" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

terça-feira, 1 de junho de 2021

Conhecimento ancestral

Comunidade quilombola preserva farmácia centenária com plantas do Cerrado...

Aline Takashima

Colaboração para Ecoa, em Florianópolis (SC)

01/06/2021 06h00

Lucely Morais Pio tinha 5 anos quando acompanhou a sua avó Maria Bárbara de Morais nas matas do Cerrado pela primeira vez. De mãos dadas, elas identificavam as cascas, as folhas e raízes na savana mais biodiversa do mundo. "As plantas se revelam para nós", sussurrava a avó parteira, benzedeira e raizeira.

Bárbara viveu até os 103 anos e deixou como legado a sabedoria tradicional de plantas que curam. Hoje, aos 57 anos, a neta Lucely ensina e luta pela preservação dos conhecimentos medicinais do seu povo em Goiás, na Comunidade Quilombola do Cedro.

Cada uma das 37 famílias do quilombo possui uma horta com ervas como douradinha, barbatimão e velame-branco. Muitas delas são desconhecidas para quem não é da região. Mas, para a maioria dos 143 moradores da comunidade, são velhas companheiras. Eles sabem quais sementes e cascas aliviam as dores e quais misturas de plantas se transformam em remédios para doenças como sinusite, rinite alérgica e infecções.

Assim como Lucely, os moradores do quilombo aprenderam sobre o poder das plantas com os seus pais e avós. São centenas de anos observando a natureza e compreendendo os princípios de cada planta.

Tudo começou na década de 1880. Naquela época, o tataravô de Lucely, o ex-escravizado Chico Moleque, finalmente conseguiu comprar a sua alforria e da sua família, a esposa Rufina e a filha Benedita.

Eles saíram de Minas Gerais, onde moravam, e se embrenharam nas matas de Goiás. Se instalaram na curva do Rio Verde, em uma área no sudoeste do estado, a 420 km da capital Goiânia (GO). O casal criou os dez filhos e, aos poucos, recebeu outros escravizados que fugiam de fazendas próximas. E, assim, formaram a comunidade quilombola.

Leia mais em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/06/01/comunidade-quilombola-preserva-farmacia-centenaria-com-plantas-do-cerrado.htm

Instrumentos usados para medição do tempo

O tempo é uma convenção humana, pelo  menos a forma de contá-lo com certeza foi inventada pelo homem. Durante a História o homem criou variados instrumentos e formas de medir o tempo, utilizando-se desde a sombra que a posição da luz solar emitia em algum objeto na superfície terrestre para se localizar em qual fase do dia ele estava, até o relógio atômico que mede as trocas de energias no interior do átomo, sendo o mais precisa forma de  medir o tempo já criada pela mente humana. Veja alguns instrumentos usados pelo homem através dos tempos para medir o próprio tempo.

O relógio de sol é o mais antigo instrumento de medição do tempo, foi inventado há pelo menos 3.500 anos. Nele, as horas são indicadas pela sombra que o gnômon ( objeto que, pela direção ou comprimento de sua sombra, indica a hora do dia numa superfície horizontal.) faz na superfície do relógio. Essa sombra se move conforme a Terra gira em torno do Sol, mostrando a passagem do tempo.

Ampulheta
O relógio de areia, também conhecido como ampulheta, é um instrumento constituído de dois recipientes em forma de cone que estão interligados por uma pequena passagem. O relógio de areia marca o tempo pela passagem da areia do recipiente de cima para baixo.

Clepsidra
O relógio de água, também é conhecido como clepsidra, é formado por dois recipientes, colocados em níveis diferentes, sendo uma na parte superior, contendo a água, e o outro na parte inferior, com a marcação das horas na parte interna. Por meio de uma abertura no recipiente de cima, o líquido escorre, gradualmente, para o de baixo, ou seja, utilizando-se da força da gravidade. Elas eram utilizadas principalmente durante a noite, quando não era possível se basear no horário pelo sol. A clepsidra mais antiga foi encontrada no Egito. 

