" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Termos históricos: Monopólio

A existência de concorrentes evita a fixação arbitrária de preços. Numa situação de concorrência perfeita, o preço se estabelece de acordo com as condições do mercado e tende a permanecer em patamares próximos ao custo de produção das mercadorias. Um produtor monopolista, ao contrário, pode aumentar seu lucro total mediante a simples elevação do preço, pois domina a oferta e não é ameaçado pela concorrência.
Monopólio é uma condição do mercado caracterizada pelo controle, por um só vendedor, dos preços e das quantidades de bens ou serviços oferecidos aos usuários e consumidores. Embora os conceitos de monopólio e concorrência perfeita sejam úteis para ilustrar princípios econômicos, eles raramente ocorrem na prática e constituem, portanto, modelos teóricos que caracterizam situações ideais, das quais a realidade está mais ou menos próxima.
A situação mais próxima do monopólio é o oligopólio, em que o mercado é controlado por um pequeno grupo de empresas. Os oligopolistas tendem a atuar em comum acordo ou, quando a lei permite, a estabelecer cartéis com pactos formais sobre preços e abastecimento, o que, virtualmente, torna monopolística sua atividade econômica. A maior parte dos países proíbe o monopólio, exceto aqueles que são exercidos pelo estado sobre produtos estratégicos e serviços de utilidade pública. A legislação britânica, por exemplo, enquadra como monopolística a ação de uma empresa ou grupo de empresas que controle um terço do mercado de certo produto ou serviço. O termo monopólio se emprega, assim, para designar uma situação na qual a concorrência é restrita.
Quem detém o monopólio pode determinar o preço de seu produto ou serviço sem a concorrência de outros vendedores. Geralmente se admite, por essa razão, que a empresa monopolista fixará o preço que mais lhe convier. Ao contrário do que ocorre na livre concorrência -- em que o produtor não pode modificar à vontade o preço da mercadoria, mas tão-somente ajustar seu volume de produção ao preço estabelecido pelo mercado -- o monopolista pode atuar sobre o preço, aumentando a produção se deseja reduzi-lo, ou, o que é mais freqüente, reduzindo a produção para elevá-lo. Também lhe cabe fixar o preço e ajustar a ele sua produção. A entrada de novas empresas no setor monopolizado é freada pela impossibilidade de conseguir custos de produção competitivos.
Qualquer modificação do volume de produção implica uma variação nos custos, para mais ou para menos, circunstância que o monopolista deve levar em conta para buscar o equilíbrio do mercado e obter o maior lucro possível. Outra variável que deve ser levada em conta é a elasticidade da demanda, já que o êxito de toda manobra restritiva depende de que o aumento de preços compense a redução da produção.
Vantagens e desvantagens do monopólio. Os argumentos favoráveis aos monopólios concentram-se principalmente nas vantagens da produção em grande escala, como a elevação de rendimento propiciado pelas inovações tecnológicas e a redução dos custos. Também se afirma que os monopólios podem racionalizar as atividades econômicas, eliminar os excessos de capacidade e evitar a concorrência desleal. Outra das vantagens que lhes são atribuídas é a garantia de um determinado grau de segurança no futuro, o que torna possível o planejamento a longo prazo e introduz maior racionalidade nas decisões sobre investimentos.
Os argumentos contrários estão centrados no fato de que o monopólio, graças a seu poder sobre o mercado, prejudica o consumidor ao restringir a produção e a variedade, e ao obrigá-lo a pagar preços arbitrariamente fixados pelo monopolista. Também se assinala que a ausência de concorrência pode incidir negativamente sobre a redução dos custos e levar à subutilização dos recursos produtivos.
Controle. A economia de livre empresa afirma, como norma geral, a inconveniência dos monopólios e a necessidade de estrito controle sobre eles. Embora acentue as vantagens do fornecimento monopolizado em determinadas áreas específicas, exige que os monopólios se restrinjam aos setores nos quais sejam absolutamente necessários e que, além disso, se adotem medidas de proteção ao consumidor.
Um exemplo da utilidade dos monopólios é o fornecimento de gás canalizado a um centro urbano. O fornecimento de gás aos consumidores por companhias concorrentes, por meio de gasodutos e sistemas de distribuição paralelos, representaria um esbanjamento de recursos em infra-estrutura.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sociedades secretas: Ku Klux Klan

