" História, o melhor alimento para quem tem fome de conhecimento" PPDias

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Olimpíada de História consagra equipes finalistas



A 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil consagrou as 300 equipes convocadas para a fase presencial com medalhas de ouro, prata e bronze, e menções de honra. A cerimônia de premiação aconteceu no último domingo, 24, no Ginásio Multidisciplinar da Universidade Estadual de Campinas.

“Saber do seu esforço, mostrar que é capaz, e ganhar, é incrível”, disse com lágrimas nos olhos, a estudante Marília Gonzaga, de 17 anos, aluna do Colégio Militar do Recife que integrou a equipe CMR02. A felicidade da estudante define o clima de ansiedade e alegria presente no evento de premiação. Como em partidas de voleibol, os estudantes vibravam a cada equipe anunciada.

A euforia da comemoração tinha explicação. A cerimônia aconteceu um dia após a realização da última fase da Olimpíada, que aconteceu no sábado, no Ciclo Básico 2 da Unicamp. Diferente das cinco fases anteriores, virtuais, na última etapa os estudantes realizaram prova escrita, que incluiu questões relacionadas ao trecho do livro “Caminhos e Fronteiras”, do historiador Sérgio Buarque de Holanda. Da realização da prova até a entrega de medalhas foram mais de 20 horas aguardando o resultado.

Uma Olimpíada Diferente...

“O mais importante na Olimpíada foi o espírito de integração. As equipes se formaram, se prepararam e competiram, mas o congraçamento foi o valor maior”, disse o Coordenador Geral da Universidade, Edgar Salavadori de Decca, que abriu a cerimônia de premiação representando o Reitor da Unicamp. O Historiador, autor de livros consagrados como “O Silêncio do Vencidos”, teve seu pronunciamento aclamado pelo público presente.

Mais do que entregar medalhas, a premiação das equipes celebrou o aprendizado e a união de professores e estudantes em busca de um objetivo comum: estudar a história do Brasil. “Só tenho a agradecer aos meus alunos, que confiaram em mim e me motivaram o tempo todo. Estou com novo fôlego”, disse a professora Marisa Noda, de Santo Antonio da Platina/PR, do Colégio Estadual Rio Branco.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Exposição na Alemanha mostra a ascensão de Hitler ao poder

 O Museu Nacional da Alemanha, em Berlim, é sede da primeira exposição mundial focada em Adolf Hitler. Os visitantes saem impressionados.

Uma exposição inaugurada este mês na Alemanha toca num capítulo trágico da história do país: a ascensão de Adolf Hitler ao poder e a relação do líder nazista com o povo alemão.
Museu Nacional da Alemanha, em Berlim, sede da primeira exposição mundial focada em Adolf Hitler. Um acervo tão polêmico que nossa reportagem mal começa e já somos obrigados a parar.
“Isso não é parte da exposição. De fato o alarme está tocando, porque há uma ameaça de bomba aqui no museu e todo mundo deve sair'', explica o correspondente Marcos Losekann.
Minutos depois, a reforçada segurança do museu comprova que foi mais um alarme falso. Grupos neo e antinazistas estariam por trás das ameaças frequentes, indignados com o tema que expõe como Hitler manipulava a opinião pública alemã.
Os expositores se preocupam em evitar que ao exibir essas imagens acabem glorificando o ditador. Por isso, ele sempre aparece associado às consequências terríveis do poder sem limites, como os campos de concentração em que morreram seis milhões de judeus.
Para ligar as duas partes da exposição, foram deixadas frestas. O objetivo é mostrar que, mesmo nos tempos de Hitler, os cidadãos tinham condições de observar o que acontecia nos bastidores do poder. Segundo os expositores, querer enxergar era uma questão de oportunidade ou de vontade.
Os visitantes saem impressionados. ''O que mais me chamou a atenção é a capacidade que ele teve de iludir o povo alemão, trazendo a ideia de um futuro extremamente próspero e rico”.
Um alemão concorda em parte com a turista brasileira. “Hitler soube tirar proveito do caos alemão, mas muitos alemães se deixaram iludir”.
Polêmica forte, intrigante. A exposição é a cara de um ditador que continua sendo julgado pela História.

domingo, 24 de outubro de 2010

Revolução de 30 - O fim da participação de Carangola.


24.10.1930 - Através de um telegrama do Rio de Janeiro, chegava a esta cidade, a notícia da deposição do Presidente da República Washington Luiz por uma Junta Militar composta por oficiais generais. A notícia paralisou todas as atividades da cidade, passando para manifestações de júbilo. Contando  com 400 carangolenses em armas naquele movimento, a notícia da vitória da revolução foi comemorada como um feito local. Todas as atenções se voltaram a homenagear o Presidente da Câmara Municipal Dr. Waldemar Soares de Souza, que no momento se encontrava num posto avançado em Itaperuna-RJ, junto as tropas revolucionárias. Neste mesmo dia retornou pela ferrovia, sendo aguardado na estação por uma imensa multidão. Três Bandas de Músicas, de Divino, de São Francisco do Glória e a Lyra Mineira de Carangola, estavam presentes para abrilhantar a recepção.  Ao desembarque, vários oradores fizeram uso da palavra, exaltando o chefe do executivo municipal e o movimento revolucionário vitorioso.  

