" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias
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sexta-feira, 13 de novembro de 2020
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
domingo, 25 de outubro de 2020
Regras de "como ganhar uma eleição"
No ano de 64 a.C., Marcus Tullius Cícero, advogado; orador; filósofo; escritor e político romano, concorreu ao posto de Cônsul romano, o cargo político mais importante da vida pública romana. Cícero não pertencia à uma família aristocrática como a maioria daqueles que dirigiam os destinos de Roma, mesmo assim, Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Quintus Tullius, irmão mais novo de Cícero, e também general e político de Roma, produziu algumas recomendações para o seu irmão candidato, esperando assim auxiliá-lo na conquista do almejado cargo.
Marcus Tullius venceu a eleição, acredita-se que as recomendações de Quintus Tullius para a campanha de seu irmão podem realmente tê-lo beneficiado no intento da vitória. Mas existe algo inquestionável nestes eventos, a preocupação com a moral e a ética não faziam parte desta carta de conselhos, ou seja, o político tornaria-se um demagogo (no conceito atual: Quem se comporta de maneira interesseira e ambiciosa, visando a manipulação dos interesses populares, através do discurso. ). Mesmo sendo uma cartilha de instruções para um político de dois milênios atrás, as recomendações de Quintus Tullius parecem ser um livro de cabeceira dos nossos políticos contemporâneos, assim como foi daqueles que já se foram e provavelmente como será daqueles que virão, ou de pelo menos da maioria deles.
Podendo ser encontrada no livro "Como ganhar uma eleição", segue abaixo uma pequena mas expressiva, pragmática e atemporal lista de conselhos práticos para administrar uma campanha e vencer uma eleição. Recomendado para "políticos profissionais" e para aqueles que observam e acompanham a vida política de nossa sociedade, que na verdade deveria ser para todos os cidadãos.
Marcus Tullius venceu a eleição, acredita-se que as recomendações de Quintus Tullius para a campanha de seu irmão podem realmente tê-lo beneficiado no intento da vitória. Mas existe algo inquestionável nestes eventos, a preocupação com a moral e a ética não faziam parte desta carta de conselhos, ou seja, o político tornaria-se um demagogo (no conceito atual: Quem se comporta de maneira interesseira e ambiciosa, visando a manipulação dos interesses populares, através do discurso. ). Mesmo sendo uma cartilha de instruções para um político de dois milênios atrás, as recomendações de Quintus Tullius parecem ser um livro de cabeceira dos nossos políticos contemporâneos, assim como foi daqueles que já se foram e provavelmente como será daqueles que virão, ou de pelo menos da maioria deles.
Podendo ser encontrada no livro "Como ganhar uma eleição", segue abaixo uma pequena mas expressiva, pragmática e atemporal lista de conselhos práticos para administrar uma campanha e vencer uma eleição. Recomendado para "políticos profissionais" e para aqueles que observam e acompanham a vida política de nossa sociedade, que na verdade deveria ser para todos os cidadãos.
Assegure-se de que você conta com o apoio de sua família e dos amigos.
A lealdade começa em casa. Se sua esposa e filhos não estão ao seu lado, não somente você terá muita dificuldade de vencer mas isso parecerá ruim aos eleitores. Os rumores mais destrutivos sobre um candidato começam entre os mais próximos dele.
Fique rodeado de pessoas certas.
Crie uma assessoria talentosa na qual possa confiar. Você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Assim, escolha aqueles que possam representá-lo como se eles estivessem tentando ser eleitos por eles mesmos.
Cobre todos os favores.
É hora de gentilmente (ou não) lembrar a todos os que você ajudou que lhe devem um favor. Se alguém não lhe dever nada, lembre-lhe de que seu apoio agora vai colocar você em dívida para com ele no futuro. E, como candidato eleito, você estará bem colocado para ajudá-lo quando ele precisar.
Construa uma grande base de apoio.
Apele primariamente aos tradicionais agentes do poder, tanto no senado como na comunidade empresarial rica – uma tarefa nada fácil, dado que tais grupos geralmente estão em briga entre si. Se você for alguém de fora no jogo político, avance mais e prevaleça sobre os interesses particulares dos vários grupos, das organizações locais e das populações rurais ignoradas pelos outros candidatos. Eleitores jovens devem ser igualmente cortejados, junto com qualquer um que possa ser utilizado.
