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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Estátuas da Ilha de Páscoa: mistério por trás de sua localização revelado


Localização das estátuas foi baseada em água doce e outros recursos, diz estudo dos EUA
Estátuas Moai da Ilha de Páscoa
 Pesquisadores da Universidade de Binghamton descobriram que as estátuas moai da Ilha de Páscoa foram construídas perto de fontes de água doce. Foto: Alamy

As imensas figuras de pedra da Ilha de Páscoa enganaram os exploradores, pesquisadores e o resto do mundo durante séculos, mas agora os especialistas dizem ter quebrado um dos maiores mistérios: por que as estátuas estão onde estão.
Pesquisadores dizem que analisaram a localização das plataformas megalíticas, ou ahu , nas quais muitas das estátuas conhecidas como moai se sentam, bem como examinam locais dos recursos da ilha, e descobriram que as estruturas são normalmente encontradas perto de fontes de água doce. .
Eles dizem que a descoberta reforça a ideia de que aspectos da construção de plataformas e estátuas, como seu tamanho, poderiam estar ligados à abundância e à qualidade de tais suprimentos.
“O importante é que isso demonstra que os próprios locais das estatuetas não são um lugar ritual estranho - [os ahu e os moais] representam o ritual no sentido de que há um significado simbólico para eles, mas estão integrados nas vidas da comunidade. ”, Disse o professor Carl Lipo, da Universidade Binghamton, em Nova York, co-autor da pesquisa.
A Ilha de Páscoa, ou Rapa Nui, tem mais de 300 plataformas megalíticas, cada uma das quais pode ter sido feita por uma comunidade separada. Acredita-se que o primeiro deles tenha sido construído no século XIII, e muitos são encontrados ao redor da costa.


Acredita-se que os monumentos representem ancestrais e estejam ligados à atividade ritual, formando um ponto focal para as comunidades, mas o motivo de suas localizações era antes um mistério. Embora estudos tenham sugerido que os sites poderiam ter sido escolhidos por causa de um link para os principais recursos, a equipe diz que a pesquisa mais recente é a primeira tentativa de examinar tais alegações.
A equipe concentrou-se no leste da ilha, onde vários recursos foram bem mapeados, e analisou a distribuição de 93 plataformas megalíticas construídas antes que marinheiros europeus aparecessem no século XVIII.
Depois de descobrirem nenhuma ligação com a proximidade da rocha usada para ferramentas ou monumentos, eles observaram se os ahu foram encontrados perto de outros recursos importantes: jardins espalhados com pedras nas quais culturas como batata-doce eram cultivadas, locais ligados à pesca e fontes de água doce.

Uma estátua de pedra moai na pedreira de Hanga Roa.
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 Uma estátua de pedra moai na pedreira de Hanga Roa. Foto: Joe Carter / Ministério da Defesa Britânico / Apostila / EPA
Lipo disse que ficou interessado no segundo depois que ele e seus colegas começaram a investigar de onde os moradores de Rapa Nui tiravam a água potável. A ilha não tem córregos permanentes, e há pouca evidência de que os moradores dependiam dos lagos da ilha.
No entanto, a água doce passa através do solo em aquíferos, infiltrando-se em cavernas e emergindo ao longo da costa. "É incrível quando a maré baixa, de repente, há riachos correndo em diferentes pontos da costa que são apenas água doce pura", disse Lipo. “Percebemos isso, na verdade, quando estávamos fazendo uma pesquisa na ilha, que veríamos cavalos bebendo do oceano.” Registros históricos revelam que os habitantes da ilha bebiam essa água salgada, enquanto estudos sugerem que eles também faziam poços para capturar água potável.
Os resultados da nova pesquisa, publicada na revista Plos One , revelam que a proximidade de locais de água doce é a melhor explicação para os locais de ahu - e explica por que eles surgem no interior e na costa.
“As exceções à regra sobre ser na costa onde a água sai realmente são atendidas pelo fato de também há água lá - ela é encontrada através de locais caverna”, disse Lipo, acrescentando poços históricos foram encontrados para explicar algumas ahu locais aparentemente sem água fresca.
Lipo disse que os resultados combinaram com as experiências da equipe no chão. "Toda vez que víamos grandes quantidades de água fresca, víamos estátuas gigantes", disse ele. "Era ridiculamente previsível", acrescentou.
Os resultados, disse Lipo, faziam sentido, já que a água potável é essencial para as comunidades e é impraticável ter que caminhar quilômetros para um rápido gole. "Você faria coisas perto da água doce", disse ele.
Estátuas de Moai em Ahu Tongariki, na Ilha de Páscoa.
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 Estátuas de Moai