Ku Klux Klan (também conhecida como KKK) é o nome de várias organizações racistas dos Estados Unidos que apoiam a supremacia branca e o protestantismo (padrão conhecido também como WASP) em detrimento de outras religiões. A KKK, em seu período mais forte, foi localizada principalmente na região sul dos E.U.A., em estados como Texas e Mississipi.
A primeira Ku Klux Klan na verdade foi fundada pelo General Nathan Bedford Forrest da cidade de Pulaski, Tennessee, em 1865 após o final da Guerra civil americana. Seu objetivo era impedir a integração social dos negros recém-libertados, como por exemplo, adquirir terras, ter direitos concedidos aos outros cidadãos, como votar. O nome, cujo registro mais antigo é de 1867, parece derivar da palavra grega kuklos, que significa "círculo", "anel", e da palavra inglesa clan (clã) escrita com k. Devido aos métodos violentos da KKK, há a hipótese de o nome ter-se inspirado no som feito quando se coloca um rifle pronto para atirar.
A KKK em Washington, cerca de 1925
Em 1872 o grupo foi reconhecido como uma entidade terrorista e foi banida dos Estados Unidos. O segundo grupo que utilizou o mesmo nome foi fundado em 1915 (alguns dizem que foi em função do lançamento do filme O Nascimento de uma Nação, naquele mesmo ano) em Atlanta por William J. Simmons. Este grupo foi criado como uma organização fraternal e lutou pelo domínio dos brancos protestantes sobre os negros, católicos, judeus e asiáticos, assim como outros imigrantes. Este grupo ficou famoso pelos linchamentos e outras atividades violentas contra seus "inimigos". Chegou a ter 4 milhões de membros na década de 1920, incluindo muitos políticos. A popularidade do grupo caiu durante a Grande Depressão e durante a Segunda Guerra Mundial.

