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sábado, 20 de abril de 2019

Tiradentes: a construção do herói


        “Após a Proclamação da República, um processo de transformação de Tiradentes em herói nacional intensificou-se. O dia de seu enforcamento, 21 de abril, ocorrido em 1792, foi transformado em feriado nacional pelo regime republicano em 1890. Aos poucos as imagens de Tiradentes foram se assemelhando cada vez mais com a figura de Jesus Cristo. Até hoje, tanto políticos de direita, quanto de esquerda, reivindicam Tiradentes como herói. Como se deu a criação desse mito?
        A luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificuldade de construí um herói para o novo regime. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto a seus heróis e não possua seu panteão cívico. Em alguns, os heróis surgiram quase espontaneamente das lutas que precederam a nova ordem das coisas. Em outros, de menor profundidade popular, foi necessário maior esforço na escolha e na promoção da figura do herói. É exatamente nesses últimos casos que o herói é mais importante.
        No caso brasileiro, foi grande o esforço de transformação dos principais participantes do golpe de 15 de novembro de 1889 em heróis da República, as virtudes de cada um foram cantadas em prosa e verso, em livros e jornais, em manifestações cívicas, em monumentos, em quadros, em leis da República. Seus nomes foram dados a instituições, a ruas e praças das cidades, a navios de guerra.
        Deodoro era o candidato mais óbvio ao papel de herói republicano. Mas contra ele militavam fatores poderosos. A começar por seu incerto republicanismo, manifesto no próprio dia 15, seu jeito de general da monarquia, sua figura física, que lembrava a do outro ilustre velho, o imperador. Era ainda militar demais para que pudesse ter penetração mais ampla. Nas lutas que envolveram o início da República, uma figura tão identificada com o Exército dividia tanto quanto unia.
        Outro candidato era Benjamin Constant. Seu republicanismo era inatacável. Mas o problema com ele é que não tinha figura de herói. Não era líder militar nem líder popular. Candidato mais sério que Benjamin era Floriano Peixoto. Porém, considerado radical demais, Floriano poderia ser o herói de um ripo de república, a jacobina, mas não da República que aos poucos foi se construindo.
        A busca de um herói para a República acabou tendo êxito onde não o imaginavam muitos dos participantes da proclamação. Diante das dificuldades em promover os protagonistas do dia 15, quem as poucos se revelou capaz de atender às exigências da mitificação foi Tiradentes. Mas quais foram as razões da adoção de Tiradentes e que conteúdo teria sua figura de herói?
        Embora fosse viva na memória popular, a Inconfidência Mineira era tema delicado para a elite culta do Segundo Reinado. Afinal, o proclamador da Independência era neto de D. Maria I, contra quem se tinham rebelado os inconfidentes. O bisneto da tainha louca governava o país. O Brasil era um monarquia governada pela casa de Bragança, ao passo que os inconfidentes tinham pregado uma república americana. Não era fácil exaltar os inconfidentes, e Tiradentes em particular, sem de alguma maneira condenar seus algozes e os sistema político vigente. A luta entre a memória de D. Pedro I, promovida pelo governo, e a de Tiradentes, símbolo dos republicanos, tornou-se aos poucos emblemática da batalha entre Monarquia e a República. Havia poderosa simbologia na luta entre Pedro I e Tiradentes. Sua expressão mais forte talvez esteja em artigo do abolicionista e republicano Luís Gama, publicado no primeiro número do jornal comemorativo do 21 de abril editado pelo Clube Tiradentes (1882). O título do artigo “À forca o Cristo da multidão”. Nele, Gama faz um paralelo entre Tiradentes e Cristo. A forca é equiparada à cruz, o Rio de Janeiro a Jerusalém, o Calvário ao Rocio. Porém, não existia nenhum retrato de Tiradentes  feito por quem o tivesse conhecido pessoalmente.
        Em termos populares, Tiradentes também tinha competidores históricos ao título de herói da República, além dos rivais do dia 15 de novembro. Para mencionar os mais óbvios, havia no sul os líderes da Farroupilha, como Bento Gonçalves. No Norte, a figura respeitável de Frei Caneca. Não consta que se tenha tentado transformar Bento Gonçalves em herói republicano nacional. Afinal de contas, havia a suspeita de que a revolta farroupilha queria separar o  Rio Grande do Sul do Brasil. Faltava, portanto, aos heróis gaúchos a característica nacional, indispensável à imagem de um herói republicano. Frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador, ocorrido no Primeiro Império, era um candidato mais sério. Herói de duas revoltas, uma pela independência, a outra contra o absolutismo de D. Pedro I, morrera como mártir, fuzilado, pois nenhum carrasco se dispusera a enforca-lo.
        Um dos fatores que pode ter levado à vitória de Tiradentes é, sem dúvida, o geográfico. Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da metade do século XIX, já podia ser considerada a centro político do país – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as três capitanias que ele buscou, num primeiro momento, tornar independentes. Porém não era uma ideia separatista, mas a de um cálculo tático. Libertadas as três, as outras seguiriam com maior facilidade. Já o Nordeste de frei Caneca era uma região em decadência política e econômica. Além disso, a Confederação do Equador apresentara um caráter separatista que a maculavam como movimento nacional.
        No entanto, há ainda outro elemento importante na preferência por Tiradentes. Frei Caneca e seus companheiros tinham-se envolvido em duas lutas que realmente aconteceram, em que houvera sangue e morte. Morreu como herói desafiador, quase arrogante, num ritual seco de fuzilamento. Foi um mártir rebelde, acusador, agressivo. Não morreu como vítima, como portador das dores de um povo. Morreu como líder cívico e não como um mártir religioso, embora, ironicamente, se tratasse de um frade.
        Talvez esteja aí um dos principais segredos do êxito de Tiradentes. O fato de não ter a Inconfidência Mineira passado à ação concreta poupou-lhe ter derramado sangue, ter exercido violência contra as outras pessoas, ter criado inimigos. A violência revolucionária permaneceu potencial. Tiradentes era o mártir ideal, o condenado. A violência real pertenceu aos carrascos. Foi vítima não só do governo português, mas até mesmo de seus amigos. Vítima da traição de Joaquim Silvério, seu amigo pessoal.
        Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele a liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade ainda que tardia. “