Por volta de 1504, Peter Henlein, na cidade de Nuremberga, fabricou o primeiro relógio de bolso, denominado pela forma, tamanho e procedência, de Ovo de Nuremberga.
Relógio de bolso
Era todo de ferro, com corda para quanta horas e precursor da "Mola Espiral", utilizando-se do pêlo de porco; constituía-se de um indicador e de um complexo mecanismo para badalar.
Foi sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa, desenvolvendo-se de maneira vertiginosa à indústria relojeira.


Relógio de pêndulo
O relógio de Pêndulo foi criado no ano de 1656. Utiliza pesos para fornecer a energia necessária para mover os ponteiros. A partir e do século XX, este instrumento foi superado em precisão pelo relógio de quartzo e depois pelo relógio atômico, mas continua a ter certo emprego pelo seu valor estético e artístico. A regularidade no movimento de um pêndulo foi estudada por Galileu Galilei no século XVI, mas a invenção do relógio de pêndulo é atribuída ao holandês Christiaan Huygens.


relógio de pulso foi inventado pela empresa Patek Philippe no fim do século XIX, embora costume-se atribuir, erroneamente, a Santos Dumont os louros da invenção desta modalidade de relógio.
Relógio de pulso
De facto, a Princesa Isabel, então exilada na França, deu-lhe uma medalha de São João Batista. Preocupado que o uso da medalha no pescoço pudesse machucá-lo, Santos Dumont colocou-a no pulso. Então teve a ideia de amarrar um relógio no pulso para controlar melhor os seus tempos de voo  Não se sabe ao certo, mas outro motivo seria que durante os voos, ele teria dificuldade de tirar o relógio do bolso. Santos Dumont encomendou então a seu amigo joalheiro, Louis Cartier, um relógio que ficasse preso ao pulso, para que ele pudesse cronometrar melhor as suas experiências aéreas.
Em março de 1904 Cartier apresentou o que é considerado erroneamente o primeiro relógio de pulso do mundo, batizado de Santos, com pulseira de couro. No entanto, os relógios de pulso já eram conhecidos e usados anteriormente. O que acontecia é que eram adereços essencialmente femininos e eram geralmente feitos sob encomenda. Na verdade, a Santos Dumont coube a popularização do relógio de pulso entre os homens. A Primeira Guerra Mundial foi o marco definitivo no uso do relógio de pulso, já que os soldados precisavam de uma forma prática de saber as horas.
Relógio digital

O relógio digital foi criado mais recentemente, na década de 1970. Para funcionar, o relógio digital utiliza a energia elétrica, geralmente de uma bateria. O relógio digital é pequeno, preciso e relativamente barato, por isso tornou-se popular. Hoje está integrado a outros equipamentos eletrônicos, como aparelho de som, forno de microondas, telefone celular, etc.


Relógio atômico
O Relógio Atômico foi criado em 1955. Seu funcionamento depende das propriedades do átomo. Desde 1967, a definição internacional do tempo baseia-se num relógio atômico, assim como os relógios, satélites e aparelhos de última geração. o Relógio Atômico é o mais preciso de todos que existem atualmente. Ele mede as diminutas trocas de energia do interior dos átomos do metal Césio. Por serem muito regulares, as trocas criam um padrão preciso para medir o tempo. O Relógio Atômico mede as vibrações naturais dos átomos de Césio. Eles vibram mais de 9 bilhões de vezes por segundo, com isso, o Relógio Atômico atrasará poucos segundos a cada 100.000 anos.

Pensantes...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Minas Gerais - 300 anos


Hino popular de Minas Gerais


Oh! Minas Gerais
Oh! Minas Gerais
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais

Tuas Terras que são altaneiras
O seu céu é do puro anil
És bonita oh terra mineira
Esperança do nosso Brasil

Tua lua é a mais prateada
Que ilumina o nosso torrão
És formosa oh terra encantada
És orgulho da nossa nação

Oh! Minas Gerais
Oh! Minas Gerais
Quem te conhece
Não esquece jamais

Oh! Minas Gerais

Teus regatos a enfeitam de ouro
Os teus rios carreiam diamantes
Que faiscam estrelas de aurora
Entre matas e penhas gigantes

Tuas Montanhas são preitos de ferro
Que se erguem da pátria alcantil
Nos teus ares suspiram serestas
És altar deste imenso Brasil

Oh! Minas Gerais
Oh! Minas Gerais
Quem te conhece
Não esqueces jamais
Oh! Minas Gerais.