Decadência
A perda de respeitabilidade da Ku Klux Klan, unida a divisões internas, levou à degradação de seu público, apesar de a organização continuar a realizar expedições punitivas, desempenhando por exemplo o papel de supervisora de uma agremiação de patrões contra os sindicalistas, cuja cota estava em alta depois da crise de 1929.
Na década de 1930, o nazismo exerceu uma certa atração sobre a Ku Klux Klan. Não passou disso, porém. A aproximação com os alemães foi bruscamente encerrada na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à base estadunidense de Pearl Harbor, quando muitos membros se alistaram no exército para lutar contra o "perigo amarelo". Só faltava o tiro de misericórdia ao império invisível. Em 1944, o serviço de contribuições diretas cobrou uma dívida da Klan, pendente desde 1920. Incapaz de honrar o compromisso, a organização morreu pela segunda vez.
Apesar de diversas tentativas de ressurreição (num âmbito mais local que nacional), a Ku Klux Klan não obteve mais o sucesso de antes da guerra. As mentalidades evoluíram. A ameaça de crise estava a partir de então descartada, tendo o soldado negro mostrado que era capaz de derramar tanto sangue quanto o branco. Finalmente, o Stetson Kennedy contribuiu para desmistificar a organização, liberando todos os seus segredos no livro "Eu fiz parte da Ku Klux Klan". Alguns klanistas ainda insistiram e suscitaram, temporariamente, uma retomada de interesse entre os WASP (sigla em inglês para protestantes brancos anglo-saxões) frustrados, que não compunham mais a maioria da população estadunidense.
Na década de 1950, a promulgação da lei contra a segregação nas escolas públicas despertou novamente algumas paixões, e cruzes se acenderam. Seguiram-se batalhas, casas dinamitadas e novos crimes (29 mortos de 1956 a 1963, entre eles 11 brancos, durante protestos raciais). Os klanistas tentaram se reciclar no anticomunismo, combatendo os índios ou atenuando seu anticatolicismo fanático.
As quimeras de Garvey tinham quebrado a solidariedade dos negros num tempo das mais pesadas ameaças; num tempo em que a Ku Klux Klan depois de 50 anos de pausa retomava a sua atividade, e quem sabe se não preparava ainda comoções mais terríveis do que aquelas a que tinha recorrido meio século antes. A primeira guerra mundial tinha também provocado nos Estados Unidos uma radicalização das condições políticas e novas correntes de ideais universalistas; acima de tudo incitou a Klan para um novo e perigoso estribilho. As tropas negras estadunidenses tinham adquirido em Paris,gosto especial por mulheres brancas; seria portanto de se esperar que indivíduos de cor viriam igualmente a importunar mulheres brancas nos Estados Unidos e que até mesmo as violentariam. Com o requinte psicológico de que o nosso século deu provas no capítulo da propaganda e no campo publicitário, estas conjeturas foram moldadas em todas as formas e com as particularidades plásticas descobertas na Europa, e depois de bem escovadas, introduzidas nos Estados Unidos. Numerosas mulheres e algumas das mais evidentes associações femininas começaram a tremer e a sentir-se ameaçadas; cada um dos negros que na Europa e no exército, de fato, se habituou a maneiras mais livres e maior segurança própria, passou a ser considerado um libidinoso errante propenso a atos de violência.
Os homens a quem dificilmente se poderia convencer de que eles também se deixariam cativar pelas negras acharam razão na propaganda da Klan por outros motivos; recordaram-se cheios de inveja de tudo aquilo que tinham ouvido e lido sobre a proverbial potencialidade de muitos negros; contaram as crianças negras de cabelo encarapinhado que viam nas ruas e quando na volta ao lar, de regresso da guerra, encontravam na sua banca de trabalho um negro ou um judeu como seu superior, na maioria dos casos não hesitaram mais e correram a alistar-se na Klan.
Os métodos da Ku Klux Klan não se haviam modificado de maneira sensível; agora, como antes, se balanceava (processo pelo qual se fazia deslizar uma vítima manietada por uma estreita barra de aço, dolorosamente, para cima e para baixo, a toda velocidade para criar atrito), espancava, extorquia, boicotava, exilava, linchava e assassinava.
Mas nada surtiu grande efeito e o declínio da Klan já tinha começado desde o fim da década de 1960, época em que só contava com algumas dezenas de milhares de membros. Depois, podia-se tentar distinguir os "Imperial Klans of America" dos "Knights of the Ku Klux Klan", ou ainda dos "Knights of the White Camelia", alguns dos vários nomes das tentativas de ressurgimento. Mas os klanistas não eram mais uma organização de massa. Apesar das proclamações tonitruantes e de provocações episódicas, as "Klans" não reuniam mais do que alguns milhares de membros, comparáveis assim com outros grupelhos neonazistas com os quais às vezes mantinham relações. A organização não parece estar perto de renascer uma segunda vez.
Klan e daquilo que pudessem os noviços do século vinte idear em horrores, mercantilismo secreto, ameaças e compromissos de maior responsabilidade. Os infernos passaram a chamar-se cavernas e as reuniões passaram a realizar-se em grandes locais muitas vezes sob o céu aberto. Não raro milhares de autos vinham reforçar, guardas a cavalo e a pé cercavam o local e estavam presentes os utensílios com que se entusiasma qualquer bom estadunidense: a bandeira das estrelas, a Bíblia aberta e o punhal desembainha do a fazer pano de fundo, uma cruz em fogo, na noite, projetava uma luz estranhamente tranquilizadora sobre as filas dos agora uniformiza-dos homens dos capuzes brancos.
De início a Klan só admitia como membros aquelas pessoas oriundas de pais brancos estadunidenses, nascidas nos Estados Unidos; além disso, os pais não podiam comungar na religião católica nem pertencer à raça judaica. Mais tarde deixou-se caducar a exigência de que os pais já deviam ser de nacionalidade estadunidense pois este ponto prejudicara em muito a solícita procura de membros para a Klan e a afluência de meios de contribuição de sócios. O candidato a aceitação era submetido do coração aos rins a interrogatórios e em seguida instruído de que a Klan exigia de todos os seus membros obediência cega. Seguia-se o juramento, batismo, ordenação e apostasia, com a leitura dos parágrafos da fé da Klan em que muito se tratava da raça branca e da religião cristã.
Os crimes que a nova Ku-Klux-Klan até a sua recente proibição cometeu, sobretudo nos estados do Sul dos Estados Unidos, são tão variados e numerosos, tão cuidadosamente velados e tão intimamente amalgama dos com as singularidades da vida pública naqueles estados, que nunca seria possível abrangê-los a todos. A simples crônica ou mesmo pequena revista, como nós aqui tentamos oferecer, nunca seria capaz de exprimir como o que aconteceu foi caprichoso e horrível. O mundo teve conhecimento aqui e ali de um registro especialmente alusivo nos jornais, mas depressa ele caiu no esquecimento da consciência mundial, ainda que esta fatalidade passe à posteridade, pois que não houve nenhum dos grandes escritores estadunidenses que alguma vez deixasse passar em branco atuação tão vergonhosa.
Hoje, a Ku Klux Klan conta apenas com um efetivo de 3 mil homens em todos os antigos "estados confederados", apesar do baixo número de associados, muitos não associados apoiam a organização.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma rainha brasileira em Portugal.