(Adaptado de Carvalho, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, pp. 55-73)


Fonte: Ferreira, João Paulo Hidalgo, Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Nova história integrada: ensino médio volume único – Campinas, SP: Companhia da Escola, 2005. 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A queda da Monarquia e a Proclamação da República



A crise do Império brasileiro foi o resultado de vários fatores de ordem econômica, social e política que somando-se, conduziram importantes setores da sociedade a uma conclusão: a Monarquia precisava ser superada para dar lugar a um outro regime político, mais adaptado aos problemas da época.
A crise do Império foi marcada por uma série de questões que desembocaram na proclamação da República.
·         Questão abolicionista ( ou escravista): Os senhores de escravos, principalmente os do Vale do Paraíba e da Baixada Fluminense, não se conformaram com a abolição da escravidão e com o fato de não terem sido indenizados. Sentindo-se abandonados pela Monarquia, acabaram também abandonando-a, passando a apoiar a causa republicana. Surgem, então, os chamados Republicanos de 13 de maio.
·         Questão republicana: As ideias republicanas faziam parte de diversos movimentos brasileiros com a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador, etc. Contudo, somente a partir de 1870, o movimento republicano ganhou uma formação mais sólida e concreta. Nesse ano, foi lançado no Rio de Janeiro um Manifesto Republicano que, em um dos seus trechos, afirmava: “Somos da América e queremos ser americanos”. Isso significava que, no continente americano, o Brasil era o único país que mantinha o regime monárquico. Três anos depois do aparecimento do Manifesto Republicano, foi fundado o Partido Republicano Paulista, na Convenção de Itu, em São Paulo. Este Partido, que se tornou um dos principais núcleos das ideias republicanas, era apoiado por importantes fazendeiros de café de São Paulo, contando com adeptos no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.
·         Questão religiosa:  Desde o período colonial, a Igreja Católica era uma instituição submetida ao Estado pelo regime de padroado. Isso significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil, sem que fosse aprovada pelo Imperador, o governo também nomeava os bispos e remunerava os sacerdotes. Ocorre que, em 1872, D. Vidal e D. Macedo, bispos de Olinda e de Belém, respectivamente, resolveram seguir ordens do Papa, punindo irmandades religiosas que apoiavam os maçons. D. Pedro II, influenciado pela Maçonaria, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao Imperador e, por isso, foram condenados a quatro anos de prisão. Em 1875, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, o Império foi perdendo a simpatia da Igreja.
·         Questão militar: Depois da Guerra do Paraguai (1864 -1870), o Exército brasileiro foi adquirindo cada   vez mais importância dentro da sociedade. O Governo Imperial, entretanto, teimava em não reconhecer esta importância, relegando-o a posição secundária. O descaso que alguns políticos e ministros conservadores tinham pelo Exército levava-os a punir elevados oficiais por motivos qualificados como indisciplina militar. O ponto de partida para as questões militares foi a proibição, em 1884, aos oficiais do exército de se manifestarem publicamente por meio da imprensa sem a devida licença do ministro da Guerra. É dentro deste pano de fundo que surge em 1884 a questão militar, provocada pela revolta de importantes chefes do Exército, como o Marechal Deodoro, contra as punições disciplinares conferidas ao tenente-coronel Antônio Sena Madureira e ao Coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos. A repressão imperial aumentou a agitação política nos quarteis e empurrou ainda mais os militares para as ideias republicanas. Poucos anos depois, a corporação não hesitaria em depor a Monarquia, abrindo fogo contra seus inimigos.
No decorrer de 1889, o jornalista Quintino Bocaiúva, escolhido chefe nacional do movimento republicano, procurou se aproximar dos militares em busca de apoio na luta contra a monarquia. No dia 11 de novembro, um grupo conseguiu convencer o marechal Deodoro da Fonseca a apoiar a causa republicana. Até então, Deodoro, que não era positivista, encontrava-se relutante, devido à sua amizade com o imperador.
Ao mesmo tempo, os militares republicanos do Rio de Janeiro estabeleceram contatos com lideres civis de São Paulo, que apoiaram a ideia de um golpe para proclamar a República. Marcado para o dia 20 de novembro, ele foi antecipado. É que, no dia 14, um major espalhou o boato de que o governo decretara a prisão de Deodoro da Fonseca e de Benjamin Constant.
Na véspera de 15 de novembro, Benjamin Constant esteve na casa de Deodoro, que estava doente: “Creio que não amanhece e se morrer a revolução está gorada.”
De manhã, o moribundo da véspera era o redivivo. Deodoro dormira mal a noite, com dificuldade para respirar. Quintino  Bocaiúva e Benjamin Constant  foram busca-lo. Deodoro usava uniforme sobrecasaca, de botões dourados, sem espada. Os três, de carro, seguiram ao encontro da tropa, em frente ao Quartel-General. Ali o ministério estava reunido.
Deodoro se propunha a depor o governo, mas sem acabar com o Império nem derrubar o imperador que era seu amigo. Devido ao seu estado de saúde, só ali é que montou a cavalo. Como de praxe, ao assumir o comando da tropa, erguendo o boné, deu o grito de “Viva o imperador” que, segundo testemunhas, foi abafado por salvas de artilharia, ordenadas por Benjamin Constant.
Deodoro, doente e abatido, entra no Quartel-General e fala a Ouro Preto, presidente do Conselho de Ministros: “Vossa Excelência e seus colegas estão demitidos por haverem perseguido oficiais do Exército. Nos pântanos do Paraguai, muitas vezes atolado, sacrifiquei minha saúde em benefício da pátria...”
Ouro Preto, altivo, responde: “Maior sacrifício, general, estou fazendo, ouvindo-o falar”. Fora, ouviam-se vivas à República.
Os republicanos queriam uma declaração explícita da mudança do regime. À tarde, reuniram-se com Deodoro, na sua casa, que ainda não havia resolvido se aceitava ou não a República. Mas, quando soube que o imperador havia chamado seu inimigo Silveira Martins para formar um novo governo, Deodoro decidiu-se em favor dos republicanos e, mais tarde, assinou a proclamação acabando com o Império.