 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Estátua milenar do deus Hermes é encontrada em esgoto em Atenas

 



Trabalhadores de Atenas, capital da Grécia, encontraram a cabeça de uma estátua de mármore de Hermes, deus grego dos viajantes e mensageiro dos deuses do Olimpo, enquanto escavavam a região para aperfeiçoar o sistema de esgoto local. 

De acordo com o governo, a obra de arte teria sido esculpida entre os séculos IV e III antes de Cristo. Comunicados oficiais afirmam que a obra está em boas condições. 




sábado, 14 de novembro de 2020

Múmias enterradas há 2.500 anos são descobertos no Egito


O Egito revelou neste sábado (14) a descoberta de uma centena de sarcófagos com cerca de 2.500 anos em perfeitas condições, descobertos na necrópole de Saqqara, ao sul do Cairo, o maior "tesouro" descoberto no país desde o início de 2020. Os caixões de madeira lacrados, revelados durante uma cerimônia, pertenceram a altos funcionários do período superior (entre 700 e 300 aC) e do período ptolomaico (323 a 30 aC).... 

Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2020/11/14/egito-anuncia-descoberta-de-mais-de-cem-sarcofagos-intactos-de-25-mil-anos.htm?uol_app=uolnoticias&cmpid=copiaecola&fbclid=IwAR2nTZqtWsF1IJdIbzAfhpq_n7Db69j8nX4t95gZO5ipwY4C-Ha_aSrjQ8c&cmpid=copiaecola

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

domingo, 25 de outubro de 2020

Regras de "como ganhar uma eleição"

No ano de 64 a.C., Marcus Tullius Cícero, advogado; orador; filósofo; escritor e político romano, concorreu ao posto de Cônsul romano, o cargo político mais importante da vida pública romana. Cícero não pertencia à uma família aristocrática  como a maioria daqueles que dirigiam os destinos de Roma, mesmo assim, Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Quintus Tullius, irmão mais novo de Cícero, e também general e político de Roma, produziu algumas recomendações para o seu irmão candidato, esperando assim auxiliá-lo na conquista do almejado cargo. 

Marcus Tullius venceu a eleição, acredita-se que as recomendações de Quintus Tullius  para a campanha de seu irmão podem realmente tê-lo beneficiado no intento da vitória. Mas existe algo inquestionável nestes eventos, a preocupação com a moral e a ética não faziam parte desta carta de conselhos,  ou seja, o político tornaria-se um demagogo (no conceito atual: Quem se comporta de maneira interesseira e ambiciosa, visando a manipulação dos interesses populares, através do discurso. ). Mesmo sendo uma cartilha de instruções para um político de dois milênios atrás, as recomendações de Quintus Tullius parecem  ser um livro de cabeceira dos nossos políticos contemporâneos, assim como foi daqueles que já se foram e provavelmente como será daqueles que virão, ou de pelo menos da maioria deles. 

Podendo ser encontrada no livro "Como ganhar uma eleição", segue abaixo uma pequena mas expressiva, pragmática e atemporal lista de conselhos práticos para administrar uma campanha e vencer uma eleição. Recomendado para "políticos profissionais" e para aqueles que observam e acompanham a vida política de nossa sociedade, que na verdade deveria ser para todos os cidadãos.  

 Assegure-se de que você conta com o apoio de sua família e dos amigos.
A lealdade começa em casa. Se sua esposa e filhos não estão ao seu lado, não somente você terá muita dificuldade de vencer mas isso parecerá ruim aos eleitores. Os rumores mais destrutivos sobre um candidato começam entre os mais próximos dele. 

Fique rodeado de pessoas certas.
Crie uma assessoria talentosa na qual possa confiar. Você não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Assim, escolha aqueles que possam representá-lo como se eles estivessem tentando ser eleitos por eles mesmos. 