D. Pedro I


Em 1826, com a morte de D. João VI, D. Pedro tornou-se o herdeiro da coroa portuguesa. Se fosse coroado rei de Portugal, novamente Brasil e Portugal estariam juntos. Mas D. Pedro I sabia da oposição da grande maioria dos políticos brasileiros a essa possibilidade. Decidiu abdicar do seu direito em favor de sua filha, D. Maria da Glória, nascida no Rio de Janeiro. Assim, Portugal tinha uma rainha brasileira, ou melhor ainda, carioca. e o Brasil era governado pelo seu pai, D. Pedro, nascido em Portugal. coisas da história de Portugal e do Brasil. 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aprenda Brincando...

 Teste seu conhecimento sobre os presidentes da república brasileira. Você escolhe uma carta e o computador tentará adivinhar, depois é a vez do computador escolher uma carta e você terá que descobrir. Com base nas perguntas/respostas, ganha quem primeiro adivinhar qual a carta do presidente escolhida pelo adversário.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Carangola comemora 129 anos de emancipação política.



Programação completa:

07 de Janeiro
06h - Alvorada c/ Lira 21 de Abril
07h - Missa Santuário Sta. Luzia
08h - Momento Cívico Pça. Matriz / Hasteamento da Bandeira
21h - Sorteio da Promoção Natal de Prêmios da ACIAC
22h - Show Don & Juan
00h - Show Chapahalls do Brasil

08 de Janeiro
21h - Sorteio da Promoção MARINHO FEST 6
22h - Show Uns e Outros
00h - Show Caldeirão Sertanejo

09 de Janeiro
15h - Domingueira c/ os grupos: Simples Samba, Kicensura, Os Moleques e Recent Mania
21h - Show Forró Beijo Apimentado

domingo, 2 de janeiro de 2011

Xenofobia na prática


Jovens ofendem nordestinos e moradores de periferia pela internet

Em SP, os alvos são os imigrantes do Nordeste do país.
Já no Rio, população do subúrbio é discriminada na web.

