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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Os efeitos da Grande Guerra sobre a população civil

A antiga conexão entre alimentos e sucesso militar foi expressa pelo dito de Napoleão [Bonaparte]: “Um exército marcha com seu estômago”. A Primeira Guerra Mundial, no entanto, encontrou uma situação nova, em que as populações civis, longe de qualquer campo de combate, tornaram-se vulneráveis à fome e à doença induzidas pela guerra.
A comida foi uma questão de vida e morte durante a guerra nas cidades do norte da Rússia, onde, em 1917, havia filas intermináveis para receber suprimentos mínimos e não regulados de provisões mais básicas. As filas para pão em Petrogrado, onde as pessoas permaneciam durante horas todos os dias e, às vezes, todas as noites, funcionavam como centros de informação não oficiais e tornaram-se incubadoras da Revolução Russa, iniciada em 1917. As filas também eram parte da vida no tempo de guerra na França, onde o racionamento de carvão, óleo e alguns alimentos pelo governo começou em 1918.
Na Grã-Bretanha, a guerra representou mais privação do que fome. No final de 1916, os controles do governo só permitiam que as lojas de alimentos tivessem metade de seu estoque. No início de 1918, quando a intensificação da guerra com submarinos estava afetando seriamente a importação de alimentos, foi introduzido o racionamento por pessoa, principalmente de açúcar, chá, margarina, bacon, queijo, manteiga e, a partir de abril [de 1918], carne.No início da guerra, os civis alemães confiaram na promessa do governo de uma guerra curta. Eles não estavam preparados para os efeitos do bloqueio Aliado, que começaram a surgir em poucos meses, particularmente em Hamburgo e Berlim. Em 1915, os berlinenses foram os primeiros alemães a receber cartões de racionamento de pão. Não demorou para que carne, laticínios, batata, açúcar, cereais e sabão também só fossem obtidos por meio dos cartões. Quando a carne se tornou escassa, as pessoas recorreram a iguarias duvidosas, como morsa em conserva e corvo cozido. O mercado negro cresceu e havia filas por toda parte. O inverno de 1916-1917 ficou conhecido como “inverno dos nabos”, porque, depois de uma colheita desastrosa de batatas, nabos e beterrabas tornaram-se alimentos básicos.
A guerra foi também um estímulo para a abertura de novas oportunidades de emprego. As mulheres foram trazidas para as fábricas francesas. Em 1918, mais de um milhão de mulheres na França estavam trabalhando em defesa nacional, armamento e aeronáutica. No Império Austro-Húngaro, em 1916, 42,5% dos trabalhadores na indústria pesada eram mulheres – a título de comparação, eram 17,5% em 1913. O mesmo aconteceu na Alemanha, onde, em 1918, as mulheres compunham 35% da
força de trabalho industrial. 
Maria Bochkareva
As mulheres passaram ainda a exercer atividades antes restritas aos homens, como dirigir ônibus e ambulâncias e também foram para as frentes de batalha. O Batalhão da Morte, do exército russo, todo composto de mulheres, foi organizado por Maria Bochkareva, que havia trabalhado como capataz de fábrica antes da guerra. Depois de fazer uma solicitação diretamente ao czar, ela conseguiu permissão para se tornar soldado e passou dois anos na trincheira.
Em 1917, quando havia alcançado o posto de sargento, Maria Bochkareva formou seu Batalhão da Morte feminino na esperança de levantar o estado de espírito de seus colegas soldados (muitos dos quais estavam desertando) e incitá-los a uma investida vitoriosa contra o inimigo. As mulheres de Bochkareva rasparam a cabeça e vestiram uniformes comuns do exército e antes de partir para a frente, reuniram-se em Moscou para receber a bênção da igreja russa.
Batalhão da morte de Maria Bochkareva. 


Adaptado de: WILLMOTT, H. P. Primeira Guerra Mundial.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. p. 124-130.

Fonte: Azevedo, Gislane Campos
História em movimento / Gislane Campos Azevedo,
Reinaldo Seriacopi. – 2. ed. – São Paulo: Ática, 2013.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Divulgação: História da Primeira Guerra Mundial - Vitória na Frente Ocidetnal

A revolução tecnológica ocorrida durante o período da chamada Segunda Revolução Industrial, entre a segunda metade do século XIX e o início do seculo XX possibilitou um gigantesco avanço em setores como o da comunicação, transporte e produção. Infelizmente a mesma ciência que promoveu avanços em vários campos benéficos à humanidade, promoveu também um grande avanço no setor bélico, armas e outros equipamentos de guerra foram desenvolvidos ou aperfeiçoados, tornando-se mais letais. 
Os inúmeros avanços no campo dos armamentos tornaram-se presentes na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Primeira Guerra foi um conflito da sociedade industrial. Os países beligerantes apresentaram ao mundo uma coleção de equipamentos bélicos de última geração: aviões, metralhadoras, lancha-chamas, submarinos e tanques blindados. 
A Primeira Guerra Mundial ou Grande Guerra sempre promoveu um certo fascínio entre estudiosos e curiosos sobre os temas que cercam os vários conflitos ocorridos na história da humanidade, especialmente porque com certeza a Primeira Guerra destaca-se por ter entre suas motivações, características e consequências um pouco da trama que ajudou a construir o século XX.
Cem anos após a eclosão do conflito, temos o prazer de podermos entender um pouco mais sobre esta guerra que já foi vista como "a guerra para acabar com todas as guerras" ou até mesmo como o prenúncio do fim do mundo, através do livro do historiador Martin Marix Evans, "História da Primeira Guerra - Vitória na Frente Ocidental", onde o autor destaca relatos de batalhas, fotos raras e as principais características dos armamentos e estratégias empregados na Grande Guerra, tudo isso através de uma narrativa rica e envolvente. 