Mesmo pessoas não muito recomendáveis devem se tornar amigas mais próximas durante a campanha, desde que possam ajudá-lo a ser eleito. Restringir a base de apoio garante o fracasso.
Prometa tudo para todos.
Exceto nos casos mais extremos, o candidato deve dizer tudo aquilo que as massas queiram ouvir naquele dia. Diga aos tradicionalistas que você tem consistentemente apoiado seus valores. Diga aos progressistas que você sempre esteve ao seu lado. Depois da eleição, você pode explicar a cada um que você adoraria ajudá-lo, mas que infelizmente surgiram fatores fora do seu controle. Os eleitores ficarão muito mais zangados se você não fizer as promessas que eles querem ouvir, do que se depois você recuar e não cumpri-las.
A habilidade na comunicação é a chave do sucesso.
Na Roma antiga, a arte de falar em público era estudada cuidadosamente por todos aqueles que aspirassem uma carreira política. Na mídia de hoje, um comunicador ruim tem poucas chances de vencer uma eleição.
Não se afaste do eleitor.
Fique pressionando os eleitores o tempo todo, sem descanso. Não existem ausências para candidatos decididos. Deixe para tirar férias depois da vitória.
Conheça as fraquezas dos seus opositores – e as explore.
Todos os candidatos devem fazer um inventário honesto das vulnerabilidades e forças de seus rivais. Os vitoriosos distraem os eleitores sobre qualquer aspecto positivo de seus oponentes, enfatizando os negativos. Rumores de corrupção são o alimento básico. Escândalos sexuais são ainda melhores.
Bajule os eleitores desavergonhadamente.
Agite os eleitores. Olhe-os de frente, dê um tapinha nas costas e diga-lhes que são importantes. Faça com que acreditem que você está verdadeiramente preocupado com eles.
Dê esperanças aos eleitores.
Mesmo os eleitores mais cínicos precisam acreditar em alguém. Dê ao povo uma sensação de que você pode tornar o mundo melhor e que ele se tornará seu mais devotado seguidor – pelo menos até terminar a eleição, quando então você inevitavelmente o deixará para trás. Mas então isso não mais importará, porque você já terá vencido.
Acesse também: http://migre.me/lqSN1
Baseado no Livro: "How to Win an Election – An Ancient Guide for Modern Politicians" - Tradução de Philip Freeman, Princepton University Press
domingo, 28 de janeiro de 2018
Origem da palavra: Candidato
Fonte: History Channel
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
Candidato Caô Caô
Dizem que o brasileiro é um dos poucos povos que riem de sua desgraça. Passadas as eleições, os ânimos começam a esfriar, permitindo-nos mais uma vez refletir e "brincar" com a nossa situação sócio-cultural.
A música exposta abaixo reflete uma situação que provavelmente nós vimos nestes últimos meses nas campanhas eleitorais, esta música de Bezerra da Silva, pode até ser considerado um hino de revolta do cancioneiro popular, que mostra como o "político" usufrui dos mais carentes.
Acredito que esta música serve para representar políticos de inúmeras legendas, vitoriosas ou vencidas nestas últimas eleições
Candidato Caô Caô
Caô Caô Caô Caô..
A justiça chegou!
A justiça chegou!
Ai malandragem..se liga!
Bezerra da Silva provando e comprovando a sua versatilidade!
"Sai pra lá caozada..Oh o rappa na área!"
Bezerra da Silva provando e comprovando a sua versatilidade!
"Sai pra lá caozada..Oh o rappa na área!"
Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
E até bagulho fumou
Jantou no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Às próximas eleições (3x)
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
E até bagulho fumou
Jantou no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Às próximas eleições (3x)
Fez questão de beber água da chuva
Foi lá no terreiro pediu ajuda
E bateu cabeça no congá
Mais ele não se deu bem
Porque o guia que estava incorporado
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar
Foi lá no terreiro pediu ajuda
E bateu cabeça no congá
Mais ele não se deu bem
Porque o guia que estava incorporado
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar
Também disse:
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda os homem lhe prender
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda os homem lhe prender
Hoje ele pede o seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater.
Amanhã manda a polícia lhe bater.
Eu falei pra você viuuuuu..
Esse político é safadão oh ai cumpade!