Fonte: Carelli, Rogério - Efemérides Carangolense (1827-1959)

sábado, 23 de outubro de 2010

Hino à Negritude

Imagem: Hino à Negritude (Cântico à Africanidade Brasileira) - Brasil escola

Criado pelo poeta e professor Eduardo Ferreira de Oliveira, o Hino à Negritude foi oficializado em todo o território nacional graças ao projeto de lei enviado pelo deputado federal Vicentinho, integrante do Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Segundo o representante político, a consagração deste hino tem como objetivo maior reforçar a figura do negro enquanto contribuinte na formação da sociedade brasileira.

O processo de composição do hino percorreu uma longa trajetória, que teve seu início na década de 1940. Inicialmente, o professor Eduardo registrou a peça musical como “Hino 13 de maio”, fazendo uma clara referência à mesma data em que a princesa Isabel promoveu o fim da escravidão no Brasil. Contudo, ao longo de vários debates historiográficos, a canção mudou de nome mediante os vários dilemas ainda enfrentados pelos negros após a abolição.

Segundo o projeto de lei que formalizou o reconhecimento do Hino à Negritude, a canção será entoada em todo e qualquer tipo de evento em que a raça negra seja seu foco principal. Além das especificações do seu uso, várias entidades e secretarias envolvidas com a população negra vêm desenvolvendo projetos que facilitem o acesso e a divulgação do novo hino em bibliotecas, escolas, casas de cultura e outros estabelecimentos de ensino.

Além de seu valor simbólico e político, o Hino à Negritude consolida mais uma ação de luta contra a questão do preconceito racial. Sob o aspecto pedagógico, a divulgação do hino promove um resgate poético de toda a contribuição que os negros tiveram no desenvolver da nação brasileira. Logo abaixo, segue a letra da canção:





I
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)


II
Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lh destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a solenidadesPara o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)






III
Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez
(bis)


IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado de heroico labor
todos numa só voz
Bradam nossos avós
Viver é lutar com destemor
Para frente marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Cidadãs, cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São Galardões aos negros de altivez.




"DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR"

Leandro Karnal

Primeiro
CORTAR O PROGRAMA!
Quase todas as disciplinas foram perdendo aulas ao longo das décadas anteriores. Não obstante, os programas nem sempre acompanharam estes cortes. Pergunte-se: isto é realmente importante? Este conteúdo é essencial? Não seria melhor aprofundar mais tais tópicos e menos outros? Se a justificativa é a pressão do vestibular, ela não pode ocupar 11 anos de Ensino Médio e Fundamental. Se a justificativa é uma regra da escola ou um coordenador obsessivo, lembre-se: o Diário de Classe sempre foi o documento por excelência do estelionato. A coragem da grande tesoura é essencial. Dar tudo equivale a dar nada. Ensinar a pensar não implica esgotar o conhecimento humano.

Segundo
SEMPRE PARTIR DO ALUNO!
Chega de lamentar o aluno que não temos! Chega de lamentar que eles não lêem, a partir de uma nebulosa memória do aluno perfeito que teríamos sido (nebulosa e duvidosa). Este é o meu aluno real. Se, para ele, Paulo Coelho é superior a Machado de Assis e baile Funk é superior a Mozart, eu preciso saber desta realidade para transformá-la. Se ele é analfabeto devo começar a alfabetizá-lo. Se ele está no Ensino Médio e ainda não domina soma de frações de denominadores diferentes devo estar atento: esta é minha realidade. A partir do zero eu posso sonhar com o cinco ou seis. A partir do imaginário da perfeição é difícil produzir algo. A Utopia, desde Platão e Thomas Morus, tem a finalidade de transformar o real, nunca de impossibilitá-lo.

Terceiro
PERDER O FETICHE DO TEXTO!
Em todas as áreas, em especial nas humanas, os alunos são instigados quase que exclusivamente ao texto. Num mundo imerso na imagem e dominado por sons e cores, tornamos o texto central na sala de aula. Devemos estar atentos ao uso de imagens, música, sensorialidades variadas. O texto é muito importante, nunca deve ser abandonado. Porém, se o objetivo é fazer pensar, o texto é apenas um instrumento deste objetivo maior. Há pessoas que pensam e nunca leram Camões e há quem saiba Os Lusíadas de cor e não pense... Lembre-se de que há outros instrumentos. A sedução das imagens deve ser uma alavanca a nosso favor, nunca contra. Usar filmes, propagandas, caricaturas, desenhos, mapas: tudo pode servir ao único grande objetivo da escola: ajudar a ler o mundo, não apenas a ler letras.

