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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Navio Nazista encontrado nas águas da Islândia

A briga agora é para saber quem é o dono do tesouro – se é que existe algum!

Vídeo relacionado: 

O SS Minden deixou a costa brasileira em 1939, dias depois da eclosão da Segunda Guerra Mundial, levando nada menos que quatro toneladas de ouro dos bancos sul-americanos para a Alemanha. 



Mas a encomenda nunca foi entregue. Ao perceber que navios da frota britânica se aproximavam do SS Minden, o capitão, seguindo as ordens dadas pelo próprio Hitler, afundou a embarcação. A ideia era que o oponentes jamais pudessem pôr a mão numa carga tão valiosa. 



O valor da carga seria equivalente hoje a mais ou menos R$ 500 milhões. 



Agora, com a descoberta, a guerra é para saber a quem pertence o tesouro: se ao Reino Unido, que fez o achado, ou à Islândia, que detém domínio do território onde estão os restos do navio. Exploradores britânicos continuam atrás da permissão do governo islandês para fazer a operação de resgate, mas até agora nada feito. 



O argumento dos britânicos é que “achado não é roubado”. 



A expectativa é que nas próximas semanas os islandeses definam a quem pertence o ouro – se é que existe algum. Alguns pesquisadores acreditam que o metal foi retirado há tempos. 



Fonte: Independent 
Imagem: Wikipedia Commons

Referência: https://seuhistory.com/noticias/restos-de-navio-nazista-carregado-de-ouro-brasileiro-sao-encontrados-na-costa-da-islandia

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Telefone de Hitler será leiloado nos EUA

O telefone vermelho de Adolf Hitler, que ele usava para emitir ordens e apresentado como "a arma mais destrutiva" da História, será leiloado no domingo nos Estados Unidos, anunciou a empresa que organiza a venda.
O aparelho encontrado no bunker de Hitler tem seu nome gravado, assim como uma suástica com uma águia em cima, símbolo do Terceiro Reich, e foi avaliado entre US$ 200 mil e US$ 300 mil pela casa de leilões Alexander Historical.


A venda, que será realizada em Maryland, incluirá mais de mil objetos e será aberta a compradores de todo o mundo.
Foi levado em conta a "raridade e o aspecto único" do telefone para fixar seu valor, disse à AFP o representante da casa de leilões, Andreas Kornfeld, assegurando que espera que o preço final super a cifra estimada.
Com este telefone, o líder nazista deu a maior parte de suas ordens durante os dois últimos anos da Segunda Guerra Mundial, indicou a Alexander Historical.
"Provavelmente" trata-se da "arma mais destrutiva de todos os tempos, que enviou milhões (de pessoas) para a morte em todo o mundo", comentou a Alexander.
"Foi o aparelho portátil da destruição de Hitler, utilizado em carros, trens e quartéis-generais", explicou a casa de leilões.
Fonte: www.noticias.uol.com.br

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O funcionamento de uma Câmara de gás da Segunda Guerra Mundial.

Nos campos de concentração nazistas, oficiais alemães trancavam prisioneiros em salas que eram infestadas de pesticida. As câmaras não foram o primeiro método de extermínio em massa usado pela Alemanha. Até 1941, oficiais da SS (a polícia militar de Hitler) eliminavam pequenos grupos de prisioneiros em caminhões de transporte, trancando-os em caçambas seladas que recebiam monóxido de carbono do escapamento. A técnica foi adaptada a salas trancadas e logo a fumaça de caminhão foi trocada por pesticida, mais barato e eficiente. A primeira aplicação em humanos rolou em agosto de 1941. As vítimas foram um grupo de prisioneiros russos. Para não serem acusados de crime de guerra, os alemães deixaram de enterrar os corpos em valas comuns e passaram a queimá-los.
por Danilo Cezar Cabral
INDÚSTRIA DA MORTE
O extermínio nas câmaras de gás era rápido, eficiente e não deixava vestígios.
Último banho
Idosos, crianças, pessoas doentes ou com limitações físicas não serviam para o trabalho nos campos de concentração e eram encaminhados para execução. A fim de evitar o pânico, soldados e médicos diziam aos prisioneiros que eles passariam por um banho e receberiam roupas limpas para se juntar a amigos e familiars
Terrível contra os humanos
O Zyklon B era usado principalmente para eliminar piolhos e insetos dos presos. Em Auschwitz, o maior campo de concentração nazista, apenas 5% da remessa do produto era usada nas câmaras de gás. Para não desesperar as vítimas, o veneno foi manipulado quimicamente para não emitir odor Dando um gás Equipamentos para ativação e exaustão do gás eram instalados em salas ao lado das câmaras. O Zyklon era colocado em um compartimento de metal para ser aquecido e gerar vapor. Após 30 minutos de queima, com todos nas câmaras já mortos, os exaustores sugavam o gás, permitindo a retirada dos corpos
Agonia coletiva
As câmaras de Auschwitz comportavam 800 pessoas – se houvesse lotação, quem sobrava era executado a tiros na hora. Quando o veneno começava a fazer efeito, as pessoas se distanciavam das saídas de gás e se amontoavam nas portas. Crianças e idosos eram esmagados por causa do pânico geral
Nuvem letal
O gás venenoso, baseado em cianeto de hidrogênio, interferia na respiração celular, tornando as vítimas carentes de oxigênio. O resultado era morte por sufocamento após crises convulsivas, sangramento e perda das funções fisiológicas. A morte era lenta e dolorida. Em média, da inalação ao óbito, o processo durava 20 minutos
De volta ao pó
Os sonderkommando limpavam as câmaras. Eles verificavam a arcada dentária, em busca de dentes de ouro e objetos de valor, como joias escondidas na boca das vítimas. Depois, queimavam os corpos em fornos gigantes para eliminar qualquer vestígio do processo de extermínio
A arquitetura da destruição
As câmaras, geralmente construídas no subsolo, eram interligadas para facilitar o fluxo e a retirada dos corpos. Os sonderkommando, prisioneiros encarregados de auxiliar no processo de extermínio, ficavam alojados no mesmo piso das câmaras e isolados dos demais trabalhadores
Fontes:
Livros
Five Chimneys: The Story of Auschwitz, de Olga Lengyel; Eyewitness Auschwitz: Three years in the Gas Chambers, de Flip Müller; e Inside de GasChambers: Eight Months in the Sonderkommando of Auschwitz, de Shlomo Venezia.
Site: holocaustresearchproject.org

