maior parte de suas ordens durante os dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, indicou a Alexander Historical.
"Provavelmente" trata-se da "arma mais destrutiva de todos os tempos, que enviou milhões (de pessoas) para a morte em todo o mundo", comentou a Alexander.
"Foi o aparelho portátil da destruição de Hitler, utilizado em carros, trens e quartéis-generais", explicou a casa de leilões.
Fonte: www.noticias.uol.com.br

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Divulgação: Minicurso - Histórias em Quadrinhos e História Política: usos e leituras


O minicurso tem como objetivo refletir sobre os usos políticos das Histórias em quadrinhos, nas mais diferentes abordagens e nos mais variados contextos históricos. Em outras palavras, problematizamos os quadrinhos (também conhecidos pela sigla HQs) como fonte para a História Política. Para tanto, consideramos as HQs como uma forma de manifestação política, na medida em que elas acabam, em maior ou menor grau, levantando polêmicas, hasteando bandeiras e engendrando opiniões nos contextos em que foram produzidos e veiculados. Deste modo, tal gênero de leitura presente de forma inegável nas sociedades contemporâneas será apresentado não apenas como suporte de ideias e valores, mas como resultado de práticas culturais elaboradas em diferentes conjunturas. O recorte temporal do minicurso é centrado em produções quadrinísticas de variados espectros ideológicos, nacionais e estrangeiras, produzidas desde antes da Segunda Guerra Mundial até os dias atuais. Haverá ainda espaço para tratar tanto das peculiaridades construtivas quanto da recepção das HQs.

Inscrições de 02/01/2017 a 05/02/2017​ através do site http://www.ephisufmg.com.br/mini-cursos/inscricao/





Historiador - Uma profissão, uma paixão


Gosto pela leitura é fundamental para o historiador

Carreira procura traçar os caminhos da humanidade.
Rigor e crítica para a investigação são qualidades exigidas.


Heródoto (século V a.C.),
um dos primeiros historiadores
cuja obra sobreviveu até
 os dias de hoje.
Quem somos nós? E para onde vamos? Talvez, analisando de um jeito bem simples, é a estas perguntas que um historiador pretende responder. Esse profissional estuda as implicações do passado no presente e novas formas de escrever o futuro. E os especialistas afirmam que para fazer o curso de história, é preciso muita paixão pelo conhecimento. 
 A faculdade de história, mais do que qualquer coisa, exige paciência e disciplina com os livros. “O gosto pela leitura é uma condição para fazer a faculdade”, afirma a coordenadora do curso na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, Doracina Alves Campos Sosa. “Percebemos que nossos alunos são muito exigidos em termo de leitura. Carregam muitos livros embaixo do braço”, brinca a professora. 
Mas, segundo ela, quem vai para a história tem de ter interesse por descobrir coisas; ser curioso na investigação, no reconhecimento do passado, e nas ligações entre o passado e o presente. Em resumo, o estudante tem de ser criterioso e crítico para não aceitar qualquer explicação sobre os rumos da sociedade.

 Há que se ter ainda um certo gosto pela educação, pois grande parte dos profissionais acaba se destinando a lecionar em escolas de ensino fundamental e médio. 

 Cursos
Como a docência é que abre mais postos de trabalho, existem no país, segundo dados de 2005 do Ministério da Educação (MEC), 346 cursos para a formação de professores de história e outros 91 para a graduação de bacharéis.

A diferença básica entre os dois tipos é que, para lecionar no ensino fundamental e médio, é preciso obter o título de licenciado em história. Já para a pesquisa científica ou lecionar nas universidades, é preciso obter o título de bacharel em história.

Muitas instituições oferecem os dois tipos de curso, e basta ao estudante complementar os estudos para obter os dois títulos. Mas nem sempre é assim. Por isso, na hora de escolher a faculdade, vale ficar de olho na modalidade oferecida.

Há ainda outros aspectos importantes na hora de escolher o curso. “É fundamental observar a formação do corpo docente: a qualificação, a produção, a inserção na área”, afirma o presidente da Associação Nacional de História (Anpuh), Manoel Luiz Salgado Guimarães. “O capital humano será o fundamental para a boa formação do profissional e deve orientar sua escolha pela universidade”. O site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), permite conhecer o currículo dos docentes.