Quarto
POSSIBILTAR O CAOS CRIATIVO!
Sala de aula na época Vitoriana
Fomos educados a um ideal de ordem com carteiras emparelhadas e, mesmo no fundo do nosso inconsciente, este ideal persiste. Qual professor já não teve o pesadelo de perder o controle total de uma sala, especialmente na noite mal dormida que antecede o primeiro dia de aula? Devemos estar preparados para o caos criador e para o lúdico. Alunos andando pela sala, trocando fragmentos de textos ou imagens dados pelo professor, discussões, encenações, o professor recitando uma poesia ou mandando realizar um desenho: tudo pode ser canal deste lúdico que detona o caos criativo. Surpreenda seus alunos com uma encenação, com um silêncio, com um grito, com uma máscara. Uma sala pode estar em ordem e ninguém aprendendo e pode estar com muitas vozes e criando ambiente de aprendizado. Lembre-se o silêncio absoluto é mais importante para nós do que para os alunos. É difícil vencer a resistência dos colegas e da própria escola a isto. Lógico que o silêncio também deve ser um espaço de reflexão, mas é possível pensar que há valor num solo gentil de flauta, numa pausa ou num toque retumbante de 200 instrumentos.

Quinto
INTERDISCIPLINAR!
Assim mesmo, entendido o princípio como um verbo, como uma ação deliberada. É fundamental fazer trabalhos com todas as áreas. Elaborar temas transversais como o MEC pede e, ao mesmo tempo, libertar o aluno da idéia didática das gavetas de conhecimento. Não apenas áreas afins (como História e Geografia) mas também Literatura e Educação Física, Matemática e Artes, Química e Filosofia. É preciso restaurar o sentido original de conhecimento, que nasceu único e foi sendo fragmentado até perder a noção de todo. O profissional do futuro é muito mais holístico do que nós temos sido até hoje.

Sexto
PROBLEMATIZAR O CONHECIMENTO!
Oferecer ao aluno o cerne da ciência e da arte: o problema. Não o problema artificial clássico na área de exatas, mas os problemas que geraram a inquietude que produziu este mesmo conhecimento A chama que vivou os cientistas e artistas é transmitida como um monumento inerte e petrificado. Mostrem as incoerências, as dúvidas, as questões estruturais de cada matéria. Mostrem textos opostos, visões distintas, críticas de um autor ao outro. Nunca fazer um trabalho como: "O Feudalismo" ou "O Relevo do Amapá"; mas problemas para serem resolvidos. Todo animal (e, por extensão, o aluno) é curioso. Porém, é difícil ser curioso com o que está pronto. Sejamos francos: se é tedioso ler um trabalho destes, qual terá sido o tédio em fazê-lo?

Sétimo
VARIAR AVALIAÇÕES!
Provas escritas são válidas, como a vitamina A é válida para o corpo humano. Porém, avaliações variadas ampliam a chance de explorar outros tipos de inteligência na sala. As outras avaliações não devem ser vistas como um trabalhinho para dar nota e ajudar na prova, mas como um processo orgânico de diminuir um pouco a eterna subjetividade da avaliação.

Oitavo
USAR O MUNDO NA SALA DE AULA!
O mundo está permeado pela televisão, pela Internet, pelos jornais, pelas revistas, pelas músicas de sucesso. A escola e a sala de aula precisam dialogar com este mundo. Os alunos em geral não gostam do espaço da sala porque ele tem muito de artificial, de deslocado, de fora do seu interesse. Usar o mundo da comunicação contemporânea não significa repetir o mundo da comunicação contemporânea; mas estabelecer um gancho com a percepção do meu aluno.

Nono
ANALISAR-SE PESSOALMENTE!
A primeira pessoa que deve responder aos questionamentos da educação é o professor. Somos nós que devemos saber qual o motivo de dar tal coisa, qual a relevância, qual a utilidade de tal leitura. O professor é o primeiro que deve saber como tal ciência transformou a sua vida. Isto implica fazer toda espécie de questão, mesmo as incômodas. Se eu não fico lendo tal autor por prazer e nem o levo aos meus passeios como posso exigir que um jovem ou uma criança o façam? Qual a coerência do meu trabalho? Minha irritação com a turma indisciplinada é uma espécie de raiva por saber que eles estão certos? Minha formação permanente me indica novos caminhos? Estou repetindo fórmulas que deram certo quando eu era aluno há 20 ou mais anos? É necessário um exercício analítico-crítico muito denso para que eu enfrente o mais duro olhar do planeta: o do meu aluno.

Décimo
SER PACIENTE!
Hoje eu acho que ser paciente é a maior virtude do professor. Não a clássica paciência de não esganar um adolescente numa última aula de sexta-feira, mas a paciência de saber que, como dizia Rubem Alves, plantamos carvalhos e não eucaliptos. Nossa tarefa é constante, difícil, com resultados pouco visíveis a médio prazo. Porém, se você está lendo este texto, lembre-se: houve uma professora ou um professor que o alfabetizou, que pegou na sua mão e ensinou, dezenas de vezes, a fazer a simples curva da letra O. Graças a estas paciências, somos o que somos. O modelo da paciência pedagógica é a recomendação materna para escovar os dentes: foi repetida quatro vezes ao dia, durante mais de uma década, com erros diários e recaídas diárias. As mães poderiam dizer: já que vocês não querem nada com o que é melhor para vocês, permaneçam do jeito que estão que eu não vou mais gritar sobre isto (típica frase de sala de aula...). Sem estas paciências, seríamos analfabetos e banguelas. Não devamos oferecer menos ao nosso aluno, especialmente ao aluno que não merece nem quer esta paciência - este é o que necessita urgentemente dela. O doente precisa do médico, não o sadio. O aluno-problema precisa de nós, não o brilhante e limpo discípulo da primeira carteira.
Fonte: www.ime.unicamp.br In. FARIA, Ricardo de Moura. Estudos de História, vol 1