Nesse país que se divide em quem tem e quem não tem,
Sinto o sacrifício que há no braço operário
Eu olho para um lado
Eu olho para o outro
Vejo o desemprego
Vejo quem manda no jogo
E você vem, vem
Pede mais de mim
Diz que tudo mudou
E que agora vai ter fim
Mas eu sei quem você é
Ainda confia em mim?
Sinto o sacrifício que há no braço operário
Eu olho para um lado
Eu olho para o outro
Vejo o desemprego
Vejo quem manda no jogo
E você vem, vem
Pede mais de mim
Diz que tudo mudou
E que agora vai ter fim
Mas eu sei quem você é
Ainda confia em mim?
Esse jogo é muito sujo
Mas eu não desisto assim
Você me deve..haha haha
Malandro é malandro
Mané é mané
Você me deve...
Você me deve seu canalha
Você me deve malandragem
Mas eu não desisto assim
Você me deve..haha haha
Malandro é malandro
Mané é mané
Você me deve...
Você me deve seu canalha
Você me deve malandragem
Você ganhou duzentas vezes na loteria malandro?
Duzentas vezes cumpade?
É
Duzentas vezes cumpade?
É
Fez questão de beber água da chuva
Foi lá na macumba pediu ajuda
E bateu cabeça no congá
Deu azar..
A entidade que estava incorporada
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar
Foi lá na macumba pediu ajuda
E bateu cabeça no congá
Deu azar..
A entidade que estava incorporada
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar
Também disse:
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe prender
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia lhe prender
Hoje ele pede o seu voto
Amanhã manda a polícia lhe bater.
Amanhã manda a polícia lhe bater.
Ai ai perai cumpade..perai perai perai
Sujôooo..
Ae malandragem se liga na missão
Fica atento
Político é cerol fininho
Sujôooo..
Ae malandragem se liga na missão
Fica atento
Político é cerol fininho
Político engana todo mundo..
Menos o caboco..ele deu azar na macumba do malandro..ah lá
O caboco caguetou ele
Menos o caboco..ele deu azar na macumba do malandro..ah lá
O caboco caguetou ele
Hoje ele pede, pede, pede de você ..
Amanhã vai vai te fudê..
Amanhã vai vai te fudê..
Hoje ele pede, pede, pede de você ..
Amanhã vai vai.. ohhh
Amanhã vai vai.. ohhh
E amanhã vai se fu..
É cumpade...
sábado, 21 de março de 2015
Vídeo: Coronelismo
Seria Antônio Carlos Magalhães (ACM) o último Coronel?
Assista também: https://www.youtube.com/watch?v=dGtUIoF3sCw
Assista também: https://www.youtube.com/watch?v=dGtUIoF3sCw
quarta-feira, 4 de março de 2015
Câmara aprova projeto que regulamenta profissão de historiador
Proposta determina quem pode exercer e quais as atividades próprias da profissão. Texto seguirá para o Senado.

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira proposta que regulamenta a profissão de historiador e estabelece os requisitos para seu exercício. Foi aprovado um substitutivo da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para o Projeto de Lei 4699/12, do Senado. Devido às mudanças, a matéria retorna para análise dos senadores.
Segundo o substitutivo, do ex-deputado Policarpo, poderão exercer a atividade de historiador:
- os portadores de diploma de curso superior em História, nacional ou estrangeiro com revalidação;
- os portadores de diploma de mestrado ou doutorado em História;
- os portadores de diploma de mestrado ou doutorado obtido em programa de pós-graduação reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com linha de pesquisa dedicada à História;
- os profissionais diplomados em outras áreas que tenham exercido, comprovadamente, há mais de cinco anos, a profissão de historiador, a contar da data da promulgação da futura lei.
A Capes é uma fundação do Ministério da Educação (MEC) que atua na avaliação da pós-graduação stricto sensu e também em seu fomento por meio de bolsas.
Atribuições
Entre as atribuições dos historiadores, o substitutivo prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.
Entre as atribuições dos historiadores, o substitutivo prevê o magistério da disciplina de História nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.
O profissional poderá ainda planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; e elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Registro
O texto exige, para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, a comprovação obrigatória de registro profissional junto à autoridade trabalhista competente.
O texto exige, para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, a comprovação obrigatória de registro profissional junto à autoridade trabalhista competente.