O tempo de graduação, de acordo com uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) deve ser de, no mínimo três ou quatro anos. O currículo, em geral, é composto por disciplinas como história do Brasil, da América, teoria da história, história das idéias, antropologia, história da arte.
 Quem quer ser historiador
O perfil dos ingressantes, segundo o vice-chefe do departamento de história da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Napolitano, é bem variado. “Existem expectativas de ordem política, para ‘conhecer as sociedades humanas e seus conflitos’; motivações ligadas à busca de cultura histórica geral; expectativas ligadas ao gosto pelo patrimônio cultural da humanidade e pelas sociedades distantes no tempo”, diz.

“E também é comum alunos que já possuem alguma formação superior, por exemplo, economistas, advogados ou jornalistas, que buscam o curso de história para aumentar sua cultura humanística”, afirma.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Edição crítica de “Mein Kampf” vende 85 mil exemplares em um ano


Berlim – O Instituto de História Contemporânea de Munique (IfZ) informou nesta terça-feira que em um ano foram vendidos 85 mil exemplares da edição crítica de “Mein Kampf” (“Minha luta”), o ideário político de Adolf Hitler cuja publicação foi proibida durante 70 anos na Alemanha.
No final de janeiro chegará às livrarias a sexta edição da obra, dois volumes de 1.948 páginas que reúnem o texto original e Hitler, com seus pensamentos antissemitas e nacionalistas, e comentários que questionam e contextualizam suas afirmações.
Esta versão crítica começou a ser vendida na Alemanha em janeiro do ano passado após a liberação dos direitos de propriedade intelectual, que tinham ficado sob a custódia do Estado da Baviera depois da morte de Hitler, em 30 de abril de 1945.
As autoridades bávaras vetaram durante 70 anos a reedição do livro com o temor de que se transformasse em objeto de culto dos neonazistas e que fosse instrumentalizado pela extrema-direita, embora nunca tenha desaparecido completamente.
A obra, que teve impressa 12 milhões de exemplares até a capitulação do Terceiro Reich, era acessível tanto em edições estrangeiras como em sebos, já que sua venda nunca esteve estritamente proibida.
Com a liberação dos direitos de propriedade intelectual, a primeira versão colocada à venda foi a do IfZ, que rapidamente esgotou os primeiros quatro mil exemplares impressos.
Em comunicado, o diretor do IfZ, Andreas Wirsching, mostrou nesta terça-feira sua satisfação por conseguir um “equilíbrio” entre o trabalho científico básico e a contextualização histórico-política da obra e por fechar a lacuna existente nas pesquisas sobre o nazismo.
O objetivo da equipe editorial do Instituto, dirigida por Christian Hartmann, foi oferecer uma edição científica comentada e sólida da obra antes que alguém a colocasse à venda com interesses “propagantistas” e dar ferramentas para enfrentar de forma crítica a “demagogia” de Hitler.
O IfZ, afirmou Wirsching, era consciente que, além de um desafio científico, havia implicações sociais e políticas, por isso escolheu a própria editora do Instituto e fixou um preço justo (59 euros) para deixar claro que o objetivo não era ganhar dinheiro.
A versão comentada chegou a liderar a lista semanal da revista “Der Spiegel” com os livros de não ficção mais vendidos na Alemanha.
O Instituto, fundado em 1949 com o propósito inicial de investigar os fatores que possibilitaram o auge do nacional-socialismo, destacou os vários pedidos de instituições e universidades interessadas em organizar apresentações e debates em torno de sua obra.
Segundo o IfZ, a preocupação inicial perante a possibilidade de a obra ser instrumentalizada e impulsionar o ideário neonazista era infundada.
A edição comentada, destacou Wirsching, permite conhecer precisamente “as raízes sinistras e as consequências das ideologias totalitárias”.
Fonte: EXAME.com

sábado, 19 de novembro de 2016

História do Samba


O nome samba é, provavelmente, originário do nome angolano semba, um ritmo religioso, cujo nome significa umbigada, devido à forma como era dançado.