Publicado no blog: Ateliê de História

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Teorias racistas: Eugenia



Veja também:  Eugenia 2/3            Eugenia 3/3

Eugenia é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. Em outras palavras, melhoramento genético. O tema é bastante controverso, particularmente após o surgimento da eugenia nazista, que veio a ser parte fundamental da ideologia de pureza racial, a qual culminou no Holocausto. Mesmo com a cada vez maior utilização de técnicas de melhoramento genético usadas atualmente em plantas e animais, ainda existem questionamentos éticos quanto a seu uso com seres humanos, chegando até o ponto de alguns cientistas declararem que é de fato impossível mudar a natureza humana.
Desde seu surgimento até os dias atuais, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução. Do ponto de vista do debate científico, a eugenia foi derrotada pelo argumento da genética mendeliana.

Já na Grécia antiga, Platão descrevia, em República, a sociedade humana se aperfeiçoando por processos seletivos (sem falar que em Esparta já se praticava a eugenia frente aos recém-nascidos, já que não existiam pré-natais, abortivos eficientes, eutanásia e afins), já conhecidos na época. Modernamente, uma das primeiras descrições sobre a eugenia foram feitas pelo cientista inglês Francis Galton.
Galton foi influenciado pela obra de seu primo Charles Darwin, A Origem das Espécies, onde aparece o conceito de seleção natural. Baseado nele Galton propôs a seleção artificial para o aprimoramento da população humana segundo os critérios considerados melhores à época.
Francis Galton
Foi também Galton quem lançou as bases da genética humana e cunhou o termo eugenia, para designar a melhoria de uma determinada espécie através da seleção artificial, em sua obra Inquiries into Human Faculty and Its Development (Pesquisas sobre as Faculdades Humanas e seu Desenvolvimento), de 1883. Esta obra foi largamente elogiada em matéria da revista americana "Nature", em 1870.
Ao escrever seu livro Hereditary Genius (O gênio herdado) em 1869, Galton observou, compilou dados e sistematizou a inteligência em vários membros de várias famílias inglesas durante sucessivas gerações. Sua conclusão foi de que a inteligência acima da média nos indivíduos de uma determinada família se transmite hereditariamente. Bulmer argumenta que Galton estava tão tendencioso a explicação pela hereditariedade que nem sequer tomou o cuidado de analisar os meios neuro-sociais de forma imparcial, isenta e proporcional. Por acreditar que a condição inata, e não o ambiente, determinava a inteligência, Galton propôs uma eugenia positiva através de casamentos seletivos.
Na época, a população inglesa crescia nas classes pobres e diminuía nas classes mais ricas e cultas, e se temia uma degeneração biológica. Portanto, a eugenia logo se transformou num movimento que angariou inúmeros adeptos entre a esmagadora maioria dos cientistas e principalmente entre a população em geral na sua época áurea (1870-1933). Trouxe, porém, em função do simplismo e arcaísmo de análise, o seu próprio declínio. No entanto, suas idéias sobrevivem, pois seus métodos estatísticos foram incorporados na teoria Darwiniana nos anos 30 e sintetizados com a genética Mendeliana.
Contrariamente a uma crença popular, a eugenia é inglesa (não alemã) em invenção e estadunidense (não alemã), em pioneirismo legislativo. Outra crença é que a eugenia fosse uma doutrina aplicada ou propagada pela direita política.


Fonte: Wikipedia (Veja mais clicando aqui)

Termos históricos: Racismo

Ao longo da história, a crença na existência de raças superiores e inferiores -- racismo -- foi utilizada para justificar a escravidão ou o domínio de determinados povos por outros.
A Punição do Escravo, obra de Jean-Baptiste Debret
Racismo é a convicção de que existe uma relação entre as características físicas hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. A base, mal definida, do racismo é o conceito de raça pura aplicada aos homens, sendo praticamente impossível descobrir-lhe um objeto bem delimitado. Não se trata de uma teoria científica, mas de um conjunto de opiniões, além de tudo pouco coerentes, cuja principal função é alcançar a valorização, generalizada e definida, de diferenças biológicas entre os homens, reais ou imaginárias.
O racismo subentende ou afirma claramente que existem raças puras, que estas são superiores às demais e que tal superioridade autoriza uma hegemonia política e histórica, pontos de vista contra os quais se levantam objeções consideráveis. Em primeiro lugar, quase todos os grupos humanos atuais são produto de mestiçagens. A constante evolução da espécie humana e o caráter sempre provisório de tais grupos tornam ilusória qualquer definição fundada em dados étnicos estáveis. Quando se aplica ao homem o conceito de pureza biológica, confunde-se quase sempre grupo biológico com grupo lingüístico ou nacional.
O fenômeno, cujas origens são complexas, ocorre com maior ou menor intensidade em todas as etnias e em todos os países e suas origens são muito complexas. Quando o Japão, por exemplo, conseguiu, na primeira metade do século XX, um desenvolvimento econômico comparável ao da Europa, surgiu no seio do povo japonês uma ideologia racista muito semelhante à que justificava o colonialismo europeu.
Um primeiro estágio de racismo confunde-se com a xenofobia: determinado grupo social hostiliza um estranho por considerar nefasto todo contato fora do grupo social, o qual tira sua força da homogeneidade e da aceitação entre seus membros das mesmas regras e princípios, recusados ou desconhecidos pelo elemento exógeno. Em outro nível, tal repúdio é justificado pela diferença física, que se torna o suporte do componente racista.