História da Primeira Guerra Mundial - Vitória na Frente Ocidental.    
   
No início de 1918, as inovações técnicas na fabricação de tanques e aviões, e a entrada dos Estados Unidos na guerra, foram decisivas para a derrota da Alemanha em algumas frentes de batalha. A vitória só poderia ser conquistada com o uso imediato da nova e poderosa tática de combate: a “fire-waltz”, a barreira de fogo da artilharia, e do ataque das tropas de choque da infantaria.

Este livro traz o relato das batalhas na França no último ano da Primeira Guerra Mundial, em uma narrativa envolvente com depoimentos vívidos das trincheiras e dos campos de batalha feitos pelos soldados e oficiais de todas as nações, que participaram da guerra. À medida que os exércitos opostos avançavam e recuavam em meio a batalhas em lugares inóspitos e em circunstâncias adversas, Martin Evans mostra a importância dos progressos técnicos e das novas estratégias para derrotar o inimigo.


SOBRE O AUTOR: Martin Marix Evans é historiador especialista em temas militares. Além da pesquisa e de trabalhos acadêmicos sobre a Guerra dos Boêres, a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, Martin trabalhou com pesquisadores locais no campo de batalha de Nasaby por mais de uma década. É autor de Passchendale: The Hollow Victory e Somme 1914-1918: Lessons in War, além de livros sobre a experiência dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial.

Mais informações: http://www.mbooks.com.br/

terça-feira, 9 de julho de 2013

Resumo: Primeira Guerra Mundial



A Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918)

Causas do conflito:
A disputa colonial: buscando novos mercados para a venda de seus produtos, matéria-prima e fontes de energias baratas, os países industrializados, especialmente Inglaterra, França, Alemanha e Itália, entravam em choque pela conquista de colônias na África e na Ásia.
Rivalidade Anglo-Germânica: cada um dos grandes países industrializados dificultara a expansão econômica do país concorrente. Essa briga econômica foi especialmente intensa entre Inglaterra e Alemanha.
A disputa nacionalista: em diversas regiões da Europa (especialmente na Península Balcânica) surgiram movimentos nacionalistas que pretendiam agrupar sob um mesmo Estado os povos de raízes culturais semelhantes. O nacionalismo exaltado provocava um desejo de expansão territorial.

Movimentos nacionalistas: os interesses da Alemanha, Rússia e França.
Entre os principais movimentos nacionalistas que se desenvolveram na Europa no início do século XX, podemos destacar os seguintes:
· Pan-eslavismo: buscava a união de todos os povos eslavos da Europa oriental. Era liderado pela Rússia.
· Pangermanismo: buscava a expansão da Alemanha através dos territórios ocupados por povos germânicos da Europa central. Era liderado pela Alemanha.
· Revanchismo francês: visava desforrar a derrota francesa para a Alemanha em 1871 (Guerra Franco-prussiana) e recuperar os territórios da Alsácia-Lorena, cedidos aos alemães.

A situação conflituosa deu origem à chamada paz armada. Como o risco de guerra era bastante grande, as principais potências trataram de estimular a produção de armas e de fortalecer seus exércitos.

Corrida armamentista: Os anos anteriores à eclosão da guerra em 1914 receberam o nome de Paz Armada porque a indústria bélica aumentou consideravelmente os seus recursos, produzindo novas tecnologias para a guerra. Além disso, quase todas as nações europeias adotaram o serviço militar obrigatório, incentivando assim o sentimento nacionalista e militarista.

A política das alianças:
O clima de tensão internacional levou as grandes potências a firmar tratados de alianças com certos países. O objetivo desses tratados era somar forças para enfrentar a potência rival.
A Tríplice Aliança: formada por Alemanha, Império Austro-húngaro e Itália.
A Tríplice Entente: formada por Inglaterra, França e Rússia.


A explosão da guerra mundial

Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro e sua esposa Sofia foram assassinados em Sarajevo, capital da Bósnia por Gavrilo Princip, membro da Jovem Bósnia, grupo terrorista que almejava a unificação da "Terra dos Eslavos do Sul" (Iugoslávia). Tal evento serviu como pretexto para o início da Primeira Guerra Mundial. O assassinato desencadeou uma série de eventos e declarações que acionaram o mecanismo mortal da Política de Alianças.

Principais fases: primeira fase (1914/1915) movimentação de tropas e equilíbrio entre as forças rivais; segunda fase (1915/1917) guerra de trincheiras; terceira fase (1917-1918) entrada dos Estados Unidos, ao lado da França e da Inglaterra, e derrota da Alemanha.

Entrada da Itália – A Itália, membro da Tríplice Aliança, manteve-se neutra até que, em 1915, sob promessa de receber territórios austríacos, entro na guerra ao lado de franceses e ingleses.
Saída da Rússia – Com o triunfo da Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques estabeleceram-se no poder, foi assinado um acordo com a Alemanha para oficializar sua retirada do grande conflito. Este acordo chamou-se Tratado de Brest-Litovsk, que impôs duras condições para a Rússia.
Entrada dos Estados Unidos – Desde o início da guerra, os Estados Unidos mantiveram-se neutros, apesar de abastecerem de alimentos e armas os países da Entente. Ameaçados de ter elevados prejuízos caso a Alemanha vencesse a guerra (empréstimos e dívidas contraídos por Inglaterra e França dificilmente seriam pagos),  e também por medo da Alemanha tornar-se vitoriosa e assim uma potência difícil de ser combatida, os norte-americanos decidiram entrar na guerra, usando como pretexto a afundamento de  navios que transportavam suprimentos para a Inglaterra, mas especialmente o afundamento do navio “Lusitânia”, que conduzia passageiros norte-americanos. A entrada dos Estados Unidos na guerra, com seu imenso potencial industrial e humano, reforçou o bloco dos Aliados e garantiu a vitória da Entente sobre os impérios centrais.
Outro episódio decisivo para a entrada americana foi o telegrama Zimmermann. Tratava-se de uma mensagem em código do secretário do Exterior Arthur Zimmermann ao embaixador alemão no México. Zimmermann queria que o México declarasse guerra aos EUA para pedir os territórios perdidos na guerra mexicano-americana. O telegrama acabou interceptado e decodificado pela inteligência britânica.