Do G1 SP, com informações do Fantástico
Mais uma década do século 21 tem início e ainda assim um preconceito mais do que ultrapassado continua sendo notícia. Pela internet, jovens têm humilhado nordestinos que vivem em São Paulo e a população mais humilde do Rio de Janeiro.
Alguns casos vieram a público nesta semana e viraram assunto de polícia.
Em São Paulo, a homenagem da escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi com o tema “São Paulo, capital do Nordeste” virou motivo de ameaça.
E-mails ofensivos foram recebidos pela agremiação. Em uma das mensagens, repleta de palavrões, os nordestinos são chamados de “povinho de cabeça chata”.
No Rio de Janeiro, mais ofensas pela internet. Desta vez, o alvo são as pessoas que visitam a árvore de Natal na Lagoa Rodrigo de Freitas. “Chega a ser repugnante o que está escrito, dizendo que as pessoas que moram no subúrbio, que moram na Baixada, são menores, são piores, são gentinha”, diz o delegado Fernando Veloso.
No Rio e em São Paulo, os autores das mensagens podem até ser presos. O crime de racismo é punível com até cinco anos de prisão.
“A gente quando pensa em crime pensa em arma, pensa em violência, pensa em agressão. Não é um crime nesse sentido, mas ele é tão grave quanto um crime que é cometido com uma arma em punho, porque ele ofende a dignidade das pessoas”, afirma Veloso.
No Rio, o autor das ofensas é o estudante de direito João Marcos Crespo, que mora próximo à lagoa, em um bairro nobre. Na casa dele, foram encontrados objetos que fazem menção ao nazismo.
Uma das ideias valorizadas pelo estudante é a eugenia - tese de Adolf Hitler para justificar a perseguição aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial.
Para a polícia, o estudante escreveu mensagens racistas. Elas dizem que os moradores de subúrbio têm genética inferior, cabelo ruim e estatura baixa. Nesta semana, ele foi interrogado pelo delegado. “Ele atribui essas mensagens a uma brincadeira. A gente percebe que pelo teor da mensagem a gente percebe que não é brincadeira”, diz Veloso.
Na casa do jovem, ninguém quer falar sobre o assunto.
São Paulo
Já o estudante responsável por parte das ofensas à escola de samba paulista se recusa a admitir que errou ao ofender os nordestinos. “Eu não me arrependo de criticar. Eu me arrependi de usar as palavras que eu usei. Se fosse qualquer outra escola, eu ia criticar do mesmo jeito”, diz Caio César.
Em fotos, o jovem aparece com uma bandeira do estado de São Paulo tatuada nas costas. No texto ofensivo aos nordestinos, ele se diz um paulista separatista. “Sim, sim, eu sou separatista”, admite.
Movimentos separatistas querem a independência de alguns estados, formando um novo país.
Essa ideia nunca vingou no brasil. “É uma qualidade do Brasil impedir tendências separatistas que sempre levam a discriminações e formas racistas”, diz o historiador Marco Antonio Villa.
“Você pregar o separatismo e também tendo como argumento que as outras pessoas são de uma raça inferior é crime”, diz a delegada Margarett Barreto.
A delegada e o defensor público Ricardo César Franco são especializados em crimes raciais. Eles acompanham o crescimento de comunidades na internet que pregam ideias preconceituosas.
Franco diz que há uma espécie de manifesto contra os nordestinos migrantes circulando pela web. As ofensas que chegaram na Acadêmicos do Tucuruvi seguem o mesmo pensamento deste texto.
Mas o autor não admite que suas afirmações foram criminosas. “Cara, se é crime isso, a gente vai ter muito criminoso solto por aí.”
A polícia paulista vai cobrar explicações. “A gente tem os rastros dos contatos dele que foram feitos na rede virtual. Então nós vamos localizá-lo com certeza”, diz Barreto.
No Rio de Janeiro, João Marcos Crespo deve responder por crime de racismo. E a busca agora é por quem trocou as mensagens preconceituosas com o estudante. “São pessoas que concordaram com essas mensagens e também estão fazendo divulgar, difundir, uma mensagem discriminatória, uma postura racista”, afirma Veloso.
“Nossa juventude pode manifestar seus pensamentos, suas ideias, mas sem denegrir ninguém, para que a gente possa viver em paz, em harmonia”, completa o delegado

Museu Municipal de Carangola na internet

 Museu Municipal de Carangola

O Museu Municipal de Carangola, dedica-se à valoração e difusão da nossa cultura (patrimônio material e imaterial). Apresenta uma forma expositiva setorizada expressando por diversos âmbitos as característicasais que compõem a cidade e região, trabalhando com meios interativos para a apresentação de seus conteúdos. Faz parte do seu acervo várias peças que reunem além de história, o trabalho de vários artistas e grandes personalidades que foram e são memória cidade e região. Abarca no seu interior peças que refletem não só aspecto mineiro, mas o aspecto também nacional, pois, juntos somos um povo. Nossa sede integra núcleos museológicos já existentes, antiguidades e biodiversidade além de fragmentos dos Sítios Arqueológicos tombados pelo IEPHA e Registrados no IPHAN. Mantém uma programação anual de exposições e promove outras importantes e tradicionais periódicas e itinerantes no munícipio, além de ainda uma intensa programação de atividades culturais e educativas, realizando cursos, oficinas e visitas monitoradas. Hierarquicamente, a instituição depende da Prefeitura Municipal e da Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico de Carangola - MG.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Histórias Novas