Racismo nas sociedades modernas. A história da humanidade refere-se, desde os tempos mais antigos, a relações, decorrentes das migrações, entre povos racialmente distintos. No entanto, antes da época de expansão das nações européias, as relações raciais não apresentavam a feição que mais tarde as caracterizaria.
Entre egípcios, gregos e romanos, as relações eram de vencedor e cativo, e vigoravam indiferentemente, mesmo com povos a eles semelhantes. Durante toda a Idade Média, a base do antagonismo entre povos era, sobretudo, de índole religiosa. Graças à grande força política da igreja, justificava-se a conquista e submissão de povos para incorporá-los à cristandade. Ainda quando dos primeiros contatos entre portugueses e africanos, não havia nenhum atrito de ordem racial.


Francisco Pizarro dominando o Imperador Inca  Atahualpa
Quando, a partir do Renascimento, o progresso técnico permitiu à Europa dominar o mundo, surgiram diversas ideologias que pretenderam explicar e justificar a dominação dos demais continentes pelos países europeus, alegando existir na Europa uma raça superior, destinada por Deus ou pela história a dominar as raças não-européias, consideradas inferiores. A expansão espanhola na América buscou sustentação ideológica em crenças tais como as de que os ameríndios não eram verdadeiros seres humanos, o que justificaria sua exploração.
O moderno racismo europeu encontrou fundamento teórico na obra do conde de Gobineau, Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) publicada em meados do século XIX. Nela, o autor francês sustentou que a civilização européia fora criação da raça ariana, uma minoria seleta da qual descendiam as aristocracias de toda a Europa e cujos integrantes eram os senhores "naturais" do resto da população. Outro paladino do racismo foi Houston Stewart Chamberlain, que, embora inglês de nascimento, tornou-se conhecido como "antropólogo do kaiser". Publicou na Alemanha, em 1899, Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX), obra em que retomou o mito da raça ariana e identificou-a com o povo alemão.
Outros autores, como Alfred Rosenberg, também contribuíram para criar a ideologia racista. Esta, convertida em programa político pelo nazismo, visava unificar os alemães, mas como a identificação dos traços raciais específicos do povo de senhores era impossível na prática, criou-se uma "raça inimiga" que unisse contra ela o povo alemão. A perseguição dos judeus ou a escravização de povos da Europa oriental em nome da superioridade da pretendida raça ariana resultou, por suas atrocidades, na adoção pela opinião pública mundial de critérios opostos ao racismo, a partir do final da segunda guerra mundial.
Conflitos "raciais" na África do Sul
Os trabalhos de antropólogos e sociólogos rejeitam globalmente as teorias racistas e a seu desprestígio científico une-se a adoção, por todos os estados, de princípios como os contidos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Ao mesmo tempo, nos países em que tradicionalmente se praticavam formas de discriminação racial, os preconceitos passaram a ser suavizados e se impôs uma igualdade de oportunidades cada vez maior. Uma exceção à tendência geral, a partir de 1948, foi a África do Sul, onde se exacerbou a tendência à segregação dos grupos étnicos (apartheid) sob o domínio dos sul-africanos de origem européia. Tal sistema político racista chegou ao fim com a convocação das primeiras eleições para um governo multirracial de transição, em abril de 1994.

sábado, 16 de outubro de 2010

Origem do nome de alguns países sul-americanos.


Argentina: Seus descobridores encontraram lá muita prata, que em latim se chama argentum - uma das riquezas do solo, inspirou o nome do país.
Bolívia: Homenageia Simon Bolivar, herói sul-americano responsável pela independência de vários países inclusive a Bolívia.
Brasil: Nome da árvore que era abundante na região. Produto extremamente lucrativo do qual se extraia um corante vermelho-brasa, daí o nome.
Chile: A palavra Clilli, na língua de uma tribo chamada aimarás significa "onde acaba a terra" por sua localização era considerada final do continente. 
Colômbia: Homenageia o italiano Cristovão Colombo descobridor do continente americano em 1492. 
Equador: Alusão à linha imaginária que corta o país, a Linha do Equador, que divide a superfície da terra em dois hemisférios, Norte e Sul. 
Guiana e Guiana Francesa: Palavra indígena guyana que significa "terra de muitas águas"
Paraguai: Os índios que viviam nesta região eram os payaguaes, que viviam às margens do rio que tinha o mesmo nome da tribo.
Peru: Na língua inca quíchua, a palavra peru significa "terra de riquezas e esperanças". Outra versão aponta uma adaptação do nome de um cacique inca, Birú.
Suriname: Derivação da palavra surinen, nome da tribo que habitava originalmente a região.
Uruguai: O nome faz referência a um dos principais rios do continente, o Uruguai, que em tupi significa "rio dos pássaros", ou "rio dos caracóis".
Venezuela: Foi o navegador italiano Américo Vespúcio quem batizou a região de Venezuela - pequena Veneza - por associar a imagem das casas dos índios construídas em palafitas sobre as águas do lago Maracaibo, às casas de Veneza. 

