" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

sexta-feira, 28 de abril de 2017

REVISTA ESCRITA DA HISTÓRIA: DOSSIÊ "REVOLUÇÕES E MOVIMENTO OPERÁRIO NO SÉCULO XX"

Há aproximadamente 100 anos explodiam movimentos sociais de massa, com especial destaque para aqueles ocorridos na Europa e na América Latina. A partir do Velho Continente, a Revolução Russa apavorou capitalistas e impulsionou muitos trabalhadores a fundarem partidos comunistas por todo o planeta. No antigo Novo Mundo, destaca-se a Revolução Mexicana, que colocou na ordem do dia o debate sobre a necessidade da Reforma Agrária, em simultâneo ao movimento bolchevique; e ainda a chamada Greve Geral de 1917, no Brasil, de forte tendência anarquista, que levou algumas de suas principais lideranças, poucos anos depois, a reconheceram nos métodos sovietes o caminho revolucionário para o país. Assim, com a pretensão de contribuir com o árduo debate a propósito desses temas e/ou de seus impactos no desenrolar de outros acontecimentos e processos, a Revista Escrita da História – REH lança a chamada de sua edição de número 8. Esta privilegiará estudos de movimentos sociais e/ou de governos que tinham (ou tem) em pauta o socialismo e a luta dos trabalhadores como horizonte de seus embates, bem como suas ramificações na esfera política, social, econômica, cultural etc., compreendendo seus aspectos históricos, historiográficos e teóricos para compor o Dossiê Revoluções e Movimento Operário no Século XX.
 
Data limite para envio de artigos: 15 de agosto de 2017


ISSN: 2359-0238

Fonte: http://site.anpuh.org/index.php/mais/publicacoes/chamada-de-artigos-sp/item/4063-revista-escrita-da-historia-dossie-revolucoes-e-movimento-operario-no-seculo-xx

sábado, 22 de abril de 2017

Museu virtual Memorial da Democracia



Durante o III Encontro Educadores (as) pela Liberdade (20/04), realizado na cidade histórica de Ouro Preto, a historiadora Heloisa Starling, coordenadora do Projeto República núcleo de pesquisa documentação e memória da UFMG, promoveu a apresentação do Projeto Memorial da Democracia, um portal multimídia interativo do Instituo Lula, um museu virtual dedicado à história das lutas democráticas do povo brasileiro, Concebido por uma equipe de jornalistas, historiadores, artistas e pesquisadores, o Memorial é uma obra em construção. Ao todo serão 11 módulos a respeito da trajetória do povo brasileiro na pela justiça e liberdade. Dois módulos já estão no ar, períodos de 1964-1985 e 1985-2002, durante o Encontro a professora Heloisa Sarling noticiou que em breve novos módulos também estarão disponíveis no site, os quais congregarão os períodos de 1930-1945 e 1945-1964. O portal pode ser acesso pelo endereço www.memorialdademocracia.com.brA navegação está estruturada em dois grandes eixos interativos. Nas linhas do tempo estão ordem cronológica os episódios que marcaram a história. Grandes eventos aparecem sempre marcados em amarelo e ao lado de todos os textos fotos, charges, cartazes, documentos, jornais, músicas, discursos e trechos de filmes e vídeos.
A linha do tempo é complementada pelos Extras, capítulos especiais que levam a um mergulho mais profundo em temas com uma linguagem mais leve e lúdica . É possível encontrar exposições virtuais, listas musicais, navegar entre personagens e conquistas históricas inclusive jogos interativos e divertidos.



terça-feira, 18 de abril de 2017

Divulgação: "Filhos da senzala"




Filhos da senzala é um romance histórico da autora Silvânia Dias que retrata a história de amor desmedido entre um homem livre e uma escrava. Para poder viver esse amor, ele vende doze anos de sua existência ao árduo trabalhado na fazenda Cantareira. O que ninguém imagina, é que o preço da liberdade pode ser alto demais.