No dia seguinte, o major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro entregou a dom Pedro II uma comunicação, cientificando-o da proclamação da república e ordenando sua partida para a Europa, a fim de evitar conturbações políticas. Dom Pedro, após da saída dos oficiais, ditou para Franklin Américo de Meneses Dória, o barão de Loreto, e depois assinou a resposta ao marechal Deodoro: "À vista da representação escrita, que foi entregue hoje às 3h da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda a minha família amanhã, deixando esta pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, eu com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil e mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos por sua grandeza e prosperidade. Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889. dom Pedro d´Alcântara."  A família imperial brasileira exilou-se na Europa, só lhes sendo permitida a sua volta ao Brasil na década de 1920. No dia 5 de dezembro de 1891, morre em Paris, o último imperador do Brasil, Dom Pedro II. Vítima de uma pneumonia, faleceu aos 66 anos.

Adaptado de:

AZEVEDO, Gislaine Campos. História em movimento: ensino médio /Gislaine Campos Azevedo, Reinaldo Seriacopi - São Paulo: Ática. 2010.
COTRIM, Gilberto. História  do Brasil: para uma geração consciente - São Paulo. Saraiva. 1998.
PILETTI, Nelson. História e vida / Nelson Piletti, Claudino Piletti - São Paulo. Ática. 2000. 
REY, Marcos. Proclamação da República. São Paulo. Ática, 1985, p. 18.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Rebeliões do Período Regencial.


Toda a agitação política do governo de Dom Pedro I culminou em sua rápida saída do governo durante os primeiros meses de 1831. Surpreendidos com a vacância deixada no poder, os deputados da Assembléia resolveram instituir um governo provisório até que Dom Pedro II, herdeiro legítimo do trono, completasse a sua maioridade. É nesse contexto de transição política que observamos a presença do Período Regencial.


Estendendo-se de 1831 a 1840, o governo regencial abriu espaço para diferentes correntes políticas. Os liberais, subdivididos entre moderados e exaltados, tinham posições políticas diversas que iam desde a manutenção das estruturas monárquicas até a formulação de um novo governo republicano. De outro lado, os restauradores –funcionários públicos, militares conservadores e comerciantes portugueses – acreditavam que a estabilidade deveria ser reavida com o retorno de Dom Pedro I. 


Em meio a tantas posições políticas, a falta de unidade entre os integrantes da política nacional em nada melhorou o quadro político brasileiro. As mesmas divergências sobre a delegação de poderes políticos continuaram a fazer da política nacional um sinônimo de disputas e instabilidade. Mesmo a ação reformadora do Ato Adicional, de 1834, não foi capaz de resolver os dilemas do período. 
Umas das mais claras conseqüências desses desacordos foram a série de revoltas deflagradas durante a regência. A Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão e a Revolução Farroupilha na região Sul foram todas manifestações criadas em conseqüência da desordem que marcou todo o período regencial.


Cabanagem (1835-1840) 


Foi grande a revolta popular ocorrida no Pará. Participaram deste movimento pessoas humildes.
Chamados de cabanos, eram constituídos por negros, índios, mestiços, pessoas exploradas pelas autoridades do Governo. Viviam miseravelmente. Diante das injustiças sociais, estes queriam tomar o poder da província. Seus principal líder foi o padre Batista Campos. Em 1835 conseguem ocupar a capital da Província. O que se observa a seguir é a incapacidade dos "cabanos" em estabelecer um governo eficaz.
Para combater os rebeldes, o Governo Central enviou tropas que combateram duramente a rebelião.
"É ela um dos mais, senão o mais notável movimento popular do Brasil. É o único em que as camadas mais inferiores da população conseguem ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. Apesar de sua desorientação, apesar da falta de continuidade que o caracteriza, fica-lhe contudo a glória de ter sido a primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder."
(Caio Prado JÚnior., Evolução Política do Brasil, Brasiliense, 1979. Ap. 69) 