Participação do Brasil – Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro “Paraná” foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio “Macau”, o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica.

Conseqüências da guerra: a) O aparecimento de novas nações; b) Desmembramento do império Austro- Húngaro; c) A hegemonia do militarismo francês, em decorrência do desarmamento alemão; d) A Inglaterra dividiu sua hegemonia marítima com os Estados Unidos; e) O enriquecimento dos Estados Unidos; f) A depreciação do marco alemão, que baixou à milionésima parte do valor, e a baixa do franco e do dólar; g) O surgimento do fascismo na Itália e do Nazismo na Alemanha.

Os "14 Pontos do Presidente Wilson"

Em mensagem enviada ao Congresso americano em 8 de janeiro de 1918, o Presidente Wilson sumariou sua plataforma para a Paz que concebia:
1) "acordos públicos, negociados publicamente", ou seja a abolição da diplomacia secreta; 2) liberdade dos mares; 3) eliminação das barriras econômicas entre as nações; 4) limitação dos armamentos nacionais "ao nível mínimo compatível com a segurança"; 5) ajuste imparcial das pretensões coloniais, tendo em vista os interesses dos povos atingidos por elas; 6) evacuação da Rússia; 7) restauração da independência da Bélgica; 8) restituição da Alsácia e da Lorena à França; 9) reajustamento das fronteiras italianas, "seguindo linhas divisórias de nacionalidade claramente reconhecíveis"; 10) desenvolvimento autônomo dos povos da Áutria-Hungria; 11) restauração da Romênia, da Sérvia e do Montenegro, com acesso ao mar para Sérvia; 12) desenvolvimento autônomo dos povos da Turquia, sendo os estreitos que ligam o Mar Negro ao Mediterrâneo "abertos permanentemente"; 13) uma Polônia independente, "habitada por populações indiscutivelmente polonesas" e com acesso para o mar; e 14) uma Liga das Nações, órgão internacional que evitaria novos conflitos atuando como árbitro nas contendas entre os países.

Os "14 pontos" não previam nenhuma séria sanção para com os derrotados, abraçando a idéia de uma Paz "sem vencedores nem vencidos". No terreno prático, poucas propostas de Wilson foram aplicadas, pois o desejo de uma "vendetta" por parte da Inglaterra e principalmente da França prevaleceram sobre as intenções americanas.

O Tratado de Versalhes: conjunto de decisões tomadas no palácio de Versalhes no período de 1919 a 1920. As nações vencedoras da guerra, lideradas por Estados Unidos, França e Inglaterra, impuseram duras condições à Alemanha derrotada. O desejo dos alemães de superar as condições humilhantes desse tratado desempenhou papel importante entre as causas da Segunda Guerra Mundial:
- Restituir as regiões da Alsácia-Lorena à França.
- Ceder outras regiões à Bélgica, à Tchecoslováquia, à Dinamarca e à Polônia (corredor polonês).
- Ceder todas as colônias aos países vitoriosos.
- Entregar quase todos seu navios mercantes à França, à Inglaterra e à Bélgica.
- Pagar uma enorme indenização em dinheiro aos paises vencedores.
- Reduzir o poderio militar de seus exércitos limitados a 100 mil voluntários.
- Foi proibida de possuir aviação militar, submarinos, artilharia pesada e tanques, e o recrutamento militar foi proibido.
- A província do Sarre (rica em carvão) passaria para o controle da Liga das Nações por 15 anos
- Reconhecer a independência da Áustria e da Polônia.
- Considerada a grande culpada pela guerra.

A formação da Liga das Nações: em 28 de abril de 1919, a Conferência de Pás de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações, com a missão de agir como mediadora nos casos de conflito internacional, preservando a paz mundial. Entretanto, sem a participação de países importantes como os Estados Unidos, União Soviética e Alemanha, a liga revelou-se um organismo impotente.

A ascensão econômica dos Estados Unidos no pós-guerra: os Estados unidos alcançaram significativo desenvolvimento econômico através da exportação de produtos industrializados. A Europa tornou-se dependente dos produtos americanos.


domingo, 2 de setembro de 2012

Derretimento de geleira na Itália revela munição da 1ª Guerra Mundial


Mais de 200 peças de munição usadas na 1ª Guerra Mundial surgiram depois do derretimento de geleira no pico de uma montanha em Trentino, na Itália. Cada peça encontrada pesa entre 7 e 10 kg.
Os artefatos de guerra foram descobertos a uma altitude de 3.200 metros, quando a geleira Ago de Nardis foi parcialmente derretida devido a uma recente onda de calor que atingiu em picos mais altos da Itália. A unidade de polícia dos Alpes viu pontos de metal emergirem do gelo espalhados em uma área de 100 metros quadrados.
Especialistas estiveram no local e disseram que as munições não foram descartadas, mas utilizadas durante a série de batalhas entre os exércitos do Império Austro-Húngaro e Itália entre 1915 e 1918.
Munição usada na 1ª Guerra Mundial descoberta na Itália. (Foto: Maffei Glauco/EPA/EFE)Munição usada na 1ª Guerra Mundial descoberta na Itália. (Foto: Maffei Glauco/EPA/EFE) - Fonte: G1.com

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Primeira Guerra Mundial (1914-1918)


Entre 1871 e 1914, durante a chamada belle époque, a sociedade européia, liberal e capitalista, passou por uma das fases de maior prosperidade. O desenvolvimento industrial trouxe para boa parte da população um conforto nunca antes experimentado, enquanto a ciência e a técnica abriam possibilidades inimagináveis de comunicação e transporte, com a invenção do telégrafo, do telefone e do automóvel.