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

"Mein Kampf poderá ser reeditada em todo o mundo"


Há 68 anos, fracassava o atentado contra Hitler


Obra de Hitler “Minha Luta” cai no domínio público, reedições preocupam Europa

Criado em 01/01/16 17h53 e atualizado em 01/01/16 17h58
Por Agência Lusa
Berlim – A obra panfletária de Adolf Hitler “Mein Kampf” (Minha Luta) poderá a partir de sexta-feira ser livremente reeditada em todo o mundo, uma perspetiva que está a causar preocupação na Europa, 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Hoje, nos termos da legislação alemã, entram no domínio público os direitos de “A Minha Luta”, uma das mais controversas obras da história do Ocidente, o único livro escrito pelo ditador nazi, que o ditou ao seu fiel secretário, Rudolf Hess, em 1923, na prisão de Landsberg, na Baviera, enquanto cumpria uma pena de prisão de cinco anos por traição, após o golpe falhado de Munique.
Tornam-se, assim, propriedade de toda a humanidade, depois de detidos, desde 1945, pelo estado regional da Baviera, ao qual as forças de ocupação norte-americanas entregaram o controlo da principal editora nazi e que durante sete décadas recusou a republicação do manifesto antissemita, por respeito às vítimas dos nazis e para impedir qualquer incitamento ao ódio, embora a posse e a venda da obra não fossem penalizadas pela lei alemã, existindo mesmo exemplares em bibliotecas universitárias.
Em muitos países onde a obra que teoriza a ideologia nacional-socialista e o desejo de eliminação dos judeus já se encontrava disponível, o fim dos direitos de autor não alterará substancialmente a situação.
No Brasil e na Índia, por exemplo, o livro está já há muito tempo amplamente divulgado e, nos países árabes, “Mein Kampf” encontra-se facilmente, ao passo que na Turquia atingiu um novo recorde de popularidade: mais de 30.000 exemplares foram vendidos desde 2004.
Nos Estados Unidos, não é proibido, no Japão existe até uma versão “manga”, e foi igualmente publicado depois do fim do comunismo em alguns países da Europa de Leste.
Está ainda disponível na internet, nomeadamente em sites salafistas que utilizam, na maior parte dos casos, traduções piratas.
Todavia, a entrada da obra fundadora do Terceiro Reich no domínio público constitui, sobretudo na Europa, e particularmente na Alemanha, onde 12,4 milhões de exemplares foram vendidos até 1945, um momento altamente sensível.
“Com o fim dos direitos de autor, é muito grande o perigo de essa porcaria ser ainda mais disponibilizada no mercado”, disse o presidente da comunidade judaica da Alemanha, Josef Schuster, mostrando-se preocupado.
Segundo o responsável, “a obra de propaganda antissemita deveria continuar proibida”.
Iniciou-se um debate para saber se é apropriado reeditar a volumosa obra de 800 páginas, e os candidatos não estão propriamente a atropelar-se.
Tanto na Alemanha quanto em países que estiveram sob ocupação nazi, como a Áustria e a Holanda, continuará a partir de hoje proibida a publicação simples do texto integral, sob pena de acusação judicial por incitamento ao ódio racial.
Em contrapartida, serão agora possíveis na Alemanha reedições de versões comentadas e contextualizadas por historiadores, com objetivos pedagógicos, sete décadas após a derrota dos nazis.
O Instituto de História Contemporânea de Munique (IFZ) será o primeiro a optar por essa via, a 08 de janeiro, apesar do evidente desconforto das autoridades locais, que retiraram um projeto de subsídio.
Por 59 euros, esta edição crítica de 2.000 páginas em dois volumes, na qual investigadores estão a trabalhar desde 2009, colocará à disposição do público alemão a primeira reedição de sempre da obra panfletária do Führer.
A ideia é “desconstruir e contextualizar os escritos de Hitler: Como nasceram as suas teses? Quais eram os seus objetivos? E sobretudo: O que podemos nós contrapor, com os nossos conhecimentos de hoje, às inumeráveis afirmações, mentiras e declarações de intenções de Hitler?”, argumenta o instituto.
Para o jornalista Sven Felix Kellerhoff, autor de um livro sobre a história de “Mein Kampf”, a recusa das autoridades de permitir até agora a publicação desse manifesto do nacional-socialismo como Hitler o entendia contribuiu para fazer dele um mito.
A ministra da Educação alemã, Johanna Wanka, expressou o desejo de que o estudo da versão comentada de Munique seja integrado nos programas escolares “no âmbito da educação política” dos alunos – uma perspetiva que fez com que o presidente do maior sindicato de professores da Alemanha (VBE), Udo Beckmann, se insurgisse, classificando como “errada e completamente exagerada uma leitura obrigatória” do livro.
Por seu lado, Charlotte Knobloch, presidente da comunidade judaica de Munique e do norte da Baviera, advertiu que mesmo esta versão envolve alguns riscos, porque “contém o texto original”, e que “é do interesse de militantes da extrema-direita e islamitas propagarem tais ideias”.
Em França, cairá também um tabu: a editora Fayard tenciona publicar em 2016 uma versão anotada de “Mon Combat”, o título em francês, numa nova tradução.
“É um desastre”, de acordo com o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas (CRIF), Roger Cukierman, a quem preocupa que a obra possa tornar-se “um livro de cabeceira”.
Em Israel, a publicação da obra continua a ser proibida e tabu, e o fim dos direitos de autor não mudará nada.
Murray Greenfield, fundador da editora Gefen Publishing, especializada em História do Judaísmo, é categórico: “Nunca publicaria o livro, mesmo que me pagassem”.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Divulgação de livro: BARBAROSSA

BARBAROSSA
A invasão da União Soviética pela Alemanha nazista em 1941    
   
Em 22 de junho de 1941, os alemães iniciaram a tão esperada invasão da União Soviética. Em código, seu nome era “Operação Barbarossa”, devido a um dos heróis de Hitler, o imperador Frederico Barba-Ruiva (Barbarossa) do Sacro Império Romano, no século XII. O ataque culminou o antigo desejo de Hitler de estender para Leste as fronteiras do Reich.