Silvânia Dias retrata a sociedade mineira do século XIX em "Filhos da Senzala"
O amor e a diferença social são temas mais do que clássicos dos livros brasileiros. Com "Filhos da Senzala", da autora mineira Silvânia Dias, não é diferente. Inspirada em um caso real, a história do homem que vende doze anos de sua liberdade por amor a uma escrava marca a estreia da historiadora no cenário da literatura nacional.
Para saber mais: www.fb.com/Silvania.DiasHist

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tiradentes: a construção do herói


        “Após a Proclamação da República, um processo de transformação de Tiradentes em herói nacional intensificou-se. O dia de seu enforcamento, 21 de abril, ocorrido em 1792, foi transformado em feriado nacional pelo regime republicano em 1890. Aos poucos as imagens de Tiradentes foram se assemelhando cada vez mais com a figura de Jesus Cristo. Até hoje, tanto políticos de direita, quanto de esquerda, reivindicam Tiradentes com herói. Como se deu a criação desse mito?
        A luta em torno do mito de origem da República mostrou a dificuldade de construí um herói para o novo regime. Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos. Não há regime que não promova o culto a seus heróis e não possua seu panteão cívico. Em alguns, os heróis surgiram quase espontaneamente das lutas que precederam a nova ordem das coisas. Em outros, de menor profundidade popular, foi necessário maior esforço na escolha e na promoção da figura do herói. É exatamente nesses últimos casos que o herói é mais importante.
        No caso brasileiro, foi grande o esforço de transformação dos principais participantes do golpe de 15 de novembro de 1889 em heróis da República, as virtudes de cada um foram cantadas em prosa e verso, em livros e jornais, em manifestações cívicas, em monumentos, em quadros, em leis da República. Seus nomes foram dados a instituições, a ruas e praças das cidades, a navios de guerra.
        Deodoro era o candidato mais óbvio ao papel de herói republicano. Mas contra ele militavam fatores poderosos. A começar por seu incerto republicanismo, manifesto no próprio dia 15, seu jeito de general da monarquia, sua figura física, que lembrava a do outro ilustre velho, o imperador. Era ainda militar demais para que pudesse ter penetração mais ampla. Nas lutas que envolveram o início da República, uma figura tão identificada com o Exército dividia tanto quanto unia.
        Outro candidato era Benjamin Constant. Seu republicanismo era inatacável. Mas o problema com ele é que não tinha figura de herói. Não era líder militar nem líder popular. Candidato mais sério que Benjamin era Floriano Peixoto. Porém, considerado radical demais, Floriano poderia ser o herói de um ripo de república, a jacobina, mas não da República que aos poucos foi se construindo.
        A busca de um herói para a República acabou tendo êxito onde não o imaginavam muitos dos participantes da proclamação. Diante das dificuldades em promover os protagonistas do dia 15, quem as poucos se revelou capaz de atender às exigências da mitificação foi Tiradentes. Mas quais foram as razões da adoção de Tiradentes e que conteúdo teria sua figura de herói?
        Embora fosse viva na memória popular, a Inconfidência Mineira era tema delicado para a elite culta do Segundo Reinado. Afinal, o proclamador da Independência era neto de D. Maria I, contra quem se tinham rebelado os inconfidentes. O bisneto da tainha louca governava o país. O Brasil era um monarquia governada pela casa de Bragança, ao passo que os inconfidentes tinham pregado uma república americana. Não era fácil exaltar os inconfidentes, e Tiradentes em particular, sem de alguma maneira condenar seus algozes e os sistema político vigente. A luta entre a memória de D. Pedro I, promovida pelo governo, e a de Tiradentes, símbolo dos republicanos, tornou-se aos poucos emblemática da batalha entre Monarquia e a República. Havia poderosa simbologia na luta entre Pedro I e Tiradentes. Sua expressão mais forte talvez esteja em artigo do abolicionista e republicano Luís Gama, publicado no primeiro número do jornal comemorativo do 21 de abril editado pelo Clube Tiradentes (1882). O título do artigo “À forca o Cristo da multidão”. Nele, Gama faz um paralelo entre Tiradentes e Cristo. A forca é equiparada à cruz, o Rio de Janeiro a Jerusalém, o Calvário ao Rocio. Porém, não existia nenhum retrato de Tiradentes  feito por quem o tivesse conhecido pessoalmente.