Entretando, as disputas territoriais entre as potências e a má distribuição dos benefícios do progresso entre a população criavam um clima de instabilidade constante. O risco de um confronte iminente pairava no ar. Até que, em 1914, as previsões se confirmaram, com o início da "guerra que ia acabar com todas as guerras", como se constumava dizer na época. Na prática, não foi isso que o mundo assistiu. Outro conflito, maior e ainda mais devastador, iria eclodir 25 anos depois.


A expressão Grande Guerra, cunhada para o conflito que pela primeira vez na história envolveu todo o planeta, se justifica pelas proporções que o confronto alcançou, pelo aparato bélico que foi mobilizado e pela destruição devastadora que provocou. As novas armas, fruto do desenvolvimento industrial, e os métodos inéditos empregados nos combates deram aos países capitalistas o poder quase absoluto de matar e destruir.

Por volta de 1914, havia motivos de sobra para o acirramento das divergências entre os paíseseuropeus. Era grande, por exemplo, a insatisfação entre as nações que tinham chegado tarde à partilha da África e da Ásia; a disputa ostensiva por novos mercados e fontes de matérias-primas envolvia muitos governos imperialistas; e as tensões nacionalistas, acumuladas durante décadas, pareciam prestes a explodir. O que estava em jogo eram interesses estratégicos para vencer a eterna competição pela hegemonia na Europa e no mundo.

--> Resumo completo: Primeira Guerra Mundial 

domingo, 22 de maio de 2011

Tratados de Paz: Tratado de Versalhes

Aliados e Alemanha assinam Tratado de Versailles – Documento 
obriga derrotados a assumir total e única responsabilidade pela guerra
– Caráter excessivamente punitivo traz críticas e desconfiança
Autoridades reunidas: Lloyd George, Vittorio Emanuele Orlando, Georges Clemenceau e o americano Woodrow Wilson

m 1871, o Palácio de Versailles abria, constrangido, sua famosa Galeria dos Espelhos para as solenidades em comemoração à acachapante vitória germânica na Guerra Franco-Prussiana. Ali, em pleno coração da derrotada França, Otto von Bismarck finalizava a unificação do estado alemão e proclamava o Império Germânico, rascunhando o destino de uma nação cujo poderio militar parecia não conhecer limites – mas que a História, quatro décadas depois, trataria de estabelecer. Em 28 de junho de 1919, os alemães, agora solapados pelo fracasso na Grande Guerra, voltaram a Versailles cabisbaixos, para assumir toda a culpa pelas hostilidades militares e para mostrar sua disposição em reparar territorial e financeiramente todo o estrago causado em quatro anos de batalhas. Humilhados, também concordaram em ter sua brilhante máquina de guerra desmobilizada e seu exército tosado e marginalizado, limitado em número e amansado pelos inimigos. Assinado por vencedores e vencidos, o Tratado de Versalhes decreta oficialmente o final da guerra – mas não o término do vexame germânico.