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas aos colegas que acompanham o blog História Pensante, pois as postagens do blog andam a desejar. Nesses últimos tempos a minha rotina virou de pernas para o ar, afinal, o final de ano escolar altera a rotina e a cabeça de qualquer professor, além disso a minha casa passou por reformas, fiquei sem internet em casa por quase três meses e meu computador precisou ser formatado e perdi alguns dados valiosos, mas nem tudo foram espinhos neste final de ano, no dia 27 de dezembro nasceu o meu primeiro filho, Lucas, um garotão bonito igual ao pai (não podia deixar de falar), o qual vai requerer um bocado da atenção, carinho e amor de seu pai, agora começa uma nova fase da minha vida, uma nova História.
Quanto ao blog, tentarei repartir um pouco mais da minha atenção com  História Pensante, o qual também me trouxe muita alegria em tão pouco tempo de vida, além das novas amizades com os colegas e apreciadores da História da humanidade.

A todos que porventura estão lendo este post e também aqueles que já passaram os seus olhos por aqui.

Um Feliz Ano Novo, que 2011 seja repleto de realizações para todos nós e que novas e belas histórias possam ser escritas, mas sempre refletindo sobre o que passou. Abraços fraternos.

Professor Pedro Paulo Dias e família

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

História da África, enfim na íntegra


Em parceria com a Unesco, governo brasileiro lança a primeira edição completa em português da mais importante obra sobre o continente
 


Os estudantes brasileiros acabaram de ganhar uma versão traduzida de uma das mais importantes obras sobre a história do “continente negro”. Foi lançada em Brasília na última quinta feira a edição em português da coleção História geral da África, obra produzida a pedido da Unesco e publicada no país em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Principal obra de referência sobre o assunto, a coleção completa, com seus oito volumes e quase 10 mil páginas, foi lançada originalmente em 1981. Os títulos foram escritos ao longo de 30 anos por 350 pesquisadores, dois terços deles africanos, e é o mais completo estudo sobre o passado do continente já publicado.

A série já foi traduzida integralmente para o inglês, o francês, o árabe e o espanhol. Uma versão resumida foi lançada no Brasil entre 1982 e 1985, mas a edição está atualmente esgotada no país. Para suprir essa carência, os oito volumes da coleção foram traduzidos, reeditados e não estão sendo vendidos, mas distribuídos para bibliotecas, universidades públicas e outras intituições de ensino. Uma versão digital da obra em breve estará disponível na internet.

A coleção vai servir de fonte para a formação de educadores e para a difusão de conhecimentos sobre o assunto para estudantes brasileiros desde a educação básica até o ensino superior. “A obra é de grande importância e peculiaridade”, diz Marilza Regattieri, oficial de projetos em educação da Unesco. Ela lembra que a Lei 10.639, que tornou o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana obrigatório nas escolas, foi sancionada em 2003.

Para que esses conteúdos cheguem efetivamente às salas de aula brasileiras, a Unesco, em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos, também está produzindo materiais pedagógicos de caráter interdisciplinar, para a formação de professores. De acordo com as instituições, o próximo passo será fazer o mesmo nas escolas de países africanos de língua portuguesa.

Fonte: www.historiaviva.com.br

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Heróis do Brasil

Reunimos mais de uma centena deles, mas esse número pode aumentar: deixe um comentário com um nome que você acha que merece figurar na lista
RHBN
Em um época em que capitão Nascimento é eleito "o" super-herói nacional, nada melhor que relembrar os quase incontáveis heróis brasileiros de carne e osso que fizeram de suas vidas um pedaço de nossa História. Nesta lista, reunimos mais de uma centena deles – que podem somar muito mais a partir da colaboração por meio dos comentários dessa matéria.