A luta que se seguiu foi um dos conflitos mais ferozes da história da guerra moderna. As forças alemãs avançaram em três formações: o Grupo de Exércitos Norte foi encarregado de capturar os estados bálticos e Leningrado; o Grupo de Exércitos Centro deveria avançar até Moscou; e o Grupo de Exércitos Sul teria de subjugar a Ucrânia. Em seis dias, a Wehrmacht capturou Riga, Minsk e Lvov, e o Grupo de Exércitos Centro avançou 300 quilômetros pelo interior soviético.

Com relatos em primeira mão de ambos os lados, fotografias vívidas, quadros detalhados e mapas exclusivos do avanço alemão e das ações defensivas soviéticas, Barbarossa é um estudo abrangente da primeira semana dos quatro anos de guerra na frente oriental.



SOBRE O AUTOR: Will Fowler é jornalista, trabalha na área editorial desde 1972 e se especializou em história militar. De 1983 a 1990, cobriu o exército britânico para a revista Defence. Escreveu mais de 15 livros, entre eles Eastern Front: The Unpublished Photographs, D-Day: The First 24
Hours e Stalingrad: The Vital 7 Days. Serviu na 7ª Brigada Blindada britânica na Primeira
Guerra do Golfo (1990-1991). Hoje, mora em Hampshire, na Inglaterra.

Saiba mais em http://www.mbooks.com.br/

sábado, 10 de janeiro de 2015

Neonazismo: os fantasmas de Hitler

Neonazismo: os fantasmas de Hitler - Guia do Estudante

Como a ideologia que prega o ódio renasceu na Europa, o mesmo cenário dos crimes contra a humanidade cometidos na Segunda Guerra – e como ela se espalha até mesmo no Brasil

TEXTO Eduardo Szklarz | 17/10/2014 14h30
O ruído era ensurdecedor. Jovens de camisas negras se aglomeravam na praça fazendo a saudação Heil Hitler! e entoando a Canção de Horst Wessel, o hino nazista. Num bar perto dali, intelectuais vociferavam contra gays, culpavam os estrangeiros pelo desemprego e advertiam sobre a “conspiração judaica” que levou o país à ruína.
A cena bem poderia ter ocorrido na Berlim dos anos 30. Mas aconteceu em 4 de junho passado em Atenas, berço da democracia, durante um ato do partido neonazista grego Aurora Dourada. Em toda a Europa, mas também em outros países, a chaga do nazismo renasceu e vem crescendo. Tal como ocorreu com Hitler e seus asseclas, usam-se as armas da democracia para atacá-la e destruí-la.