Já as entidades que prestam serviços em História deverão manter historiadores legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços.
Qualificação
Durante a votação da proposta, o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a aprovação do texto vai melhorar as condições profissionais. "O historiador tem compromisso com a verdade na sua diversidade. A aprovação deste projeto ajuda o desenvolvimento da sociedade brasileira", afirmou.
Durante a votação da proposta, o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ), disse que a aprovação do texto vai melhorar as condições profissionais. "O historiador tem compromisso com a verdade na sua diversidade. A aprovação deste projeto ajuda o desenvolvimento da sociedade brasileira", afirmou.
Já a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) explicou que o crescimento do número de cursos e profissionais na área obrigou a regulamentação, que vem para melhorar a qualidade dos profissionais. "A proposta acaba qualificando o ensino, ao criar critérios", disse.
O deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG), no entanto, aproveitou para criticar as políticas públicas de educação. "Temos visto agora o contingenciamento de recursos para educação, estudantes querendo acesso a financiamento estudantil tendo este acesso negado", criticou.
Fonte: Câmara dos Deputados
sábado, 27 de setembro de 2014
Mulher no poder...
Há 25 anos uma
carangolense torna-se a primeira mulher candidata ao mais alto posto de governo
no Brasil.
Em
2014 “o Brasil comemora 82 anos da conquista do voto feminino. O direito das
mulheres em escolher seus representantes foi garantido em 1932, através do
decreto 21.076 do Código Eleitoral Provisório, após intensa campanha nacional.
Com
a consolidação da participação feminina nas eleições, a mulher passou a
conquistar cada vez mais o seu espaço no cenário político brasileiro. Hoje, há
mulheres em todos os cargos eletivos. Além da Presidência da República, exercem
mandato duas governadoras, 11 senadoras, 45 deputadas federais e 134 deputadas
estaduais.” (Fonte: tre-es)
Neste
ano, as eleições para Presidente da República, pela primeira vez na história,
contará com três mulheres na disputa pelo mais alto cargo do Poder Executivo
nacional: Presidência da República. Sendo elas Dilma Roussef (PT), a qual tenta
a reeleição; a ex-senadora Marina Silva (PSB) e a ex-deputada Luciana Genro (PSol),
segundo as pesquisas de opinião divulgadas pela Imprensa, as duas primeiras
candidatas teriam mais chance de ocupar o cargo de chefe da nação brasileira.
Tal
fato, talvez se torne um pouco mais significativo ao lembrarmos que há 25 anos
o Brasil voltava a eleger um presidente da República pelo voto direto, era a
redemocratização do Brasil, o qual passara por 21 anos em ditadura civil-militar,
onde o povo era privado de escolher os seus governantes, proibido de se
expressar ou criticar o os detentores do poder, assim como vários outros
direitos provenientes de um país democrático também eram restringidos.
A vontade do povo
brasileiro, de escolher seus governantes foi representada pela campanha das “Diretas
já!”, a qual reuniu milhões de pessoas em comícios pelas principais cidades do
país, clamando pela volta das eleições
diretas, mas veio a frustração, Tancredo Neves foi eleito indiretamente Presidente
da República, sucedendo assim o último militar no poder, João Figueiredo. Tancredo
adoeceu e faleceu tempos depois, seu vice era José Sarney, o qual acabou assumindo o governo.
Em 1989 o país volta às urnas
para eleger o Presidente da República, desde
1960 não havia eleições diretas no Brasil, 22 candidatos disputam o pleito, tendo
Fernando Collor de Mello (PRN) eleito após uma disputa de segundo turno com o
candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Collor obteve 35 milhões (53% dos
votos válidos) contra 31 milhões (47 %) de Lula. Em 1992, o presidente sofreu impeachment e o vice,
Itamar Franco, assumiu. Mas, algo que também se destaca nesta eleição é a
candidatura da primeira mulher à presidência da República Federativa do Brasil,
a advogada mineira Lívia Maria Lêdo Pio
de Abreu, do extinto Partido Nacionalista. Entre os 22 candidatos, número
insuperável até hoje, tínhamos uma carangolense, bancária, residente do
Distrito Federal, na disputa pela vaga mais cobiçada no Palácio do Planalto. A
Dra. Lívia ficou em 16º. lugar, com 179.925 votos, o equivalente a 0,25% do
total.