Cobre todos os favores.
É hora de gentilmente (ou não) lembrar a todos os que você ajudou que lhe devem um favor. Se alguém não lhe dever nada, lembre-lhe de que seu apoio agora vai colocar você em dívida para com ele no futuro. E, como candidato eleito, você estará bem colocado para ajudá-lo quando ele precisar. 

Construa uma grande base de apoio.
Apele primariamente aos tradicionais agentes do poder, tanto no senado como na comunidade empresarial rica – uma tarefa nada fácil, dado que tais grupos geralmente estão em briga entre si. Se você for alguém de fora no jogo político, avance mais e prevaleça sobre os interesses particulares dos vários grupos, das organizações locais e das populações rurais ignoradas pelos outros candidatos. Eleitores jovens devem ser igualmente cortejados, junto com qualquer um que possa ser utilizado. 
Mesmo pessoas não muito recomendáveis devem se tornar amigas mais próximas durante a campanha, desde que possam ajudá-lo a ser eleito. Restringir a base de apoio garante o fracasso. 

Prometa tudo para todos. 
Exceto nos casos mais extremos, o candidato deve dizer tudo aquilo que as massas queiram ouvir naquele dia. Diga aos tradicionalistas que você tem consistentemente apoiado seus valores. Diga aos progressistas que você sempre esteve ao seu lado. Depois da eleição, você pode explicar a cada um que você adoraria ajudá-lo, mas que infelizmente surgiram fatores fora do seu controle. Os eleitores ficarão muito mais zangados se você não fizer as promessas que eles querem ouvir, do que se depois você recuar e não cumpri-las. 

A habilidade na comunicação é a chave do sucesso. 
Na Roma antiga, a arte de falar em público era estudada cuidadosamente por todos aqueles que aspirassem uma carreira política. Na mídia de hoje, um comunicador ruim tem poucas chances de vencer uma eleição. 

Não se afaste do eleitor. 
Fique pressionando os eleitores o tempo todo, sem descanso. Não existem ausências para candidatos decididos. Deixe para tirar férias depois da vitória. 

Conheça as fraquezas dos seus opositores – e as explore.
Todos os candidatos devem fazer um inventário honesto das vulnerabilidades e forças de seus rivais. Os vitoriosos distraem os eleitores sobre qualquer aspecto positivo de seus oponentes, enfatizando os negativos. Rumores de corrupção são o alimento básico. Escândalos sexuais são ainda melhores. 

Bajule os eleitores desavergonhadamente.
Agite os eleitores. Olhe-os de frente, dê um tapinha nas costas e diga-lhes que são importantes. Faça com que acreditem que você está verdadeiramente preocupado com eles. 

Dê esperanças aos eleitores.
Mesmo os eleitores mais cínicos precisam acreditar em alguém. Dê ao povo uma sensação de que você pode tornar o mundo melhor e que ele se tornará seu mais devotado seguidor – pelo menos até terminar a eleição, quando então você inevitavelmente o deixará para trás. Mas então isso não mais importará, porque você já terá vencido.

Acesse também: http://migre.me/lqSN1

Baseado no Livro: "How to Win an Election – An Ancient Guide for Modern Politicians" - Tradução de Philip Freeman, Princepton University Press  

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Parabéns Professores pelo seu dia!

 


Verdades da Profissão de Professor

" Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
Paulo Freire

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Discurso de posse de Nelson Madela


Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.

É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?

Na realidade, quem é você para não ser? Você é filho do Universo. Se fazer pequeno não ajuda o mundo. Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós. E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, libera os outros."

Do discurso de posse na presidência da República na África do Sul, 1994

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Dia do Historiador

 

Publicada lei que regulamenta a profissão de historiador

 


O Diário Oficial da União publicou, nesta terça-feira (18), a Lei 14.038, de 2020, que regulamenta a profissão de historiador. Pelo texto, poderá ser historiador quem tem diploma de curso superior, mestrado ou doutorado em história; diploma de mestrado ou doutorado obtido em programa de pós-graduação reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com linha de pesquisa dedicada a história; e profissionais diplomados em outras áreas que comprovarem ter exercido a profissão por mais de cinco anos a contar do dia 17 de agosto, data de promulgação da lei.                            