Nas eleições de maio para o Parlamento Europeu (PE), o Aurora Dourada elegeu três deputados. “Somos a terceira força política do país”, disse o porta-voz Ilias Kasidiaris, que tem uma suástica tatuada no braço. Grupos de extrema direita festejaram a presença recorde em um parlamento que a maioria delas rejeita. Na Alemanha, o neonazista Partido Nacional Democrático (NPD) conseguiu pela primeira vez um assento no PE. Na Hungria, o fascista Jobbik é a segunda maior legenda. A Frente Nacional, cujo patriarca, Jean-Marie Le Pen, sugeriu o vírus ebola para solucionar o problema da imigração, teve 25% de apoio dos franceses.
O que explica esse fenômeno? Qual foi o momento em que ser nazista/fascista deixou de ser vergonhoso para se tornar aceitável? É o que veremos nesta reportagem.
A fagulha nacionalista
A extrema direita não é um bloco monolítico. Alguns partidos são racistas, xenófobos, outros são contra muçulmanos ou gays. Muitos são tudo isso. Mas há um elemento comum a todos: o nacionalismo. “Nem todo nacionalismo é de direita e muito menos fascista, mas todo movimento nazifascista é nacionalista”, afirma o historiador Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus, superintendente da Fundação Pró-Memória de Indaiatuba, em São Paulo.
Nacionalismos florescem em tempos de crise. Tem sido assim desde o final do século 19, quando russos massacraram milhares de judeus acusando-os pela morte do czar Alexandre II (1818-1881). A onda de perseguições se alastrou pelo Leste Europeu, onde judeus e outras minorias foram culpados pelas mazelas de cada país. Isso porque o nacionalismo não é um mero amor à pátria: é uma defesa ferina da identidade nacional que pressupõe a glorificação de “Nós” e a exclusão dos “Outros”. Por isso desemboca em violência.
Em 28 de junho de 1914, por exemplo, o nacionalista sérvio Gavrilo Princip disparou contra o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro da coroa austro-húngara. E deflagrou a Primeira Guerra. Durante o conflito, o nacionalismo serviu de base para a principal – e mais aterradora – invenção política do século 20: o fascismo. Era um movimento de massas autoritário e populista baseado no anticomunismo, na expansão imperialista e em um Estado policial que controlava a vida pública e privada das pessoas.
O fascista (e socialista na juventude) Benito Mussolini assumiu o poder na Itália em 1922 para logo implantar uma ditadura. “O fascismo reconfigurou as relações entre o indivíduo e o coletivo, de modo que o indivíduo não tinha direito algum fora do interesse da comunidade”, diz o historiador americano Robert Paxton no livro The Anatomy of the Fascism (“A Anatomia do Fascismo”).
Em 1933, o nazismo triunfou na Alemanha agregando um novo ingrediente ao pacote fascista: a raça. Hitler quis purificar a comunidade alemã dos seres considerados “inferiores”, entre eles judeus, homossexuais, eslavos, deficientes físicos e mentais. Segundo o führer, era preciso eliminar esses “bacilos” do corpo da sociedade para assegurar a supremacia ariana. Após a Segunda Guerra, contudo, o nacionalismo deu lugar ao mundo bipolar: EUA x URSS. As superpotências fatiaram o planeta em áreas de influência do capitalismo e do comunismo. Na lógica da Guerra Fria, ser extremista era vergonhoso. Mas não por muito tempo.
Cara nova
“O neonazismo surgiu na Europa entre as correntes de direita mais radicais. De certa forma, foi constituído pelos velhos nazistas que sobreviveram aos expurgos do pós-guerra, principalmente na Alemanha Ocidental”, diz Luiz Dario Ribeiro, professor de História Contemporânea da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
De fato, muitos nazistas convictos ingressaram no serviço público alemão após a guerra e aproveitaram os novos cargos para manter vivas as suas ideias. Foi o caso de Hans Globke, um dos autores das discriminatórias Leis de Nuremberg (1935) e colaborador de Adolf Eichmann, o arquiteto da “Solução Final”. Globke virou assessor do chanceler alemão Konrad Adenauer nos anos 50. Assim, o anticomunismo da Guerra Fria criou condições para que o caráter nazista desses agentes fosse esquecido.
O próximo passo deles foi criar organizações de fachada para incorporar novos membros. O alemão Partido Nacional Democrático (NPD) e o Movimento Social Italiano (MSI), por exemplo, eram agrupamentos nazifascistas que se escondiam atrás de nomes simpáticos. “Os novos membros eram jovens convencidos de que deveria haver uma luta de vida e morte contra os comunistas”, diz Ribeiro.
Nos anos 60, o neonazismo ganhou adeptos com a crise do colonialismo europeu. Grupos como o Occident e o Exército Secreto Francês (OAS) atraíram nacionalistas frustrados pela derrota da França nas guerras de independência da Indochina (1946-54) e da Argélia (1954-62). O OAS perpetrou atentados contra argelinos e tentou até mesmo assassinar o presidente francês Charles de Gaulle por permitir a descolonização.
Pierre Sidos, fundador do Occident, era filho de um membro da Milice – a brigada paramilitar francesa que caçou judeus e membros da Resistência durante a ocupação nazista. Sidos prosseguiu com as ideias do pai, recrutando universitários para combater os manifestantes que pediam reformas no Maio de 68. De Gaulle proibiu o Occident, mas vários de seus membros integraram a Frente Nacional, fundada por Le Pen em 1972.
Os neonazistas também buscaram reabilitar a ideologia de Hitler. E para isso recorreram a uma teoria pseudocientífica, o revisionismo, que acusava os vencedores da guerra de contar a História à sua maneira. O pai do revisionismo foi o historiador francês Paul Rassinier. Ele havia sido prisioneiro político dos nazistas mas começou a defender o Tercero Reich depois da guerra. Ele negava o Holocausto. “Eu estive lá e não havia câmaras de gás”, dizia. De fato. Rassinier esteve em Buchenwald, um campo de concentração situado na Alemanha que realmente não tinha câmaras de gás. Os campos de extermínio ficavam na Polônia ocupada, como em Auschwitz e Treblinka, dotados de câmaras de gás e crematórios. Mas os livros delirantes de Rassinier conquistaram leitores na Europa e foram traduzidos nos EUA pelo historiador Harry Elmer Barnes – outro adepto de teorias da conspiração.
Barnes dizia que os julgamentos de nazistas como Eichmann eram uma tramoia sionista e descrevia os Einsatzgruppen (esquadrões da morte da SS) como “guerrilhas”. Outro revisionista norte-americano, Francis Parker Yockey, tinha ideias ainda mais estranhas. Ele defendia uma união totalitária entre a extrema direita, a URSS e governos árabes para derrotar o “poder judaicoamericano”. Yockey foi preso pelo FBI por fraude, com três passaportes falsos, e se matou na prisão em 1960. Mas seu livro Imperium se tornou objeto de culto dos neonazistas.
Gangues se aliam aos partidos
O nacionalismo sofreu uma metamorfose com a crise do petróleo de 1973. Em meio à recessão europeia, os extremistas adotaram um novo inimigo: o imigrante, sobretudo aquele oriundo das ex-colônias árabes. “A xenofobia atraiu jovens desempregados e sem perspectivas para a extrema direita”, diz Ribeiro.
Foi o caso dos skinheads, uma tribo formada nos anos 60 na Inglaterra por jovens de classe baixa que curtiam ritmos como ska e reggae. Os skinheads originais não eram racistas (muitos eram negros jamaicanos), mas alguns deles atacavam gays e asiáticos. E, na recessão dos anos 70, uma ala do movimento se vinculou ao partido neonazista inglês National Front (NF), que promovia a “superioridade branca”.
“Os partidos de extrema direita precisavam de militância e a encontraram nas gangues”, diz Nóbrega. Gritos de guerra xenófobos entraram para o repertório dos hooligans – torcedores de futebol conhecidos por deixar um rastro de vandalismo e pancadaria. O jornalista americano Bill Buford conviveu durante quatro anos com hooligans do Manchester United, na década de 80, e viu como eles eram facilmente recrutados pelo NF.
Mas nem todos os brutamontes que surravam estrangeiros estavam desempregados. Muitos aderiram à violência xenófoba por pura sede de adrenalina. Foi o caso de Mick, o primeiro hooligan que Buford conheceu. “Ele parecia um eletricista perfeitamente feliz, com um enorme maço de dinheiro no bolso para comprar passagens e ver os jogos”, diz Buford no livro Entre os Vândalos. E, enquanto cooptavam as gangues, os partidos de extrema direita seduziam os eleitores. Em 1984, por exemplo, a Frente Nacional obteve quase 11% dos votos dos franceses e elegeu 10 membros ao Parlamento Europeu. Um deles foi Dominique Chaboche, antigo membro do grupo Occident.
Para recuperar terreno, partidos de esquerda também assumiram o discurso xenófobo e racista. Entre eles o Partido Socialista (PS) francês e o Partido Comunista Italiano (PCI), que acusaram os imigrantes de macular a cultura nacional. O objetivo era frear a debandada de eleitores para a direita. O resultado foi desastroso. Judeus franceses estão arrumando malas para mudar para Israel por medo de perseguição. De janeiro a maio, 2,5 mil franceses emigraram, quatro vez mais que em 2013.
No fim dos anos 80, as células extremistas já haviam erguido uma rede internacional. Ela era articulada pelo alemão Michael Kühnen, o norueguês Erik Blücher e o belga Léon Degrelle, um ex-general de Hitler que vivia na Espanha e liderava o Círculo Espanhol de Amigos da Europa (Cedade). Kühnen revelou que era gay em 1986, quando estava preso por incitar à violência. Após sua morte em decorrência da aids, em 1991, o neonazismo na Alemanha foi levado adiante por Christian Worch.