O segredo do sucesso da Viking? Uma boa camada de alcatrão…

Poços industriais levaram a navios impermeabilizados para invasões de pilhagem épica

Os vikings exploraram e colonizaram grandes áreas da Europa e das ilhas do Atlântico Norte durante a Idade Média. Usando navios, eles invadiram e pilharam vastos territórios. Agora, arqueólogos podem ter descoberto a arma secreta daquele povo legendário: o piche (também conhecido como betume). Segundo Andreas Hennius, arqueólogo da universidade sueca de Uppsala, na época dos vikings houve um aumento drástico na produção de piche na Escandinávia. O piche é um líquido negro, resinoso, e pegajoso, obtido da destilação do alcatrão. A substância era usada para impermeabilização dos navios. Depois de aplicado no casco, o betume secava e endurecia, formando um revestimento à prova d’água. Para o piche ser produzido, incendiava-se uma mistura de madeira de pinheiro e folhagem dentro de poços. No período da expansão dos vikings, esses poços eram capazes de produzir até 300 litros do líquido a cada ciclo. A quantidade era suficiente para impermeabilizar um grande número de navios. Fornos para a produção caseira de piche já haviam sido encontrados anteriormente na Suécia. Mas agora, foram descobertos grandes poços que foram utilizados entre os anos 680 e 900, época da ascensão dos vikings. Com os barcos impermeabilizados, eles eram capazes de fazer longas viagens, expandindo seus domínios. "O tamanho das esquadras dos vikings sugere que havia uma demanda constante pelo produto", disse Hennius.

 Fonte: The Guardian (https://www.theguardian.com/science/2018/nov/04/viking-longboat-industrial-tar-pits-dominance-seas)

domingo, 13 de janeiro de 2019

A origem das férias.


A palavra "férias" surgiu das palavras latinas feria ou feriae, que designavam um dia de descanso entre os romanos e, mais tarde, foram ligadas aos feriados de ordem religiosa. No século III d. C., Constantino considerou os dias da semana em seu calendário como Prima Feria, Secunda Feria, Tertia Feria, Quarta Feria, Quinta Feria, Sexta Feria e Septima Feria. 
No século IV, o primeiro dia da semanda mudou para Dominicus Die (Dia do Senhor) e o sétimo dia da semana  se tornou sabbatu, dia em que os primeiros judeus cristãos se reuniam para orar. A língua portuguesa foi a única que manteve feria (no nosso caso, feira) nos dias da semana. O direito de férias foi conquistado no Brasil no início do século XX. Desde então, todo trabalhador tem direito a 30 dias de descanso após 12 meses de trabalho. As férias escolares podem chegar a 120 dias, distribuídos entre os meses de janeiro, julho e dezembro. 

sábado, 20 de outubro de 2018

Primeiro território chamado Brasil era uma ilha mágica e ficava na Europa

Alguns séculos antes do Brasil ser "descoberto" em 1500, uma ilha chamada de "Hy Brazil" ou Brasil reinava no imaginário popular dos europeus. Localizado no Atlântico Norte, entre a costa portuguesa e irlandesa, o território ganhou destaque em vários mapas cartográficos da Idade Média e ficou famoso por ser considerado mágico e se mover sozinho pelo oceano. Numa época que pessoas eram queimadas na fogueira acusadas de bruxaria fazia sentido existir uma ilha fantasma.