Links:
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/cabanagem-1835-1840-rebeliao-tem-fim-sangrento-no-periodo-regencial.htm
http://www.escolakids.com/cabanagem.htm
http://www.historiadigital.org/infograficos/infografico-para-na-epoca-da-cabanagem/
http://www.historiadigital.org/curiosidades/10-curiosidades-sobre-a-cabanagem/
http://parahistorico.blogspot.com/2009/02/cabanagem-no-para-1835-1840.html
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/cabanagem.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabanagem
http://www.historiabrasileira.com/brasil-imperio/cabanagem/
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u20.jhtm
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cabanagem/cabanagem-1.php
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=1020:cabanagem&catid=38:letra-c&Itemid=1


Revolução Farroupilha (1835 - 1845)

Apresentou um caráter federalista, tentando desarticular a área sulina do país. Teve grande duração; seus principais líderes foram: Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto, entre outros. Esse Movimento significou uma reaçãoébntra os governos impostos pela Regência. Em 1836,proclamaram..a República Rio Grandense ou Piratini, estendendoio movimento até Santa Catariria, quando em 1839 foi proclamada a República Juliana federada à de Piratini.
Em 1845 foi pacificado movimento pelo Duque de Caxias.

Links:
http://www.sohistoria.com.br/ef2/revolucaofarroupilha/
http://www.todamateria.com.br/guerra-dos-farrapos/
http://www.escolakids.com/revolta-farroupilha-1835-1845.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos
http://www.pampasonline.com.br/tradicao/tradicao_revolucaofarroupilha.htm
http://www.riogrande.com.br/causas-b601_0-en.html
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u22.jhtm
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/guerra-dos-farrapos.htm
http://www.guerras.brasilescola.com/seculo-xvi-xix/guerra-dos-farrapos.htm
https://www.youtube.com/watch?v=M00UNW2Lka0
http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/foi-revolucao-farroupilha-nao-deu-certo-499563.shtml


Balaiada (1838 - 1841)

Também de caráter popular, foi um movimento composto por uma população pobre, vaqueiros, sertanejos e escravos. 
"Cansada de tantos sofrimentos, essa multidão queria lutar contra as injustiças, a miséria, a fome, a escravidão e os  maus tratos. Além disso, a insatisfação política reinava entre a classe média maranhense da cidade. Essa classe média era formada pelo grupo dos bem-te-vis, que iniciaram a revolta contra os grandes fazendeiros conservadores do Maranhão, contando com a participação explosiva dos sertanejos." (COTRIN, Gilberto. História e Consciência do Brasil. p. 190)

Essa insurreição perdeu força à medida que os bandos armados se dividiram sob várias lideranças. Merece destaque líderes como Manuel dos Anjos (o "Balaio') e o vaqueiro "Cara Preta".
Em 1840 Duque de Caxias também foi responsável pela pacificação da região. Foi também nomeado como presidente da província.
Segundo Caio Prado Júnior,"na origem deste levante" encontram-se as mesmas causas dos demais movimentos da época: "a luta das classes médias, especialmente urbana, contra a política aristocrática e oligárquica das classes abastadas, grandes proprietários rurais, serihores de engenho e fazendeiros, que se implantaram no país".


Links:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=31424
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=206
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/balaiada-1838-1841-revolta-popular-no-maranhao.htm
http://www.escolakids.com/revolta-da-balaiada-no-maranhao.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada
http://www.passeiweb.com/saiba_mais/fatos_historicos/brasil_america/balaiada
http://www.klepsidra.net/klepsidra5/balaiada.html
http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1689u21.jhtm
http://www.brasilescola.com/historiab/balaiada.htm
http://www.mundoeducacao.com.br/historiadobrasil/balaiada.htm
http://www.mundovestibular.com.br/articles/2911/1/BALAIADA/Paacutegina1.html
http://www.geledes.org.br/a-balaiada/a-guerra-da-balaiada.html 
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/a-balaiada

Sabinada - (1837-1838)

As origens desse movimento se encontram no lusofobismo e no antiabsolutismo dos baianos.Demonstra também uma insatisfação em relação ao centro.
 Embora tenham proclamado a República  Baiense, movimento não conseguiu expandir-se para o interior e outras províncias, ficando restrito à capital. Curioso é que os sabinos pretendiam  reincorporar a Bahia ao Império logo que D. Pedro fosse declarado maior.
Em 1838 forças comandadas pelo General Crisóstomo Calado e contando com o apoio da aristocracia rural baiana, esmagaram violentamente a insurreição. Violências, torturas, execuções, foram implementadas pelas tropas do governo. O movimento, no entanto, não possuiu o mesmo significado e importância da Balaiada, Cabanagem e Farroupilha. 


Revolta dos Malês - 1835

A chamada Revolta dos Malês (também conhecida como revolta dos escravos de Alá) registrou-se de 25 a 27 de Janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil.
Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano.
Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.