Nos EUA, a rede cresceu graças a Willis Carto, fundador do Instituto para a Revisão Histórica (IHR) e do extinto Liberty Lobby – que publicava o jornal antissemita Spotlight. Timothy McVeigh, o terrorista que em 1995 detonou um caminhão-bomba em frente a um edifício em Oklahoma City, deixando 168 mortos e 700 feridos, era leitor assíduo do Spotlight. McVeigh colocou anúncios no jornal para vender munição.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Conheça o Museu Anne Frank

 

Conheça o Museu de Amsterdã criado para contar a história de Anne Frank. No site [ www.annefrank.org]  você pode conhecer um pouco da trajetória da, possivelmente, menina mais conhecida do mundo, a qual teve sua vida interrompida pela intolerãncia da ideologia nazista

Acesse também a linha de tempo disponível no site, que de forma dinâmica mostra a vida da família de Anne Frank e seu famoso diário. 

Clique aqui: Linha do tempo

Linha do Tempo

 

Quem é Anne Frank e porque é que ela é tão famosa?

Annelies Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank (Frankfurt am Main, 12 de Junho de 1929 — Bergen-Belsen, Março de 1945), foi uma adolescente alemã de origem judaica, vítima do Holocausto, que morreu aos quinze anos de idade num campo de concentração. Ela tornou-se mundialmente famosa com a publicação póstuma de seu Diário, no qual escrevia as experiências do período em que a sua família se escondeu da perseguição aos judeus dos Países Baixos. O conjunto de relatos, que recebeu o nome de Diário de Anne Frank, foi publicado pela primeira vez em 1947 e é considerado um dos livros mais importantes do século XX.

Embora tenha nascido na cidade alemã de Frankfurt am Main, Anne passou a maior parte da vida em Amsterdã, nos Países Baixos. Sua família se mudou para lá em 1933, ano da ascensão dos nazistas ao poder. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, o território holandês foi ocupado e a política de perseguição do Reich foi estendida à população judaica residente no país. A família de Anne passou a se esconder em julho de 1942, abrigando-se em cômodos secretos de um edifício comercial.

Durante o período no chamado "anexo secreto", Anne escrevia no diário suas intimidades e também o cotidiano das pessoas ao seu redor. E lá permaneceu por dois anos até que, em 1944, um delator desconhecido revelou o esconderijo às autoridades nazistas. O grupo foi, então, levado para campos de concentração. Anne Frank e sua irmã Margot foram transferidas de Auschwitz para o campo de Bergen-Belsen, onde morreram de tifo em março de 1945.

Otto Frank, pai de Anne e único sobrevivente da família, retornou a Amsterdã depois da guerra e teve acesso ao diário da filha. Seus esforços levaram à publicação do material em 1947. O diário, que foi dado a Anne em seu aniversário de 13 anos, narra sua vida de 12 de junho de 1942 até 1 de agosto de 1944. É, atualmente, um dos livros mais traduzidos em todo o mundo

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Pesquisadora quer provar que Hitler morreu no Brasil aos 95 anos

Oficialmente, Adolf Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945 após ingerir cianureto e disparar uma arma contra a própria cabeça. Apesar das inúmeras referências historiográficas que comprovam essa versão, não faltam teorias para contrariá-la. Uma das versões mais célebres é de que o ditador nazista teria fugido para a América do Sul, vindo a se esconder no Brasil.
É esta versão que a pesquisadora brasileira Simoni Renée Guerreiro Dias explora em sua dissertação de mestrado em jornalismo. Da pesquisa surgiu a obra "Hitler no Brasil - sua vida e sua morte", onde Simoni desafia a versão oficial e aponta que Adolf Hitler escapou do bunker de Berlim, no final da Segunda Guerra, e morreu no Brasil, em 1984, aos 95 anos, na cidade de Nossa Senhora do Livramento, a 42 km de Cuiabá. 
A autora acredita que o führer fugiu para a Argentina e depois para o Paraguai antes de se estabelecer no estado brasileiro de Mato Grosso, onde passou a utilizar o nome falso de Adolf Leipzig.
 
A obra ainda destaca outra teoria bizarra: a de que Hitler teria vindo ao país em busca de um tesouro enterrado. Se não bastasse, Hitler teria em mãos um mapa dado a ele por aliados do Vaticano. A teoria bizarra aponta ainda que ele teria tido um relacionamento com uma mulher negra chamada Cutinga, para não chamar a atenção para sua verdadeira identidade.
 
Como ninguém quer acreditar nesta teoria maluca, Simoni planeja usar testes de DNA para mostrar semelhanças entre o material genético de um suposto parente de Hitler que vive em Israel com restos mortais de Adolf Leipzig a partir de seu suposto lugar de descanso final em Nossa Senhora do Livramento. Só que ainda falta-lhe a permissão da Justiça para exumar o corpo.
 
Candido Moreira Rodrigues, professor de história na Universidade Federal de Mato Grosso, disse ao jornal Daily Mail que não há nada de novo em pessoas que se dizem historiadores chegando com teorias mirabolantes sobre a vida de Hitler na América do Sul, já que alguns dos nazistas mais famosos se refugiaram comprovadamente na região depois do fim da guerra, como Adolf Eichmann e Josef Mengele.
 
Isso acontece porque falta qualquer evidência física de sua morte. Ao atirar contra a própria cabeça, seu crânio se espatifou em centenas de fragmentos. Para piorar, os fragmentos encontrados, de acordo com testes de DNA, pertenciam a uma mulher.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Professor recria a Segunda Guerra Mundial em um post do Facebook




Às vezes entender história pode parecer complicado, especialmente para crianças e adolescentes. Afinal, os tempos eram outros, tudo era diferente e é difícil compreender o contexto. O que pode ajudar muito é tentar trazer a história para os dias atuais – e que forma melhor de fazer isso do que com o Facebook? O professor de história Paulo Alexandre Filho (www.historiablog.wordpress.com) fez uma montagem muito legal de como seria a Segunda Guerra Mundial se os países tivessem perfis na rede social.