A regulamentação da profissão só foi possível porque o Congresso derrubou o veto total (VET 10/2020) ao projeto original (PLS 368/2019) na sessão do último dia 12. O Ministério da Economia e a Advocacia-Geral da União recomendaram o veto por acreditar que o projeto, ao disciplinar a profissão de historiador com a imposição de requisitos e condicionantes, restringia “o livre exercício profissional” e feria o princípio constitucional que determina ser livre “a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.


Atribuições

Entre as atribuições dos historiadores, o texto prevê o magistério da disciplina de história nas escolas de ensino fundamental e médio, desde que cumprida a exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394, de 1996) quanto à obrigatoriedade da licenciatura.

O profissional poderá ainda planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica; assessorar, organizar, implantar e dirigir serviços de documentação e informação histórica; e elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Registro

Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, o projeto exige registro profissional junto à autoridade trabalhista competente. Já as entidades que prestam serviços em história deverão manter historiadores legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços.

O projeto que originou a lei é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). Foi modificado pela Câmara, que introduziu a previsão de que o exercício da profissão de historiador deixará de ser privativo dos historiadores para se tornar apenas “assegurado” a esses profissionais, eliminando a possibilidade de reserva de mercado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

quarta-feira, 15 de julho de 2020

V Café Filosófico - "Vidas NEGRAS importam"

A Escola Altivo Leopoldino de Souza realiza a quinta edição de seu Café Filosófico. O evento acontece desde 2016 e, por conta da pandemia de Covid-19, a edição desse ano será on-line. Dessa vez o tema é “Vidas Negras Importam: Onde você guarda seu racismo?” e a programação acontecerá entre os dias 20 e 24 de julho.
“A escolha desse tema se dá em um contexto importante, onde o impacto da pandemia do novo coronavírus é muito maior sobre a população negra e pobre do Brasil, somando tudo isso a crescente violência policial contra jovens negros no nosso país e nos Estados Unidos.”, explica o professor Gilberto Junior, um dos organizadores do evento. “As pessoas podem até dizer, ‘mas todas as vidas importam’, isso é verdade! Mas não se pode negar que o racismo é estrutural em nossa sociedade e os negros tem tido suas vidas tratadas como descartáveis, por isso exige que nós nos posicionemos firmemente em defesa delas”, completa.
A organização vai disponibilizar a exibição Ao Vivo das rodas de conversa através do canal da escola no YouTube e, simultaneamente, pelo Facebook. Quem quiser poderá solicitar e receber certificação. Todas elas contam com especialistas na área e serão mediadas por professores da instituição.

Para mais informações sobre o evento, acesse o site https://sites.google.com/view/escolaaltivo/

Fonte: https://www.portalesperafeliz.com.br/noticias/v-cafe-filosofico-da-e-e-altivo-leopoldino-de-souza/








quarta-feira, 24 de junho de 2020

POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA?