Punitivo, o calhamaço tem 440 artigos e mais um florilégio de apêndices, anunciando de alguma forma a responsabilidade da Alemanha por todas as agruras sofridas no planeta nestes últimos anos. O documento também redefine as fronteiras da Europa, obrigando os germânicos a devolver territórios anexados e a ceder alguns rincões como compensação. A lista de exigências é longa; a seguir, alguns dos principais pontos do tratado, que versa apenas sobre a Alemanha – a negociação com as outras nações das Potências Centrais (Áustria, Bulgária, Hungria e Turquia) será feita separadamente e em datas ainda a serem definidas.
  • Admissão de culpa e responsabilidade única da Alemanha pela ocorrência da Grande Guerra
  • Proibição da união entre Alemanha e Áustria
  • Compromisso de reparações financeiras a definir (especialistas falam em uma quantia superior a 20 bilhões de dólares)
  • Concordância com julgamento internacional do Kaiser e de outros líderes de guerra
  • Devolução da Alsácia e da Lorena à França
  • Cessão de Eupen-Malmedy à Bélgica, de Memel à Lituânia e do distrito de Hultschin à Checoslováquia
  • Entrega da Poznania, Silésua setentrional e Prússia oriental à Polônia restabelecida
  • Entrega das possessões ultramarinas na China, África e Pacífico
  • Transformação de Danzig em cidade livre
  • Desmilitarização permanente e ocupação aliada por 15 anos da província do Reno
  • Limitação do Exército Alemão a 100.000 homens, para segurança interna, sem tanques, sem artilharia pesada, sem suprimentos de gás, sem navios ou aviões
  • Limitação da Marinha Alemã a belonaves inferiores a 100.000 toneladas e proibição de submarinos
Impossível – Finalizado pelos aliados em abril, após quatro meses de deliberações de 70 delegados de 27 países – nenhum dos derrotados –, o documento foi entregue às autoridades alemãs no dia 7 de maio, com um prazo de resposta de três semanas. Ao chegar à delegação de paz germânica, liderada pelo conde Brockdorff-Rantzau, os termos do pacto causaram revolta. “Perdemos o fôlego quando lemos as exigências que nos foram feitas, a violência vitoriosa de nosso inimigos. Quando mais penetramos no espírito desse tratado, mais nos convencemos que é impossível levá-lo adiante”, respondeu o conde, devolvendo aos aliados uma contraproposta com nove itens e requisitando ainda uma audiência para discutir outros termos detalhadamente. Inflexíveis, os vencedores, em documento assinado pelo primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, rejeitaram o pedido de encontro e ignoraram a absoluta maioria das ponderações tedescas. “O protesto da delegação germânica mostra que eles não entendem a posição que está a Alemanha hoje”, disparou Clemenceau.
Contudo, os alemães se mantinham firmes na decisão de não assinar o documento, justificando ser um peso que a população não poderia suportar. No início do mês de junho, as negociações chegaram a um preocupante impasse, o que fez, no dia 16, os aliados soltarem uma ameaça que aterrorizou os germânicos: caso os derrotados não subscrevessem o tratado no prazo de uma semana, Estados Unidos, França e Grã-Bretanha retomariam as ações militares contra a Alemanha. O conde Brockdorff-Rantzau, então, aconselhou as autoridades provisórias, que se reuniam na Assembleia Nacional em Weimar para criar uma nova e democrática Constituição para o país, a autorizar a ratificação dos termos dos aliados. Dito e feito, estabeleceu-se para a assinatura do tratado o dia de 28 de junho. Simbólica, é a mesma data em que, na folhinha de 1914, o estudante sérvio Gavrilo Princip alvejou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do hoje defunto Império Austro-Húngaro – balázio que acendeu a fagulha da Grande Guerra.
Insatisfação generalizada – Curiosamente, o Tratado de Versalhes desagradou igualmente vencidos, vencedores e observadores neutros. Para os especialistas independentes, o documento, punitivo em excesso, teria se distanciado demais da aclamada proposta de catorze pontos do presidente Woodrow Wilson, que fundamentou o armistício. Para os franceses, porém, todo o castigo ainda foi pequeno. O Tratado de Versalhes não atendeu por completo a sede de vingança dos gauleses, que sofreram a invasão alemã em seu território, vitimando mais de 400.000 civis. Clemenceau, por exemplo, queria que a província do Reno, de indústria historicamente pujante, fosse retirada da Alemanha para evitar um novo fortalecimento do país. Wilson e o primeiro-ministro britânico David Lloyd George vetaram a proposta, determinando, em contrapartida, uma ocupação militar aliada na região durante 15 anos.
Mesmo com o veto às exigências de Clemenceau (a quem apelidou de “Napoleão” e “Jesus Cristo”), Lloyd George achou a carta em demasiado pesada – suas exigências poderiam, ao invés de apaziguar a Alemanha, incitá-la ainda mais contra os aliados. E é esse o único ponto que parece ter se tornado unanimidade em Versalhes. O indefinido futuro europeu ao fim da “guerra para acabar com todas as guerras” toma ares sombrios. Seja nas palavras de Lloyd George, já antecipando novos problemas com a Alemanha, ou no clamor da publicação holandesa Algemeen Handelsblad, cujo editorial grita que “a Alemanha acorrentada e escravizada será sempre uma ameaça à Europa”, todos têm em mente um só pensamento – e ninguém melhor que o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, para externá-lo. Com seu pragmatismo característico, ele sentenciou, após a notícia da assinatura do Tratado de Versailles: “Isto não é a paz. É apenas um armistício válido pelos próximos vinte anos.”
Dia histórico em Versalhes
Autoridades chegam para a assinatura do tratado e
multidões tentam acompanhar a ocasião marcante.


[Fonte: Veja da História]

domingo, 15 de maio de 2011

Armas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

Durante a Primeira Guerra, a produção bélica entrou na fase industrial. Conheça alguns destaques
por Fabiano Onça

A Primeira Guerra Mundial teve uma característica marcante em relação a todas as guerras anteriores: foi um campo inigualável de provas. Ali emergiram novas doutrinas, que perduraram por todo o século 20, como o uso intensivo de granadas, o uso de morteiros para acossar posições fortificadas e o emprego de metralhadoras leves para acompanhar os assaltos da infantaria. Acima de tudo, foi um marco na produção de armas em larga escala, de forma industrial.

Metralhadora Lewis
O que era - Esta metralhadora ligeira, feita para apoiar os pelotões em avanço, foi inventada em 1911 pelo coronel americano Isaac Newton Lewis, autor de várias invenções militares. Entretanto, o Exército americano não foi o primeiro a utilizá-la: a arma passou antes pelos belgas e, principalmente, pelos britânicos, que a usaram extensivamente, até substituírem-na pela Bren.
Por que foi importante - A Lewis tinha uma grande vantagem operacional no campo de batalha: pesava 12,7 kg, metade do peso da metralhadora padrão inglesa, a Vickers. Outra vantagem é que, embora idealmente necessitasse de uma dupla, podia ser operada sozinha. Seu custo de produção era um sexto do da Vickers. Não à toa, a arma passou a ser colocada também em tanques e aviões.