O post looongo fala sobre todo o momento da disputa e explica direitinho o que aconteceu com cada país e qual foi o seu papel durante a Guerra. Uma das coisas mais legais é visualizar os países conversando com a linguagem coloquial que a gente usa no Facebook. Além das fotos, claro!
Paulo explica que sempre usa coisas do tipo em suas aulas. “Humor sempre fez parte de meu trabalho. Minhas aulas costumam envolver algum tipo de interpretação, de brincadeira orquestrada para chamar a atenção e facilitar a interação com os alunos”, disse ao Globo. [Texto: www.youpix.com.br]

Confira aqui: http://www.failwars.blog.br/tirinhas/segunda-guerra-mundial-segundo-facebook/


quarta-feira, 22 de maio de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Escombros de fazenda no interior de SP revelam passado de admiração ao nazismo


 Os tijolos que hoje se desprendem de uma velha capelinha da fazenda Cruzeiro do Sul, em Buri (SP), servem como pistas para rastrear como um integrante de um abastado clã do Rio de Janeiro transformou sua propriedade num testemunho de admiração ao nazismo nos anos 1930.



Nessa fazenda, os blocos de barro eram feitos com uma suástica estampada.

Fazenda Nazista

José Ricardo Rosa, 55, conhecido como "Tatão" segurando um tijolo com a suástica nazista; após herdar a fazenda Cruzeiro do Sul na cidade de Campina do Monte Alegre ele encontrou por acaso tijolos com o sinal nazista usados na construção
Alguns desses tijolos viraram material para pesquisadores, assim como fotografias de bois marcados a ferro quente com o símbolo nazista, bandeiras e uma série de outros documentos encontrados na propriedade em Buri.
Sérgio Rocha Miranda cuidava da fazenda Cruzeiro do Sul. A propriedade vizinha, a Santa Albertina, ficava sob os cuidados de seu irmão, Oswaldo Rocha Miranda.
Nela, funcionava uma espécie de fazenda-orfanato para 50 meninos mantidos em um regime quase escravo.
Com idades entre 9 e 12 anos, esses garotos (somente dois deles brancos) foram entregues a Oswaldo em 1933 e 1934, após decisão judicial.

Todos haviam sido abandonados no orfanato católico Educandário Romão de Mattos Duarte, no Rio, e foram retirados de lá por Oswaldo com a promessa de terem uma vida melhor, segundo Aloysio Silva, 89, o "menino número 23" da lista de 50.

"Era uma vida diferente da prometida. Era castigo por tudo, trabalhava muito, até de fazer a mão sangrar", conta Aloysio, o número 23.
Os irmãos Maurício e Ângela Miranda, herdeiros da Santa Albertina, contestam a versão de que seus dois tios-avôs fossem nazistas que escravizaram os meninos.
As fazendas, que se espalhavam por área que hoje alcança três municípios, chegaram à família via Luis Rocha Miranda, simpatizante do movimento fascista Ação Integralista Brasileira.
Pai de Sérgio e Oswaldo, Luis comprou as propriedades do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (1794-1857), fundador da PM de São Paulo.
As primeiras marcas da simpatia de Sérgio pelo nazismo foram descobertas em 1997 pelo tropeiro José Ricardo Rosa Maciel, 55, o Tatão. Dono de espessa barba branca, ele narra a descoberta.

"Teve uma briga da porcada, que derrubou a parede do chiqueiro. Quando vi o estrago, achei os tijolos com a marca nazista. Passaram anos me chamando de louco, mas agora tá tudo comprovado pelos estudos do doutor Sidney."

Tatão se refere ao historiador Sidney Aguilar Filho, 45. Em 1998, ele dava aula para a enteada de Tatão quando ela revelou que, na fazenda onde vivia, havia tijolos com aquele "símbolo alemão" das aulas de história.
Sidney investigou por mais de uma década e, em 2011, apresentou sua tese de doutorado na Unicamp sobre a exploração do trabalho e a violência à infância no país no período de 1930 a 1945.
"Por muitos anos, aqueles meninos foram submetidos a um regime de trabalho como se fossem adultos, sem remuneração, sem liberdade de ir e vir e estudando pouco. Mas aquilo era aceito pela sociedade", diz ele.

ANDRÉ CARAMANTE
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE SP


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Veja como era o cotidiano do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial


No caminho para a Europa, havia Natal. Nunca antes a cidade tinha recebido tantos turistas. Rapazes brancos que em poucos dias ficavam cor de laranja sob o sol, o que não espantava as moças da cidade. Elas cercavam os GIs para conhecer as novidades, inéditas na história do país. Whisky, Coca-Cola, Lucky Strike, foxtrot e bombardeiros de 16 toneladas.
Ilustração: Felipe Massafera

Cotovelo geográfico

Hoje, quem anda pela orla em Natal chega a Miami. A praia de Miami, assim batizada graças a quem a frequentava 70 anos atrás. No auge da Segunda Guerra, tomar sol em Miami, Rio Grande do Norte, era um dos passatempos dos 10 mil soldados americanos que, entre 1942 e 1945, operavam as bases militares mais importantes dos aliados no Hemisfério Sul - o Campo de Parnamirim e a Base Naval de Hidroaviões.

Espécie de cotovelo entre a América e a África, o Nordeste brasileiro era considerado pelos americanos um dos pontos mais estratégicos do mundo. Os aviões militares, que partiam da Miami original, nos EUA, faziam escala em Porto Rico, Trinidad e Belém - para depois partirem rumo a Senegal, Togo e Libéria e daí à Europa, levando carga ou os próprios bombardeiros, como as fortalezas voadoras B-17 e B-24. Parnamirim virou o aeroporto mais congestionado do mundo, com até 800 pousos e decolagens por dia. "Antes pacata e tranquila, a vida noturna de Natal alterava-se profundamente: era agora agitada e trepidante; bares e boates surgiam da noite para o dia", escreve o jornalista Murilo Melo Filho em seu livro de memórias, Testemunho Político. A americanização logo chegou aos trajes. Os homens abandonaram os ternos e as calças de risca-de-giz e passaram a vestir roupas cáqui de inspiração militar. As calças de brim azul, usadas nas horas vagas por recrutas americanos, chegaram ao Brasil via Natal - embora só fossem se espalhar pelo país na década de 50. As moças - que antes só passeavam na companhia de pais e irmãos, vestidas com saias rodadas - agora andavam sozinhas, de calças compridas, mascando chicletes, o sinal inconfundível da modernidade.