Para responder esta pergunta, a primeira frase que me ocorre é a resposta clássica dada pelo grande Marc Bloch a seu neto, quando o menino lhe perguntou para que servia a História e ele disse que, pelo menos, servia para divertir. Após 45 anos de vida profissional efetiva, como pesquisadora durante seis anos e, desde então – 39 anos – também como docente do ensino universitário, considero que a diversão é essencial, entendida no sentido de prazer pessoal: a melhor coisa do mundo é fazer algo que gostamos de fato, e eu sempre adorei História, sempre foi minha matéria preferida na escola, junto com as línguas em geral.
Mas a História é, tenho certeza disso, uma forma de conhecimento essencial para a compreensão de tudo quanto diz respeito ao que somos, aos homens. Os humanistas do renascimento diziam que tudo o que era humano lhes interessava. A História é a essência de um conhecimento secularizado, toda reflexão sobre o destino humano passa, de uma forma ou de outra, pela História. Sociologia, Antropologia, Psicologia, Política, Filosofia, Economia, todas essas disciplinas têm de se reportar à História incessantemente, e com tal intensidade que o historiador francês Paul Veyne afirmou, com boa dose de provocação, que como tudo era História, a História não existia (em Como escrever a História). Quando os homens da primeira Época Moderna começaram a enfrentar para valer a questão de uma História secular, que pudesse reconstruir o passado humano independente da história da criação – dos livros sagrados, sobretudo da Bíblia – eles desenvolveram a erudição e a preocupação com os detalhes, os fatos, os vestígios humanos – as escavações arqueológicas, por exemplo – e criaram as bases dos procedimentos que até hoje norteiam os historiadores. Mesmo que hoje os historiadores sejam reticentes quanto à possibilidade de reconstruir o passado tal como ele foi, qualquer historiador responsável procura compreender o passado do modo mais cuidadoso e acurado possível, prestando atenção aos filtros que se interpõem entre ele, historiador, e o passado. Qualquer historiador digno do nome busca, como aprendi com meu mestre Fernando Novais, compreender, mesmo se por meio de aproximações. Compreender importa muito mais do que arquitetar explicações engenhosas ou espetaculares, e que podem ser datadas, pois cada geração almeja se afirmar com relação às anteriores ancorando-se numa pseudo-originalidade.
Sem querer provocar meus companheiros das outras humanidades, eu diria que a Antropologia nasce a partir da História, e porque os homens dos séculos XVI, XVII e XVIII começaram a perceber que os povos tinham costumes diferentes uns dos outros, e que esses costumes deviam ser entendidos nas suas peculiaridades sem serem julgados aprioristicamente. É justamente a partir desse conhecimento específico que os observadores podem estabelecer relações gerais comparativas e tecer considerações, enveredar por reflexões mais abstratas. Portanto, a História permite lidar com as duas pontas do fio que possibilita a compreensão do que é humano: o particular e o geral.
A História é fundamental para o pleno exercício da cidadania. Se conhecermos nosso passado, remoto e recente, teremos melhores condições de refletir sobre nosso destino coletivo e de tomar decisões. Quando dizemos que tal povo não tem memória – dizemos isso frequentemente de nós mesmos, brasileiros – estamos, a meu ver, querendo dizer que não nos lembramos da nossa história, do que aconteceu, por que aconteceu, e daí escolhermos nossos representantes de modo um tanto irrefletido – para dizer o mínimo- , de nos sentirmos livres para demolirmos monumentos significativos, fazermos uma avenida suspensa que atravessa um dos trechos mais eloquentes, em termos históricos, da cidade do Rio de Janeiro, o coração da administração colonial a partir de 1763, o palácio dos vice-reis. Quando olho para a cidade onde nasci, onde vivi quase toda a vida e que amo profundamente, fico perplexa com a destruição sistemática do passado histórico dela, que foi fundada em 1554 e é dos mais antigos centros urbanos da América: refiro-me a São Paulo. Se administradores e elites econômicas tivessem maior consciência histórica talvez São Paulo pudesse ter um centro antigo como o de cidades mais recentes que ela – Boston, Quebec, até Washington, para falar das cidades grandes, que são mais difíceis de preservar.
Não acho que se toda a humanidade fosse alimentada desde o berço com doses maciças de conhecimento histórico o mundo poderia estar muito melhor do que está. Mas a falta do conhecimento histórico é, a meu ver, uma limitação grave e, no limite, desumanizadora. Acho interessante o fato de muitas evidências indicarem que, excluindo os historiadores, obviamente, o segmento profissional mais interessado em História é o dos médicos. Justamente os médicos, que lidam com pessoas doentes, frágeis e amedrontadas diante da falibilidade de seu corpo e da inexorabilidade do destino humano. E que têm que reconstituir a história da vida daquelas pessoas, com base na anamnese, para poder ajudá-las a enfrentar seus percalços. Carlo Ginzburg escreveu um ensaio verdadeiramente genial, sobre as afinidades do conhecimento médico e do conhecimento histórico, ambos assentados num paradigma indiciário (refiro-me ao ensaio “Sinais – raízes de um paradigma indiciário”, que faz parte do livro Mitos – emblemas – sinais). Portanto, volto ao início, à diversão, e acrescento: o conhecimento histórico humaniza no sentido mais amplo, porque ajuda a enxergar os outros homens, a enfrentar a própria condição humana.
Na minha adolescência, sonhei ser médica. No ensino médio, tive boas relações com a Biologia, mas a Matemática e a Física não me trataram bem. Acabei desistindo dessa profissão extraordinária e cedendo à grande paixão pelo conhecimento histórico. É curioso constatar, a esta altura da vida, que nunca, como hoje, o Brasil precisou tanto de médicos e de historiadores competentes.