Links:

* Apoio didático para a apresentação de seminários das turmas de 2º ano da E. E. Altivo Leopoldino de Souza.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Padroeira do Brasil

No dia 12 de outubro o Brasil comemora o dia de Nossa Senhora da Santa Conceição Aparecida, nome católico dedicado a Maria, mãe de Jesus de Nazaré. O seu santuário está localizado na cidade de Aparecida (SP), na Basílica de 
Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Nossa Senhora Aparecida. O local foi consagrado pelo papa João Paulo II, em julho de 1980. No mesmo ano, o dia 12 de outubro foi decretado feriado nacional. Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha do Brasil e Padroeira Oficial em 16 de julho de 1930, por decreto do papa Pio XI, quando foi coroada.
A história de Nossa Senhora da Santa Conceição Aparecida tem início em 1717, quando os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves jogavam suas redes no rio Paraíba do Sul. Depois de muitas tentativas em vão e com fome, já descendo o curso do rio, eles jogaram novamente suas redes e encontraram o corpo de uma estátua com a imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Em nova tentativa, apanharam a cabeça da imagem. Envolveram o que encontraram em um lenço. Depois disso, voltaram a pescar e conseguiram captar muitos peixes. Por conta disso, a imagem passou a ser venerada na região de Porto de Itaguaçu. Cada vez mais fiéis procuravam pela imagem e teve início a construção da atual basílica na região que, futuramente seria a cidade de Aparecida, em homenagem à santa. Em 6 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e ofertou, como pagamento de uma promessa, uma coroa de ouro com diamantes e rubis, juntamente com um manto azul. Em 1978, a estátua sofreu um atentado de um jovem transtornado, foi despedaçada, mas acabou restaurada pela artista plástica Maria Helena Chartuni.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

“A Missão Artística Francesa e seus discípulos”, na Pinakotheke Cultural Rio

A Pinakotheke Cultural Rio apresenta, no dia 22 de setembro de 2016 para convidados e no dia seguinte para o público, a exposição “A Missão Artística Francesa e seus discípulos”, que comemora o bicentenário da chegada Missão Artística Francesa (1816-2016). Com curadoria de Maria Eduarda Marques e Max Perlingeiro, a mostra reúne pinturas, desenhosgravuras esculturas, documentos, além de peças de numismática. São obras raramente vistas, produzidas por artistas que integraram a Missão, seus discípulos e também de seu antecessor Nicolas Poussin (1594-1665), cuja pintura em óleo sobre tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo, 1634-1638”, da coleção do MASPe pela primeira vez em exposição no Rio de Janeiro. 
Como sempre nas exposições da Pinakotheke Cultural, a mostra será acompanhada de uma publicação, com as imagens das obras e textos dos dois curadores, e ainda do filósofo, sociólogo e crítico francês Jacques Leenhardt, que recentemente publicou o livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil – Jean-Baptiste Debret” (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), resultado de mais de dez anos de pesquisa.

A vinda da Missão Francesa ao Brasil é o fato fundamental da história da pintura no século XIX
A vinda da Missão Francesa ao Brasil é o fato fundamental da história da pintura no século XIX

A vinda da Missão Francesa ao Brasil é o fato fundamental da história da pintura no século XIX. A corte portuguesa, fugindo à invasão das tropas francesas de Napoleão, sob o comando do general Jean-Andoche Junot (1771-1813), aportou na Bahia no início de 1808, transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro. O fato é que a “Missão Francesa” – o grupo de artistas e artífices reunidos por seu líder Joachim Lebreton (1760-1819) – chegou ao Rio de Janeiro a bordo do brigue de três mastros “Calpe”, de bandeira norte-americana, na data de 20 de março de 1816
Um dos destaques da mostra é o quadro de Nicolas Poussin (1594-1665), um dos mestres da pintura francesa, que pertenceu à família real espanhola. O painel de grandes dimensões dacoleção MASP, que mede 167cm x 376cm, será exposto pela primeira vez no Rio de Janeiro. A grande surpresa do processo da restauração foi a aparição de um falo ereto na figura central do quadro, o “deus Príapo”, da fecundidade e dos jardins, que sofreu, em séculos anteriores, "repinte de pudor". A tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo” mostra o deus grego do casamento, vestido de mulher, em uma dança para Príapo, que costuma ser representado com o falo em perpétua ereção. Sua pintura repercutiu nos pintores neoclássicos dos séculos XVII ao XIX. Considerado fundador do classicismo francês, Poussin influenciou todo o classicismo europeu, em especial a arte de Jacques Louis David, que adotou o rigor formal de suas composições. David acrescentou o sentido da virtude revolucionária ao ideal clássico de Poussin. Os artistas franceses que integraram a chamada “Missão Artística” de 1816, formados nos cânones do neoclássico, e contemporâneos de David, eram filiados à arte de Poussin, que lhes serviu de referência estética. 
Pintura de Debret que retrata chefe indígena Bororo (Foto: Divulgação/ Pinakotheke Cultural Rio)
Fonte: Jornal do Brasil

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Independência do Brasil e suas versões.


Há controvérsias sobre a famosa frase "Independência ou morte" que dom Pedro teria dito às margens do Ipiranga. De acordo com uma testemunha do acontecimento, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, o príncipe jamais a proferiu. Em sua versão, o episódio foi muto menos glamouroso do que registrou a história oficial.
Segundo o padre, dom Pedro voltava de São Paulo para Corte montando numa mula - e não no garboso corcel do quadro de Pedro Américo -, atormentado por uma disenteria e com dores, quando recebeu a correspondência vinda de Lisboa. Ao tomar ciência de seu conteúdo, atirou os papeis no chão e os pisoteou. Depois, recompôs a farda e dirigiu-se lentamente à estrada onde estacionara sua comitiva. 
Parou repentinamente e disse a Belchior: "Nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!". Arrancou então do chapéu o laço azul e branco que simbolizava o governo português e jogou-o fora, dizendo em seguida: "pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro a liberdade do Brasil."