Quem apostou que esta ilha é o atual Brasil errou. Por mais que ainda tenha aparecido em alguns mapas elaborados após Pedro Álvares Cabral aportar em Porto Seguro, na Bahia, há quase uma unanimidade dos historiadores em afirmarem que são áreas diferentes e muito distantes. O mais antigo relato da ilha data de 1325, num mapa da Catalunha. Depois deste registro, ela aparece em mais de uma dezena de outros mapas cartográficos da época até o ano de 1624.
Por mais que as posições da ilha mágica variassem a cada mapa, em todos eles era representada no Atlântico Norte, próximo ao continente europeu. Só que havia uma região onde o território fantasma era visto com mais frequência pelos cartógrafos da época: o litoral irlandês. A maioria dos mapas apontavam que o território estava a noroeste do país insular, mas ele também foi mapeado na região de Açores, próxima a Portugal.
Até os dias atuais, a existência da ilha Brasil é um mistério. Atualmente, especula-se que a primeira aparição dela, em meados de 1300, tinha sido consequência de uma erupção próxima a costa irlandesa. Quando as embarcações com os cartógrafos passaram pelo local encontraram uma nova ilha vulcânica. O que não sabiam na época é que este tipo de formação pode desaparecer na mesma velocidade que surgiu. Outra característica dada a ilha que reforça esta tese é o registro de uma névoa intensa na região do território "Hy Brasil", que na realidade seria o vapor de água originado pelo choque da lava vulcânica com o oceano.
Por fim, o nome dado inicialmente à região, que significa avermelhado, é outra característica que fundamenta a tese de uma ilha vulcânica. Em gaélico irlandês, Brazil é breazáil e também era o nome dado ao cinábrio, um mineral de cor vermelha intensa usado desde o Império Romano como base de corante da mesma coloração. Inclusive, a termologia é a origem do nome da árvore Pau-Brasil.

Vários nomes

Nos mapas da época, a ilha mágica não tinha apenas os nomes de Breazáil ou Hy Brazil. A localidade também era conhecida como Brasil, Hy Breasil ou Ilha de São Brandão, numa referência ao paraíso, segundo as mitologias grega e gaélica. A existência da ilha nunca foi comprovada, mas mais de sete séculos após seus primeiros registros, Hy Brazil continua no imaginário popular como um paraíso perdido. 
Dennys Marcel

domingo, 16 de setembro de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA: O Carrasco

Na cultura popular, o carrasco é lembrado em muitas histórias e filmes, além de se tornar tema para fantasias no dia das bruxas dos países anglo-saxônicos ou em festas brasileiras.

Os carrascos brasileiros podem até tomar uma vodca vagabunda em festa adolescente, mas a figura do responsável por retirar a vida de condenados é parte da história da humanidade e ainda existe até os dias atuais em países que possuem a pena capital em seus códigos penais.

Estereotipados pela figura com capuz preto na cabeça, portando a ferramenta de matar nas mãos e uma insensibilidade cruel que virou até adjetivo quando usado figurativamente, o carrasco clássico – se é que podemos definir assim – esteve na cena mórbida até 1939. 

Na ocasião, perdeu a cabeça – literalmente - Eugen Weidmann, um criminoso francês morto na guilhotina. Apesar de seu carrasco não estar usando nenhum capuz durante a execução, foi nessa ocasião em que se encerraram os espetáculos de execuções públicas no ocidente.



Nos últimos anos a ideia de execução passou a contar não mais com a figura do carrasco como representante direto da força punitiva, mas com um número de especialistas capaz de cessar a vida e fazer cumprir a pena de forma menos dolorosa possível.

Se na contemporaneidade o carrasco deixa de lado o arquétipo medieval, tornando-se apenas o representante do Estado na execução da pena, puxando uma alavanca ou apertando o embolo da injeção letal, na Idade Média ele vai ter todas as características que popularmente atribuímos a ele.