Alguns têm relevância nacional, outros tiveram suas ações valorizadas apenas em suas regiões. Uns são exaltados por determinadas corporações; outros, por grupos sociais. Há ainda aqueles que são mocinhos para uns e bandidos para outros. São mulheres e homens que pegaram em armas, defenderam ideias ousadas, ocuparam lugares importantes em épocas conturbadas ou simplesmente encarnaram anseios coletivos. Em um país com uma história tão rica, não faltaram personagens que ultrapassaram a barreira da própria vida para se tornar, nem sempre de forma unânime, referências. Resta saber se seus exemplos são suficientes – ou consistentes – para a constante obra de construção de um país.
Fonte: www.revistadehistoria.com.br

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Olimpíada de História consagra equipes finalistas



A 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil consagrou as 300 equipes convocadas para a fase presencial com medalhas de ouro, prata e bronze, e menções de honra. A cerimônia de premiação aconteceu no último domingo, 24, no Ginásio Multidisciplinar da Universidade Estadual de Campinas.

“Saber do seu esforço, mostrar que é capaz, e ganhar, é incrível”, disse com lágrimas nos olhos, a estudante Marília Gonzaga, de 17 anos, aluna do Colégio Militar do Recife que integrou a equipe CMR02. A felicidade da estudante define o clima de ansiedade e alegria presente no evento de premiação. Como em partidas de voleibol, os estudantes vibravam a cada equipe anunciada.

A euforia da comemoração tinha explicação. A cerimônia aconteceu um dia após a realização da última fase da Olimpíada, que aconteceu no sábado, no Ciclo Básico 2 da Unicamp. Diferente das cinco fases anteriores, virtuais, na última etapa os estudantes realizaram prova escrita, que incluiu questões relacionadas ao trecho do livro “Caminhos e Fronteiras”, do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Da realização da prova até a entrega de medalhas foram mais de 20 horas aguardando o resultado.

Uma Olimpíada Diferente...

“O mais importante na Olimpíada foi o espírito de integração. As equipes se formaram, se prepararam e competiram, mas o congraçamento foi o valor maior”, disse o Coordenador Geral da Universidade, Edgar Salavadori de Decca, que abriu a cerimônia de premiação representando o Reitor da Unicamp. O Historiador, autor de livros consagrados como “O Silêncio do Vencidos”, teve seu pronunciamento aclamado pelo público presente.

Mais do que entregar medalhas, a premiação das equipes celebrou o aprendizado e a união de professores e estudantes em busca de um objetivo comum: estudar a história do Brasil. “Só tenho a agradecer aos meus alunos, que confiaram em mim e me motivaram o tempo todo. Estou com novo fôlego”, disse a professora Marisa Noda, de Santo Antonio da Platina/PR, do Colégio Estadual Rio Branco.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Exposição na Alemanha mostra a ascensão de Hitler ao poder

 O Museu Nacional da Alemanha, em Berlim, é sede da primeira exposição mundial focada em Adolf Hitler. Os visitantes saem impressionados.

Uma exposição inaugurada este mês na Alemanha toca num capítulo trágico da história do país: a ascensão de Adolf Hitler ao poder e a relação do líder nazista com o povo alemão.
Museu Nacional da Alemanha, em Berlim, sede da primeira exposição mundial focada em Adolf Hitler. Um acervo tão polêmico que nossa reportagem mal começa e já somos obrigados a parar.
“Isso não é parte da exposição. De fato o alarme está tocando, porque há uma ameaça de bomba aqui no museu e todo mundo deve sair'', explica o correspondente Marcos Losekann.
Minutos depois, a reforçada segurança do museu comprova que foi mais um alarme falso. Grupos neo e antinazistas estariam por trás das ameaças frequentes, indignados com o tema que expõe como Hitler manipulava a opinião pública alemã.
Os expositores se preocupam em evitar que ao exibir essas imagens acabem glorificando o ditador. Por isso, ele sempre aparece associado às consequências terríveis do poder sem limites, como os campos de concentração em que morreram seis milhões de judeus.
Para ligar as duas partes da exposição, foram deixadas frestas. O objetivo é mostrar que, mesmo nos tempos de Hitler, os cidadãos tinham condições de observar o que acontecia nos bastidores do poder. Segundo os expositores, querer enxergar era uma questão de oportunidade ou de vontade.
Os visitantes saem impressionados. ''O que mais me chamou a atenção é a capacidade que ele teve de iludir o povo alemão, trazendo a ideia de um futuro extremamente próspero e rico”.
Um alemão concorda em parte com a turista brasileira. “Hitler soube tirar proveito do caos alemão, mas muitos alemães se deixaram iludir”.
Polêmica forte, intrigante. A exposição é a cara de um ditador que continua sendo julgado pela História.

domingo, 24 de outubro de 2010

Revolução de 30 - O fim da participação de Carangola.


