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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Os arquivos da Escravidão no Brasil

História da escravidão está abandonada nos cartórios em S. Paulo
S. Paulo – O que sobrou da queima dos arquivos da escravidão determinada por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, em 1.891, como os negócios de compra e venda de escravos, está abandonado e consumido pelas traças e ácaros em cartórios de S. Paulo.
Reportagem do jornalista Lucas Ferraz, publicada neste domingo (24/05) pelo Jornal Folha de S. Paulo, revela que uma extensa e rica documentação sobre a escravidão permanece trancada num cofre do Cartório do Primeiro Tabelião de Notas, no bairro de Santa Cecília, pioneiro na cidade.
A documentação está misturada a documentos como escrituras de venda de casas e fazendas. Há registros desde 1.740. 
Entre esses documentos encontra-se o registro da compra de uma escrava de nome Benta, uma adolescente de 14 anos, por um senhor de nome José (cujo sobrenome é ilegível) por um conto e seiscentos mil réis – o que significara R$ 1.750, em valores atuais.
Há também a relação de escravos, em torno de 300, trazidos de uma fazenda do Paraná para S. Paulo, cartas de alforria e documentos que mostram a troca de escravos por animais.
Queima dos arquivos
A queima dos arquivos da escravidão foi determinada pelo então ministro da Fazenda Rui Barbosa, já sob a República, em 1.891, para que não restasse qualquer resquício da escravidão. A medida adotada por Rui em nome do Estado brasileiro, segundo os defensores do então ministro, teria sido uma reação ao movimento desencadeado por fazendeiros – em especial das fazendas de café do Rio e de S. Paulo – que cobravam indenizações do Estado - "o movimento indenizista" - por terem perdido a mão de obra com a Abolição em 13 de maio de 1.888.
Historiadores ouvidos por Afropress defendem que a recuperação, a preservação e a exposição desses documentos é fundamental para se lançar luz sobre esse período histórico.
A identificação de herdeiros de ex-escravos com documentação registrada em cartório poderá, por outro lado, fundamentar processos de indenização contra o Estado brasileiro, já que a escravidão era um negócio em que o Estado não só mantinha – através de Leis aprovadas pelo Parlamento sob o Império – mas também lucrava com a cobrança de impostos e tributos.
Segundo a professora Maria Helena Machado, professora titular do Departamento de História da USP, “não faz o menor sentido uma documentação tão valiosa como essa ficar num cartório”. “É sintomático que S. Paulo, que sempre escondeu a escravidão, mantenha esses documentos escondidos”, afirmou a historiadora.
Da Redação, com informações de Lucas Ferraz/Jornal Folha de S. Paulo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Passado revisto na televisão


Cenas do episódio

Foi apresentada nesta terça-feira (30) no Rio de Janeiro a série “Histórias do Brasil”, uma produção que tem o objetivo de recriar importantes capítulos da trajetória do país, sob a ótica de personagens comuns, que viveram os episódios. A série mistura encenação realista com depoimentos de pesquisadores que estudam os assuntos em questão. Assim, para falar sobre o período inicial da colonização portuguesa na terra que um dia receberia o nome de Brasil, foi convocado o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, professor da UFRJ.
O mesmo acontece com Álvaro da Costa e Silva, que esteve presente nesta terça no Instituto Moreira Salles, na Zona Sul do Rio, que fala em diversos episódios sobre a população africana que havia sido trazida à força para o Brasil. Outros membros do conselho editorial da Revista de História, como José Murilo de Carvalho, Lilia Moritz Schwarcz, Caio César Boschi, Marieta de Moraes Ferreira, também participam das entrevistas, que contou também com a supervisão de pesquisadores da própria revista e a direção do cineasta Arthur Fontes.
Os temas, os lugares e as datas abordadas são: “Antes do Brasil”, em Cabo Frio, 1530; “Escravos no engenho”, na Bahia, 1574; “Guerra pelo açúcar”, em Pernambuco, 1645; “Entradas e Bandeiras”, no sertão da Capitania de São Vicente, 1690; “Ouro e cobiça”, em Ouro Preto, 1719; “Leituras perigosas”, no Rio de Janeiro, 1794; “O sangrador e o doutor”, no Rio de Janeiro, 1820; “Vida e morte no Paraguai”, em Tuiuti, 1866; “Propaganda e repressão”, no Rio de Janeiro, 1942, “O sonho de Juscelino”, em Brasília, 1958.
Nesta terça foram apresentado os episódios “O sangrador e o doutor” e “O sonho de Juscelino”. O primeiro, que conta com o ator Antônio Pompêo no papel principal, mostra o escravo forro Benedito (Pompêo) que trabalha como curandeiro e sangrador, mas é denunciado por um nobre de quem ele tinha tratado por participar de calundus – que Benedito considera, curiosamente, uma doença. Na oportunidade, Alberto da Costa e Silva explica que o período entre 1808 e 1831 foi o de maior entrada de africanos no Rio, e que a cidade poderia ser confundida como um ponto no continente do outro lado do Atlântico.
O segundo, como o título sugere, mostra a construção de Brasília, sob o ponto-de-vista de dois ajudantes do então presidente Juscelino Kubistchek – um novo, entusiasta da mudança; outro pronto a se aposentar, que afirma que a capital deveria continuar no Rio. Nesse segundo, a professora Marieta de Moraes Ferreira faz um comentário que contextualiza a situação política da época. Segundo Marieta, o plano de metas de JK, que tinha como meta síntese a construção de Brasília, dava pouco destaque para assuntos como a educação. Também descobrimos que a construção afetou seriamente a situação financeira do país.
São dez episódios de cerca de 25 minutos, cada, que vão passar na TV Brasil, a partir do dia 5 de setembro, diariamente, às 22h. No dia seguinte à sua exibição, o capítulo estará na íntegra no site da Revista.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Acervo do Brasil Nunca Mais é repatriado