Ficha técnica
Peso: 12,7 kg
Comprimento: 96,5 cm
Calibre: .303 polegadas
Ação: operada a gás
Alimentação: tambores de 47 ou 97 cartuchos
Taxa de fogo: 550 tiros por minuto
Velocidade do projétil: 746 m/s

Granada de mão “nº 5”
O que era - Virou um dos maiores ícones da guerra moderna. Projetada por William Mills, em 1915, foi adotada imediatamente pelo Exército britânico. Podia ser tanto arremessada quanto lançada de um rifle, com o auxílio de um “copo” acoplado à boca da arma e o uso de um cartucho vazio para impulsão.
Por que foi importante - Calcula-se que foram produzidas 75 milhões de unidades dessa arma em sua longa existência (permaneceu em uso pelo Exército britânico até 1972). A razão do sucesso estava na sua simplicidade de uso e na eficiência – ela “funcionava” bem, mesmo detonando após longos 7 segundos.

Ficha técnica
Carga explosiva: baratol
Peso: 0,45 kg
Detonador: tempo
Delay: 7 segundos (esse tempo foi posteriormente reduzido para 4 segundos)

Bombardeiro Gotha G
O que era - Operado por um piloto e dois artilheiros, o germânico Gotha foi um dos primeiros bombardeiros pesados a enfrentar serviço constante durante a Primeira Guerra Mundial.
Por que foi importante - A despeito de sua lentidão, de não conseguir manter o vôo em caso de pane de um dos motores e de sua relativa vulnerabilidade (principalmente contra ataques no ventre), os Gotha inauguraram a era do “terror aéreo”, ao realizar várias sortidas contra Londres. As tropas britânicas também sofreram com seus bombardeios no front. Seus dois motores emitiam um barulho característico, apelidado pelas tropas britânicas de “Gotha hum”.

Ficha técnica
Tripulação: 3
Comprimento: 12,4 m
Envergadura: 23,7 m
Altura: 4,5 m
Peso (sem carga): 2,7 ton
Peso (carga máxima): 3,9 ton
Motor: 2x Mercedes D IV, de 260 hp cada
Velocidade máxima: 140 km/h
Autonomia: 840 km
Teto: 6 500 m
Armamento: 2 a 3x 7.92 metralhadoras Parabellum LMG 14

Morteiro Minenwerfer 7.58 cm
O que era - Um morteiro alemão para uso da infantaria, esta versão entrou em serviço em 1916, junto com seus irmãos “maiores” (calibres de 17 e 25 cm). As rodas eram utilizadas apenas para transporte, sendo retiradas durante o uso.
Por que foi importante - Foi o terror das trincheiras aliadas, uma vez que morteiros eram muito mais eficientes do que canhões na devastação de posições defensivas, por causa da trajetória em parábola do projétil. Seu uso foi consagrado pelos alemães, que tiraram lições da guerra nipo-russa em Port Arthur, 1904. Ali, os alemães perceberam que canhões não faziam grandes estragos em fortificações.
Ficha técnica
Peso do projétil: 4,6 kg
Calibre: 76 mm
Elevação: +45º a +78º
Taxa de fogo: 6 projéteis por minuto
Alcance efetivo: 300 a 1 300 metros
Velocidade: 90 metros por segundo

Luger
O que era - Projetada pelo engenheiro austríaco Georg Luger no final do século 19, era uma pistola semi-automática, utilizada pelo oficialato alemão durante a Primeira Guerra. A arma também era empregada por militares que não tinham como portar rifles – como era o caso dos pilotos de aviões.
Por que foi importante - Era uma arma confiável e certeira, fruto do alto padrão de acabamento. No total, foram produzidas mais de 2 milhões de unidades, mas sempre “estava em falta”, dada sua popularidade. Sua fama atravessou as linhas: os soldados aliados tinham um verdadeiro fetiche por esse troféu de guerra.
Ficha técnica
Peso: 0,87 kg
Comprimento: 22 cm
Calibre: 7,65 mm ou 9 mm
Alimentação: tambor com 8 cartuchos

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Hitler era ridicularizado por outros soldados na 1ª Guerra, diz historiador

Pesquisa de Universidade de Aberdeen aponta que Adolf Hitler tinha papel secundário no campo de batalha e refuta imagem de suposto herói alemão no confronto

Novos estudos sobre a participação de Adolf Hitler na Primeira Guerra Mundial mostram que o então soldado tinha importância secundária no campo de batalha e era ridicularizado por companheiros de batalhão.
Segundo pesquisa de Thomas Weber, doutor em História Europeia e professor da Universidade de Aberdeen, na Escócia, "o mito de Hitler como um corajoso soldado e a camaradagem das trincheiras na 1ª Guerra foi usado pelo partido nazista para aumentar seu apelo popular". O professor afirma, no entanto, que Hitler atuou longe dos campos de batalha e era visto por seus pares como um solitário".

Segundo reportagem do Daily Mail, a pesquisa de Thomas Weber se concentrou em cartas não publicadas de outros soldados do regimento de Hitler durante a Primeira Guerra Mundial. Essas cartas colocam em dúvida a versão da história que sugere que o nacionalismo e antissemitismo de Hitler foram causados por sua experiência na guerra. As cartas analisadas por Weber também confrontam a informação de que Hitler foi um herói militar durante a 1ª Guerra.  
  Reprodução / ASCRS.org
Seta mostra Hitler com outros soldados do Regimento List durante a 1ª Guerra Mundial
 
 Para o pesquisador, as cartas e diários de guerra apontam que os outros soldados do Regimento List ridicularizavam Hitler e faziam piadas com sua incapacidade de abrir uma lata de comida com sua baioneta. Os soldados se referiam a Hitler como "o pintor" ou "o artista" e as cartas apontam que ele não gostava do entretenimento favorito dos soldados: escrever cartas ou beber cerveja. Ainda segundo relatos analisados por Thomas Weber, Hitler era visto por seus pares como um soldado submisso aos superiores. 