A tomada de Cachoeiro

16.10.1930 - A população da cidade, recebia com grande entusiasmo, um telegrama transmitido de Alegre-ES, informando que a coluna revolucionária composta somente por caransolenses, sob o comando do Capitão Joaquim Barata, haviam ocupado a cidade de Cachoeiro do Itapemirim-ES, tendo esta ocorrido sem resistência sendo recebidas com entusiasmo pela população. O carro blindado prosseguiu até a vila de Marataízes e através de praias e estradas chegou a Niterói-RJ.

E. E. Mello Vianna - Dias atuais
16.10.1930 - Um grupo de senhoras e senhoritas, se dirigiram para diante do Grupo Escolar Mello Vianna, e ali fizeram uma manifestação, exigindo que o nome do estabelecimento fosse modificado para Grupo Escolar João pessoa, devido o Dr. Fernando de Mello Vianna então vice-presidente da República, fazer parte do governo que a revolução em marcha pretendia derrubar. Em seguida, se dirigiram para o início da Rua Mello Vianna (hoje Rua Antônio Marques) onde nova manifestação dirigida à Câmara Municipal, exigiu que a denominação daquela rua fosse modificada para Rua João Pessoa. Na fachada do Grupo Escolar, o nome de Mello Vianna foi imediatamente raspado por pedreiros da Câmara Municipal. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um pouco de mineiridade...

Feliz dia dos Professores

Educar é...

Educar é ouvir a voz que nasce do coração
Daquele que fala, que pensa, que cala, que sente,
Movido pelo sonho e pela emoção.
Educar é perceber no olhar daquele que olha
A vontade se ser, de cescer e poder...
É ouvir o canto da alma que busca uma nova forma
de olhar e entender.
Não se faz educadores em escolas de técnicas, sem sabores.
Educar é saber contemplar o desejo do outro
E ser discípulo da esperança presente em cada um, homem ou criança.
Educar a mente, o coração, movimentar as mãos na tarefa de construção
De um modo novo, de novo e sempre.
Somos todos convidados a educar e a educar-nos,
Renovar e renascer. Educar é tarefa universal!
Sentimento, pensamento, cerébro e coração,
Ferramentas sublimes da educação!
Educador é aquele que "educa a dor". A dor de não saber,
De não crescer para a luz do conhecimento que liberta, desperta.
Bendita educação!
Sentida comoção na arte de viver e conviver.
Bendita escola que mais faz quando ama e ensina
Que a vida é um canteiro do infinito presente no agora.
Educar é realizar "partos" de idéias e ideais.
É tirar de dentro a luz, e fazer brilhar
Para que dos caminhos da Terra sejam banidas as guerras,
Redimidas as feras...
Porque quando educadores semeiam felizes
sobre o terreno do hoje as sementes do amanhã,
um futuro mais risonho nos espera
como eternos aprendizes,
numa eterna primavera.

Autor: Rossano Sobrinho

Dia do Professor

O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil.
No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.
Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor.
Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 01 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano. 
O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e implantar-se por todo o Brasil.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: "Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Robô da Grécia Antiga era movido a trigo




(Reportagem antiga (2007), mas interessante) 


Aparelho de sábio de Alexandria do século 1 era 'programável' com corda. 

Máquina andava e apresentava show; robótica pode ser ainda mais antiga.
Reinaldo José Lopes

Do G1, em São Paulo

Foto: Divulgação
O cientista da computação Noel Sharkey, da Universidade de Sheffield (Foto: Divulgação)
Já era de esperar que o robô mais antigo do mundo não tivesse cérebro de silício ou fosse movido a eletricidade, mas nem a mente mais familiarizada com a Antigüidade seria capaz de imaginar que ele andasse e até apresentasse um teatrinho com a ajuda de... grãos de trigo.

Quem está desenterrando detalhes sobre o autômato do século 1 d.C. é o cientista da computação britânico Noel Sharkey, da Universidade de Sheffield. Sharkey vasculhou as obras teóricas de Heron de Alexandria, o legendário criador do autômato, e diz ter descoberto que ele é a primeira máquina guiada por um programa -- tal como os computadores modernos -- cujos registros chegaram até nós.