Mesmo não tendo a expressividade das candidatas
ao pleito atual, a candidatura de Lívia Maria marca uma grande conquista
feminina na história do Brasil, a conquista das mulheres poderem ver-se
representadas. Hoje em dia, mesmo com cotas para mulheres nos partidos e na
disputa pelos cargos eletivos, a participação feminina na política ainda é
baixa comparada a outros países. Na comparação com 34 países das Américas,
ocupa o 30º lugar em participação parlamentar.
Principais conquistas das
mulheres na política brasileira
- Em 1932, as mulheres
brasileiras conquistam o direito de participar das eleições como eleitoras e
candidatas.
- Em 1933, Carlota Pereira de
Queirós tornou-se a primeira deputada federal brasileira
- Em 1979, Euníce Michiles
tornou-se a primeira senadora do Brasil.
- Entre 24 de agosto de 1982 e 15
de março de 1985, o Brasil teve a primeira mulher ministra. Foi Esther de
Figueiredo Ferraz, ocupando a pasta da Educação e Cultura.
- Em 1989, ocorre a primeira
candidatura de uma mulher para a presidência da República. A candidata era
Maria Pio de Abreu, do PN (Partido Nacional).
- Em 1995, Roseana Sarney
tornou-se a primeira governadora brasileira.
- Em 31 de outubro de 2010, Dilma
Rousseff (PT) venceu as eleições presidenciais no segundo turno,
tornando-se a primeira mulher presidente da República no Brasil.
Leia também: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/lugar_de_mulher_e_na_praca_publica.html
Leia também: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/lugar_de_mulher_e_na_praca_publica.html
sábado, 7 de dezembro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Perfil ideológico do eleitor brasileiro.
Pesquisa do Datafolha tenta demonstrar as proporções de eleitores considerados de Direita ou Esquerda no Brasil. O perfil ideológico dos eleitores entrevistados foi elaborado a partir de um questionário adaptado de pesquisas internacionais do gênero.

Faça o teste aqui: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/10/1357430-faca-o-teste-do-perfil-ideologico-e-descubra-se-voce-e-de-direita-ou-de-esquerda.shtml
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Um mundo sem professores...
"O ano é de 2063 D.C - ou seja, daqui a cinquenta anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando? A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E, no mesmo tom, vem a resposta:
– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação.
Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa. Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. Os professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de ideias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.
Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério. Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor.
As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade. Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país em nome do combate aos subversivos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores... "
Autoria desconhecida
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Jaime Pinsky: O pecado original
Pode parecer que há motivos variados e até mesmo conflitantes para as manifestações em todo o Brasil. Errado. Todos os protestos decorrem do indiscutível e inaceitável distanciamento que existe no Brasil entre a nação e o Estado.
A nação, constituída pelos cidadãos concretos, pelas pessoas reais, não reconhece nos poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário) seus representantes. "Nós" somos nós e "eles" são eles.
Expressar-se, como tem se expressado a sociedade, é mais sintomático ainda em se tratando de gente que poucas vezes sai às ruas (todos observamos o deslumbramento de muitos que as frequentavam pela primeira vez).
Mas, como escreveram em seus cartazes Lívia e Ana Paula, desde os primeiros dias, "são 513 anos e 20 centavos". Cabe-nos ler e entender o que elas queriam dizer com isso.
Somos fruto de um pecado original, aquele que criou o Estado brasileiro em 1822 sem que houvesse, de fato, uma nação que o reivindicasse --o contrário do que aconteceu na maioria dos países em que a estrutura jurídico-política surge como decorrência dos anseios de uma nação já constituída (nação aqui definida como o povo com consciência de sua identidade).
Pelo fato de, entre nós, criarmos um Estado com todo seu aparato que não respondia a anseios da população, esta nunca o reconheceu, tratando-o sempre na terceira pessoa do plural.
É verdade que governantes, legisladores e juízes não têm facilitado. Ao assumirem papéis na estrutura jurídico-política, deixam de ser povo e se transformam em "autoridades". Claro que, em qualquer país, há rituais inerentes a funções públicas, mas o exagero entre nós é evidente. Nossos supostos representantes vão muito além de cumprimento de obrigações protocolares: as "autoridades" exigem "respeito" equivalente ao que o Faraó, seus funcionários e sacerdotes exigiam dos súditos.