Weber descobriu que os registros da participação de Hitler na 1ª Guerra haviam ficado intacto até agora porque foram arquivados sob um regimento diferente e estavam aruivados no Arquivo de Guerra da Baviera. Sua pequisa será publicada na íntegra no livro "A Primeira Guerra de Hitler", editado pela Oxford University Press.

 Fonte: Revista Galileu

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Primeira Guerra Mundial e algumas das suas várias motivações.


Trincheiras profundas

A Primeira Guerra Mundial foi o resultado de quatro décadas de tensão

por Fábio Marton

Os tiros que mudaram os rumos do mundo: o jovem terrorista Gavrilo Princip executa o arquiduque e Sofia em Sarajevo
Parece difícil entender como o assassinato de um nobre austríaco foi capaz de detonar o maior confronto militar que o mundo tinha visto até então. Entre agosto de 1914 e novembro de 1918, 65 milhões de soldados pegaram em armas, com um saldo de aproximadamente 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos. Quando acabou a Primeira Guerra Mundial, há mais de 90 anos, quatro grandes impérios (o Alemão, o Austro-Húngaro, o Russo e o Turco-Otomano) estavam destruídos. Depois de 1918, o mapa da Europa nunca mais seria o mesmo.

Na verdade, o tiro que acertou a jugular do arquiduque Francisco Ferdinando (1863-1914) foi só o estopim que detonou 40 anos de tensões. Desde 1871, quando os alemães ocuparam a França, o mundo começou a ficar pequeno para as pretensões territoriais das grandes potências, que brigavam por terras na Europa e na África.
A situação, que era instável, degringolou de vez quando sérias disputas na região dos Bálcãs jogaram o Império Austro-Húngaro e seus aliados germânicos contra a Rússia e a França. Parecia impossível solucionar todas as pendências políticas sem pegar em armas. Começava então um conflito que os analistas da época chamavam, com otimismo, de “a guerra para acabar com todas as guerras”.

O CAMINHO PARA A DETONAÇÃO
Os acordos e incidentes que antecederam o conflito

10 de maio de 1871 - Surge a alemanha

Liderados por Otto von Bismarck (1815-1898), os estados germânicos vencem a França. A Guerra Franco-Prussiana provoca a unificação do Império Alemão, também chamado de Segundo Reich. O acordo de rendição tira dos franceses os territórios da Alsácia e da Lorena.

7 de outubro - Tríplice Aliança

O Império Austro-Húngaro, fundado em 1867 graças a um acordo entre as nobrezas austríaca e húngara, faz uma aliança com o Império Alemão. O acordo prevê ajuda militar mútua caso um dos dois países fosse atacado pela Rússia. Em 1882, a Itália se junta aos dois países e forma a Tríplice Aliança.

1890 - Mudança de lado

O governo russo deixa de renovar um acordo com a Alemanha, que previa que os dois países não entrariam em guerra. Em 17 de agosto de 1892, Rússia e França assinam um acordo de defesa mútua contra a Tríplice Aliança.

1905 - Roteiro de guerra

O marechal germânico Alfred von Schlieffen (1833-1913) cria um plano detalhado de ataque militar. Ele prevê que a Alemanha declare guerra primeiro, e que rapidamente ocupe a Bélgica e depois a França, tudo isso antes que a Rússia se organizasse e abrisse uma segunda frente de batalha. Em 1914, a programação seria cumprida à risca.

3 de outubro de 1906 - Evolução militar

A Inglaterra lança ao mar o HMS Dreadnought, um navio tão poderoso que, depois dele, embarcações militares são classificadas em “pré-dreadnought” ou “pós-dreadnought”.

31 de agosto de 1907 - Tríplice Entente

Em março de 1905, o kaiser Guilherme II (1859-1941), que havia se tornado imperador alemão em 1888, oferece a Marrocos ajuda contra a França. Seu objetivo era pressionar a Inglaterra a se afastar da influência de Paris e de Moscou. Mas o resultado é o oposto, e o Reino Unido se une à França e à Rússia para formar a Tríplice Entente.

6 de outubro de 1908 - Fator sérvia

Um dia após a Bulgária declarar independência, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da vizinha Bósnia. As relações com a Sérvia se tornam tensas. A situação se agrava na medida em que a Rússia se aproxima dos sérvios.

28 de outubro de 1908 - Loucos como lebres

Em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph, o kaiser Guilherme II diz que é um “amigo da Inglaterra”. Mas também afirma que os ingleses são “loucos, loucos, loucos como lebres em março”. A frase repercutiu mal entre os líderes da Inglaterra.

18 de fevereiro de 1913 - Retórica guerreira

A França elege Raymond Poincaré (1860-1934) para presidente. Dotado de inflamada retórica antialemã, ele repete em seus discursos que a Alsácia e a Lorena precisam ser recuperadas. Poincaré cria o Plano XVII, a versão francesa do Plano Schlieffen.

18 de julho de 1913 - Fator sérvia, de novo

Termina a Segunda Guerra Balcânica, em que Sérvia, Grécia e Romênia lutaram contra a Bulgária por causa da divisão do território que os quatro países haviam conquistado na Macedônia. O conflito transforma o pequeno reino da Sérvia em uma potência local.