        Em termos populares, Tiradentes também tinha competidores históricos ao título de herói da República, além dos rivais do dia 15 de novembro. Para mencionar os mais óbvios, havia no sul os líderes da Farroupilha, como Bento Gonçalves. No Norte, a figura respeitável de Frei Caneca. Não consta que se tenha tentado transformar Bento Gonçalves em herói republicano nacional. Afinal de contas, havia a suspeita de que a revolta farroupilha queria separar o  Rio Grande do Sul do Brasil. Faltava, portanto, aos heróis gaúchos a característica nacional, indispensável à imagem de um herói republicano. Frei Caneca, um dos líderes da Confederação do Equador, ocorrido no Primeiro Império, era um candidato mais sério. Herói de duas revoltas, uma pela independência, a outra contra o absolutismo de D. Pedro I, morrera como mártir, fuzilado, pois nenhum carrasco se dispusera a enforca-lo.
        Um dos fatores que pode ter levado à vitória de Tiradentes é, sem dúvida, o geográfico. Tiradentes era o herói de uma área que, a partir da metade do século XIX, já podia ser considerada a centro político do país – Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, as três capitanias que ele buscou, num primeiro momento, tornar independentes. Porém não era uma ideia separatista, mas a de um cálculo tático. Libertadas as três, as outras seguiriam com maior facilidade. Já o Nordeste de frei Caneca era uma região em decadência política e econômica. Além disso, a Confederação do Equador apresentara um caráter separatista que a maculavam como movimento nacional.
        No entanto, há ainda outro elemento importante na preferência por Tiradentes. Frei Caneca e seus companheiros tinham-se envolvido em duas lutas que realmente aconteceram, em que houvera sangue e morte. Morreu como herói desafiador, quase arrogante, num ritual seco de fuzilamento. Foi um mártir rebelde, acusador, agressivo. Não morreu como vítima, como portador das dores de um povo. Morreu como líder cívico e não como um mártir religioso, embora, ironicamente, se tratasse de um frade.
        Talvez esteja aí um dos principais segredos do êxito de Tiradentes. O fato de não ter a Inconfidência Mineira passado à ação concreta poupou-lhe ter derramado sangue, ter exercido violência contra as outras pessoas, ter criado inimigos. A violência revolucionária permaneceu potencial. Tiradentes era o mártir ideal, o condenado. A violência real pertenceu aos carrascos. Foi vítima não só do governo português, mas até mesmo de seus amigos. Vítima da traição de Joaquim Silvério, seu amigo pessoal.
        Na figura de Tiradentes todos podiam identificar-se, ele operava a unidade mística dos cidadãos, o sentimento de participação, de união em torno de um ideal, fosse ele a liberdade, a independência ou a república. Era o totem cívico. Não antagonizava ninguém, não dividia as pessoas e as classes sociais, não dividia o país, não separava o presente do passado nem do futuro. Pelo contrário, ligava a república à independência e a projetava para o ideal de crescente liberdade futura. A liberdade ainda que tardia. “


(Adaptado de Carvalho, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, pp. 55-73)


Fonte: Ferreira, João Paulo Hidalgo, Luiz Estevam de Oliveira Fernandes. Nova história integrada: ensino médio volume único – Campinas, SP: Companhia da Escola, 2005. 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"Era uma vez uma História"


A emissora de TV Band anuncia para o mês de abril a exibição de um programa que promete levar os espectadores a uma viagem pelo tempo através da História do Brasil.  O programa será apresentado pelo ator/apresentador Dan Stulbach e pela historiadora Lilia SchwarczA produção pretende apresentar episódios  da História do Brasil pouco explorados pelos livros de História. Em seis capítulos, onde se mistura história e dramaturgia através da dinâmica de um documentário o público poderá conhecer fatos e personagens pitorescos de nossa história. O programa também será apresentado pelo canal de TV fechada Warner.

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