O primeiro registro da palavra "samba" aparece na Revista O Carapuceiro, de Pernambuco, em 3 de fevereiro de 1838, quando Frei Miguel do Sacramento Lopes Gama, escreve contra o que chamou de "samba d'almocreve". O Samba é a principal forma de música de raízes africanas surgida no Brasil.

Em meados do século 19, a palavra samba definia diferentes tipos de música introduzidas pelos escravos africanos, desde o Maranhão até São Paulo. O samba carioca provavelmente recebeu muita influência de ritmos da Bahia, com a transferência de grande quantidade de escravos para as plantações de café no Estado do Rio, onde ganhou novos contornos, instrumentos e histórico próprio, de forma tal que, o samba moderno, como gênero musical, surgiu no início do século 20 na cidade do Rio de Janeiro (a capital brasileira de então).

Muitos pesquisadores apontam para os ritmos do maxixe, do lundu e da modinha como fontes que, quando sintetizadas, deram origem a ao samba moderno.

O termo "escola de samba" é originário deste período de formação do gênero. O termo foi adotado por grandes grupos de sambistas numa tentativa de ganhar aceitação para o samba e para a suas manifestações artísticas; o morro era o terreno onde o samba nascia e a "escola" dava aos músicos um senso de legitimidade e organização que permitia romper com as barreiras sociais.

O samba-amaxixado Pelo telefone, de domínio público mas registrado por Donga e Mauro Almeida, é considerado o primeiro samba gravado, embora Bahiano e Ernesto Nazaré tenham gravado pela Casa Édison desde 1903. É deles o samba "A viola está magoada". Há registros também do samba "Em casa de Baiana" (1913), de autoria de Alfredo Carlos Brício. Porém ambos não fizeram muito sucesso, e foi a composição registrada por Donga que levou o gênero para além dos morros. Donga chegou a anunciar "Pelo telefone" como "tango-samba", no Jornal do Brasil de 8 de janeiro de 1917.

Nos anos trinta, um grupo de músicos liderados por Ismael Silva fundou, na vizinhança do bairro de Estácio de Sá, a primeira escola de samba, Deixa Falar. Eles transformaram o gênero, dando-lhe os contornos atuais, inclusive coma introdução de novos instrumentos, como o surdo e a cuíca, para que melhor se adequasse ao desfile de carnaval. Nesta mesma época, um importante personagem também foi muito importante para a popularização do samba: Noel Rosa. Noel é responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. É considerado o primeiro cronista da música popular brasileira. Nesta época, a rádio difundiu a popularidade do samba por todo o país, e com o suporte do presidente Getúlio Vargas, o samba ganhou status de "música oficial" do Brasil.

Nos anos seguintes o samba se desenvolveu em várias direções, do samba canção às baterias de escolas de samba. Um dos novos estilos foi a bossa nova, criado por membros da classe média, dentre eles João Gilberto e Antonio Carlos Jobim.

Nos anos sessenta os músicos da bossa nova iniciaram um movimento de resgate dos grandes mestres do samba. Muitos artistas foram descobertos pelo grande público neste momento. Nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti e Clementina de Jesus gravaram os seus primeiros discos.

Nos anos setenta o samba era muito tocado nas rádios. Compositores e cantores como Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Clara Nunes e Beth Carvalho dominavam as paradas de sucesso.

No início da década de 1980, depois de um período de esquecimento onde as rádios eram dominadas pela música de discoteca e pelo rock brasileiro, o samba reapareceu no cenário brasileiro com um novo movimento chamado de pagode. Nascido nos subúrbios cariocas, o pagode era um samba renovado, que utilizava novos instrumentos, como o banjo e o tantã, e uma linguagem mais popular. Os nomes mais famosos foram Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Martinho da Vila, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão e Jovelina Pérola Negra.

Atualmente o samba é um dos gêneros musicais mais populares no Brasil e sem dúvida é o ritmo que melhor representa a imagem do Brasil e do carioca.