24.10.1930 - Através de um telegrama do Rio de Janeiro, chegava a esta cidade, a notícia da deposição do Presidente da República Washington Luiz por uma Junta Militar composta por oficiais generais. A notícia paralisou todas as atividades da cidade, passando para manifestações de júbilo. Contando  com 400 carangolenses em armas naquele movimento, a notícia da vitória da revolução foi comemorada como um feito local. Todas as atenções se voltaram a homenagear o Presidente da Câmara Municipal Dr. Waldemar Soares de Souza, que no momento se encontrava num posto avançado em Itaperuna-RJ, junto as tropas revolucionárias. Neste mesmo dia retornou pela ferrovia, sendo aguardado na estação por uma imensa multidão. Três Bandas de Músicas, de Divino, de São Francisco do Glória e a Lyra Mineira de Carangola, estavam presentes para abrilhantar a recepção.  Ao desembarque, vários oradores fizeram uso da palavra, exaltando o chefe do executivo municipal e o movimento revolucionário vitorioso.  

Fonte: Carelli, Rogério - Efemérides Carangolense (1827-1959)

sábado, 23 de outubro de 2010

Hino à Negritude

Imagem: Hino à Negritude (Cântico à Africanidade Brasileira) - Brasil escola

Criado pelo poeta e professor Eduardo Ferreira de Oliveira, o Hino à Negritude foi oficializado em todo o território nacional graças ao projeto de lei enviado pelo deputado federal Vicentinho, integrante do Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Segundo o representante político, a consagração deste hino tem como objetivo maior reforçar a figura do negro enquanto contribuinte na formação da sociedade brasileira.

O processo de composição do hino percorreu uma longa trajetória, que teve seu início na década de 1940. Inicialmente, o professor Eduardo registrou a peça musical como “Hino 13 de maio”, fazendo uma clara referência à mesma data em que a princesa Isabel promoveu o fim da escravidão no Brasil. Contudo, ao longo de vários debates historiográficos, a canção mudou de nome mediante os vários dilemas ainda enfrentados pelos negros após a abolição.

Segundo o projeto de lei que formalizou o reconhecimento do Hino à Negritude, a canção será entoada em todo e qualquer tipo de evento em que a raça negra seja seu foco principal. Além das especificações do seu uso, várias entidades e secretarias envolvidas com a população negra vêm desenvolvendo projetos que facilitem o acesso e a divulgação do novo hino em bibliotecas, escolas, casas de cultura e outros estabelecimentos de ensino.

Além de seu valor simbólico e político, o Hino à Negritude consolida mais uma ação de luta contra a questão do preconceito racial. Sob o aspecto pedagógico, a divulgação do hino promove um resgate poético de toda a contribuição que os negros tiveram no desenvolver da nação brasileira. Logo abaixo, segue a letra da canção:





I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)


II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lh destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a solenidadesPara o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)






III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)


IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heroico labor
todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São Galardões aos negros de altivez.




"DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR"

Leandro Karnal

Primeiro
CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

Segundo
SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

Terceiro
PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense... Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

Quarto
POSSIBILTAR O CAOS CRIATIVO!
Sala de aula na época Vitoriana
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

Quinto
INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

Sexto
PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO!
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: "O Feudalismo" ou "O Relevo do Amapá"; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

Sétimo
VARIAR AVALIAÇÕES!
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

Oitavo
USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

Nono
ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

Décimo
SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula...). Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência - este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Fonte: www.ime.unicamp.br In. FARIA, Ricardo de Moura. Estudos de História, vol 1

Publicado no blog: Ateliê de História

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