Sem disco rígido ou memória RAM, a programação tinha de ser incorporada ao robô por meio de cordas, que eram enroladas em determinada seqüência em torno dos eixos de suas rodas dianteiras. O trigo ajudava a controlar a força motriz: na parte de trás do autômato, a cordinha que estava enrolada em torno dos eixos ficava presa a um peso. Esse peso, por sua vez, ficava no alto de um tubo cheio de grãos de trigo. O tubo tinha um furo, do qual os grãos iam caindo devagarzinho: assim, o peso ia baixando cada vez mais, fazendo os eixos rodarem e o robô inteiro se mover (veja animação abaixo).


 Teatro divino
Não é a primeira vez que Heron ganha fama de pioneiro tecnológico. Relatos sobre o inventor, que viveu entre os anos 10 e 70 da Era Cristã (contemporâneo, portanto, de Jesus e dos primeiros apóstolos, como Pedro e Paulo), dão conta de que ele criou até a primeira máquina de vender bebidas da história. (A pessoa colocava uma moeda nela e recebia um jato de água benta.) Segundo os relatos, o robozinho estudado por Sharkey, além de se mover por um palco, também apresentava automaticamente um pequeno espetáculo de fantoches, envolvendo o deus grego Dioniso, senhor do vinho e do teatro.

Outros mecanismos mirabolantes são conhecidos antes da revolução da informática no século 20. Leonardo da Vinci, por exemplo, projetou um leão mecânico que caminhava e apresentava flores, usando o bicho para homenagear o rei da França em 1515. O diferencial do robô de Leonardo é que ele era programável: em vez de desmontar o bicho inteiro para que ele funcionasse de maneira diferente, bastava modificar a posição de alguns elementos internos -- no caso, braços que faziam rodar certas engrenagens, sistema parecido com o de uma caixinha de música.

Em busca de robôs programáveis ainda mais antigos, Sharkey traduziu o tratado Perí automatopoietikés (Sobre a fabricação de autômatos), escrito por Heron. No trabalho, Heron cita alguns de seus predecessores, como Ctesíbio, que viveu dois séculos antes dele, e explica parte de sua técnica. Segundo Sharkey, os fabricantes de robôs tinham uma longa escola em Alexandria, cidade que, embora ficasse no Egito, foi fundada por Alexandre, o Grande e tinha cultura profundamente grega.

"Eles estavam ligados ao grande museu e biblioteca de Alexandria. A cidade estava cheia de pesquisadores, e havia financiamento do governo [primeiro a dinastia grega dos Ptolomeus, depois os romanos] para a atividade deles", contou Sharkey ao G1. "Não sabemos sobre a vida ou posição social deles, mas eles parecem ter tido grande prestígio e escreveram muitos livros. Ctesíbio era filho de um barbeiro e mostrou seu talento logo cedo, construindo uma espécie de espelho hi-tech para seu pai."

Ao que tudo indica, porém, Heron foi muito além de todos eles ao criar a sua programação de corda. Ele dividiu o eixo das rodas dianteiras do robozinho, de forma a permitir que cada uma delas se movesse de forma independente, facilitando a execução de movimentos complexos. Cada giro da corda em volta dos eixos equivalia exatamente a uma volta completa das rodas. Assim, por exemplo, dez voltas da corda em torno de uma metade do eixo e cinco em torno de outra levaria uma das rodas a dar dez voltas para a frente e a outra, cinco para trás.

De quebra, havia até um comando de "pausa": pedaços da corda podiam ser presos com cera à lateral do robô. Enquanto o pedaço enrolado era puxado e desenrolado, o autômato ficava sem se mexer. A flexibilidade era muito grande se comparada à simplicidade de design.      

 Robótica homérica
A pergunta que fica inevitavelmente no ar é: até que ponto do passado a tradição de fazedores de robôs pode recuar? Sharkey cita uma passagem do poeta épico grego Homero (que provavelmente viveu por volta do ano 800 a.C.), no qual são descritas trípodes (uma espécie de tripé) criadas pelo deus Hefesto, o ferreiro do Olimpo. Tais trípodes teriam rodas de ouro "que as permitiam ir sozinhas para as assembléias dos deuses, uma maravilha de se contemplar", diz Homero.

"É claro que essa referência é ficcional, mas o intrigante disso tudo é que robôs em forma de trípode têm um design excelente, usado ainda hoje. Homero não tinha fama de engenheiro; portanto, é possível que ele tenha tirado a idéia de algo que já existia. Ou foi pura sorte. De qualquer maneira, acho que vale a pena investigar, e é o que estou fazendo", conclui Sharkey.