Fonte: Wikipédia.org

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Padroeira do Brasil

No dia 12 de outubro o Brasil comemora o dia de Nossa Senhora da Santa Conceição Aparecida, nome católico dedicado a Maria, mãe de Jesus de Nazaré. O seu santuário está localizado na cidade de Aparecida (SP), na Basílica de 
Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Nossa Senhora Aparecida. O local foi consagrado pelo papa João Paulo II, em julho de 1980. No mesmo ano, o dia 12 de outubro foi decretado feriado nacional. Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e Padroeira Oficial em 16 de julho de 1930, por decreto do papa Pio XI, quando foi coroada.
A história de Nossa Senhora da Santa Conceição Aparecida tem início em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves jogavam suas redes no rio Paraíba do Sul. Depois de muitas tentativas em vão e com fome, já descendo o curso do rio, eles jogaram novamente suas redes e encontraram o corpo de uma estátua com a imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Em nova tentativa, apanharam a cabeça da imagem. Envolveram o que encontraram em um lenço. Depois disso, voltaram a pescar e conseguiram captar muitos peixes. Por conta disso, a imagem passou a ser venerada na região de Porto de Itaguaçu. Cada vez mais fiéis procuravam pela imagem e teve início a construção da atual basílica na região que, futuramente seria a cidade de Aparecida, em homenagem à santa. Em 6 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e ofertou, como pagamento de uma promessa, uma coroa de ouro com diamantes e rubis, juntamente com um manto azul. Em 1978, a estátua sofreu um atentado de um jovem transtornado, foi despedaçada, mas acabou restaurada pela artista plástica Maria Helena Chartuni.

Jogos infantis

Quantas brincadeiras você consegue identificar nesta pintura?

No quadro “Jogos Infantis”, o flamengo Pieter Brueghel (1525?-1569) mostra cerca de 250 personagens participando de 84 brincadeiras, em 1560. Grande parte delas é conhecida ainda hoje.
É o caso da maria-cadeira,em que duas crianças trançam os braços para formar uma cadeira humana, usada para lançar um dos companheiros, após o canto de um versinho: “Onde vai, Maria Cadeira?/ Vai à casa do capitão,/ O capitão não está em casa,/ Joga Maria Cadeira no chão/ joga Maria Cadeira no chão...”.

De onde vêm as brincadeiras? Ninguém responde com certeza. Elas são universais e fazem parte da cultura popular _como a literatura oral, a música, a culinária.

Leia mais em: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/brinca8.htm

Personalidades históricas quando crianças

Uma homenagem para as crianças de todas as idades, de hoje, ontem e de sempre.
Inspirado pela música "Saiba" de Adriana Calcanhoto e Arnaldo Antunes esta publicação exibe uma pequena mostra de personalidades históricas quando ainda eram eram crianças, reforçando a lógica que todo mundo  já passou pela tenra idade. Independentemente de como foi a sua caminhada pela vida, todos já tiveram os medos, anseios e sonhos de uma criança.   


Saiba!
Todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão, também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem...
Saiba!
Todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
E também você e eu...
Saiba!
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar...
Saiba!
Todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano...
Saiba!
Todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé...
Saiba!
Todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
E também eu e você
E também eu e você
E também eu e você...

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Regras de "como ganhar uma eleição"

No ano de 64 a.C., Marcus Tullius Cícero, advogado; orador; filósofo; escritor e político romano, concorreu ao posto de Cônsul romano, o cargo político mais importante da vida pública romana. Cícero não pertencia à uma família aristocrática  como a maioria daqueles que dirigiam os destinos de Roma, mesmo assim, Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Quintus Tullius, irmão mais novo de Cícero, e também general e político de Roma, produziu algumas recomendações para o seu irmão candidato, esperando assim auxiliá-lo na conquista do almejado cargo. 

Marcus Tullius venceu a eleição, acredita-se que as recomendações de Quintus Tullius  para a campanha de seu irmão podem realmente tê-lo beneficiado no intento da vitória. Mas existe algo inquestionável nestes eventos, a preocupação com a moral e a ética não faziam parte desta carta de conselhos,  ou seja, o político tornaria-se um demagogo (no conceito atual: Quem se comporta de maneira interesseira e ambiciosa, visando a manipulação dos interesses populares, através do discurso. ). Mesmo sendo uma cartilha de instruções para um político de dois milênios atrás, as recomendações de Quintus Tullius parecem  ser um livro de cabeceira dos nossos políticos contemporâneos, assim como foi daqueles que já se foram e provavelmente como será daqueles que virão, ou de pelo menos da maioria deles. 