Além dos soldados, Natal recebeu estrelas do showbiz, enviadas pelo governo dos EUA para levantar o moral das tropas. Humphrey Bogart veio animar a estreia de Casablanca no teatro da base, em 1942. A orquestra de Glenn Miller tocou no Cine Rex. Nos prédios das bases militares, sucediam-se festas onde os combatentes americanos se misturavam aos jovens - e, principalmente, às jovens - natalenses.

Além de cortejar as moças de família, os americanos eram frequentadores de prostíbulos como o Wonder Bar, a Casa da Maria Boa, a Pensão Estela e o Bar Ideal. (Para controlar as doenças venéreas, os médicos do exército passaram a examinar as moças da zona de meretrício e as garotas saudáveis ganharam atestados chamados love cards.) Em Natal, mais do que em qualquer outro lugar das Américas, a política da boa vizinhança era um tremendo sucesso.

A Política de Boa Vizinhança do presidente americano Franklin Roosevelt era uma doutrina para toda a América Latina, visando combater o antiamericanismo e as simpatias pelo Eixo por meio de trocas culturais patrocinadas pelo Estado. Quando o Brasil entrou na guerra do lado aliado, em 22 de agosto de 1942, assumiu mais que um compromisso militar. Os americanos deixavam de ser figuras de cinema para se tornarem presenças físicas. Os brasileiros, antes só exóticos, viraram exóticas figuras de cinema.

-O que é isso, senhora Miranda?

-Um reco-reco.

-Reco... reco? - a voz poderosa vinha em fortíssimo sotaque americano.

-Sim. E isto é um pandeiro.

-Pandeiro?

-Sim, um pandeiro. Algo errado, mister Welles?

-Nada. É que às vezes fico meio confuso.


Era 15 de novembro de 1942 e o diálogo ocorria em um estúdio no Rio de Janeiro, transmitido diretamente à radio CBS dos EUA. Ao redor do microfone estavam Orson Welles - a voz mais famosa do país, graças à transmissão de A Guerra dos Mundos, em 1938, e que havia acabado de estrear no cinema com Cidadão Kane - e Carmem Miranda, que na época já era uma estrela de Hollywood. Ela tinha migrado aos EUA meses antes da guerra - quando o conflito começou, havia estourado na Broadway com o musical Streets of Paris, cantando Mamãe Eu Quero. Lá, ganhara o apelido de brazilian bombshell. Carmen era a encarnação da política de boa vizinhança: em 1940, se apresentou na Casa Branca e no mesmo ano foi eleita a terceira personalidade mais popular de Nova York.

Nas dezenas de filmes dos quais participou em Hollywood, Carmem se tornaria um estereótipo não só do Brasil mas também de toda a América Latina. Já Welles havia sido enviado para cá com a incumbência de gravar um documentário sobre o país - encomenda do Office of Interamerican Affairs. Welles virou figura folclórica nas noites cariocas: acompanhado de tipos como Grande Otelo, tomava proverbiais bebedeiras de cachaça, colecionava amantes e discorria sobre as origens comuns do jazz e do samba para extasiados convivas em bares e boates.

O Office havia enviado ao Brasil outro personagem ilustre: Walt Disney. O Rio de Janeiro foi a principal parada em uma viagem pela América Latina, no início de 1941 - uma espécie de pesquisa de campo para um filme de propaganda da amizade continental. Disney instalou seu QG no Copacabana Palace e cercou-se de artistas locais para sentir o clima. Com a ajuda de cartunistas brasileiros como J. Carlos e Luiz Sá, criou o maior sucesso da Disney no Brasil: Zé Carioca. Aliás, não criou: encontrou. Na comitiva brasileira estava o músico José do Patrocínio Oliveira, paulista de Jundiaí. Como membro do Bando da Lua, a banda de Carmem Miranda, viveu nos EUA, onde aprendeu inglês. Foi assim, sendo ele mesmo, que interpretou o papagaio Zé Carioca na animação Alô, Amigos, de 1942. Pois é, Zé Carioca era paulista. O personagem ainda é publicado no Brasil, enquanto ninguém se lembra mais dele no exterior.

A missão de Welles não foi tão bem-sucedida: em vez de gravar loas ao governo Vargas - conforme a encomenda -, ele registrou a vida nos cortiços cariocas e de tecelões e pescadores pobres no Nordeste. Os rolos acabaram confiscados. As imagens do documentário ainda existem, mas nunca foram montadas.O filme se chamaria: It's All True (É tudo verdade).

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Discurso final do filme: "O Grande Ditador"

Charles Chaplin em "O grande ditador"

"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos
 outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. 
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. 
A aviação e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, a união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora. Milhões de desesperados: homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá. 
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão. Não sois máquina. Homens é que sois. E com o amor da humanidade em vossas almas. Não odieis. Só odeiam os que não se fazem amar, os que não se fazem amar e os inumanos. 
Soldados! Não batalheis pela escravidão. Lutai pela liberdade. No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas de todos os homens. Está em vós. Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas; o poder de criar felicidade. Vós o povo tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo, um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. 
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam. Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão. Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos. 
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos. Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam. Estamos saindo da treva para a luz. Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah. A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah. Ergue os olhos."


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O destino dos negros na Alemanha nazista.