Ato público marca a volta do conjunto de documentos dos “anos de chumbo” ao país e o anúncio de projeto de digitalização dos processos
 
Divulgação
por Pietro Henrique Delallibera

Entre os anos de 1979 e 1985, o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright copiaram clandestinamente processos do Superior Tribunal Militar, na tentativa de preservar a história de nosso país durante os “anos de chumbo” caso os documentos fossem eliminados após o fim da ditadura. O projeto, nomeado de “Brasil Nunca Mais”, resultou em um acervo com centenas de microfilmes que os ativistas enviaram para Chicago, nos Estados Unidos, temendo a perseguição política.

Agora, mais de duas décadas depois, essa coleção de processos vai ser repatriada. Nessa terça-feira, dia 14, o Arquivo Público do Estado de São Paulo, o Ministério Público Federal e o site Armazém Memória realizarão um ato público em São Paulo no qual anunciam o retorno das centenas de microfilmes para o Brasil.

Além disso, as entidades lançarão oficialmente o projeto “Brasil Nunca Mais Digital”, que pretende até junho do próximo ano disponibilizar gratuitamente todo o acervo de processos do Brasil Nunca Mais na internet. Ao todo, são 707 processos datados de 1961 a 1976, o que totaliza cerca de um milhão de páginas, que passarão do microfilme a um suporte virtual. Além deles, aproximadamente 4 mil documentos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) relacionados ao período da ditadura também serão colocados na rede.

A tarefa ficará a cargo do Arquivo do Estado, que conta com a parceria da OAB do Rio de Janeiro, do Center for Research Libraries, órgão ligado a diversas universidades americanas que guardava até então a coleção de documentos, e do CMI.

[Fonte: História Viva]

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Cofre de universidade em Pernambuco guarda relíquias da época da colonização


A documentação é resultado de dez anos de pesquisas feitas para resgatar em Portugal os documentos relativos às 14 capitanias do Brasil. Mais de 400 mil cópias já estão no país e foram distribuídos aos estados de origem.


Um cofre do departamento de história da Universidade Federal de Pernambuco guarda em condições ideais de temperatura e umidade uma relíquia do tempo das capitanias. São mais de 33 mil documentos de 1590 a 1825 - todos microfilmados e gravados em CD. Os originais estão no arquivo ultramarino, em Lisboa, Portugal.
"O acervo tem muita importância para a memória da capitania, para história não só da capitania de Pernambuco, mas para a história do Brasil”, destaca a coordenadora do Projeto Resgate Maria do Socorro Ferraz.
A documentação é resultado de dez anos de pesquisas feitas para resgatar em Portugal os documentos relativos às 14 capitanias do Brasil. Mais de 400 mil cópias já estão no país e foram distribuídos aos estados de origem.
O único documento original da época das capitanias é uma carta de 30 de janeiro de 1654 - quatro dias depois da rendição dos holandeses. Foi enviada ao rei de Portugal por João Fernandes Vieira - um mestre de campo - uma espécie de comandante-geral das tropas brasileiras e portuguesas que pedia recompensa pelo feito.
A especialista em transcrição de documentos antigos Vera Lúcia Costa Acioli mostra em que termos o militar de dirigia ao monarca. Ele não conseguiu a recompensa como pretendia. Seu maior interesse era conquistar o governo da capitania e isto não lhe foi cedido.
O acervo conta ainda com dezenas de cópias de mapas, desenhos dos figurinos militares - que eram diferentes para brancos e negros. Toda a documentação que revela parte do passado de Pernambuco e do Brasil já está à disposição dos pesquisadores. Um tesouro que ficará para o futuro.
Fonte: www.globo.com/bomdiabrasil

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