O carrasco era o responsável, não apenas por matar, mas por punir fisicamente e arrancar confissões diversas. Um bom carrasco era aquele capaz de fazer o acusado confessar, infligindo lhe o máximo de dor, fazendo o sofrer, mas continuando vivo. É importante ressaltar que, na Inquisição, as torturas não tinham como função a morte do acusado, que seria feita depois, de maneira pública, mas sim arrancar confissões. Carrascos pouco habilidosos poderiam matar o acusado administrando um pouco mais de força em um equipamento de tortura, enquanto um bom carrasco administraria força adequada para causar sofrimento e garantir que o acusado confessasse até o que não fez.

Na execução por decapitação, até o advento, na França, da guilhotina na segunda metade do século XVIII, cabia ao carrasco habilidade suficiente para, com a espada ou machado, arrancar a cabeça em um golpe apenas. Um carrasco inábil ou uma lâmina pouco afiada poderiam transformar uma execução pública em um show de horrores, se é que seria possível piorar a exibição.

Nos enforcamentos, o algoz era o responsável por colocar o laço na cabeça do condenado, soltar o alçapão do cadafalso. Era função do carrasco, também, fazer o nó e garantir o uso de uma boa corda, com a medida exata para o sucesso da execução.

Em outras formas de execução, havia a utilização do público. Na roda, que consistia em uma roda de carroça raiada, o condenado era amarrado nela pelos carrascos, quebrando-se seus membros para garantir o melhor encaixe e depois deixado na rua para morrer, onde o público podia participar cuspindo e dizendo impropérios. Existem relatos de pessoas que sobreviveram por mais de três dias nesse suplício.

A gaiola, ou caixão, consistia em uma gaiola suspensa, onde o condenado era colocado pelo carrasco para morrer e ficava lá por dias, onde as pessoas também davam sua contribuição. 

Entre as punições aplicadas por carrasco, excetuando-se a pena de morte, estavam chicotadas ou açoites nas costas finalizadas com uma pitada de sal pressionada contra a ferida para aumentar a dor. Com a ajuda pública, o carrasco prendia na berlinda, uma espécie de tábua com buracos, e as pessoas podiam estapear, jogar objetos, cuspir e garantir a humilhação do condenado.

Odiados e temidos pela maior parte da população, esses trabalhadores – que é do nome dos carrascos romanos que surgiu a palavra trabalho (trepaliare) - usavam capuzes para se esconder durante a execução das penas e, popularmente, acreditava-se que suas almas eram amaldiçoadas. O último carrasco a realizar uma execução em Portugal, Luís Antônio Alves dos Santos (1806–1873), morreu de um ataque de asma e até hoje os moradores da região onde vivia acreditam ouvir os gritos do falecido algoz. 

FONTES CONSULTADAS:

https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/100449-descubra-como-foi-a-ultima-execucao-publica-por-meio-da-guilhotina.htm

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/civilizacoes/1939-a-ultima-execucao-publica-do-ocidente.phtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_(pena_de_morte)

https://descobrirportugal.pt/patio-do-carrasco-local-morava-habitante-odiado-lisboa/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_(pena_de_morte)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Trip%C3%A1lio

GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

READ, Piers Paul. Os Templários: A História dramática dos Templários, a mais poderosa Ordem Militar dos Cruzados. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Trad. Lígia M. Ponde Vassalo. Petrópolis: Vozes, 1987.


IMAGENS:

https://br.pinterest.com/pin/758926974676478134/?lp=true

http://www.bobleesays.com/2015/10/01/dan-kane-bravehearts-the-swoff-13-minutes-of-hell/braveheart-1995-movie-beheaded-ending-torture-william-wallace-axe-executioner-review-tower-of-london/

https://allthatsinteresting.com/medieval-torture-devices/2
 

Veja também:

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