Pouco se sabe sobre a pequena comunidade negra que viveu na Alemanha na época do Terceiro Reich. A Deutsche Welle lança um olhar sobre suas estratégias de sobrevivência durante o regime opressor de Hitler.
Entre 20 mil e 25 mil negros viviam na Alemanha durante o regime nazista. Quando questionados sobre os negros no Terceiro Reich, os alemães costumam falar sobre a mostra Afrika Schau. Em seu livro Hitler's Black Victims (As vítimas negras de Hitler, em tradução literal), o pesquisador norte-americano Clarence Lusane descreve Afrika Schau como uma mostra itinerante iniciada em 1936.
Os responsáveis pelo "show" eram Juliette Tipner, cuja mãe era da Libéria, e seu marido branco, Adolph Hillerkus. O objetivo do "espetáculo" era mostrar a cultura africana na Alemanha.
Em 1940, a Afrika Schau foi retomada pela SS e por Joseph Goebbels, que "esperava que isso fosse útil não só para propaganda e fins ideológicos, mas também como maneira de reunir todos os negros no país sob um mesmo teto", escreve Lusane. Para seus participantes, a Afrika Schau tornou-se um meio de sobrevivência na Alemanha nazista.
Negro em prisão nazista
Para a historiadora norte-americana Tina Campt, cuja pesquisa trata da diáspora africana na Alemanha, "era possível que os negros nela envolvidos a usassem para fins não previstos por quem a organizou. Se por um lado a Afrika Schau desumanizou pessoas, por outro lado, para os participantes, era uma oportunidade de ganhar dinheiro, como também um local para se comunicar com outros negros".
Contudo, o show não teve sucesso e foi encerrado em 1941. Além disso, ele não tinha condições de reunir todos os negros no país sob um pavilhão, possivelmente porque ele só aceitava negros de pele mais escura, segundo o estereótipo do que era considerado africano.
Os "bastardos da Renânia"
A maioria dos negros de pele mais clara que vivia na Alemanha durante o Terceiro Reich era formada por mestiços, e um bom número deles eram filhos dos soldados franceses negros das tropas de ocupação com mulheres da Renânia.
A existência dessas crianças é e continua sendo de conhecimento público, porque elas foram mencionadas no livro Minha Luta, de Hitler. Na Alemanha nazista, eles foram descritos com o termo depreciativo "bastardos da Renânia".
A Deutsche Welle conversou com o historiador alemão Reiner Pommerin para descobrir o que aconteceu com estas crianças. "Publiquei um livro nos anos 1970 sobre a esterilização dos mestiços. Foram crianças geradas pelas forças de ocupação – principalmente as francesas", disse.
Seu livro Esterilização dos bastardos da Renânia. O destino de uma minoria negra alemã 1918 - 1937enfoca a esterilização da minoria negra na Alemanha nazista.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Hitler usava cocaína e tomava injeções de sêmen


Adolf Hitler soltava gases de forma incontrolável, usava cocaína para descongestionar o nariz, ingeria cerca de 28 drogas ao mesmo tempo e tomava injeções de sêmen de búfalo para melhorar seu desempenho sexual.
Crédito da foto: Photos.com
As revelações surpreendentes estão nos prontuários médicos de Hitler, cujos itens serão leiloados pela casa Alexander Historical Auctions de Stamford, Connecticut.
O material inclui dez radiografias de vários ângulos do crânio do ditador, os resultados de vários eletroencefalogramas (EEG) e desenhos do interior de seu nariz. Também constam um documento de 47 páginas, reunindo relatórios elaborados por seis psiquiatras, cada um especializado em um tipo de tratamento, e um relatório de 178 páginas datado de 12 de junho de 1945, escrito pelo Dr. Erwin Giesing enquanto permaneceu detido por forças americanas.
O exército americano disponibilizou os relatórios fornecidos pelos médicos pessoais de Hitler, afirmou Bill Panagopulos, presidente da Alexander Autographs, ao New York Daily News.
Embora nenhum documento oficial mencione o fraco de Hitler por cocaína, Giesing escreveu que o ditador inalava a droga para “limpar as cavidades nasais” e “aliviar” a garganta. Quando começou a se viciar na droga, sua dosagem teve que ser reduzida, escreveu Giesing.
Os documentos revelam outro aspecto constrangedor da vida de Hitler: o Führer "sofria de flatulência incontrolável".
Para tentar controlar a doença, ele ingeria regularmente um coquetel de 28 drogas, incluindo comprimidos contra gases à base de estricnina, um veneno que pode ter causado danos a seu estômago e fígado.
Um dos médicos, Theodore Morrell, relatou que o ditador tomava injeções de extratos das vesículas seminais, testículos e próstata de búfalos jovens.
Segundo um dos documentos, "Morrell acreditava que Hitler, embora não se demonstrasse nenhuma tendência à atividade sexual, mantinha relações com Eva Braun. No entanto, eles dormiam em camas separadas”.
Cada histórico médico deve ser vendidos por no mínimo 2 mil dólares.

Fonte: Discovery

domingo, 15 de julho de 2012

Criminoso nazista mais procurado pode ter sido achado na Hungria

Grupo israelense acredita ter localizado Laszlo Csatary em Budapeste.
Húngaro, 95, teria ajudado a deportar 15.700 judeus para Auschwitz.


O criminoso de guerra nazista mais procurado do mundo atualmente, Laszlo Csatary, pode ter sido encontrado em Budapeste, capital da Hungria, segundo o Centro Weisenthal. A notícia foi trazida pelo jornal inglês "The Sun", que diz ter localizado o acusado.
O húngaro Csatary, de 97 anos, é acusado de ter ajudado a organizar a deportação de 15.700 judeus para o campo de concentração de Auschwitz a partir da cidade eslovaca de Kosice, que então era parte da Hungria, em 1944.

"Confirmo que Laszlo Csatary foi identificado em Budapeste", declarou à AFP Efraim Zuroff, do Centro Wisenthal. "O 'The Sun' pôde fotografá-lo e filmá-lo graças a informações que fornecemos em setembro de 2011", acrescentou.
"Há 10 meses, um informante nos deu elementos que nos permitiram localizar Laszlo Csatary em Budapeste. Este informante recebeu 25 mil dólares que prometemos em troca de informações que permitam encontrar criminosos nazistas", disse Zuroff.
As informações sobre o paradeiro de Csatary foram enviadas em setembro de 2011 à promotoria da capital húngara. O vice-procurador de Budapeste, Jeno Varga, não confirmou a informação, limitando-se a declarar que "existe uma investigação em andamento. A promotoria está estudando as informações recebidas."
Em abril, o Centro Wiesenthal colocou Csatary no topo da lista dos criminosos de guerra mais procurados do mundo. Csatary foi condenado à morte à revelia em 1948, por um tribunal tcheco, mas desapareceu misteriosamente após se esconder nas cidades canadenses de Montreal e Toronto. Posteriormente, com uma identidade falsa, dedicou-se a comercializar objetos de arte.
Há cerca de 15 anos, autoridades canadenses descobriram a verdadeira identidade de Csatary, e, por isso, ele voltou a desaparecer, desta vez escondendo-se na Hungria, segundo Zuroff.
As autoridades russas afirmaram que estão coletando informações sobre o caso.

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