Termos históricos: Terrorismo

Em suas muitas manifestações, o terrorismo é um dos pesadelos da civilização moderna, por seu componente de irracionalidade, amplitude de suas conseqüências e impossibilidade de prevenção. Sua motivação varia da genuína convicção política à ânsia pessoal de afirmação, mas o resultado é sempre a morte, a mutilação e a destruição.
Terrorismo é o uso sistemático do terror ou da violência imprevisível contra regimes políticos, povos ou pessoas para alcançar um fim político, ideológico ou religioso. No passado, as ações terroristas foram realizadas por organizações políticas com ideologias de direita ou de esquerda, grupos étnicos, nacionalistas ou revolucionários e pelos exércitos e polícias secretas de certos governos. Mais tarde, a esses grupos somaram-se os partidários de seitas religiosas fundamentalistas.
Imperadores romanos como Tibério usaram o banimento, expropriação de propriedades e execução como meios de desencorajar a oposição a seu governo. A Inquisição espanhola valeu-se da prisão arbitrária, tortura e execução para punir o que considerava heresia religiosa. O uso do terror foi abertamente defendido por Robespierre como forma de incentivar a virtude revolucionária durante a revolução francesa, o que levou o período em que teve o domínio político a se chamar reino do terror. Depois da guerra civil americana, sulistas inconformados criaram a organização terrorista Ku Klux Klan para intimidar os negros e os partidários da reconstrução do país.
Assassinato do Arquiduque
 Francisco Ferdinando
Na segunda metade do século XIX, o terrorismo foi adotado como prática política pelos anarquistas da Europa ocidental, Rússia e Estados Unidos, na suposição de que a melhor maneira de realizar a mudança revolucionária social e política era assassinar pessoas em posições de poder. De 1865 a 1905, numerosos reis, presidentes, primeiros-ministros e outros funcionários governamentais foram mortos pelas balas ou bombas dos anarquistas.
No século XX, ocorreram grandes mudanças no uso e prática do terrorismo, que se tornou a característica de movimentos políticos de todos os tipos, desde a extrema-direita à esquerda mais radical. Instrumentos precisos, como armas automáticas e explosivos detonados a distância por dispositivos elétricos ou eletrônicos deram aos terroristas uma nova mobilidade e tornaram mais letais suas ações. O terrorismo foi adotado como virtual política de estado, embora não reconhecida oficialmente, por regimes totalitários como os da Alemanha de Hitler e a União Soviética de Stalin. Nesses países, os métodos de prisão, tortura e execução foram aplicados sem restrições ou fundamento legal, para criar um clima de medo e encorajar a adesão à ideologia nacional e aos objetivos sociais, econômicos e políticos do regime.
O terrorismo identificou-se mais comumente, no entanto, com pessoas ou grupos que tentaram desestabilizar ou derrubar instituições políticas existentes. Foi usado por um ou ambos os lados em conflitos anticolonialistas (entre Irlanda e Reino Unido, Argélia e França, Vietnam e França e depois Vietnam e Estados Unidos, por exemplo); em disputas entre diferentes grupos nacionais sobre a posse contestada de uma pátria (palestinos e Israel), em conflitos entre diferentes credos religiosos (católicos e protestantes na Irlanda do Norte); em conflitos internos entre forças revolucionárias e governos estabelecidos (Malásia, Indonésia, Filipinas, Irã, Nicarágua, El Salvador, Argentina); e em conflitos separatistas (bascos na Espanha, sérvios na Bósnia e Herzegovina, tchetchenos na Rússia).
Freqüentemente, as vítimas do terror são cidadãos escolhidos ao acaso ou que apenas se encontram inadvertidamente no lugar onde ocorre uma ação terrorista. Muitos grupos terroristas da Europa contemporânea se assemelham aos anarquistas do século XIX em seu isolamento das principais correntes políticas e a natureza pouco realista de seus objetivos. Sem base de apoio popular, substituem atividades políticas legítimas pela ação violenta, como seqüestro de pessoas, desvio de aviões, assassinato de civis e explosão de bombas em lugares públicos.
As mais famosas organizações terroristas do século XX foram as Brigadas Vermelhas na Itália, a al-Fatah (Oriente Médio), o Sendero Luminoso (Peru), O IRA (Exército Republicano Irlandês), a OLP (Organização pela Libertação da Palestina), a Ku Klux Klan, a Jihad Islâmica, Abu Nidhal, a Al-Qaeda e o ETA. Terrorismo é algo extremamente difícil de se controlar ou prevenir, especialmente se seus membros estão dispostos a correr risco de morte no processo, mas é uma ofensa criminosa em praticamente todos os códigos legais do mundo. Alguns governos têm ou tiveram ligações comprovadas com grupos terroristas, que incluem financiamento ou apoio logístico, como o fornecimento de armas e explosivos e de locais de abrigo e treino. São os casos, entre outros, do Iêmen, da Líbia, e dos países que apoiaram o regime Talibã no Afeganistão, mas também dos próprios Estados Unidos da América e outros países ocidentais.
Atentado terrorista ao WTC - 11/09/2001
 Na década de 1990, surgiu uma nova modalidade de terrorismo, de impacto ainda maior -- o terrorismo de massa, com motivação aparentemente religiosa ou política de cunho fanático. Os progressos tecnológicos e a difusão dos conhecimentos técnicos possibilitam a realização de atos terroristas com o uso de armas químicas, bacteriológicas ou biológicas, que podem disseminar a morte ou a contaminação de doenças em massa nos grandes centros urbanos de qualquer país. As razões ideológicas aparentemente deram lugar ao fanatismo religioso, especialmente dos seguidores de líderes messiânicos que divulgam idéias apocalípticas ou salvacionistas radicais.

Veja também:

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