Podendo ser encontrada no livro "Como ganhar uma eleição", segue abaixo uma pequena mas expressiva, pragmática e atemporal lista de conselhos práticos para administrar uma campanha e vencer uma eleição. Recomendado para "políticos profissionais" e para aqueles que observam e acompanham a vida política de nossa sociedade, que na verdade deveria ser para todos os cidadãos.  

 Assegure-se de que você conta com o apoio de sua família e dos amigos.
A lealdade começa em casa. Se sua esposa e filhos não estão ao seu lado, não somente você terá muita dificuldade de vencer mas isso parecerá ruim aos eleitores. Os rumores mais destrutivos sobre um candidato começam entre os mais próximos dele. 

Fique rodeado de pessoas certas.
Crie uma assessoria talentosa na qual possa confiar. Você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Assim, escolha aqueles que possam representá-lo como se eles estivessem tentando ser eleitos por eles mesmos. 

Cobre todos os favores.
É hora de gentilmente (ou não) lembrar a todos os que você ajudou que lhe devem um favor. Se alguém não lhe dever nada, lembre-lhe de que seu apoio agora vai colocar você em dívida para com ele no futuro. E, como candidato eleito, você estará bem colocado para ajudá-lo quando ele precisar. 

Construa uma grande base de apoio.
Apele primariamente aos tradicionais agentes do poder, tanto no senado como na comunidade empresarial rica – uma tarefa nada fácil, dado que tais grupos geralmente estão em briga entre si. Se você for alguém de fora no jogo político, avance mais e prevaleça sobre os interesses particulares dos vários grupos, das organizações locais e das populações rurais ignoradas pelos outros candidatos. Eleitores jovens devem ser igualmente cortejados, junto com qualquer um que possa ser utilizado. 
Mesmo pessoas não muito recomendáveis devem se tornar amigas mais próximas durante a campanha, desde que possam ajudá-lo a ser eleito. Restringir a base de apoio garante o fracasso. 

Prometa tudo para todos. 
Exceto nos casos mais extremos, o candidato deve dizer tudo aquilo que as massas queiram ouvir naquele dia. Diga aos tradicionalistas que você tem consistentemente apoiado seus valores. Diga aos progressistas que você sempre esteve ao seu lado. Depois da eleição, você pode explicar a cada um que você adoraria ajudá-lo, mas que infelizmente surgiram fatores fora do seu controle. Os eleitores ficarão muito mais zangados se você não fizer as promessas que eles querem ouvir, do que se depois você recuar e não cumpri-las. 

A habilidade na comunicação é a chave do sucesso. 
Na Roma antiga, a arte de falar em público era estudada cuidadosamente por todos aqueles que aspirassem uma carreira política. Na mídia de hoje, um comunicador ruim tem poucas chances de vencer uma eleição. 

Não se afaste do eleitor. 
Fique pressionando os eleitores o tempo todo, sem descanso. Não existem ausências para candidatos decididos. Deixe para tirar férias depois da vitória. 

Conheça as fraquezas dos seus opositores – e as explore.
Todos os candidatos devem fazer um inventário honesto das vulnerabilidades e forças de seus rivais. Os vitoriosos distraem os eleitores sobre qualquer aspecto positivo de seus oponentes, enfatizando os negativos. Rumores de corrupção são o alimento básico. Escândalos sexuais são ainda melhores. 

Bajule os eleitores desavergonhadamente.
Agite os eleitores. Olhe-os de frente, dê um tapinha nas costas e diga-lhes que são importantes. Faça com que acreditem que você está verdadeiramente preocupado com eles. 

Dê esperanças aos eleitores.
Mesmo os eleitores mais cínicos precisam acreditar em alguém. Dê ao povo uma sensação de que você pode tornar o mundo melhor e que ele se tornará seu mais devotado seguidor – pelo menos até terminar a eleição, quando então você inevitavelmente o deixará para trás. Mas então isso não mais importará, porque você já terá vencido.

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Baseado no Livro: "How to Win an Election – An Ancient Guide for Modern Politicians" - Tradução de Philip Freeman, Princepton University Press  

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