(Adaptado de: O que dom Pedro disse realmente às margens do Ipiranga. Nossa História, ano I, n. 7, maio 2004.)

Independência ou Morte!, óleo sobre tela de Pedro Américo (1843-1905), executado em 1888.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Museu Imperial lança Projeto História nas mãos.

O Museu Imperial lança o projeto HISTÓRIA NAS MÃOS no dia 5 de agosto, com a disponibilização de informações sobre ambientes e peças dispostas ao longo do circuito de exposição permanente do Museu Imperial. Essa iniciativa conta com o apoio da Sociedade de Amigos do Museu Imperial – SAMI.
O aplicativo estará disponível para os sistemas Android e iOS, que o interessado poderá baixar através do seu celular antes da visita, ou se preferir, fazê-lo com um pouco mais de antecedência, pelo site do Museu utilizando o link www.museuimperial.gov.br/app e assim realizar sua visita ao Palácio Imperial de Petrópolis de forma independente. O visitante deverá aproximar seu smartphone do código que estará afixado na sala de interesse para obter imagens, textos e demais informações sobre os ambientes e peças que pertenceram à Família Imperial Brasileira. Disponível em dois idiomas: português e inglês, a ferramenta visa atender, igualmente, ao público com necessidades especiais: de audição e de visão.
QR Code – É um código de barras que pode ser escaneado através de um celular equipado por câmera. No caso do Museu Imperial, o visitante poderá obter maiores informações sobre 20 ambientes desejados.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Projeto Baquaqua

Ele nasceu livre. Mahommah Gardo Baquaqua, como muitos outros africanos escravizados nas Américas, teve uma cidade natal, uma família e em alguma parte de sua juventude sofreu com a violência da guerra. Ele foi escravizado e enviado para o Brasil em um tumbeiro (navio negreiro), chegando em Pernambuco em 1845. Esta é apenas uma parte da história de Baquaqua, que lançou sua biografia nos EUA em 1854. Agora, a população brasileira poderá ter acesso a uma versão em português do único registro em primeira pessoa, que se tem notícia, sobre a trajetória de um africano escravizado em nossas terras. http://bit.ly/2323K4z

Você também pode acessar o site educativo "Projeto Baquaqua" para mais informações: http://www.baquaqua.com.br/
Fonte: Ministério da Cultura

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016


Maldito o filho
A independência do reino de Portugal em relação à Espanha foi recebida com alegria por muitos lusitanos em 1640, quando chegou ao fim a União Ibérica. Mas, segundo a lenda, deixou uma nuvem sinistra pairando sobre a nova dinastia, a de Bragança. Conta-se que o novo rei, D. João IV, desferiu chutes em um frade franciscano que lhe havia pedido esmolas – o religioso, em resposta, lançou uma maldição: todos os primogênitos da família morreriam antes de assumir o trono. O fato é que quase todos os homens primogênitos da casa de Bragança morreram nestas circunstâncias, até o fim da monarquia no Brasil (em 1889) e em Portugal (1910). Apenas dois escaparam: D. Pedro V, que assumiu o trono português em 1853, morrendo oito anos depois e passando o trono para o irmão; e D. Carlos I, também em Portugal, que virou rei em 1889 e foi assassinado (junto com seu primogênito) em 1908. No Brasil, os primogênitos da Casa Imperial foram enterrados no convento dos franciscanos, supostamente como uma forma de aplacar a maldição.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

domingo, 7 de junho de 2015

Divulgação de livro: Uma nova história da Guerra do Paraguai


A história de Elisa Lynch, cortesã irlandesa, companheira de Solano López, que um dia sonhou tornar-se a imperatriz da América do Sul.    

Suas estratégias, suas ambições e sua influência sobre Solano López precipitaram um conflito bélico, que colocou fogo na América do Sul e, por fim, dizimou grande parte da população do Paraguai. Uma descrição, passo a passo, do envolvimento político de diversas nações e a vaidade pessoal de vários de seus líderes.

O livro narra, ainda, como após muitos anos o general Stroessner, tentando reviver o mito de Evita Perón, traz da França o corpo de Elisa Lynch e o coloca em uma cripta de heróis nacionais. Estava, assim, sendo reescrita uma nova história do Paraguai, um novo mito, uma nova heroína.

Este livro narra a história da criação de um mito: a transformação extraordinária de uma mulher, na personificação da virtude feminina e do martírio. O corpo de Elisa foi levado para o Paraguai, para que a história do país fosse reescrita. Elisa, em morte, atingiu a posição que sempre sonhar.



SOBRE O AUTOR: Nigel Cawthorne estudou na Universidade College, em Londres, onde obteve Grau de Honra em Física, antes de escrever profissionalmente. É escritor e editor há mais de 25 anos - os últimos 21 como freelance. Escreveu, contribuiu e editou mais de sessenta livros, incluindo Fighting them on the Beaches: D-Day, 6 June 1944; Turning the Tide: Decisive Battle of the Second World War; The Bamboo Cage e The Encyclopaedia of World Terrorism. Seu trabalho apareceu também em mais de cento e cinquenta jornais, revistas e outras publicações em ambos os lados do Atlântico - do Sun ao Financial Times, e inclui contribuições a Nam, Eyewitness Nam e The Falklands War. Nigel também visitou o Vietnã com o lendário Tim Page, onde pesquisou o material para Nam, Eyewitness Nam e The Bamboo Cage. Além disso, criou websites sobre a Batalha de Hastings e Pearl Harbor.