28 de junho de 1914 - O primeiro tiro
Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, é morto em Sarajevo por conspiradores sérvios. Um mês depois, o Império invade a Sérvia. Seguem-se várias declarações de guerra, até que, em 6 de agosto, o continente inteiro está envolvido. Estão abertas as portas do inferno.
Fonte: http://www.historia.abril.com.br

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Guerra dos Boxers (1899 -1900) - Resistências ao Imperialismo

A Guerra dos Boxers foi um conflito ocorrido na China entre os anos de 1899 e 1900, onde um violento grupo nacionalista lutava contra a presença dos estrangeiros em seu território. Inconformados com a inapetência do poder imperial em conter a intervenção imperialista no país, um grupo de lutadores da China desenvolveu uma sociedade secreta, conhecida como “A Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros”, para lutar contra os imperialistas.
Com o apoio velado das autoridades locais, os boxers empreenderam as suas primeiras ações realizando pequenos atos de vandalismo ao cortar linhas telegráficas, destruir ferrovias e perseguir os missionários cristãos. Em suma, apesar de uma organização incipiente, os participantes dessa revolta atacavam tudo aquilo que poderia representar a dominação dos ocidentais em seu país. Paulatinamente, o triunfo das primeiras ações impeliu o planejamento de ataques com maior gravidade.
O crescimento da situação hostil obrigou as nações imperialistas a organizarem um exército que desarticularia as ações violentas organizadas pelos boxers. Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, França, Japão, Itália e Rússia cederam soldados para tomar a cidade de Pequim, o principal foco dos conflitos. A invasão estrangeira – ocorrida no final de maio de 1900 – foi logo respondida com um novo ataque dos boxers à pista de corrida dos estrangeiros e o isolamento do bairro das Embaixadas.
Enquanto os civis estrangeiros e os cristãos tentavam se refugiar da onda de ataques, os vários representantes políticos da autoridade estrangeira resistiam à espera de uma forte reprimenda contra os chineses. Entre os meses de julho e agosto, as tropas estrangeiras lutaram contra os boxers e os membros do exército imperial que apoiavam o levante. Percebendo o recuo dos chineses, as nações imperialistas fizeram uma série de exigências em troca da preservação dos territórios.
No dia 7 de setembro de 1901, a Paz ou Protocolo de Pequim oficializou os acordos que puseram fim à Guerra dos Boxers. Derrotado, o governo chinês se viu obrigado a pagar uma pesada indenização em ouro e liberar novos portos às embarcações estrangeiras. Além disso, os imperialistas impuseram a sua autoridade na capital do país e proibiram os chineses de importarem armamentos. Nas décadas seguintes, apesar do fracasso, outros levantes determinaram o fim da dominação estrangeira na China.

Guerra do Ópio (1839-1842)


Portadora de uma imensa população, a China do século XIX foi um dos mais importantes alvos das nações industrializadas desta época. Interessadas em lucrar indiscriminadamente, as chamadas nações imperialistas exploravam todo e qualquer tipo de mercadoria que pudesse trazer bons rendimentos. Dessa forma, o vasto mercado consumidor chinês se transformou em alvo da comercialização do ópio.
O ópio, até meados do século XVIII, era utilizado tradicionalmente pelos chineses com finalidades estritamente medicinais. Entretanto, possuindo grandes lavouras do produto na Índia, os ingleses passaram a disseminar a utilização massiva desse subproduto da papoula como droga anestésica. Em pouco tempo, a sistemática venda da mercadoria impôs uma série de problemas de ordem econômica e social para os chineses.
No ano de 1796, o governo chinês tentou combater o consumo de ópio no país através de um decreto oficial. Contudo, a gigantesca leva de viciados e a indiferença dos imperialistas acabaram mantendo as coisas da mesma forma. O conflito de interesses culminou em ações mais agressivas do governo chinês. Em 1839, na região do Cantão, as autoridades locais apreenderam e lançaram ao mar um carregamento com vinte mil caixas de ópio.
Visivelmente ofendidos, os ingleses exigiram que a China pagasse uma indenização pelos prejuízos materiais e por impedir o livre-comércio na região. Mediante a falta do pagamento, a Inglaterra organizou os navios de guerra e os soldados que participaram da Primeira Guerra do Ópio. Vitoriosos, os britânicos impuseram aos chineses a assinatura do Tratado de Nanquim (1842), que previa a abertura de cinco portos, o fim das fiscalizações, o pagamento de indenização e a entrega da ilha de Hong Kong.
Nos anos de 1856 e 1858, a fiscalização de embarcações britânicas serviu de pretexto para que outras duas Guerras do Ópio acontecessem. Mais uma vez derrotados, os chineses foram impelidos a aceitarem as condições do Tratado de Tientsin, que determinava a legalização definitiva da comercialização do ópio, a abertura de outros dez portos e a livre atuação dos missionários cristãos no país.
A comercialização do ópio na China só foi proibida em 1949, quando a revolução comunista determinou o combate à droga. Já a ilha de Hong Kong só foi devolvida pela Inglaterra no ano de 1997. De fato, as “guerras do ópio” foram determinantes para que, ao longo do século XIX, os britânicos garantissem e alargassem seus interesses políticos e econômicos no interior do território chinês.

sábado, 22 de maio de 2010

Mal por natureza!?


Freud explica

Não é raro ouvimos a frase acima, pois as idéias do médico Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, se popularizaram de tal forma que conceitos como a influência co inconsciente sobre o consciente, a sexualidade como base das neuroses, repressão e transferência já se incorporaram à cultura ocidental. Influenciado pela Primeira Guerra Mundial, Freud lança o livro Mal-estar na civilização, no qual explicita uma visão pessimista sobre a natureza do homem: além de ser guiada por instintos (e não pela razão), a essência humana seria má e agressiva por natureza. Esses instintos só seriam disciplinados pela civilização e seus métodos de controle (família, escola, Igreja e polícia). Ainda assim, os instintos humanos seriam irresistíveis e a Grande Guerra, a maior prova de nossa perversidade. Na Europa pós-guerra, o clima de descrença na ciência e no progresso humano criou a idéia de que o mundo jamais seria o mesmo novamente

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