São automóveis com motoristas à disposição de toda a família, são diárias de viagem superiores ao salário mensal de professores, é o uso de aviões de serviço para conforto pessoal (e até da sogra), é cabeleireiro que cobra cinco salários mínimos por hora de trabalho. Tudo isso às custas dos nossos impostos diretos e indiretos.
Entre nós, ao contrário do que acontece na maioria das democracias, o modo como se exerce o poder distancia os representantes dos representados. Cidadãos brasileiros são percebidos pelos poderosos de plantão (ou os vitalícios, que os há) não como cidadãos, mas como súditos, simples massa de manobra, gente para ser enganada a cada eleição.
Talvez por isso nossos governantes quase não governem: uma vez no poder, dedicam-se a criar as bases de sua permanência (e da corriola, é claro) na função obtida, preparando-se para a próxima eleição. Não querem perder o direito ao uso (e abuso) das vantagens conquistadas. Detestariam voltar a ser apenas parte da nação.
Por outro lado, povo nas ruas pode ser bom, mas substituir a democracia representativa pela direta é inviável em uma sociedade complexa como a nossa. Afinal, não estamos na Grécia clássica, não cabemos todos em uma praça. Precisamos, pois, de representantes. Porém, chegou a hora destes mudarem sua forma de fazer política, criar leis, promover justiça. Temos que melhorar nossa democracia.
Estamos todos de acordo com penas mais severas e sentenças rápidas para os que confundem patrimônio público com o privado. Concordamos também que não tem sentido arrotar prioridade de transporte público e manter um modelo que isenta de impostos os automóveis privados. Não há dúvidas ainda sobre a necessidade de uma ampla reforma política. Mas, antes que o abismo cresça ainda mais, precisamos reaproximar o Estado da nação.
JAIME PINSKY, 74, é historiador e editor, livre- docente pela Universidade de São Paulo, professor titular da Universidade Estadual de Campinas e autor de "Por Que Gostamos de História"
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
20 Anos do impeachment de Collor.
Já se passaram 20 anos do movimento que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Saiba o que aconteceu com cada um dos personagens envolvidos neste episódio recente da História da República brasileira.
![]() |
| Clique na imagem e abra um infográfico sobre o assunto. |
sexta-feira, 30 de março de 2012
Carangolense Victor Nunes Leal figura entre os 50 homens mais importantes do Brasil
Durante a retrospectiva de 2011, a revista Veja, em sua Edição nº 2.249, trouxe uma matéria falando sobre a história do Brasil, onde destacou os "50 grandes nomes do passado e seu legado para o Brasil atual". A matéria foi assinada pelos Jornalistas Diogo Schelp e Júlia Carvalho.
No texto, os autores lembram a importância do passado como referencial para o presente e o futuro do país, destacando as 50 personalidades da história do Brasil que "defenderam conceitos revolucionários em seu tempo e que permanecem atuais neste começo do século XXI".
Para a preparação da matéria, a Revista Veja convidou "22 Historiadores, Economistas, Cientistas Políticos, Sociólogos, Médicos e Advogados para ajudarem na elaboração em questão".
Entre as personalidades apontadas estavam figuras de nossa história como Maurício de Nassau (1604/1679), Padre Manoel da Nóbrega (1517/1570), Frei Caneca (1779/1825), José Bonifácio (1763/1838), Duque de Caxias (1803/1880), Diogo Feijó (1784/1843), D João VI (1767/1826), Floriano Peixoto (1839/1895), D Pedro II (1825/1891), Maria Quitéria (1792/1853), D Pedro I (1798/1934), Vital Brasil (1865/1950), Visconde de Mauá (1813/1889), Cândido Rondon (1865/1958), Carlos Chagas (1878/1934), Prudente de Moraes (1841/1902), Campos Sales (1841/1913), Gilberto Freire (1900/1987), Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902/1976), Barão do Rio Branco (1845/1912), Sérgio Buarque de Holanda (1902/1982), San Tiago Dantas (1911/1964), Princesa Isabel (1846/1921), Oswaldo Cruz (1872/1907) e o carangolense Victor Nunes Leal (1914/1985).