Saiba mais: www.mbooks.com.br 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Os arquivos da Escravidão no Brasil

História da escravidão está abandonada nos cartórios em S. Paulo
S. Paulo – O que sobrou da queima dos arquivos da escravidão determinada por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, em 1.891, como os negócios de compra e venda de escravos, está abandonado e consumido pelas traças e ácaros em cartórios de S. Paulo.
Reportagem do jornalista Lucas Ferraz, publicada neste domingo (24/05) pelo Jornal Folha de S. Paulo, revela que uma extensa e rica documentação sobre a escravidão permanece trancada num cofre do Cartório do Primeiro Tabelião de Notas, no bairro de Santa Cecília, pioneiro na cidade.
A documentação está misturada a documentos como escrituras de venda de casas e fazendas. Há registros desde 1.740. 
Entre esses documentos encontra-se o registro da compra de uma escrava de nome Benta, uma adolescente de 14 anos, por um senhor de nome José (cujo sobrenome é ilegível) por um conto e seiscentos mil réis – o que significara R$ 1.750, em valores atuais.
Há também a relação de escravos, em torno de 300, trazidos de uma fazenda do Paraná para S. Paulo, cartas de alforria e documentos que mostram a troca de escravos por animais.
Queima dos arquivos
A queima dos arquivos da escravidão foi determinada pelo então ministro da Fazenda Rui Barbosa, já sob a República, em 1.891, para que não restasse qualquer resquício da escravidão. A medida adotada por Rui em nome do Estado brasileiro, segundo os defensores do então ministro, teria sido uma reação ao movimento desencadeado por fazendeiros – em especial das fazendas de café do Rio e de S. Paulo – que cobravam indenizações do Estado - "o movimento indenizista" - por terem perdido a mão de obra com a Abolição em 13 de maio de 1.888.
Historiadores ouvidos por Afropress defendem que a recuperação, a preservação e a exposição desses documentos é fundamental para se lançar luz sobre esse período histórico.
A identificação de herdeiros de ex-escravos com documentação registrada em cartório poderá, por outro lado, fundamentar processos de indenização contra o Estado brasileiro, já que a escravidão era um negócio em que o Estado não só mantinha – através de Leis aprovadas pelo Parlamento sob o Império – mas também lucrava com a cobrança de impostos e tributos.
Segundo a professora Maria Helena Machado, professora titular do Departamento de História da USP, “não faz o menor sentido uma documentação tão valiosa como essa ficar num cartório”. “É sintomático que S. Paulo, que sempre escondeu a escravidão, mantenha esses documentos escondidos”, afirmou a historiadora.
Da Redação, com informações de Lucas Ferraz/Jornal Folha de S. Paulo

sábado, 20 de dezembro de 2014

Guerra do Paraguai - 150 anos

Feridas abertas após 150 anos


Em 2014, 150 anos após o início do conflito considerado o mais sangrento da América Latina, as lembranças continuam vivas, principalmente no Paraguai

Reportagem de especial de Ricardo Westin, da Agência Senado, relembrou os 150 anos da Guerra do Paraguai (1864-1870). Um vídeo produzido pela agência traz uma entrevista do embaixador do Paraguai em Londres, Miguel Ángel Solano López, bisneto de Francisco Solano López, presidente do Paraguai à época da guerra. Entre outras afirmações, Miguel pede que o Brasil devolva o canhão cristão, trazido ao país como trofeu de guerra.

Fonte: Revista História Viva

sábado, 13 de dezembro de 2014

A Guerra do Paraguai e suas motivações.

Após 150 anos, estopim da Guerra do Paraguai ainda gera controvérsia

Historiadores divergem sobre a verdadeira razão para o início do conflito.
Mas há consenso em dizer que ditador paraguaio errou ao declarar guerra.

Tahiane StocheroDo G1, em São Paulo
Procissão no Tagy durante a Guerra do Paraguai (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Procissão no Tagy durante a Guerra do Paraguai (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)