Laura de Mello e Souza
Professora Titular Aposentada da Universidade de São Paulo
Titular da Cátedra de História do Brasil da Universidade Paris Sorbonne

sábado, 20 de junho de 2020

Um pouco sobre homossexualidades na Colônia Portuguesa da América


Autor: Professor Gilberto Soares

A moral católica era o trilho pelo qual corria a vida do português a época das grandes navegações. Até uma das propostas de enfrentamento ao Mar Tenebroso era a difusão da fé cristã e conversão dos infiéis. Das regras da Igreja, havia as que ditavam o comportamento sexual das pessoas. Sexo era uma prática exclusivamente voltada para a reprodução, ao menos oficialmente, prova disso era que os europeus católicos se infectavam com sífilis ainda na Idade Média.
            Sexo entre marido e esposa tinha, também, seu manual: relações noturnas, sem nudez completa, duas vezes por semana (não mais que isso) e sem provocar a volúpia por gestos, palavras ou atitudes impudicas.
            Uma prática intolerável era o chamado Pecado Nefando (peccatum nefandum), condenado pelo Santo Ofício, a sodomia era um dos quatro pecados que provocam a ira de Deus.
            Os navegadores europeus que aportaram na Terra Brasilis, se espantavam primeiro com a nudez dos nativos que aqui se encontravam e aos poucos iam se espantando com tudo mais que podiam. Na sexualidade, os indígenas tinham uma prática bem diferente da europeia, visto que ainda não havia filial do Santo Ofício por aqui.
Jean-Baptiste Debret  - Família de um chefe Camacã preparando-se para uma festa
            A virgindade não era bem vista pelos nativos, condenavam quem atrasava a primeira relação sexual. Não havia obrigação da fidelidade marital, podendo um casal se relacionar com outros sem nenhum espanto ou constrangimento. No filme “Caramuru - A Invenção do Brasil”, Diogo Alvares, interpretado por Selton Melo, é capturado pelos tupinambás e a ele é oferecida as filhas do chefe da tribo, para que com elas se deitassem. Isso era uma realidade entre os nativos, onde um inimigo capturado tinha o direito de deitar-se com as filhas e esposa de seu captor. Verdade, também, era o espanto dos católicos europeus com tal prática.
            Entre os indígenas Guaicurus, existiam os chamados Cudinas que eram homens castrados que agiam como mulheres, sendo deles, também, tarefas dadas a elas. Em alguns casos os cudinas podiam exercer o papel de prostitutas.
            Entre os tubinambás era comum que homens fizessem sexo com homens, sendo o ativo muito orgulhoso de seus feitos, a ponto de contar aos outros e se gabar de sua proeza.
            Entre as mulheres, as çacoaimbeguira eram indígenas masculinizadas que saiam pra caçar, cortavam seus cabelos como os de homem, iam a guerra e tinham suas esposas.
            As Icamiabas inspiraram o nome do rio Amazonas, batizado em homenagem as mulheres guerreiras que viviam as margens do rio, quando a expedição de Francisco de Orellana buscava sua foz.
            Se os indígenas reconheciam e até tinham como natural outras sexualidades, os europeus condenavam essas práticas. Em 1614 foi executado no Maranhão o indígena Tibira – A palavra tibira, tivira ou tibirô designava homossexual na língua tupi – pelo crime de sodomia. O missionário católico francês Yves d’Évreux mandou amarrá-lo na boca de um canhão, que foi disparado partindo-o em pedaços. Já se vê que nessa época era pecado ser homossexual, mas não tinham problemas quanto ser assassino sádico.



Fontes consultadas:
Devassos no paraíso: a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade – João Silvério Trevisan


Veja também:

Related Posts with Thumbnails