Nascido em Alvorada, Victor Nunes Leal foi Ministro do Supremo Tribunal Federal em 1960, tendo também passado por diversos cargos públicos durante o governo do seu particular amigo, Presidente Juscelino Kubitschek.
O Ministro Victor Nunes Leal, entre as várias atuações e contribuições que teve no mundo jurídico, destacam-se a sistematização e a racionalização das decisões do Supremo Tribunal Federal, segundo narra no texto, Oscar Vilhena Vieira, que também destaca que "o objetivo do Jurista era criar padrões mais elaborados de trabalho e ampliar a transparência do Tribunal".
Oscar Vilhena destaca que o Ministro Victor Nunes Leal "legou ainda sentenças históricas em defesa da liberdade e da democracia, antes de ser forçado a se aposentar pelo AI 5?.
Victor Nunes Leal foi autor de um livro que se tornou clássico sobre o sistema político brasileiro, livro este inspirado em sua vivência em Alvorada e Carangola e em seu conhecimento sobre a política que imperava na região, e que recebeu o título de "Coronelismo, Enxada e Voto", publicado em 1948. Na obra, o Ministro critica a política de troca de favores entre chefes locais e os Governos Estaduais e Federal. Este modelo, baseado no nepotismo, na compra de apoio entre Parlamentares e no voto de cabresto, continua presente na política nacional, nos lembra o autor do texto, Oscar Vilhena Vieira.
A revista Veja, em seu comentário, destaca que Victor Nunes Leal "ficaria desapontado ao tomar conhecimento de escândalos como o mensalão e a falta de consequências para os envolvidos".
O que a revista desconhece é que a admiração do Presidente Juscelino Kubistchek era tanta pelo Ministro Victor Nunes Leal que, ao construir Brasília, Juscelino deu o nome ao Palácio da Alvorada em homenagem ao seu amigo nascido no distrito de Alvorada, em Carangola, Minas Gerais.
Como pode ser verificado pelos nomes as 50 personalidades que marcaram a história do Brasil, Carangola sempre se fez presente na vida de Minas e do País e Victor Nunes Leal é um exemplo disso, e como ele, outros tantos carangolenses destacaram-se e destacam-se ainda hoje na história do nosso País.
A única coisa que se lamenta é que passados 64 anos depois que o grande jurista Victor Nunes Leal escreveu o seu livro, ainda hoje, em sua terra natal, a política continua seguindo o perfil ideológico e retrógrado dos antigos coronéis e aliciadores de votos cujo único fim é o poder e não o bem estar de sua terra e de sua gente. Com informações do Folha da Mata.
Fonte: Gazeta Regional
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
O Analfabeto Político
| Bertold Brecht |
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Bertold Brecht
sábado, 24 de setembro de 2011
Comissão da verdade: Governo enrola, entidades civis pressionam
Entidades de direitos humanos reivindicam alterações no projeto da Comissão da Verdade e pedem cumprimento da Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que prevê punição aos torturadores da ditadura militar.
Por Tatiana Merlino
Demanda antiga de ex-presos, torturados e familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a instalação da Comissão Nacional da Verdade caminha a passos lentos.
Ponto de divergências dentro do governo Lula, em 20 de maio de 2010 o Poder Executivo apresentou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) nº 7.376, que “cria a Comissão Nacional da Verdade, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República”. O projeto será composto por sete pessoas designadas pelo presidente da República e terá dois anos para averiguar as violações de direitos humanos praticadas no período de 1946 a 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. O PL está na Câmara dos Deputados e ainda precisa passar pelo Senado.
A proposta sofre pressões de militares da reserva, que querem incluir no texto a investigação de supostos crimes cometidos por militantes da luta armada contra a ditadura. Porém, em ato ocorrido em 11 de agosto em apoio ao PL que cria a Comissão da Verdade, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Maria do Rosário disse que o projeto não sofre mais resistência dos militares e que sua votação ainda não ocorreu por conta da “morosidade” do Congresso. Segundo ela, apesar de a pauta parlamentar estar travada com outros temas, o tema deve ser votado ainda este ano.