Já se passaram 150 anos do início da Guerra do Paraguai (1864-1870) e ainda há controvérsia entre historiadores sobre os motivos que levaram o ditador paraguaio Francisco Solano López a dar início ao maior conflito armado da América Latina. O Paraguai lutou contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e acabou derrotado. Até hoje o país não se recuperou plenamente das consequências da guerra.
Alguns especialistas entendem que o conflito era parte da política expansionista de Solano López, outros afirmam que foi uma reação "desproporcional" do ditador à invasão do Uruguai pelo Império brasileiro.
Natalicio del Mariscal Francisco Solano López (Foto: Reprodução/Site da Vice-Presidência do Paraguai)O líder paraguaio Francisco Solano López (Foto:
Reprodução/Site da Vice-Presidência do Paraguai)
Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente. 
Para o cientista social e doutor em história das relações internacionais Francisco Doratioto, Solano López tinha um plano: ele teria declarado a guerra em busca de novos territórios e de uma saída para o mar através do domínio do Rio Prata – libertando-se, assim, das tarifas alfandegárias cobradas pelo porto de Buenos Aires.
Autor do livro "Maldita Guerra", Doratioto afirma que, na época, havia litígio de territórios no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul. "López usou a invasão ao Uruguai como desculpa, pois já havia mobilizado forças na fronteira mesmo antes disso acontecer e sem nenhum risco de ameaça", afirma.
Estudioso autodidata do conflito, o brasileiro Júlio José Chiavenato vê em Solano López apenas uma atitude de defesa dos interesses paraguaios, após o Brasil invadir o Uruguai sob alegação de que brasileiros estavam sofrendo ataques em meio à guerra civil que acontecia no país. Para Chiavenato, López entendeu como um ato de guerra a invasão ao país com o qual tinha acordos de defesa mútua.
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General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai  (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)
Autor do livro "Genocídio americano: a guerra do Paraguai", publicado em 1979, Chiavenato entende que Solano López se sentiu ameaçado por pensar que seria o próximo alvo do Império brasileiro. O ditador, porém, não acreditava que a guerra se estenderia por tanto tempo e que se trataria depois de uma atitude suicida iniciar o conflito, afirma o escritor.
"A intervenção brasileira no Uruguai era uma coisa que vinha sendo preparada há muito tempo. A reação do Paraguai foi desproporcional, pois não tinha diplomatas com traquejo para negociar a situação. López teve uma reação passional: quando se viu ameaçado, reagiu de forma patriótica”, diz Chiavenato. Apesar disso, ele acredita que o Brasil queria a guerra. "López só a antecipou."
Em um ponto, porém, há consenso entre os historiadores: Solano López errou ao iniciar uma guerra que matou boa parte da população de seu país e provocou consequências econômicas, sociais e políticas que o Paraguai não conseguiu superar até hoje.
Não há evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido pelo Brasil seria o Paraguai. Solano López apostou que enfraqueceria o Brasil e que contaria com o apoio de grupos na Argentina (...) A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada
Ricardo Henrique Salles,
historiador
'Culpa do Brasil'
O historiador Ricardo Henrique Salles, autor do livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", enxerga no Brasil a culpa pelo conflito. "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele."
Segundo Salles, a História oficial brasileira trata a invasão ao Uruguai e a Guerra do Paraguai como conflitos diferentes quando, na verdade, trata-se de um só. A invasão ao Uruguai foi um "ato agressivo" do Império brasileiro que desencadeou a guerra, afirma.
"A ação do Brasil no Uruguai foi sem provocação alguma, foi uma invasão mesmo, usando pretextos fúteis do assassinato de brasileiros no país quando, na verdade, o governo brasileiro comprou a briga de estancieiros gaúchos que tinham interesse em terras", defende.
Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)

Apoio na Argentina
Segundo o historiador, não havia evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido seria o Paraguai. Além disso, Solano López teria apostado que enfraqueceria o Brasil e que teria o apoio de grupos na Argentina – superestimando suas forças e subestimando as forças do Império. "A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada. Já o Brasil achou que a guerra seria um passeio e que, com o que tinha na época em efetivos militares, daria conta, o que não ocorreu", diz Salles.
Ele diz que a guerra se estendeu mais que o esperado para ambos os lados devido ao "terreno inóspito muito desfavorável e desconhecido" em que foi travada, na fronteira pantanosa, e também "à bravura do soldado paraguaio, que via a guerra como uma agressão à sua terra".
Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício"
Júlio José Chiavenato,
escritor
População paraguaia e mortes
Outro ponto controverso que envolve a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou o conflito.
Com base em dados demográficos, Júlio José Chiavenato diz que é possível apontar a população paraguaia em "mais ou menos 800 mil pessoas", e que "a guerra provocou uma matança absurda" deixando o Paraguai em uma situação "que até hoje não se recuperou". Segundo ele, morreu na guerra cerca de 90% da sua população masculina maior de 20 anos.
"Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício", afirma o escritor, acrescentando que o conflito produziu um trauma no continente.
Residência do Barão do Triunfo, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, é protegida por tropas (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Residência do Barão do Triunfo, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, é protegida por tropas (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)
"Todos estes números são polêmicos. As informações que eu tenho é que o Paraguai tinha cerca de 400 mil pessoas e que sobraram 180 mil a 200 mil no fim da guerra. Mais de dois terços da população masculina", aponta o professor Doratioto.
Já para Salles, que leciona história na UniRio, os números sobre a população paraguaia na época eram de 300 mil a 700 mil. "Ninguém consegue chegar a um número preciso". Ele discorda de Chiavenato quanto à "matança" provocada pela guerra e afirma que 80% dos mortos – cerca de 300 mil pessoas – foram vítimas de fatores indiretos, como fome e doenças.
Negros e escravos
Outra polêmica do conflito foi o fato de o Brasil ter enviado escravos como soldados. "A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender", afirma Salles.
Já para Chiavenato, que teve acesso à documentação do conflito, apesar de não haver números oficiais, a maior parte da tropa brasileira era, sim, de escravos. "Eles eram enviados para irem no lugar de brancos de classe média que eram convocados. O Brasil não tinha Exército na época, era uma Guarda Nacional, mas que só existia no papel, com cerca de 23 mil homens que não tinham nem farda”, diz. Já do lado paraguaio, Chiavenato vê o patriotismo como fator preponderante na luta: “Foi uma luta coesa, o povo entendeu que, se a guerra fosse perdida, seria o fim do Paraguai”, diz.

Salles e Doratioto também dizem acreditar nisso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou”, afirma Salles.

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