Com tantos anos de atraso, a instalação da Comissão seria motivo de comemoração entre ex-presos, familiares de mortos e desaparecidos e militantes de direitos humanos, que há décadas lutam pelo direito à memória, verdade e justiça. Porém, embora uma comissão para esclarecer os crimes da ditadura seja bem-vinda, há, com diferentes intensidades, um clima de decepção entre setores da sociedade civil em relação ao texto do projeto. “Ele é bom, mas deixa algumas lacunas, que poderiam ser aperfeiçoadas para garantir mais independência e imparcialidade para a comissão”, acredita Marlon Weichert, procurador regional da República e coordenador do Grupo de Trabalho Memória e Verdade, da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF).
Weichert critica a ausência de um processo de participação democrática da sociedade civil na definição dos membros da comissão: “o projeto deixa essa escolha a inteiro critério da Presidência da República. Com base na experiência de outros países que já tiveram comissões de verdade, sabemos que um dos elementos essenciais é a legitimidade social dos membros que as compõem”, explica.
A ausência de diálogo com a sociedade civil durante a elaboração do projeto também é alvo de críticas. Segundo Beatriz Affonso, diretora para o Brasil do Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil), as organizações que trabalham com o tema da dívida histórica da ditadura tentaram dialogar com o grupo que elaborou o projeto de lei. “O Cejil e o Grupo Tortura Nunca Mais oficializaram um pedido de reunião com o professor Paulo Sérgio Pinheiro, que era o representante da sociedade civil, e ele não a concedeu. Não houve diálogo para que esses responsáveis por elaborar o projeto conhecessem quais eram as necessidades e expectativas dos ex-presos”, lamenta.
Para ler a matéria completa e outras matérias confira edição de setembro da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.
Demanda antiga de ex-presos, torturados e familiares de mortos e desaparecidos durante a ditadura civil-militar (1964-1985), a instalação da Comissão Nacional da Verdade caminha a passos lentos.
Ponto de divergências dentro do governo Lula, em 20 de maio de 2010 o Poder Executivo apresentou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei (PL) nº 7.376, que “cria a Comissão Nacional da Verdade, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República”. O projeto será composto por sete pessoas designadas pelo presidente da República e terá dois anos para averiguar as violações de direitos humanos praticadas no período de 1946 a 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. O PL está na Câmara dos Deputados e ainda precisa passar pelo Senado.
A proposta sofre pressões de militares da reserva, que querem incluir no texto a investigação de supostos crimes cometidos por militantes da luta armada contra a ditadura. Porém, em ato ocorrido em 11 de agosto em apoio ao PL que cria a Comissão da Verdade, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Maria do Rosário disse que o projeto não sofre mais resistência dos militares e que sua votação ainda não ocorreu por conta da “morosidade” do Congresso. Segundo ela, apesar de a pauta parlamentar estar travada com outros temas, o tema deve ser votado ainda este ano.
Com tantos anos de atraso, a instalação da Comissão seria motivo de comemoração entre ex-presos, familiares de mortos e desaparecidos e militantes de direitos humanos, que há décadas lutam pelo direito à memória, verdade e justiça. Porém, embora uma comissão para esclarecer os crimes da ditadura seja bem-vinda, há, com diferentes intensidades, um clima de decepção entre setores da sociedade civil em relação ao texto do projeto. “Ele é bom, mas deixa algumas lacunas, que poderiam ser aperfeiçoadas para garantir mais independência e imparcialidade para a comissão”, acredita Marlon Weichert, procurador regional da República e coordenador do Grupo de Trabalho Memória e Verdade, da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal (MPF).
Weichert critica a ausência de um processo de participação democrática da sociedade civil na definição dos membros da comissão: “o projeto deixa essa escolha a inteiro critério da Presidência da República. Com base na experiência de outros países que já tiveram comissões de verdade, sabemos que um dos elementos essenciais é a legitimidade social dos membros que as compõem”, explica.
A ausência de diálogo com a sociedade civil durante a elaboração do projeto também é alvo de críticas. Segundo Beatriz Affonso, diretora para o Brasil do Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil), as organizações que trabalham com o tema da dívida histórica da ditadura tentaram dialogar com o grupo que elaborou o projeto de lei. “O Cejil e o Grupo Tortura Nunca Mais oficializaram um pedido de reunião com o professor Paulo Sérgio Pinheiro, que era o representante da sociedade civil, e ele não a concedeu. Não houve diálogo para que esses responsáveis por elaborar o projeto conhecessem quais eram as necessidades e expectativas dos ex-presos”, lamenta.
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| *Esta charge não consta na matéria. |
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